sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Cuba, a vitória de um povo!





Ninguém saberá ao certo o que levou o Presidente Obama a re-aproximar-se de Cuba, mas os cretinos de plantão, atualmente chamados de "coxinhas", se apressarão em dizer que foi o contrário, ou seja, que Cuba foi até aos EUA.

Bem, Democracia é isso mesmo: Defender o direito de cada um falar a asneira que quiser, desde que não interfira na esfera jurídica alheia.

Mandam a prudência e um pouquinho de inteligência um aviso de que nas questões geopolíticas e diplomáticas nada é o que parece, ou melhor: Ninguém dança sozinho, nem há relações ou gestos unilaterais.

O fato é que Obama decidiu usar seu último mandato para demarcar um campo político claro, ao contrário do que fez todo este tempo, com resultados impostos pelo que chamo de "pragmatismo necessário".

Não deve ser desconsiderado que herdou a maior cagada econômico-militar de toda a história estadunidense, protagonizada pelos "coxinhas" de lá, os republicanos e seu "falcões caolhos". A crise de 2008 e as guerras pelo petróleo (chamadas de "War on Terror") foram a herança maldita dos democratas.

Obama teve que moderar o tom para não partir aquela sociedade complicada ao meio, e que em outros tempos já deu mostras do seu potencial violento, como em 1860.

Com o resultado das útlimas eleições parlamentares, e com o avizinhamento de um retrocesso conservador, o presidente estadunidense resolveu colocar as mãos na massa, e partiu para destravar temas incômodos, como imigração e agora o embargo a ilha cubana.

Obama, democratas e os interesses geopolíticos estadunidenses não perdem nada, haja vista que este gesto diplomático é uma avalanche de possibilidades para a economia e sociedade dos EUA, salvo para os fascistas de Miami e adjacências.

O preço político seria o de sempre, porque estes mafiosos que fugiram da Ilha e se estabeleceram no sul da Flórida nunca apoiariam uma agenda democrata, ao contrário, sempre queriam mais e mais embargos para manter seus negócios escusos e seu naco de poder político.

Obama inicia a recuperação de seu eleitorado democrata, e demarca um campo definitivo para identificar sua gestão, abrindo chances concretas de unificar seu discurso rumo a eleição de seu sucessor, abandonando a dubiedade com qual manipulou suas variáveis políticas durante os anos que governou.

Estas idas e vindas trouxeram certa governabilidade, mas tiveram um preço bem alto, haja vista as dificuldades no jogo parlamentar, e que quase lhe custaram a reeleição!

Há sim ganhadores, e estes são os cidadãos e cidadãs de Cuba.

Seu país não mexeu em nenhuma vírgula de política interna, não alterou em nada suas formas de escolha de seus líderes (até agora) e não sofreu nenhuma condição para o reestabelecimento das relações entre os dois países.

Então quem perdeu?

Em primeiro lugar, os setores hegemônicos da mídia mundial, aqui no Brasil representados pela cosa nostra globo e as outras famiglias afiliadas...

Estão com cara de idiotas e correm atrás da História (como têm feito ultimamente).

Só para citar um exemplo, vale lembrar o escândalo que fizeram sobre os investimentos brasileiros em um porto na ilha...Parece que nosso governo "adivinhou", e se colocou na vanguarda de um promissor ponto de escoamento econômico.

Este tema foi usado até na campanha presidencial recente, onde acusaram a Presidente de capitular aos "comunistas", ou de avançar na "bolivaniarização" do Brasil.

Todos estes anos a mídia buscou contorcer-se para defender a exclusão da Ilha da OEA, posição fortemente combatida por Lula, Dilma e os parceiros da UNASUR.

Para a mídia pouco ou nada importava que seus "argumentos" atacassem a autodeterminação dos povos, celebarada como um princípio caro de direito internacional, que reflete em nosso ordenamento constitucional.

Agora estão com cara de cachorro que caiu da mudança.

Em segundo lugar, estão as forças de oposição brasileira e todas as forças conservadoras ao redor do planeta.

