sexta-feira, 30 de janeiro de 2015

Lei da gravidade

À beira do abismo (teu nome)
Balanço os pés

Curto a vertigem 

Medo de espiar
Coragem de saltar.



domingo, 25 de janeiro de 2015

É sempre bom estar em boa companhia...

Onte escrevi um texto (aqui) sobre as questões que rondam o Brasil, subida dos juros e os ataques ao parque empresarial brasileiro...Tudo movido a doses cavalares de hipocrisia moralista...

Perece que não estou sozinho...

É claro que o autor desse texto, copiado também do blog do Nassif, detém cabedal intelectual exponencialmente maior que o meu...

Mas fica a coincidência de "intuições".,. São textos, digamos, complementares...Divirtam-se:

Golpe final na soberania do País, por Adriano Benayon

Sugerido por alfredo machado
 
 
 
1. Não é hipérbole dizer que o Brasil – consciente disto, ou não – vive momento decisivo de sua História. Se não quiser sucumbir, em definitivo, à condição de subdesenvolvido e (mal) colonizado, o povo brasileiro terá de desarmar a trama, o golpe em que está sendo envolvido.
 
2. Essa trama – que visa a aplicar o golpe de misericórdia em qualquer veleidade de autonomia nacional, no campo industrial, no tecnológico e no militar – é perpetrada, como foram as anteriores intervenções, armadas ou não, pelas oligarquias financeiras transnacionais e instrumentalizada por seus representantes locais e pelo oligopólio mediático, como sempre utilizando hipocritamente o pretexto de combater a corrupção.
 
3. Que isso significa? Pôr o País à mercê das imposições imperiais sem que os brasileiros tenham qualquer capacidade de sequer atenuá-las.
 
4. Implica subordinação e impotência ainda maiores que as que levaram o País, de 1955 ao final dos anos 70, a endividar-se, importando projetos de infra-estrutura, em pacotes fechados, e permitindo o crescimento da dívida externa, através dos déficits de comércio exterior decorrentes da desnacionalização da economia, e em função das taxas de juros arbitrariamente elevadas e das não menos extorsivas taxas e comissões bancárias para reestruturar essa dívida.
 
5. Ora, a cada patamar inferior a que o Brasil é arrastado, o império o constrange a afundar para degraus ainda mais baixos, tal como aconteceu nas décadas perdidas do final do Século XX.
 
6. Na dos anos 80 ocorreu a crise da dívida externa, após a qual o sistema financeiro mundial fez o Brasil ajoelhar-se diante de condições ainda mais draconianas dos bancos “credores”.
 
7. Na dos anos 90, mediante eleições diretas fraudadas em favor de ganhadores a serviço da oligarquia estrangeira, perpetraram-se as privatizações, nas quais se entregaram e desnacionalizaram, em troca de títulos podres de desprezível valor, estatais dotadas de patrimônios materiais de trilhões dólares e de patrimônios tecnológicos de valor incalculável.
 
8. A Operação Lava-jato está sendo manipulada com o objetivo de destruir simultaneamente a Petrobrás – último reduto de estatal produtiva com formidável acervo tecnológico – bem como as grandes empreiteiras, último reduto do setor privado, de capital nacional, capaz de competir mundialmente.
 
9. Quando do tsunami desnacionalizante dos 90, a Petrobrás foi das raras estatais não formalmente privatizadas. Mas não escapou ilesa: foi atingida pela famigerada Lei 9.478, de 1997, que a submeteu à ANP, infiltrada por “executivos” e “técnicos” ligados à oligarquia financeira e às petroleiras angloamericanas.
 
10. Essa Lei abriu a porta para a entrada de empresas estrangeiras na exploração de petróleo no Brasil, com direito a apropriar-se do óleo e exportá-lo, e propiciou a alienação da maior parte das ações preferenciais da Petrobrás, a preço ínfimo, na Bolsa de Nova York, para especuladores daquela oligarquia, como o notório George Soros.
 
11. Outros exemplos do trabalho dos tucanos de FHC agindo como cupins devoradores – no caso, a Petrobrás servindo de madeira – foram: extinguir unidades estratégicas, como o Departamento de Exploração (DEPEX); desestruturar a administração; e liquidar subsidiárias, como a INTERBRÁS e numerosas empresas da área petroquímica.
 
12. Como assinalam os engenheiros Araújo Bento e Paulo Moreno, com longa experiência na Petrobrás, a extinção do DEPEX fez que a empresa deixasse de investir na construção de sondas e passasse a alugá-las de empresas norte-americanas, como a Halliburton, a preços de 300 mil a 500 mil dólares diários por unidade.
 
13. Os próprios dados “secretos” da Petrobrás, inclusive os referentes às fabulosas descobertas de seus técnicos na plataforma continental e no pré-sal são administrados pela Halliburton. Em suma, a Petrobrás é uma empresa ocupada por interesses imperiais estrangeiros, do mesmo modo que o Brasil como um todo.
 
14. Além disso, a Petrobrás teve de endividar-se pesadamente para poder participar do excessivo número de leilões para explorar petróleo, determinados pela ANP, abertos a empresas estrangeiras.
 
15. Para obter apoio no Congresso, os governos têm usado, entre outras, as nomeações para diretorias da Petrobrás. Essa política corrupta e privilegiadora de incompetentes, já antiga, é bem-vinda para o império, e é adotada para “justificar” as privatizações: vai-se minando deliberadamente a empresa, e depois se atribui suas falhas à administração estatal.
 
16. Tal como agora, assim foi nos anos 80 e 90, com a grande mídia, incessantemente batendo nessa tecla, e fazendo grande parte da opinião pública acreditar nessa mentira.
 
17. Mas as notáveis realizações da Petrobrás são obras de técnicos de carreira, admitidos por concurso – funcionários públicos, como foram os da Alemanha, das épocas em que esse e outros países se desenvolveram. Entretanto, a mídia servil ao império demoniza tudo que é estatal e oculta a corrupção oriunda de empresas estrangeira, as quais, de resto, podem pagar as propinas diretamente no exterior.
 
18. Para tirar do mercado as empreiteiras brasileiras, as forças ocultas – presentes nos poderes públicos do Brasil – resolveram aplicar, contra essas empresas, a recente Lei nº 12.846, de 01.08.2013, que estabelece “a responsabilização objetiva administrativa e civil de pessoas jurídicas pela prática de atos contra a administração pública, nacional ou estrangeira (sic).”
 
19. Seu art. 2o reza: As pessoas jurídicas serão responsabilizadas objetivamente, nos âmbitos administrativo e civil, pelos atos lesivos previstos nesta Lei praticados em seu interesse ou benefício, exclusivo ou não.”
 
