sábado, 27 de setembro de 2014

Encruzilhadas.

Cena 01.

Ele saiu do trabalho apressado. Ela esperava pelo seu telefonema havia dois dias inteiros. Ambos eram casados, e tudo indicava que não continuariam assim. Ela decidiu contar tudo ao seu marido, menos a identidade do seu novo amor, por óbvio.

Ela mal podia aguentar a aflição, e queria dividir com ele a notícia de que dera o passo fundamental em direção a ele, um novo destino, enfim...

Cena 03.

Ele não suportava o próprio peso com as pernas. Era como se alguém retirasse o chão debaixo de si. Depois de vinte e tantos anos de casado, ela lhe disse: "FIM"...

Saiu de casa desesperado, e bebeu todas as suas mágoas em algum lugar que não se lembra...

Como as mágoas eram muitas, resolveu mudar de lugar, como se pudesse deixar parte delas no copo do outro bar que abandonou...


Cena 03.

Ele atravessa a rua distraído, falando ao telefone com ela. Ele vem em alta velocidade, bêbado, com os olhos tão afogados em lágrimas que mal via o vidro do para-brisas a sua frente. Uma neblina de sofrimento e ressentimentos nublava sua visão.

Só percebeu o impacto do corpo contra seu carro pelo barulho.

Cena 04.

Ele caiu mortalmente ferido pelo atropelamento, e ofegou as últimas palavras de amor ao telefone, enquanto ela desesperada, ouvia, sem entender, as vozes do seu novo amor em agonia, e a do se ex-amor em desespero, tentando salvar a vida do seu rival, sem saber de que ali jazia o motivo de todas as suas dores.

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