Talvez a queda do embargo possa trazer estragos ainda mais graves ao ideário direitista que foi a queda do Muro de Berlim para algumas forças de esquerda.

Só o tempo dirá se estou exagerando.

Saudações ao povo cubano! Hasta la victoria, siempre!



11 comentários:

Anônimo disse...

Verdade dMata.
É difícil saber os motivos do Obama.
Mas, tirando o símbolo que isto representa, e apenas o símbolo, não vejo grande importância geopolítica nesta decisão. Rende manchetes e comentários, mas é só.

Talvez seja melhor para os cubanos, digo o povo cubano. Se for, melhor assim. Antes tarde que muito tarde.

De resto, se o congresso americano aprovar a medida, Cuba deixará de ostentar a bandeira do embargo. Embora "não tenha funcionado", a sanção americana lhe garantiu muitas desculpas e justificativas.

Paz e felicidade aos cubanos!

douglas da mata disse...

Caro amigo,

Eu não tenho a dimensão correta da repercussão geopolítica, mas não se restringe a mera simbologia.

Até porque, sabemos, em política a simbologia não raro suplanta e molda a realidade.

Boa parte dos arranjos institucionais e das disputas soberanas tinham a questão cubana como referência central, ainda que houvesse pouco resultado prático.

É bom repetir: Cuba não se dobrou, embora sufocada pelo Império.

Esta posição fortalece as forças que lutam contra aqueles que ensaiam expandir a "experiência" hondurenha e paraguaia na região, o que não é pouco.

Em um momento no qual os fascistas tupiniquins flertam com golpes e militares, ou sonham com um terceiro turno movido a juristocracia, a vitória cubana é um aceno importante.

Um abraço.

douglas da mata disse...

PS: É claro, o fim do embargo tira o sofá da sala.

Mas só os tolos imaginam que Cuba é um lugar acima do bem e do mal.

O que não pode ser confundido com a defesa que fazemos de sua autodeterminação e dos avanços sociais conquistados durante tanta penúria, que aliás, mantiveram a coesão do seu povo (junto com a ideia de um inimigo externo, eu sei).

Anônimo disse...

Cuba livre! Finalmente! Um Feliz Ano Novo para os Cubanos. Até Cubanos! rsrsrs.

Anônimo disse...

Caro Douglas, primeiro quero dizer que acompanho diariamente seu blog e gosto muito das suas postagens. Mas o que me traz aqui hoje é sobre o que temos assistido nas últimas semanas: um debate acalorado sobre a gestão da prefeitura e seu bilionário orçamento. Percebi que infelizmente pessoas com visões mais progressistas e até mesmo os partidos de esquerda da cidade tem deixado a desejar nesse debate. Acho que eles estão pouco participativos, tímidos, aparentemente até desinteressados, e isso, além de deixar de trazer novas visões (progressistas) para a sociedade nesse debate, abre espaço para pessoas e partidos menos identificados com as causas populares crescerem eleitoralmente, por que é só isso que eles querem. Estes fazem um debate sem profundidade, mas diante do desgaste atual vivido pelo grupo de Garotinho, em que ele mesmo está em um momento de crise, eles aproveitam. São oportunistas! Os partidos de esquerda, os blogs progressistas como o seu, os movimentos populares precisam ser protagonistas nesse debate e não dar espaço para os oportunistas. Abs.

Anônimo disse...

O embargo também impedia a Cuba de comerciar com a China, país que fabrica, hoje, praticamente tudo?

É claro que o reestabelecimentodas relacoes com USA vao ajudar, mas é importante ter a nocao que é Cuba quem tem que permitir mais liberdade economica a seu póvo para poder crescer.

douglas da mata disse...

Meu caro, o embargo impedia que empresas que negociassem com a Ilha mantivessem contratos com empresas dos EUA.

Então, a China e tantos outros empresários (inclusive brasileiros) faziam o óbvio: a comercializarem com uma pequena ilha com poucos milhões de consumidores, "aceitavam" o embargo e mantinham os EUA em suas carteiras...