20. Como as coisas fluem rapidamente, quando se trata de favorecer as empresas transnacionais, a Petrobrás já cuidou de convidar empresas estrangeiras para as novas licitações, em vez das empreiteiras nacionais.
 
21. A grande mídia, tradicionalmente antibrasileira, noticia, animada, a possibilidade de se facilitar, em futuro próximo, a abertura a grupos estrangeiros do mercado de engenharia e construção civil, mais uma consequência da decisão, contrária aos interesses do País, de considerar inidôneas as empreiteiras envolvidas na operação Lava Jato.
 
22. Recentemente, nos EUA, foi infligida multa recorde, por corrupção, a um grupo francês, a qual supera de longe os US$ 400 milhões impostos à alemã Siemens. Já das norte-americanas, por maiores que sejam seus delitos, são cobradas multas lenientes, e não está em questão alijá-las das compras de Estado.
 
23. Já no Brasil – país ocupado e dominado, mesmo sem tropas nem bases estrangeiras – somente são punidas empresas de capital nacional. Fica patente o contraste entre um dos centros do império e um país relegado à condição de colônia.
 
24. Abalar a Petrobrás e inviabilizar as empreiteiras nacionais implica acelerar o desemprego de engenheiros e técnicos brasileiros em atividades tecnológicas. As empreiteiras são importantes não só na engenharia civil, onde se têm mostrado competitivas em obras importantes no exterior, mas também por formar quadros e gerar de empregos de qualidade nos serviços e na indústria, inclusive a eletrônica e suas aplicações na defesa nacional.
 
25. Elas estão presentes em: agroindústria; serviços de telefonia e comunicações; geração e distribuição de energia; petróleo; indústria química e petroquímica; construção naval. E – muito importante – estão formando a nascente Base Industrial da Defesa.
 
26. A desnacionalização da indústria já era muito grande no início dos anos 70 e, além disso, foi acelerada desde os anos 90, acarretando a desindustrialização. Paralelamente, avança, de forma avassaladora, a desnacionalização das empresas de serviços.
 
27. Este é o processo que culmina com o ataque mortal à Petrobrás e às empreiteiras nacionais, e está recebendo mais um impulso através da política fiscal – que vai cortar em 30% os investimentos públicos – e da política monetária que está elevando ainda mais os juros.
 
28. Isso implica favorecer ainda mais as transnacionais e eliminar maior número de empresas nacionais, sobre tudo pequenas e médias, provedoras mais de 80% dos empregos no País. De fato, só as transnacionais têm acesso aos recursos financeiros baratos do exterior e só elas têm dimensão para suportar os cortes nas compras governamentais.
 
29. Como lembra o Prof. David Kupfer, a Petrobrás e seus fornecedores respondem por 20% do total dos investimentos produtivos realizados no Brasil. Só a Odebrecht e Camargo Corrêa foram responsáveis por mais de 230 mil empregos, em 2013.
 
30. A área econômica do Executivo parece não ver problema em reduzir o assustador déficit de transações correntes (mais de US$ 90 bilhões de dólares em 2013), causando uma depressão econômica, cujo efeito, além de inviabilizar definitivamente o desenvolvimento do País, implica deteriorar a qualidade de vida da “classe média” e tornar ainda mais insuportáveis as condições de vida de mais da metade da população, criando condições para a convulsão social.
 
31. Por tudo isso, há necessidade de grande campanha para virar o jogo, com a participação de indivíduos, capazes de mobilizar expressivo número de compatriotas, e de entidades dispostas a agir coletivamente.
 
* – Adriano Benayon é doutor em economia, pela Universidade de Hamburgo, e autor do livro Globalização versus Desenvolvimento.

A imprensa canalha de todos os dias e de todas as folhas...

Vem do blog do Nassif o texto que destacamos nesse domingo...Leia e reflita:

Da arte de contar mentiras dizendo apenas a verdade, por Sérgio Saraiva

Nas manchetes abaixo temos notícias boas e ruins. Mas, diferente do que está escrito, “o mal é bom e o bem cruel”.
A primeira página da Folha de São Paulo de sábado, 24/01/2015, destaca duas manchetes.
Com destaque maior, a má notícia:
”Geração de empregos em 2014 foi a pior dos anos PT - com demissões da indústria e na construção, mercado de trabalho tem pior ano de geração de emprego desde 2002”.
Com um destaque menor a manchete que traz, pelo menos, uma boa notícia:
”SP tem recorde de roubos e a menor taxa de homicídios – roubos no Estado de SP subiram 21% em relação a 2013, no maior aumento anual já registrado, taxa de assassinatos por 100 mil habitantes cai para 10,06, no melhor resultado desde 2001, quando era 33,3”.
A manipulação da informação não está apenas em que a má notícia sobre a geração de empregos é atribuída ao PT enquanto a má notícia do aumento de roubos é atribuída a “SP” sem citar que é o PSDB que cuida da segurança pública do Estado de São Paulo há 20 anos. Isso é apenas mais um caso de “seletividade” da nossa grande imprensa.  
Ocorre que a "má notícia" é na verdade uma boa notícia. Mas a boa notícia está embalada em uma redação ambígua:
“Refletindo a desaceleração da economia, as contratações de trabalhadores com carteira assinada superaram as demissões em 396,9 mil vagas, um terço do dado de 2013 e o pior resultado desde 2002, o início da atual série histórica”.
Ou seja, ao final do ano, o país possuía cerca de 400 mil pessoas empregadas a mais. Isso em um ano de muitos problemas na gestão das contas públicas. Na verdade, até que o 2º mandato Dilma desse a sua guinada neoliberal, o ano de 2014 havia sido muito bom para os trabalhadores, com uma taxa de desemprego girando em torno de 5%.
Já a "boa notícia" esconde um dado preocupante, a deterioração da segurança pública e o aumento da violência em São Paulo. Mas para percebê-los é necessária uma informação que o jornal não nos dá.
Na parte boa, ficamos sabendo que
“os dados divulgados pelo governo também mostram que em 2014 os homicídios dolosos, praticados com intenção de matar, caíram 3,4% na comparação com 2013. Na capital, os índices foram ainda melhores: 9,83 casos por 100 mil -no total, foram 1.132”.
Boa notícia sem dúvida, ainda que empanada pelo fato número dos roubos ter subido.
“O Estado de São Paulo registrou em 2014 a maior quantidade de roubos dos últimos 14 anos - desde que a série histórica do governo paulista adota os mesmos critérios.Os assaltos, segundo dados divulgados nesta sexta (23), cresceram 20,6% em relação a 2013 -maior aumento anual já registrado. O percentual de crescimento na capital foi ainda maior: 26,5%”.
Esses dados podem ser relativizados, no entanto:
“Alexandre de Moraes [Secretário da Segurança Pública], disse que os resultados podem ser explicados em parte pela explosão de celulares (150%) e de documentos (186%) roubados.
"O que mostra que isso é que puxou esse índice para cima", disse. Ainda de acordo com Moraes, 70% dos roubos envolveram celulares e/ou documentos, dos quais 53% das vítimas eram pedestres.
 Outro fator que explica parte desse crescimento foi a possibilidade de registrar roubos pela internet”. 
Podemos ficar tranquilos? Os roubos são de pouca monta (celulares e documentos) e o aumento é, em alguma parte, relativo, pois se dá também devido a melhoria da comunicação dos casos para a polícia. Além do que, como vimos, os crimes mais violentos, os homicídios, estão em queda. Certo?
Errado.
Casos de pessoas assassinadas em assaltos não contam nos índices de homicídios.
Homicídio, por incrível que pareça, não inclui casos de latrocínio. Homicídios são assassinatos, crimes de ódio, por vingança ou passionais. Ainda que a polícia nada tivesse feito para reduzi-los, o simples envelhecimento da população já seria uma boa explicação para sua queda.
O latrocínio, roubo seguido de morte, é considerado crime contra o patrimônio. E, portanto, computado não diferentemente da subtração “cometida com violência ou grave ameaça”de um celular ou de uma carteira de documentos. Interessante essa fixação dos assaltantes paulistas por documentos e não pelo dinheiro contido nas carteiras roubadas.
Quantas pessoas foram assassinadas por assaltantes no Estado de São Paulo? Esse número cresceu proporcionalmente ao número de roubos? Vivemos um momento de aumento da violência? 
Não saberemos disso lendo a Folha de São Paulo, ela  sequer trata do assunto latrocínio em sua reportagem.
Mas saberemos que, em relação à crise hídrica, o governo federal, ou seja o PT, aponta para o colapso das represas, que “Dilma” , do PT, se cala sobre o assunto, mas que o “governador Geraldo Alckmin (PSDB)” tem a solução.

