sexta-feira, 13 de fevereiro de 2015

Dilma, o que fazer?

Dilma sabe o que faz? Óbvio que sim.

O que Dilma sabe fazer é sempre o melhor caminho? Nem sempre, mas na Democracia representativa nós substituímos nossa vontade pela dela, salvo em alguns casos quando a exercemos diretamente.

Por óbvio, esse mandato não permite ao outorgado (eleito) dispor de forma ilimitada de seus poderes, e há nas regras de representação os antídotos necessários para coibir os abusos no exercício desse poder!

Também é nítido que, no jogo político e na disputa hegemônica pelo poder, os grupos de representados tendem a exacerbar ou subestimar os poderes e o equilíbrio dessa relação mandatários (eleitos) X mandantes (eleitores), buscando "atalhos" para impor suas posições quando o jogo não lhes favorece!

Há pressões legítimas, admitidas e consagradas, e há pressões ilegítimas, consideradas golpes ou atos de força...

O nível de instabilidade das sociedades dos diversos países tem a ver com seu amadurecimento institucional, posição relativa no tabuleiro econômico (peso relativo) e cultura política dos povos, dentre outros fatores.

Como escrevemos aqui, a história brasileira é profícua em golpes, levando-nos a considerar que a normalidade democrática é quase uma exceção.

Não é exagero.

Eu vou começar a arriscar a responder a pergunta-título, ainda que sob o peso da arrogância de dizer a uma presidenta eleita no mais hostil pleito da História, e líder da nação que nos últimos 10, 12 anos tem liderado um conjunto de outras nações a desafiar o poder econômico e geopolítico central: Eua e Europa:

O que fazer? 
Não há o que fazer, a não ser continuar o que tem sido feito!

Tenho me dedicado nesses útlimos dias, quando sobra algum tempo, é verdade, a ler o (ótimo) livro 1964 (O golpe que derrubou um presidente, pôs fim ao regime democrático e instituiu a ditadura no Brasil)...

As comparações entre 64 e 2015, na mairoia dos casos são tão óbvias, quanto inapropriadas...Há uma colossal distância entre os atores envolvidos, a dinâmica das forças políticas, o cenário externo de então, a cultura política da sociedade, o nível de escolaridade da maioria da população e até as tecnologias de comunicação que disseminavam conteúdos na luta ideológica...

Por tudo e por todos, 64 não é agora...

Mas há um fio comum que tece nossa História, como dissemos: A tendência atávica a resolução dos conflitos por "atalhos"...

Lá como agora há uma tensão da luta de classes, alimentada pela disputa mundial pelo controle político e econômico, antes marcado pela Guerra Fria, e hoje delineado por uma multipolaridade de conflitos que alguns ousam dizer que há 20 anos estamos no que seria a III Guerra Mundial (totalmente assimétrica e diferente dos modelos clássicos dos outros dois embates bélicos globais).

No entanto, o epicentro de todos os conflitos é um só: Primazia das fontes energéticas e espaços de influência para exercício dos fluxos financeiros.

Não se enganem: Para o estadunidense médio andar de GM Camaro por 20, ou 30 mil dólares você tem que andar de GM Onix por 25 ou 20 mil dólares...Para eles consumirem 70 % dos recursos e energia do planeta você tem que deixar de usar a sua, e quando expande seu consumo, não há dinheiro para gerar energia!

Como em 64, nossas disputas internas refletem o jogo mundial, e se influenciam em relação de causa-e-efeito.

Os autores do livro, Jorge Ferreira e Angela de Castro Gomes, foram muito felizes ao buscarem fontes heterodoxas, saindo dos registros historiográficos clássicos, e bebendo na produção midiática da época (jornais, rádio e a TV um pouco menos, pois estava começando como plataforma de comunicação), como forma de auscultar os humores ideológicos daqueles que vocalizavam o poder econômico, as repercussões populares, revestindo o livro de um caráter menos denso, mas não menos complexo...

