sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015

O ovo de Colombo e o fim do mundo!

Diz a lenda (e que virou piada) que Colombo colocou um ovo em pé para ilustrar o desenho do mundo para os reis católicos Fernando e Izabel, e angariar apoio deles à sua empreitada que mudou a geopolítica de então...

Desde então, a expressão "ovo de Colombo" passou a simbolizar ideias e soluções inventivas e revolucionárias, mas extremamente simples...

Mas a vida de Colombo não foi fácil...Ele, assim como os que compartilham seu espírito, teve que "remar contra a corrente", e naquela época, desafiar o pensamento estabelecido e o discurso ideológico vigente era muito mais perigoso...

Para todos os demais o mundo era chato, e navegar além dos limites implicava em cair em um abismo, o fim do mundo...

Não temos mais colombos hoje em dia, e ironicamente, quando os meios possibilitam circulação de bens, pessoas e INFORMAÇÃO em hipervelocidade, parece que a Humanidade está condenada a considerar que o mundo acaba no horizonte...

É a situação do Brasil e do resto do mundo...

Claro que no século XV ou no XXI havia quem estivesse por trás das manipulações da realidade, SEMPRE!

O conhecimento e a ignorância sempre foram variáveis preciosas para quem deseja manter o poder, ou pelo menos, seus privilégios...

Conhecimento sempre foi anti-establishment, e a ignorância o cimento do poder (não confundir PODER com governos, ó, imbecis)...

Aí não adiantam ciência, observação ou a realidade, valem a mistificação, o desespero, a histeria...

Engraçado é perceber que de tempos em tempos, o papel de "guardiões da fé" muda de lugar...

Antes, era a Igreja o centro de controle social mais poderoso, dominando o saber e o não-saber...

Hoje, cabem à mídia e os seus "sacerdotes de coleira" o triste papel de "arautos do apocalipse", ameaçando qualquer pensamento que fuja do lugar comum...

Ou seja, para os "sacerdotes", temos uma "crise moral", e não a ruptura global de um sistema de produção que se estrutura nas assimetrias nacionais e de classes,  nas crises sazonais e sacrifícios da maioria para regalo de minorias cada vez menores...

Toda esta histeria da mídia, seja na Europa, seja no Brasil ou nos botequins jornalescos da planície de lama tem um objetivo claro, embora nem sempre todos saibam do papel que cumprem, porque é fato, alguns idiotas agem apenas como macacos adestrados...

A cada crise universal do mundo capitalista abre-se uma janela para que este sistema seja superado...

Passada a oportunidade, o sistema se rearruma e se posciona com apetite ainda mais voraz, reiniciando seus ciclos de acumulação em velocidade ainda maior que antes, e consequentemente, aumentando a rapidez da chegada da próxima crise global, onde cada vez mais e mais gente é colocada para "fora" do sistema, ao passo que o número de pesssoas mais ricas diminui no mesmo ritmo que aumenta a riqueza que concentram...  

Aqueles que desejam manter a atual ordem das coisas, com o eixo de poder centrado na Europa e nos Eua, baseados na exploração energética de hidrocarbonetos (até agora, de longe, a fonte mais barata), deslocaram, como em todas as outras crises passadas, o foco da discussão, evitando assim o questionamento óbvio: 

Quem ganha e quem perde com a manutenção do atual sistema capitalista, seus mercados, seus fluxos desenfreados de capitais, a especulação, os sequestros dos orçamentos nacionais, etc?

Sabiamente, atribuem a "culpa" a governos nacionais, e colocam sobre seus ombros a responsabilidade de lidar com uma crise que não criaram mas, a bem da verdade, assistiram omissos o seu desenrolar, sem a preocupação de impor as regulações necessárias, e ao contrário, facilitando o vai-e-vem e concentração de riquezas...

Vejam o caso do Estado do Rio de Janeiro, ou da cidade de Campos dos Goytacazes...

Há uma crise orçamentária evidente, mas as perguntas fundamentais não são feitas:

1- Ora, quando havia folga no caixa, por que não se guardou um pouco para momentos de oscilação ou baixa nas receitas?

2- Onde estão os empregos e os investimentos que justificaram bilhões de incentivos fiscais a empresas, e que seriam o antídoto contra crises, e a saída para as dependências petrorrentistas?

3- Qual o custo de cada emprego gerado?

4- O quanto destas receitas renunciadas estão fazendo falta no custeio da máquina estatal?

5- O quanto a concentração dos trabalhadores nas cidades onde se instalaram empresas, que não pagam seus impostos, aumentou a demanda estatal por bens e serviços (escolas, delegacias, policiais, professores, médicos, merenda escolar, saneamento, água, etc, etc, etc, etc)????

6- As receitas indiretas que geram nas economias locais compensam o enorme aumento de despesas pelo incremento dos empreendimentos capitalistas, onde entramos como "sócios" com nossos IMPOSTOS?

7- Os sacrifícios serão distribuídos a todos proporcionalmente, isto é, vai perder mais que tem mais para perder?

8- Enfim, quem está lucrando com o atual estado de coisas, e quem lucrará se as coisas continuarem como estão? Para onde vai o dinheiro?


Ahhhh, mas é claro, fica muito mais fácil sair as ruas e latir pelo golpe a presidenta, ou dizer que o mundo vai acabar junto com a Petrobrás...

É mais fácil dizer que o mundo é chato, nunca vai mudar e que gente como Colombo deve ser queimada por sua suprema heresia de...pensar...


Ou como dizia Nelson Rodrigues: "Ninguém desconfia do óbvio"....

Um comentário:

Anônimo disse...

Já disse isso antes. Sou contra o PT e discordo de 90% das coisas que você fala. Mas concordo em 100% com seu texto. Perfeito.