Se o seu argumento "da liberdade econômica" funcionasse, eu pergunto: Uai, no Haiti tem "liberdade", e a quantas andam o povo haitiano...

Na África também tem um monte de empresas capitalistas e "mercado livre", e aí?

Liberdade econômica nunca trouxe prosperidade para povo algum, caro amigo...

Anônimo disse...

Fala isso pra Dilma, então.

douglas da mata disse...

Caríssimo débil mental...

Eu creio que, embora a Presidenta não seja infalível, e insuscetível a erros, ela sabe bem mais que eu, pelo menos, em se tratando de política e liberdade econômica.

Penso que ela compartilha comigo a noção de que "liberdade" econômica quase sempre é ditadura social.

No entanto, tanto ela como eu, também compartilhamos a ideia de que a realidade, às vezes, nos impõe a agir diferente do que pensamos (noção básica da Democracia).

Resumindo: Não é preciso dizer nada a Presidenta, é preciso dizer a idiotas como você...

Anônimo disse...

Ao longo desse período eventos esquisitos parecem apontar em uma outra direção. A quantidade de latinos cubanos que fogem apavorados em direção ao Tio rico Sam, como ratos amontoados em bateias e rasas balsas, muitos deles perdidos e afogados em seus sonhos de liberdade, contrastam com aqueles que ficaram na ilhota, inclusive um octagenário moribundo que talvez ainda sobreviva as expensas de recursos milionários auferidos em uma ditadura quase secular. Talvez a melhor vitoria seria devolver a esse mesmo povo cubano a democracia tão logo a ilha fora tomada das mãos do Fulgêncio Batista. Se o Ernesto Che Guevara não tivesse sido morto, teria talvez promovido a revolução anticastrista, se antecipando ao Obama bonachão e os muchachos ainda não estivessem andando de "fubicas". A História é um evento muito lento mas quando se olha pra ela voce ve fatos que parecem estar ligados entre si. Morte dos ucranianos em nome de um projeto de um louco,matando milhares ao lhes segregar a comida, associando-se mais tarde a outro louco varrido de preferências arianas que dizimou milhões de "feios" à luz do entendimento hitleriano. O tempo passa o poder continua fascinante, coorruptível e corruptor e em razão dele vale tudo.As cores mudam ficam até mais ruborizadas, até mais estrelares. Os métodos mudam mas o objetivo é o mesmo. Demarcar e conquistar territórios, identificar e circunscrever pessoas para lhes cobrar impostos e devoção cega. Parece que o método mais moderno é de deslocar a caixa pensante do seu habitat original para a região do estômago, onde residem a miséria, a fome, a dependência e através de um cinturão de benesses, os mantém presos a um assistencialismo perene imobilizador e incapacitante e ao contrário da Ucrania, preserva fidelizado e acabrestado o voto garantidor da continuação no poder

douglas da mata disse...

Engraçado, tanto tempo gasto para escrever tanta asneira.

Muitos mais mexicanos morreram (e morrem) tentando sair da maravilha democrática capitalista que fica abaixo do Rio Bravo, e nem por isto eu li você vociferando contra os regimes dos cucarachos astecas.

Outros tantos pretos seguem morrendo afogados tentando sair das suas maravilhas capitalistas africanas rumo a Europa, e sequer um muxoxo de sua parte.

O mundo tem problemas, é realmente um lugar estranho.

Afinal, mexicanos, porto-riquenhos, hondurenhos, etc têm capitalismo e liberdade, mas seguem virando comida de "coyotes"...

E claro, tanta "filosofia" barata sobre o poder e sua práxis para desfiar a mesma cantilean anti-estado, anti-impostos e bem estar social, confundido aqui como esmola.

O de sempre: dinheiro para rico é investimento e desenvolvimento, dinheiro para pobre é assistencialismo.

Neste samba de crioulo doido, à lá Tea Party, junta alhos com bugalhos, pseudo estruturalismo/essencialismo histórico com teoria do caos.

Vai se tratar, querido, seu caso é grave...