Há, defendem eles, vários golpes dentro do golpe, pois não havia uma coesão monolítica, nem nos golpistas, nem nos golpeados, sendo o fenômeno (golpe) o resultado de múltiplas causas e com vários efeitos...

Forças que alimentaram o golpe (lacerdismo, por exemplo), foram paradoxalmente varridas do mapa, junto com o brizolismo...

O livro mostra que os mesmos militares que empurraram o parlamentarismo goela abaixo de Jango, em 1962 chamavam-no para dar um golpe no Congresso (fechá-lo), caso a casa parlamentar não adiantasse o plebiscito pró-volta do Presidencialismo...E esses mesmos militares o golpearam em 64.

Eles não dizem que Jango preparava o golpe, mas revelam que dentro dos seus aliados havia quem o fizesse...

Jango talvez tenha caído por ser o lado mais fraco: O que defendia a legalidade. Estava isolado em meio a extremos.

Um pouco parecido com Dilma.

Fiz menção ao livro para dizer o de sempre: As coisas não são como parecem.

Dilma não está apanhando (apenas) pela deterioração da situação da Petrobrás, ou a situação econômica (???).

Foi o SEU governo  que manteve-se independente das apurações e não mexeu uma palha para tentar abafar nada...Ao contrário, a indicação de Graça Foster tinha o objetivo determinado de barrar a sangria da estatal, preparando-a para o maior e mais ousado plano de investimentos decenal já visto: 120 billhões de dólares.

Quem já participou de alguma gestão pública ou tem conhecimento mínimo de investigação policial sabe o que digo: Nenhuma apuração anda nesse país, nos escalões superiores se o governante ou empresário não quiser, isso sem exceção...

Não tem juiz Moro, MPF, MPE, CPI, PF ou qualquer outro órgão...Se não houver concordância dos investigados, não anda nada...

O que, às vezes acontece, é que as investigações andem nas "brechas" das disputas de poder desses envolvidos, só isso, mas ainda assim, até certo limite...

Se vai mais a frente é porque há uma determinação superior de ir até o fim, doa a quem doer...



Graça Foster e a Petrobrás, ironicamente, ganharam, em 2014,  um prêmio da indústria do petróleo que é considerando o "oscar" dessa atividade econômica.

A Petrobrás ultrapassou a Exxon como maior empresa de capital aberto de petróleo.

Barril de petróleo a 40 dólares não é mero acidente, é dumping.

Foi o governo de Dilma que baixou os juros a 2% (descontando a inflação), e causou perda recorde a banca...

Não há um milímetro de mudança dos orçamentos dos programas sociais ou na política do salário mínimo (considerado por analistas como a verdadeira fonte das alterações na estrutura de distribuição de renda, por seu efeito irradiador nas pensões e trabalhadores da base da pirâmide)...

Dilma não apanha por seu erros, ou não apenas por eles, mas por seus acertos e pelo que tais acertos apontam (ou apontavam) para o futuro...

A eleição de um Congresso conservador, com um presidente mafioso não é um ponto fora da curva...

É o aceno das elites de que não haverá mudança na estrutra tributária, ou no pacto federativo, ou no sistema político-representativo, muito menos da regulação da mídia!

E todos sabemos que o modelo de redistribuição capitalista (EU DISSE: CAPITALISTA), requer tais mudanças, caso optemos por um modelo de inclusão.

Há limites da capacidade de absorção e consumo pelas classes mais pobres que só serão transpostos com mudanças no financiamento tributário do Estado...Por outro lado, o aumento da atividade econômica traz o aumento brutal das demandas estatais de proteção, em outras palavras:

Mais carros, mais gente comprando, circulando, comprando casas, bens e serviços, etc, requerem mais investimentos em saúde, segurança, educação, e no ordenamento e mobilidade urbana, sob pena de nos tornarmos uma enorme Índia, com bolsões de riqueza e de pobreza extrema divididos em castas (já não somos assim?)...