sábado, 24 de janeiro de 2015

O efeito manada...

Qual o sentido de tratar um paciente com sintomas graves de subnutrição, diminuindo ainda mais sua ingestão de alimentos?

É mais ou menos a receita que vai sendo utilizada pelos governos dos três níveis para enfrentar o "possível" (e não provável, como querem alguns) aumento das dificuldades econômicas no cenário interno e externo.

Repito: Não há fundamento ou indicador macroeconômico que aponte para um quadro pior do que já existe, e no caso do Brasil, tudo indica que seja o contrário.

Estamos terminando obras importantes de infraestrutura, nosso nível de emprego permanece em nível historicamente baixos, o percentual do valor dos salários sobre a renda nacional não decresceu, os níveis de inflação estão dentro da média, não há reversão do fluxo de investimentos externos (IED), nem qualquer dificuldade na rolagem da dívida ou captação de dinheiro externo, nossas reservas estão intactas...

Então o que há?

Além das posições canalhas da mídia nacional e seus colonistas e analistas econômicos de merda, que têm por objetivo substituir os partidos de oposição, existe um movimento orquestrado para realinhar as forças econômicas ao redor do planeta, preparando os "mercados" (leia-se países e orçamentos públicos) para a nova enxurrada de dólares que ficou retraída desde a crise de 2008...

Esse tsunami de dinheiro precisa de taxas de remuneração (juros) e ativos (empresas, imóveis, facilidades logísticas e reservas naturais e energéticas) atrativas.

Mas como subestimar o valor destas riquezas nacionais se as economias dos países chamados em desenvolvimento estiverem em um nível alto, ou valorizado?

Como chantagear países que deixaram, recentemente, a posição de mendigos-pedintes aos fundos internacionais e que agora ensaiavam a criação de um fundo mútuo de ajuda, com recursos próprios, e que vinham discutindo o fim da era dólar como moeda universal?

Pelas chamadas leis do mercado, não dá.

Então mãos à obra e inventem novas "leis".

Se são as commodities ou o petróleo que possibilitam ganhos extras que têm sido revertidos em expansão e desenvolvimento econômico das nações perfiéricas, então façam dumping, deprimam a demanda por estes produtos, aumentem as barreiras fiscais e sanitárias, etc, etc, etc...

Não é à toa que os governos centrais do capitalismo tenham investido tanto dinheiro da recuperação dos sistemas bancários...É ali onde podem reverter a situação e colocar a "ousadia" dos países emergentes embaixo dos pés, mesmo que para isto tenham estagnados suas próprias economias, com os prejuízos sócio-econômicos previsíveis...

Como o dinheiro deixou de ser meio (valor referência para trocas) e virou fim em si mesmo, então é preciso dominar as formas de emitir, circular e arbitrar a circulação de dinheiro...

Lembrem-se o capitalismo sobrevive apenas em ambientes de assimetria, ou seja, baseado permanentemente nas enormes diferenças entre ricos e pobres, onde este desnível ou se preferirem, diferença potencial (tensão financeira), é que faz o dinheiro de mover, como poir gravidade ou atração...

O que estamos assistindo, e pouco conseguem enxergar (inclusive os governantes) é que o capital mandou-nos uma ordem: Abaixem-se, ou melhor, rebaixem-se para que possamos entrar...

Em uníssono, as elites financeiras nacionais, junto com demais setores empresariais, se curvam para continuar a ganhar suas "pequenas comissões" (se considerado o voluem mundial, mas enormes se considerarmos o cenário interno) pela participação secundária no jogo capitalista mundial, obedientes e incapazes de qualquer ousadia...

Ainda que não haja nenhum solavanco interno, ou nenhuma crise externa (como choque na oferta de combustível, que ao contrário, parece estar sobrando), a mídia, as elites e os governos correm para prover dinheiro para uma crise que só virá como autorrealização de profecias que vêm carregadas de interesses obscuros...

Não se enganem: Este dinheiro "economizado" já tem dono e destino certo, a saber, juros e a banca internacional.

Em efeito cascata, governos estaduais e municipais aproveitam o "argumento" para tentar sanear as extravagâncias eleitorais pretéritas, e para, como já dissemos, ajustar a base de apoio, elegendo novos preferidos ne execução orçamentária, e empurrando para longe do Erário os preteridos... 

Aprofundam assim os efeitos da crise que dizem querer combater.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Rei morto, rei posto...

Saudi Arabia's King Abdullah has died, aged 90
(foto de Brenda Smialowsky/AFP/Getty Images)


Rei Abdullah, monarca absolutista da Arábia Saudita, tirano-amigo do ocidente faleceu...

