domingo, 21 de setembro de 2014

Vai para casa Padilha...?

Toda eleição é um marco épico, de certa forma...Tivemos a de 89, obviamente, uma ruptura entre o modelo representativo indireto de transição para o sufrágio direto, com todas as suas cargas simbólicas...

Já em 94, experimentamos o início da economicização da política, com a subordinação da pauta democrática aos critérios do mercado...

Em 98, veio a reeleição...e a reafirmação do mercado sobre as urnas...

2002 a eleição do Lula, e toda a incerteza e terrorismo manipulado pela mídia, que de um jeito ou de outro, sequestrou boa parte do capital político da escolha por um presidente oriundo das classes populares...Era o mercado dizendo quem é que mandava, ou afinal das contas, quem queria continuar mandando...

2006 foi a guinada, e adveio uma certa libertação de Lula dos aspectos economicistas, e melhor: Superando a chantagem midiática do mensalão, impôs sua agenda de governança...

2010 foi o resultado, a hora da colheita...Permitiu o bloco governista, não sem alguns sobressaltos, a eleição de uma presidenta, um quadro até então "virgem" eleitoralmente, mas que despontou como grata surpresa...

No aspecto partidário, as eleições também revelam ciclos, que se não podem ser cartesianamente delimitados, ao menos nos dão alguma referência dos movimentos e processos políticos...

O PMDB continua a ser o grande avalista da governabilidade, quer seja por sua capilaridade, quer seja por sua capacidade de focar sua ação nos parlamentos...Mas de fato, seu poder não é tanto quanto era antes...

É provável que o PMDB cresça sua representação parlamentar, muito por causa da completa desidratação dos demotucanalhas (DEM e PSDB), mas este crescimento também será percebido em setores mais à esquerda, como o PT e os partidos nanicos, como PC do B, PSOL, etc, que acabam por compor um panorama mais hostil as forças centristas representadas no PMDB...

O PT se firma como grande partido da centro-esquerda mundial, absorvendo para sua base de apoio, não só os partidos que organicamente pendem para o lado do poder, mas principalmente pela forte adesão que setores da sociedade têm garantido às políticas de governo, que não raro tornam-se políticas de Estado...

Os outros partidos seguem, mais ou menos dramaticamente estas linhas destes partidos (PT e PMDB)... 

Para este analista bocó que vos escreve, o grande senão desta eleição é o PSB...

Será o PSB uma espécie de PSD mais polido?

Um novo centro da política brasileira?

O certo (e óbvio) é que com a saída da joana d'arc da floresta, tão logo acabe o contrato de aluguel da sigla (sim, a candidata reclama da velha política, mas alugou um partido igualzinho aos demais), o PSB não será mais o mesmo...Como uma casa alugada por um inquilino porco e espaçoso, vai ter que se reformar...

Se houver crescimento de sua base parlamentar, ele terá ainda mais influência que antes, porém, terá responsabilidades e implicações diferentes de quando fazia parte da base aliada governista, inclusive se quiser voltar para lá...

Escrevo sobre isto de olho principalmente em SP...

Não está claro para mim os motivos da não decolagem da Alexandre Padilha, mas conhecendo pouco SP, e muito menos o candidato petista, arrisco o palpite de que seu "insucesso" é muito mais por motivos alheios a sua estratégia (e de Dilma)...

Por que raios Padilha não repete Haddad, me perguntam alguns? 

Santo deus, é claríssimo que esta pergunta é mais estúpida do que aqueles que a fazem...Padilha é Padilha, e eleição de governador não é de prefeito...2012 não é 2014...Lá, em 2012, a presidenta e Lula estavam "à disposição" da campanha do prefeito, enquanto agora, o candidato a governador tenha que se subordinar aos ditames federais...

Parece ser esta uma explicação-chave... 

Vejamos o caso de MG...Ali, desde o início dos anos 2000, uma aproximação PT e PSDB vem aos trancos e barrancos (justamente abortada pelo ciclo aecista e suas pretensões presidenciais), mas que teve no PSB uma forte referência de conexão...

Me parece que em SP a coisa começa a andar por aí...

Geraldo Alckmin já percebeu que o barco do PSDB afundou, e pior: Com Lula em 2018, há pouco espaço para cerrar fileiras no campo da oposição no segundo mandato de Dilma...

A saída é convergir para o centro, abandonando as hostes mais estreitas e radicais de combate ao PT e ao governo federal...

Talvez por este motivo, as intuições de Lula e Alckmin tenham arrefecido o embate deste ano, para evitar feridas incuráveis nos diálogos que estão por vir...

Todos já perceberam que a marina silva caberá o papel (tristemente) feito por zé çerra, ou seja, uma lacerda verde-pentecostal...

Lideranças do PSB, mormente as mineiras, e outras do Sudeste, como o governador do ES, e outras pelo Nordeste (órfãs de Eduardo Campos), sabem que esta é a hora decisiva para recuperar o espaço do partido, que pode ficar preso em um paradoxo: Maior de tamanho, e menor em seu peso político...

Ao governo, PT, e base aliada, caberá a tarefa de pensar com habilidade o lento e gradual trabalho de reaproximação, e melhor, trazendo os despojos do PSDB para dentro da base aliada...

O PSB pode ser o grande herdeiro do butim do PSDB...

Aguardemos...Padilha, pode, por que não, surpreender?

Ou vai repetir o bordão?

3 comentários:

Anônimo disse...

Você tá mais perdido que cego em tiroteio.

douglas da mata disse...

Bem, estou esperando os seus luminosos argumentos para me restaurar a visão...

Enquanto isto, no escurinho, vou apalpando sua mamãe, irmã, e/ou ou filha...

douglas da mata disse...

Ao idiota que tem se dado ao trabalho:

01- Textos cansam, principalmente aos que têm dificuldade para interpretação...pensar cansa, para alguns, como você, deve até doer...

02- Fiote, exigir escorreita gramática, ou apelar ao gramaticismo, é a última (ou única?) trincheira do imbecil, pois afinal, um texto com erros e bons argumentos continuará a tê-los, e cumprirá sua missão...agora, um texto horrivelmente bem pontuado e gramaticalmente correto, ainda assim será um desastre...

E para seu desespero, seus zurros não serão publicados, ficando apenas minha réplica, pois aqui, com português ruim ou não, quem manda sou eu....