sábado, 24 de janeiro de 2015

O efeito manada...

Qual o sentido de tratar um paciente com sintomas graves de subnutrição, diminuindo ainda mais sua ingestão de alimentos?

É mais ou menos a receita que vai sendo utilizada pelos governos dos três níveis para enfrentar o "possível" (e não provável, como querem alguns) aumento das dificuldades econômicas no cenário interno e externo.

Repito: Não há fundamento ou indicador macroeconômico que aponte para um quadro pior do que já existe, e no caso do Brasil, tudo indica que seja o contrário.

Estamos terminando obras importantes de infraestrutura, nosso nível de emprego permanece em nível historicamente baixos, o percentual do valor dos salários sobre a renda nacional não decresceu, os níveis de inflação estão dentro da média, não há reversão do fluxo de investimentos externos (IED), nem qualquer dificuldade na rolagem da dívida ou captação de dinheiro externo, nossas reservas estão intactas...

Então o que há?

Além das posições canalhas da mídia nacional e seus colonistas e analistas econômicos de merda, que têm por objetivo substituir os partidos de oposição, existe um movimento orquestrado para realinhar as forças econômicas ao redor do planeta, preparando os "mercados" (leia-se países e orçamentos públicos) para a nova enxurrada de dólares que ficou retraída desde a crise de 2008...

Esse tsunami de dinheiro precisa de taxas de remuneração (juros) e ativos (empresas, imóveis, facilidades logísticas e reservas naturais e energéticas) atrativas.

Mas como subestimar o valor destas riquezas nacionais se as economias dos países chamados em desenvolvimento estiverem em um nível alto, ou valorizado?

Como chantagear países que deixaram, recentemente, a posição de mendigos-pedintes aos fundos internacionais e que agora ensaiavam a criação de um fundo mútuo de ajuda, com recursos próprios, e que vinham discutindo o fim da era dólar como moeda universal?

Pelas chamadas leis do mercado, não dá.

Então mãos à obra e inventem novas "leis".

Se são as commodities ou o petróleo que possibilitam ganhos extras que têm sido revertidos em expansão e desenvolvimento econômico das nações perfiéricas, então façam dumping, deprimam a demanda por estes produtos, aumentem as barreiras fiscais e sanitárias, etc, etc, etc...

Não é à toa que os governos centrais do capitalismo tenham investido tanto dinheiro da recuperação dos sistemas bancários...É ali onde podem reverter a situação e colocar a "ousadia" dos países emergentes embaixo dos pés, mesmo que para isto tenham estagnados suas próprias economias, com os prejuízos sócio-econômicos previsíveis...

Como o dinheiro deixou de ser meio (valor referência para trocas) e virou fim em si mesmo, então é preciso dominar as formas de emitir, circular e arbitrar a circulação de dinheiro...

Lembrem-se o capitalismo sobrevive apenas em ambientes de assimetria, ou seja, baseado permanentemente nas enormes diferenças entre ricos e pobres, onde este desnível ou se preferirem, diferença potencial (tensão financeira), é que faz o dinheiro de mover, como poir gravidade ou atração...

O que estamos assistindo, e pouco conseguem enxergar (inclusive os governantes) é que o capital mandou-nos uma ordem: Abaixem-se, ou melhor, rebaixem-se para que possamos entrar...

Em uníssono, as elites financeiras nacionais, junto com demais setores empresariais, se curvam para continuar a ganhar suas "pequenas comissões" (se considerado o voluem mundial, mas enormes se considerarmos o cenário interno) pela participação secundária no jogo capitalista mundial, obedientes e incapazes de qualquer ousadia...

Ainda que não haja nenhum solavanco interno, ou nenhuma crise externa (como choque na oferta de combustível, que ao contrário, parece estar sobrando), a mídia, as elites e os governos correm para prover dinheiro para uma crise que só virá como autorrealização de profecias que vêm carregadas de interesses obscuros...

Não se enganem: Este dinheiro "economizado" já tem dono e destino certo, a saber, juros e a banca internacional.

Em efeito cascata, governos estaduais e municipais aproveitam o "argumento" para tentar sanear as extravagâncias eleitorais pretéritas, e para, como já dissemos, ajustar a base de apoio, elegendo novos preferidos ne execução orçamentária, e empurrando para longe do Erário os preteridos... 

Aprofundam assim os efeitos da crise que dizem querer combater.

8 comentários:

Anônimo disse...

Não se preocupe. Quando o PT chegar ao poder tudo isso irá mudar.

Anônimo disse...

... E o governo não abaixa os juros.

Fica difícil acreditar nos motivos alegados pela equipe econômica que justificam estes juros tão altos.

Timidamente reduzidos pelo governo Dilma1 nos bancos federais, obrigou os outros bancos e agentes financeiros a abaixar também.

Porque não se abaixa mais as taxas?

Anônimo disse...

Está correta a sua análise. Para estabelecer ações contrárias a essa máxima foi que se elegeu alguém ou partido que representasse o lado menos privilegiado nessa quebra de braço. Mas o que aconteceu foi a perpetuação da corrupção e má administração do bem público, como nunca existiu no País. Ficar botando a culpa na mídia é muito fácil. Pode estar sim a serviço mas se não acontecesse essa gatunagem ela teria outras coisas para divulgar.

douglas da mata disse...