O mercado que adora solvancos, reagiu e disparou o preço do petróleo, diante das chamadas "futuras incertezas"(desculpem o pleonasmo).

Mas na terra da Rainha, o que tem movimentado mesmo é a reação de Louise Mensch, ativista feminista, colunista, ex-parlamentar pelo Partido Conservador, região de Corby, que "tuitou" vários impropérios aos líderes ingleses, ao Parlamento, e a outros líderes mundiais, que pagaram condolências ao rei saudita morto, Obama incluído, que manifestou pesar e a enorme amizade entre ele o rei morto.

O governo britânico mandou hastear bandeiras a meio mastro, enquanto o Charles, o príncipe, voou para a Arábia Saudita para participar dos funerais...

Dentre as mensagens da ativista está: "É inaceitável prestrar condolências a quem açoita mulheres..."

Outras menos elegantes, mandou FODA-SE para as condolências emitidas pelo Primeiro Ministro Cameron...

A bem da verdade, todos sabemos que a argumentação sobre Direitos Humanos é a mais canalha e hipócrita disponível para a imposição de interesses geopolíticos do Ocidente.

Alguém diria: "É o petróleo, estúpido".

Mas são eventos como esses que colocam as coisas à tona, em cores mais vivas...

Anotem: Abdullah ficou 20 anos no poder, exercido com requintes de crueldade e fiel a Sharia (lei islâmica sobre comportamento e convívio social)...

A diferença entre eles (monarcas sauditas) e o ISIS é que os primeiros controlam as maiores (e talvez as últimas) jazidas de petróleo de baixo custo de extração no mundo...

E isso faz toda diferença...Por isso a monarquia saudita segue decapitando seus reús, proibindo mulheres de dirigir, etc, embaixo dos narizes dos "campeões da democracia"...

Se quiser ler mais sobre o tema, veja aqui, no The Independent ou no The Guardian...

terça-feira, 20 de janeiro de 2015

A juíza e o vereador.

Juízes são essenciais à Democracia e ao Estado de Direito, assim como vereadores.

No entanto, neste país, e em alguns outros lugares do planeta, há uma tendência perigosa chamada protagonismo judiciário, que eu chamo de juristrocracia ou juristrocatura.

No sopesar de relevâncias para o jogo democrático, não é demais lembrar que durante as ditaduras, vários parlamentos são fechados, mas o Judiciário sempre se mantém funcionando, logo, é permitido concluir que este poder convive (sem problemas) com a ausência de Democracia.

Foi assim em 64, quando vários deputados, senadores, prefeitos, governadores e vereadores foram cassados nos seus direitos, mas juízes e promotores foram raríssimos, em escala estatisticamente desprezível.

Faço esta pequena introdução para comentar o caso da juíza que mandou conduzir o Presidente da Câmara Municipal a uma Delegacia de Polícia para que seja instaurado contra ele um procedimento chamado termo circunstanciado, que é apropriado para a apuração dos crimes de menor potencial ofensivo, atinentes ao rito da Lei 9099.

Um exagero. Uma ordem de força, que embora conte com previsão, em tese, legal, é uma ofensa a liturgia que devem guardar os ocupantes de cargo público, ainda mais quando se trata de uma funcionária de um poder (juíza) e o presidente de um poder, neste caso, do Legislativo Municipal.

Ainda que consideremos a tese da presentação, que nos ensina que cada juiz é em si o Judiciário.

E mais ainda: é certo que a recalcitrância do réu em cumprir a ordem provocou o ato de coerção, mas frise-se que é próprio da judicância considerar sempre a proporcionalidade da medida adotada em relação do que a motivou.

A questão, para resumir é:

Poderia a juíza enviar expediente requisitando a Autoridade Policial (Delegado de Polícia) a instauração do procedimento, sem o constrangimento da condução coercitiva do vereador?

A condução do vereador no momento da inauguração do feito policial é indispensável ao andamento deste?

É praxe que a juíza despache a condução de outras pessoas em casos parecidos?

Na minha curta experiência de policial civil respondo que não, nunca vi um vereador, prefeito, ou governador ser conduzido coercitivamente a Delegacia de Polícia por desobediência.

É caso de prisão? Aí seria outra história, e de fato, na afronta gravíssima à ordem pública e/ou turbação do andamento da instrução criminal ou inquisitorial, poderá (ou deverá) o magistrado decretar a segregação do réu (artigo 312 do Código de Processo Penal).

Mas, ainda que não conheça os autos, não parece ser o caso.

Desnecessário dizer que sou politicamente incompatível com o vereador em questão, mas defender a Democracia é antes de tudo defender direitos aos seus adversários, ainda que eles não saibam como usá-los, ou façam questão de violá-los. 

segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

Yemen, o verdadeiro alvo...

Como já foi dito aqui neste blog, interessa menos se o atentado ao Charlie Hebdo, revista francesa de humor, foi uma ação deliberada dos serviços secretos dos EUA, França e aliados, se aconteceu por omissão destes, propositalmente, ou enfim, se foi uma (in)feliz coincidência...

O fato é que a situação dramática cai como uma luva para vários grupos, dentre eles os de extrema-direita da Europa, o combalido governo do premier francês Hollande, e at last, but not at least, os EUA...

Todas as "investigações" apontam para ramificações al-qaedistas no Yemen...

E afinal, que porra é o Yemen? Fui procurar no mapa...Este pequeno paiseco fica entre o mar Vermelho e o Golfo de Aden, que por sua vez desemboca no Mar da Arábia, no Oceano Índico...

Dê uma olha você mesmo, aqui.

Uma posição ultra-estratégica, que é a outra ponta da ligação do Mediterrâneo com o Índico e Pacífico...

Uma das joias do Império estadunidense, alvo da cobiça das quatro irmãs do petróleo...

Não satisfeito, fui dar uma olhada no sítio da Al Jazerra, aqui, sobre o Yemen...

O que temos por lá é mais do mesmo: Um governo fantoche a serviço dos EUA, duramente combatido por grupos radicais, dentre os quais se destaca os Houthi, uma facção xiita aliada ao Irã, que nasceu em 1990 com viés moderado, e que foi se tornando cada vez mais violento, à medida que as forças dos governos-fantoches apertavam o cerco...

Pasmem: A agenda dos Houthi traz temas que poderiam figurar na pauta de qualquer partido ocidental:

"(...)"Our demands are like the demands of the Yemeni people who seek a decent life, a good economy, security, stability, freedom of expression," (...)" (Nossas demandas são as do povo yemenita que procura por uma vida decente, economia estável, estabilidade e liberdade de expressão)

Mas então por que raios aquele país está explodindo em convulsões?