E mais serviços estatais custam mais impostos...

Quem os paga?


São esses os eixos das forças em disputa que puxam a corda para lá (golpe) ou para cá (legalidade):

A maioria quer mais, e não há como fazer essa maioria continuar a pagar pelo conforto da minoria, que do seu lado, prefere um modelo onde poucos continuem a acumular riqueza, financiados pelos esforços da maioria.

Dilma ousou buscar aproximar o Estado daqueles que mais precisam dele, e pior: Ousou apresentar a "conta" a quem pode pagar, os mais ricos!!!!

Talvez não tenha  avaliado o nível de captura de sua base de apoio pelo capital que é contrário a essa sua determinação...

Talvez tenha esquecido de cuidar de sua relação com sua base social de apoio, justamente o que assombra aqueles que desejam que as coisas não mudem...

Com todo o assédio que sofreu e ainda assim ganhar as eleições não é pouca coisa...Eles entenderam isso, e passaram imediatamente a corroer esse capital político, talvez ela não tenha prestado atenção, ou não tenha podido prestar atenção, sabe-se lá...


Mas está em tempo. 

Prefiro acreditar que ela tenha esse cálculo de risco sob controle...Quem sai do porão de uma ditadura suja, torturada, mas com a alma intacta, e se torna presidenta pela via DEMOCRÁTICA, não pode ser subestimada!

4 comentários:

Anônimo disse...

Tomara que você esteja certo.

Esse pessoal que vocifera contra o governo e o partido da presidente é mal informado e macaqueia os cacoetes de uma minúscula elite que eles querem com toda força ser.

Jamais o serão.

Isto não quer dizer que não se deva combater e punir a roubalheira. Antes, o contrário.

Há muito dinheiro nosso guardado para usufruto de poucos. Eu ficaria satisfeito se o Swissleaks fosse investigado com o retorno daquele dinheiro ao Brasil.

Jamais o será.

Anônimo disse...

3- Sob inércia do ministro Eduardo “Soneca” Cardozo, PF e a “República de Curitiba” preparam indiciamento de Dirceu na Operação “Lava Jato”
O comando nacional da PF neste momento "bate continência" ao juiz Sergio Moro, sendo Eduardo "Soneca" uma figura decorativa na hierarquia do órgão. Neste quadro de instabilidade do "Estado de Direito", elemento básico de qualquer regime democrático burguês, onde a oposição direitista Tucana dirige de fato a PF e parte do Ministério Público, o movimento de massas vive dias de profunda apreensão política.
Não faltam os falsos "esquerdistas" úteis a reação, que vociferam o fato de Dirceu ter elevado bastante seu padrão de vida e bens financeiros.
Estes parvos afirmam que se trata de uma "disputa inter-burguesa" e para a "esquerda" tanto faz que o "corrupto" Dirceu seja novamente preso ou não. Como Lenin caracterizou brilhantemente o "esquerdismo não passa de uma doença infantil do comunismo", e neste caso de extrema serventia política para os bandos fascistas que pululam o cenário político nacional.
Não se trata agora de discutir o patrimônio acumulado por Dirceu, sabemos muito bem que está bem acima de um trabalhador qualificado, a questão que se coloca é o recrudescimento do regime político em curso, que ameaça não somente o núcleo "duro" petista mas também ao espectro da esquerda revolucionária e as próprias conquistas democráticas de conjunto.
Combater o embuste da operação "Lava Jato" representa neste momento unificar na mesma pauta programática a luta contra a ofensiva neoliberal que pretende subtrair nossos direitos sociais e políticos.
Defender a Petrobras das garras privatistas da "República de Curitiba" é uma tarefa que deve ser combinada com a defesa incondicional de todos os militantes políticos da esquerda que se postam no campo nacional, democrático e popular.

Anônimo disse...

Velha mídia brasileira esconde escândalo mundial das contas secretas do HSBC na Suíça

Anônimo disse...

Você está iludido! Dilma já era! Aliás nunca foi.