segunda-feira, 17 de novembro de 2014

Fascistas e facínoras doentios, enquanto os médicos parecem estar ainda piores...

O que tem em comum a Petrobras, pedidos de intervenção militar e os estupros na Medicina?

Percival Maricato: o que tem de comum o escândalo da Petrobrás, os pedidos de intervenção militar e os estupros na faculdade de medicina? 
Certos acontecimentos recentes tem a mesma causa: a sociedade egoísta, violenta, individualista, consumista, preconceituosa que estamos construindo, onde levamos ao extremo o sucesso financeiro, o status e o consumo como objetivos maiores do ser humano.
A reunião de direitistas toscos e opositores da presidente eleita na Av Paulista, onde havia muito ódio concentrado e se pedia intervenção militar (na falta dela, que tal pedir a vinda dos marines americanos e nos tornarmos colônia, em vez de ditadura?), mostrava onde pode chegar as manifestações doentias da sociedade. Em outras palavras, diziam os dois mil manifestantes (150 no Rio e outro tanto em Brasília), que venha a guerra civil, a ditadura, a tortura, seja lá o que for, menos admitir quem não queremos, ainda que mais de 50 milhões de brasileiros o queiram, mais de 100 milhões, se considerarmos que o PSDB já repeliu a palavra de ordem do grupinho do Jardim Paulista, que encheria quando muito 1/5 do estádio do Juventus. É a reprodução em outro cenário e outras dimensões do que ocorreu em 1964.
Por sua vez os jornais espelhavam a irresponsabilidade e o grau de corrupção a que chegamos com o escândalo da Petrobrás. Dirigentes das grandes corporações, de estatais, de partidos políticos, parlamentares, em vez de aproveitarem as condições a que foram guindados para construir um país civilizado e desenvolvido, chafurdam na lama e como justos veríssimos, sem tirar nem por, partilhavam butim de centenas de milhões de reais. Dirigentes de empresas já foram presos, esperemos pelos políticos. Parabéns ao Governo Federal pela apuração rigorosa. Lamentável porém que o esquema tenha funcionado escandalosamente por tanto tempo.
Já no micro cosmos da faculdade de medicina da USP, vieram a tona os estupros praticados em festas, filmados e postos em internet, violência e covardia suprema contra um outro ser humano, cujo corpo e vida valem tanto como qualquer mercadoria. Haveria moças que, não suportando tanta sandice e humilhação, teriam se suicidado. Há poucos anos ali se matou um calouro na piscina e os veteranos se orgulham abertamente de por pasta de dente no ânus dos que adentram a faculdade e depois em suas bocas. Denúncias à diretoria resultam apenas me mais perseguição das vítimas. Certamente, logo mais, essas excrescências estarão à frente das agressões contra os programas que procuraram trazer médicos do exterior para atender brasileiros que não têm quem os socorra.
Mesmo considerando o outro mercado ou mercadoria da qual poderiam se servir, os agressores não praticariam esses crimes que envergonhariam Átila ou Gêngis Kahn se não se sentissem em uma faixa social que se julga inatingível pelo aparato policial e judiciário. A prisão de dirigentes de grandes empresas acima, deve se repetir também em baixo.
Interessante que essas mesmas faixas sociais, grandes empresários, médicos de elite, pessoas da alta que querem estuprar a democracia e a lei, ficam indignadas quando os de baixo cometem crimes do mesmo nível de violência, exigem redução da maioridade penal, pena de morte e etc.
Percival Maricato

Publicado no Blog do Nassif.

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