De acordo com o relato da Al Jazeera, fortes combates entre o Houthi e as tropas do governo tornaram a capital do pequeno país, Sanaa, em um monte de escombros, e as informações ainda dão conta de que não há controle estatal...

Ora bolas, o roteiro nos é muitíssimo conhecido:

Do conflito surge um governo teocrático, tão ou mais violento que os anteriores, mas que se posiciona contra os interesses ocidentais, que por sua vez, em nome da "restauração" do equilíbrio da sensível região, desembarcarão as forças multinacionais (EUA e aliados) no Yemen, aumentando em escala exponencial o alcance militar da disputa...

Assim teremos o aumento da produção desta fábrica de ressentidos terroristas, legitimados pelo sofrimento daquela população, que entre tiranos estrangeiros e os seus próprios assassinos, tendem a ficar com estes últimos... 

Esqueçam a lenga-lenga sobre direitos humanos, etc...

A questão não é essa...

Arábia Saudita, e sua monarquia absolutista, mantém um rigor teocrático e leis islâmicas que fariam o ISIS parecer o Partido Democrata...

Israel trata seus palestinos piores que os cães...

A questão é: De que lado você está?

Você é aliado ou alvo?

sábado, 17 de janeiro de 2015

Esquerda volver...

Cenários eleitorais são parecidos e diferentes ao mesmo tempo.

Cada instância requer um olhar acurado sobre as variáveis, mas há referências parecidas, quase universais.

Há um certo consenso nos setores comprometidos com o avanço das políticas sociais do governo capitaneado pelo PT, de que o partido precisa ocupar um lugar mais à esquerda, re-estabelecer seus laços orgânicos com os movimentos sociais, sob pena de permitir que apenas o caráter excessivamente pragmático continue a encurralar a presidenta Dilma...

Esta é uma tarefa do PARTIDO, que não pode se confundir com a ação de governar, onde sustentamos o ônus da governabilidade, embora as duas instâncias se influenciem em relação recíproca de causa e efeito.

Aqui em Campos dos Goytacazes não é muito diferente, embora por razões óbvias não nos caiba o ônus (e o bônus) de governar...

Se não definir uma feição mais à esquerda, propondo a quebra de certos paradigmas locais, o PT seguirá sendo mais do mesmo, e pior, um pouco de quase nada, considerando o peso e capital político dos seus pares da oposição... 

A ousadia não se resume a trocar acusações sobre falsos moralismos e desvios éticos.

O que é necessário é criar formas de comunicação com a população mais carente, estabelecer propostas que reformem este modelo cansado e ineficaz, trabalhando com o medo e a esperança...

Sim, a população tem medo de que ruim com os patetas da lapa, pior sem eles...E não sem motivos, haja vista que cada "alternativa" que ganhou espaço se revelou muito pior, ainda mais se considerarmos que eram dissidentes da estrutura que diziam querer mudar...

Portanto, nossa matéria-prima só pode ser baseada na esperança, na crença que haverá um meio de tirar esta cidade do atoleiro no qual está metida até o nariz...

Empregos de baixa remuneração, serviços de baixa qualidade, dependentes de receitas do petróleo, encruzilhada fiscal-orçamentária, cidade privatizada e fragmentada, total ausência de participação popular e letargia cívica...

Não é possível tocar esta empreitada sem entender que haverá a hora de demarcar campo, e dizer que certos "aliados" são indesejáveis, haverá outras horas de compor, haverá pontos a negociar e outros inegociáveis...

A resposta para achar o tom certo é a política...o cotidiano...a disputa pelo imaginário coletivo...Mas a posição é evidente: esquerda volver...

O maior partido de esquerda mundial não pode se diluir no meio das cópias falsificadas do garotismo.

Doméstico.

Por anos à fio
Como lobo vadio
Correu meu coração
Quando parou para beber
Na fonte de seu cio
Virou bicho de estimação
Deu de bater macio
Agora come na sua mão.



sexta-feira, 16 de janeiro de 2015

Chico Science & Nação Zumbi - Show no Bem Brasil - 1996





Momento histórico da TV aberta...



Pena que a maioria dos cretinos da mídia corporativa insistam na mesmice pasteurizada...



Não se trata de hierarquizar gostos, mas explorar as possibilidades...



Salve Chico...o último movimento relevante na música brasileira!

Campos dos Goytacazes...quem se candidata?

O que falta à oposição de Campos dos Goytacazes? Eu resumiria tudo em uma palavra: legitimidade!

São uma fraude...e preguiçosos também, afinal, fazer política requer tempo, dedicação mais que exclusiva, e vontade de ouvir (a população).

Como imaginar que partidos que falam pelos meios de comunicação da elite local, possam afinar a linguagem com a população?

Os casos do IPTU e da reforma do Mercado Municipal revelam o teor altamente conservador dos ânimos deste pessoal, colocando de lado discussões importantes, e fazendo apenas um gritaria de lugares-comuns...

Não há o menor compromisso com uma escala tributária progressiva (quem pode mais, paga mais), no caso do IPTU, e muito menos com a população e os comerciantes mais pobres, justamente aqueles que seriam banidos do Mercado, caso vingasse o projeto do jênio do angú, defendido pelos palermas da oposição!!!!

Batem e rebatem na mesma tecla do denuncismo estéril, reproduzem a agenda e os cacoetes da mídia nacional, empurrando as pessoas (e principalmente) os jovens no colo do fascismo anti-política...

E o que é pior, há dentre eles integrantes do PT, partido que sofre com os mesmos métodos goebbelianos no cenário brasileiro e internacional...

A cidade está um caos...

Basta um passeio pelas periferias, uma voltinha de ônibus, ou uma visita às escolas municipais...

Uma checada nos números de nossos indicadores sociais revelaria que a dinastia da lapa é um embuste, uma fraude movida a propaganda, e medidas paliativas, sem nenhum compromisso estruturante...

Mas quem quer se comprometer com mudanças estruturais?

O médico ex-popozão? Sua ex-última-dama, a imperatrix?

O ex-prefeito-poste?

O ex-deputado chorando leite derramado?

Os vereadores e deputados-chuchu?

O cerne da questão não é apontar os problemas, é ter legitimidade para tanto...

Não falo de reinventar a roda...Todos sabemos, pragmaticamente, os limites da ação institucional dos governos e dos partidos, do assédio do capital sobre suas agendas, da necessidade de compor bases aliadas, e em que níveis acontecem estas negociações...Quem tem medo de cagar não come...!

Falo de resultados!

Campos dos Goytacazes é um lixo, e os responsáveis por esta tragédia são as administrações que se revezaram desde 1988...Sem exceções...