Anti-petistas cretinos, eis que morderam a isca.

É só dar uma brechinha...e pronto.

O texto não se refere a cantilena sobre corrupção, cantada neste moralismo hipócrita de vocês...Nem no nível federal, estadual ou municipal, vejam bem.

O texto se refera a um tema bem mais amplo, que é claro, não será alcançado pela visão turva dos canalhas que recitam os mantras anti-Dilma.

É claro que a Presidenta tem o que mostrar como resultados de sua gestão (inclusive foi reeleita e o PT está há três mandatos na presidência), e é justamente por isso que o Brasil e o resto dos BRICS estão sendo atacados, para que se rebaixem novamente.

Ainda que os juros tenham subido, não se comparam a época do "maravilhoso mundo tucano", onde as taxas eram de 30 % ou mais por ano.

Com uma sensível diferença, não havia emprego, renda, não havia reservas cambiais, não havia obras de infraestrutura, não havia investimento externo, não havia nada.

Bem, havia muito mais roubalheira, mas que a mídia não via, e sabemos porquê.

Havia a privataria, "no limite da irresponsabilidade".

Havia o trensalão tucano e o mensalão mineiro.

Não havia interesse em mostrar, e muito menos a PF, o MP ou o Judiciário apuravam porra nenhuma.

E aí, os idiotas ao invés de comemorarem a apuração dos mal feitos, caem de pau em cima, como se a corrpução fosse uma invenção petista.

Beócios semi-analfabetos esquecem que a tônica do mercado e do fluxo de capital é encontrar "facilidades" para circular, logo, compram a agenda política e a representação para que sirvam aos seus interesses.

E depois, quem comprou a política e os políticos, divulgam na TV e na mídia o que foi feito, para dsesacreditar ainda mais a política, e torná-la cada vez mais refém do dinheiro, e cada vez mais longe da confiança popular.

Só as cavalgaduras não enxergam esses esquemas.

Isso tudo não isenta o PT ou integrantes do governo, mas para acabar (ou diminuir) com as causas do problema é necessário mais do que vomitar lugares-comuns.

É preciso entender o fenômeno e atingir seu ponto central: O financiamento do sistema político.

A alternativa a este modelo requer um debate sério, e não esta masturbação maniqueísta que vocês repetem como macacos adestrados da mídia.

O idiota das 07:38 enfatiza a eleição do PT como solução para tudo, esquecendo que o jogo político é dinâmico, e que as coalisões de governo em um país como nosso (e em outros países também) tendem a engessar administrações.

Vejam que Dilma baixou os juros a níveis históricos em 2011, e apanhou de tudo quanto foi lado, incluindo aí aliados e a mídia que hoje reclama da alta dos juros(?????).

A mesma mídia que insufla canalhas como Eduardo Cunha, ou que sonega bilhões em impostos enquanto cobra retidão com dinheiro público.


Vocês não querem debate, querem é tomar no cú...

Então, atendendo a pedidos: Vão tomar no cú!!!!!

Anônimo disse...

Anônimo das 23:47 escreveu:

Eu não me considero anti petista nem fico a vomitar lugares comuns copiados do Reinaldo Azevedo.

Só queria mais enfrentamento do governo. Mais taxação das grandes fortunas, mais combate à sonegação nas grandes empresas especialmente bancos e grande mídia. E menos, muito menos juros...

Entendo a apropriação de agenda, o financiamento de onde vem, mas é foda só ver os bancos se dando bem... Sempre, e em todo lugar.

Na mesma semana que se descobriu um esquema de sonegação do Bradesco desviando dinheiro para paraísos fiscais o que fez Dilma? Bateu à porta do banco para conseguir um ministro da fazenda...

Pô! Sacanagem...

Ahnh, mas é o tal pragmatismo... Então tá.

douglas da mata disse...

Anônimo das 23:47, o meu comentário se dirigia aos outros dois, que imagino que sejam um só.

Não é só pragmatismo é crença e escolha política.

Lula tem origem no sindicalismo fordista, e nunca se disse de esquerda ou marxista.

Dilma carrega na pele (e na memória) suas próprias impressões sobre rupturas, golpes e violência como ferramenta política, logo, imagino eu que ela tenha aversão a qualquer forma de instabilidade.

E tendo sofrido o que sofreu, misturada a nossa atávica aversão aos conflitos (pois os sublimamos todo o tempo), ela sempre buscara algum tipo de acordo ruim a ter que lutar uma boa briga.

De fato, olhando a composição desse "novo-velho" Congresso, ela não está descoberta de razão.

O conforto econômico não trouxe uma adesão automática (e nem traria) a teses pró-Estado ou Estado do bem Estar, quiçá inflexões mais a esquerda.

Anônimo disse...

puta que pariu! você caga pela boca com esse pensamentos de merda. PQ não te calas!

douglas da mata disse...

E pelo jeito, o cretino das 07:01 adora o "cheirinho da merda fresca".

Agora me diga: O que é pior, excretar a merda (pensamentos) ou engolir a merda do pensamento dos outros (PIG)?

Eu prefiro colocar para fora, mas tem gente que adora engolir e colocar para dentro...

Boçais...não tomam jeito...