Quem quiser ganhar eleições terá que arrumar um meio para dizer isto, sem estar com rabo preso, sem representar interesses que sempre lucraram com este modelo falido...

quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Da série: Charges que eu gostaria de ver nos jornais "campeões da liberdade" tupiniquim!



E aqueles, como o nosso Alan Sieber, que por aqui são ignorados por aqueles que rosnam pela "liberdade de expressão":

Mercado Municipal ou shopping retrô?



Esta é a maquete do projeto defendido pelos "urbanistas-jênios" da cidade para mercado.

Uma ode ao carro particular, com três pistas tangenciando o perímetro, com alças de acesso na entrada, igualzinho a um shopping...

Mais classe mé(r)dia impossível...

Querem a feira e o camelódromo mais longe possível..."ui...que troço nojento este tal de povo", devem dizer...

"É hora de "revitalizar" o centro", dizem os lojistas acostumados aos favores do poder público..."Tirem o povo e tragam os carros e as madames", imaginam eles...!

"Matem a vida em sociedade, higienizem e privatizem o espaço público...Levem o povo para longe..."

Querem um Mercado soft...com algumas quinquilharias e outras curiosidades meramente "antropológicas"...Ambiente de exotismo controlado...

Esquecem o perfil do público majoritário daquele centro comercial, enquanto procuram incentivar o uso do veículo privado...

E imaginar que um destes arquitetos-jênios foi o responsável pela pasteurização do Angu do Capim em um shopping local, e defendeu sua "intervenção" como prova de que o luxo privatista também poderia conviver com o "popular"...

Arf...!

Enquanto a sociedade necessita de gente andando, de gente se encontrando, os "jênios" do espaço urbano colocam uma highway ao lado do Mercado...


Imagine seu filho se desprendendo de suas mãos, ocupadas pelos pacotes da compras, e atravessando a via...

É certo que eu não entendo nada de urbanismo e arquitetura, mas este pessoal não entende nada de gente e de cidade...

Nossos pereira-passos e seu indefectíveis bota-abaixo!

O Mercado Municipal de Campos dos Goytacazes: Entre patetas e palermas...






O mais novo fetiche da oposição-coxinha campista é o Mercado Municipal.

Não que aquele nosso patrimônio não mereça a atenção de todos, mas de fato, se olharmos a nossa História recente, pouquíssima gente, com pouquíssima repercussão, se ocupou do problema enquanto ele se acumulava, ou seja, enquanto o Mercado Municipal se deteriorava, a esmagadora maioria dos que hoje reclamam das intervenções, raramente colocou os pés por lá...ou sequer sabe onde fica...

Vem o Inepac e decreta sua "sentença"... Vêm os jornalistas e blogueiros de coleira e fazem coro...Arquitetos exultam, "urbanistas" vociferam...O governo reage, "intelectuais" se assanham...

Mas e o povo do Mercado? Alguém já ouviu a opinião deles? Alguém já perguntou a Dona Dora (e Seu Lenilson e filhos Luciano e Leandro), ou aos filhos da finada Dona Odete (pastelarias renomadas), ou ao pessoal d' A Pioneira, da Casa da Pipoca, ou o pessoal dos açougues (salve, meu amigo "Neguinho"!), das rosquinhas e "poquinhas de polvilho", dos queijos e do aipim, das peixarias...?

Enfim, alguém procurou pelos humores do público consumidor, que ainda resiste às comodidades dos hortifrutis, e insiste em se acotovelar em um ambiente de cheiros nem sempre agradáveis, e faz da sua ida àquele local quase um evento cultural?

De certo a resposta não estará com os patetas da Lapa...Mas tampouco com os palermas da oposição, porque, simplesmente, nos "planos" desse pessoal a opinião dos principais envolvidos é mero detalhe...

Então, entre a fossilização do preservacionismo estéril, e a "vanguarda" da pasteurização "hortifrutinizada" do espaço público, a vida em sociedade definha...o coletivo se desfaz...o privado engole o público, e nossa memória será somente ressentimento... 


quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Tiro certeiro.

Pode-se falar o que quiser do napoleão da lapa, ex-deputado, agora apenas marido-prefeito.

Mas nunca poderemos dizer que o cara é burro, ah, isso ele não é...Se não é o gênio que se considera, pelo menos sua expertise está há anos luz dos seus adversários locais...

Quando a coisa amplia para cenários além da planície, é fato, ele já enxergou que seus "talentos" estão demodé...

Por aqui, no entanto, dá e sobra...

O mais novo filão explorado pelo marido-prefeito é a classe mé(r)dia, pela faixa de frequência da rádio educativa, vinculada a cambaleante FAFIC, sombra pálida do que já foi (será que foi?)...

Como este estrato social é de se emprenhar pelos ouvidos, não será difícil reverter o quadro desfavorável.

Foi um xeque-mate nos palermas da oposição, que permanecem aprisionados em um jornaleco de décima-nona categoria (se muito), com um punhadinho de leitores e que não elege nem mais síndico de prédio...

Em caso de emergência, quebre o vidro (mas junte os cacos).

Em tempos de aridez e pouca inspiração, resta republicar o entulho:

Republicações. Série: pequenos contos de lama.

Estes contos estavam perdidos por aí, em algum canto mofado deste blog moribundo...

Não se enganem, recordar é morrer...aos poucos...


Contos de lama!

Anatomia do amor antropofágico.
 Silenciosa, ela o esquarteja. Ele não reclama, consciente e voluntário. Devora cada pedaço com devoção, lambe cada pedaço, sorve a carne e a suga até os ossos, enquanto escorre pelos cantos da sua boca o sangue e o gozo. No fígado não há amor, só ódio. Ela joga fora.Depois, metódica, arranca-lhe os olhos, e faz duas contas, que pendura em brincos, exibidos como troféus de uma refeição bem feita. O coração acelera, e ela o arranca de uma só vez. Tão rápido que ainda há batimentos reflexos fora do corpo. Ela aproveita, e coloca aquele coração ainda pulsante dentro de si, como um parto invertido.Depois, extinto o movimento, empalha e o coloca em algum canto de sua memória sombria. O cérebro ela deixa intacto, pois não quer comer suas últimas lembranças.O couro ela esfola, seca, trata, faz uma capa e voa, nas noites sem lua, à caça de outros alimentos:sentimentos.

Chão partido, coração rachado...

Não virão as águas de março

Tamanha seca ressentiu-me por dentro
Eis que diante da carcaça imóvel
Amor que morreu de sede
Incapaz que sou de verter uma única lágrima.

Por aqui não há sequer  a asa branca
Não há poesia alguma neste meu sertão
Você retirante sem volta
Ainda que deus chova por toda estação

A Imperatriz e as "imperatrizes" e outros personagens menos nobres...

Este blog será sempre um incansável opositor da exacerbação do moralismo vesgo e hipócrita que inunda nossa mídia nacional e local...

Achamos pouco que a régua da política seja o caráter individual de cada personagem, o que a História tem nos mostrado o quão inútil é esta medida...

Abaixo o denuncismo...Abaixo a judicialização da política, e da cruzada seletiva daqueles que detêm o poder de investigar...

São projetos coletivos, ainda que haja defecções ali, decepções acolá, que movem a Humanidade, são escolhas políticas, e não morais...É o mandato e a representatividade que estruturam a Democracia, não o verbo de quem se vende por qualquer verba...

Não raro somos colocados a frente a frente com eventos dramáticos, chamados que somos a escolher não entre bem e mal (dilema fácil na agenda cretina dos maniqueístas), mas entre um mal maior e um menor...

A História recente desta cidade é profícua em nos dotar de exemplos, afinal, se temos que derrubar a dinastia da lapa, como pretender fazê-lo tendo o que há de muito pior colocando-se como alternativa?

Quem já se esqueceu da "imperatriz-última-dama" e seus milionários devaneios de grandeza momesca a desfilar na Imperatriz (Leopoldinense), ao custo de vários milhões jogados pelo ralo (e deus sabe mais aonde?).

Nossa escolha é fazer política...por pior que ela nos pareça...Sigamos então...

Mas como cerrar fileiras em um partido que até bem pouco tempo tinha um médico-coxinha como presidente, que atacava os programas (de saúde pública) de seu próprio partido e da presidenta, não por crítica consistente e democrática, mas por despeito corporativista?

De outro lado, uma plêiade de ressentidos, jogados da nau da lapa, rejeitados por imprestáveis que se tornaram, ávidos por nada mais que uma vingança que lhes motive um fim de vida condenado ao ostracismo...

Quem se lembrará do prefeito-poste?

Quem se lembrará dos que vociferam contra os métodos da lapa, mas reproduzem-nos em sua ação cotidiana, com o ônus de serem sempre a cópia mal ajambrada? Ex-deputados eternos e eternos deputados que agem como se já fossem ex...

A única esperança que temos nesta cidade, é que em breve não precisaremos esperar mais nada...




terça-feira, 13 de janeiro de 2015

Saul Leblon, afiado como sempre...

Trazemos do Blog do Nassif o texto do articulista Saul Leblon sobre o evento Paris 07/01:

Somos todos o quê?, por Saul Leblon

Enviado por Webster Franklin
Por Saul Leblon
Da Carta Maior
A nostalgia da guilhotina é só o primeiro degrau. O endurecimento contra imigrantes, na verdade, já avançava em marcha batida antes do massacre em Paris.
O emblema totalizante, ‘somos todos Charlie’ teve curta unanimidade no ambiente trincado de uma Europa onde, de fato, não há lugar para todos serem a mesma coisa em parte alguma.
Os números da exclusão em marcha no continente são suficientes para esfarelar essas ‘uniões’ nascidas da emoção da tragédia,  como é o caso, mas que historicamente se mostram insuficientes para regenerar as partes de um  todo que já não se encaixava mais.
Como recompor o cristal da liberdade, da igualdade e da fraternidade, diante de uma Europa unificada pela lógica do  mal estar social?
Com políticas pública que hoje  irradiam chantagem, regressão , niilismo, intolerância  e medo diante do futuro rarefeito?
Somos todos o quê?
É justo perguntar quando o Estado a serviço dos mercados  mastigou  todas as pontes para a construção de uma cidadania convergente e soberana.
A polêmica linha de humor do ‘Charlie Hebdo’  deve seu sucesso, em grande parte, justamente   à acentuação dessa rachadura em uma  chave religiosa.
Deve-se respeitar a sua liberdade. Mas a forma como escolheu exerce-la fez do jornal parte do estilhaçamento  que procurava  criticar;  tornou-se assim mais um referido do que  referência.
A Europa tem hoje 8 milhões de imigrantes sem papeis; 120 milhões de pobres e 27 milhões de desempregados.
Após seis anos de arrocho neoliberal, o desemprego e o esfarelamento do padrão de vida dos trabalhadores e da classe média –condensado em uma geração de jovens que dificilmente repetirá  a faixa de renda dos pais, turbinou a rejeição ao estrangeiro, criou o medo da  'islamização da sociedade', alimentou a extrema direita e liberou  a demência terrorista.
Não necessariamente nessa ordem, mas com essa octanagem abrangente.
 A imponente marcha em Paris neste domingo não escapou do liquidificador de nitroglicerina.
Seria irônico , não fosse trágico.
Na  comissão de frente da principal coluna da manifestação, que reuniu um milhão de pessoas,  ao lado do presidente François Hollande , e de Merkel, lá estava Benjamin Netanyahu. 
Sim,  o premiê de Israel.
Ele que  acaba de se aliar à extrema direita para transformar o Estado israelense em um estado religioso.
Responsável por alguns dos mais impiedosos massacres do século XXI, contra populações civis encurraladas por Israel  na  Faixa de  Gaza, a presença de Netanyahu a engrossar o  ‘somos todos Charlie’ convida a pensar sobre o alcance das unanimidades.
É  um silogismo barato afirmar  que a recusa  ao bordão dominante endossa o abismo ensandecido  do terrorismo.
Num texto de 1911, ‘Porque os marxistas se opõem ao terrorismo individual’,  e quando ainda nem desconfiava que ele próprio seria uma vítima futura, León Trostsky  criticou exemplarmente aquilo que, nas suas palavras, ‘mesmo que obtenha "êxito" (e) crie confusão na classe dominante (...)  terá vida curta; o estado capitalista não é eliminado; o mecanismo permanece intacto e em funcionamento. Todavia, a desordem que  um atentado terrorista produz  nas fileiras da classe operária é muito mais profunda. Se para alcançar os objetivos basta armar-se com uma pistola, para que serve esforçar-se na luta de classes? Se um pouco de pólvora e um pedaço de chumbo bastam para perfurar a cabeça de um inimigo, que necessidade há de organizar a classe? Se tem sentido aterrorizar os altos funcionários com o ruído das explosões, que necessidade há de um partido?’, criticava o líder da Revolução de Outubro, banido e assassinado por Stálin, para concluir em seguida: ‘Para nós o terror individual é inadmissível precisamente porque apequena o papel das massas em sua própria consciência e (desvia)  seus olhos e esperanças para o grande vingador e libertador, que algum dia virá cumprir sua missão’.
Cento e quatro anos depois, o alerta ganha atualidade diante das medidas cogitadas após o massacre em Paris.
Os indefectíveis Le Pen, pai e filha, pedem, nada menos que a restauração da pena de morte, abolida em 1981.
A nostalgia da guilhotina é  só o primeiro degrau do patíbulo.
O endurecimento contra os imigrantes, na verdade,  já avançava em marcha batida antes do massacre da quarta-feira (07/01).
Agora, porém, que  ‘somos todos Charlie’, quem irá detê-lo –se até Netanyahu  aderiu?
Ofuscados habilmente pelo ‘consenso’, os antecedentes da tormenta esticam o elástico de uma gigantesca armadilha histórica.
Desemprego com deflação e captura do Estado e da política pela alta finança.
É disso que se trata a tragédia europeia, vista de corpo inteiro.
A zona do euro enfrenta deflação recessiva; a Itália tem desemprego recorde; Alemanha e França assistem a uma espiral de xenófobia; Grécia tem 59% da juventude fora do mercado; Portugal tem 500 mil desempregados e Espanha devastou sua rede de proteção social.
Assim por diante.
Foi preciso que um economista moderado, Thomas Piketty, coligisse uma enciclopédia estatística  do avanço rentista sobre a riqueza da sociedade para que o tema da desigualdade merecesse algum espaço –fugaz—  no debate econômico e midiático sobre a crise europeia.
E mesmo assim colateral às decisões da troika, que estala o relho no lombo da cidadania e exige ordem unida ao abismo.
É sobre essa base de rigidez que a  alavanca da tragédia move o curso da história.
Não Maomé, não Charlie Hebdo, não a juventude niilista.
Não os  filhos de imigrantes pobres , que se convertem  cada vez mais ao islamismo como ponto de fuga à meia cidadania da desordem neoliberal  que nada tem a lhes propor hoje.
E  não o fará amanhã também.
Entregue aos ajustes fiscais, na ressaca dos mercados após o fastígio neoliberal, a Europa é hoje um museu de lembranças do acolhimento humanitário e político, que a transformaria em legenda da civilização e da fraternidade.
Na Itália, sob o afável Berlusconi, o Estado elevou para seis meses o tempo que imigrantes ilegais podem ser detidos em ‘ centros especiais’ e autorizou a criação de falanges civis para “ajudar a polícia a combater o crime nas ruas”.
Na Grécia, onde as taxas de desemprego triplicaram sob o chicote de Frau Merkel, os integrantes do partido Aurora Dourada sequer dissimulam a inspiração nazista: sua faxina étnica avança contra árabes, africanos, ambulantes, ciganos e homossexuais.
‘Somos todos Charlie’?
As notícias contraditórias que chegam dos EUA, surfando em uma recuperação feita de empregos com salários aviltados, e da Europa sem Estado à altura para reagir, evidenciam a profundidade de uma desordem  que não cederá tão cedo, nem tão facilmente.
A consciência dessa longa travessia é um dado fundamental para renovar a ação política em nosso tempo.
Recuos e derrotas acumulados pela esquerda mundial desde os anos 70, sobretudo a colonização de seu arcabouço pelos interditos neoliberais, alargaram os vertedouros ao espraiamento de uma dominância financeira que  agora produz  manifestações mórbidas em todas as esferas da vida.
Quando a economia se avoca  um templo sagrado, dotado de leis próprias, revestido de esférica coerência endógena, avessa ao ruído das ruas, das urnas e das aspirações por cidadania plena, o que sobra à democracia?
A pauta dos mercados autorregulados revelou-se uma fraude.
Gigantesca.
Era o  fim da história, replicava o colunismo áulico.
Não era, mostrou setembro de 2008.
Pior que isso.
O sete de janeiro francês avisa que se a sociedade continuar apartada do seu destino, os próximos capítulos serão dramáticos.
No Brasil, os que incitavam o governo a jogar o país ao mar em 2008, retrucam que o custo de não tê-lo afogado na hora certa acarretou custos  insustentáveis.
E eles terão que ser pagos agora.
Na forma de um afogamento incondicional.
Recomenda-se vivamente beber a cota do dilúvio desdenhada em 2008 em uma talagada única.
Não há alternativa, diria Margareth Tatcher.
As escolhas intrínsecas a uma repactuação do desenvolvimento brasileiro, de fato, não são singelas.
Nada que se harmonize do dia para a noite.
Por isso, o crucial é erguer linhas de passagem, repactuar  metas,  ganhos, perdas, salvaguardas e prazos.
Mas há um requisito para isso: tirar a economia do altar sagrado da ortodoxia e expô-la ao debate democrático do qual participem todas as forças sociais.
Quando a mídia conservadora tenta tropicalizar  o bordão ‘somos todos Charlie’, seu objetivo mal disfarçado vai no sentido oposto.
Tenta-se  reduzir uma  tragédia ciclópica a um atentado à liberdade de expressão.
E de forma rudimentar desdobrar a comoção aqui em um veto ao projeto de regulação da mídia brasileira.
Para quê? Justamente para interditar o debate sobre o passo seguinte do desenvolvimento do país.
O apego da emissão conservadora à liberdade de expressão, como se sabe, é relativo.
No dia seguinte ao massacre em Paris, a Folha de São Paulo, por exemplo, dedicou 256 palavras,  uma nota de rodapé,  para tratar do caso do blogueiro saudita, Raif Baddawi.
Baddawi dirigia o fórum on-line ‘Liberais Sauditas Livres’;  foi condenado por isso a dez anos de prisão e  multa de US$ 260 mil.
Seu caso é uma referência do padrão de justiça que impera na democrática sociedade saudita, principal aliada dos EUA no mundo árabe, onde mulheres não podem dirigir sequer automóveis  e inexiste judiciário independente da vontade dos mandatários.
Além de dez anos de prisão, Baddawi também será punido com mil chibatadas por "insultar o Islã" – 50 por semana, durante 20 semanas.
A primeira cota foi aplicada na última 6ª feira.
Uma nota com 256 palavras foi tudo o que o liberal Baddawi obteve de um dos principais veículos de informação do país.
Compare-se com as cataratas de tinta, imagem e som dedicadas à blogueira  cubana Yoani Sánchez que, livre, leve e solta, viajando pelo mundo, mereceu da mesma Folha de SP mais de 90 mil  citações; 155 mil no Globo e 110 mil no Estadão.
É difícil imaginar algo do tipo ‘somos todos Baddawi’ alastrando-se pelo colunismo pátrio que dispensou às visitas de Yoani um tratamento de chefe de Estado.
São dois pesos e mil chibatadas.
Uma diferença sugestiva.
Que recomenda cautela com as unanimidades produzidas pela mesma fonte.
Aqui ou em Paris.