domingo, 31 de agosto de 2014

marina, a candidata oca...

Vem do blog do Nassif o texto do Paulo Moreira Leite:

Conflitos banais da campanha confirmam a fragilidade política de Marina para falar de gays, juros, Chico Mendes, salário mínimo...
Por Paulo Moreira Leite
Denunciado por Jean Willys, o recuo dos quatro tuites na definição do preconceito contra homossexuais no plano do racismo foi a mais recente demonstração de um traço político marcante de Marina Silva: a imensa fragilidade política para defender seus pontos de vista e enfrentar contradições e conflitos. Quando isso acontece, ela prefere fingir que tudo não passou de um mal entendido.
Não vamos nos enganar: a defesa resoluta dos direitos dos homossexuais pode implicar na retirada do apoio do tristemente famoso deputado e pastor Feliciano, dono de uma retórica escandalosa que em 2013 provocou repúdio de vários setores da juventude e da consciência democrática do país – mas foi confortado por Marina, que na época enxergou “preconceito” nas críticas ao parlamentar.
Não foi o primeiro caso e é parte da personagem “Marina Silva” que se apresenta na campanha. A aura de predestinada pressupõe uma concorrente acima dos homens e das mulheres, das classes e dos interesses. A dificuldade é que essa postura tem pouco a ver com a realidade do país e com a história de resistência dos brasileiros.
Apresentando-se como destino final da história, Marina Silva incluiu a herdeira do Itau, Neca Setubal, e Chico Mendes no mesmo universo da “elite brasileira.” Ao praticar uma sociologia eleitoreira, que ajuda a passar uma borracha em diferenças e contradições fundamentais em proveito de uma mistificação, recebeu o repúdio dos dirigentes do Sindicato de Xapuri, no Acre, que Chico Mendes fundou.
É uma reação compreensível, já que a cooptação póstuma de Chico Mendes para o mundo dos banqueiros e grã-finos é particularmente grotesca.
Ao contrário do que acontece com a campanha de Marina, de aberta ambição privatizante, a luta dos seringueiros do Acre tinha uma vocação oposta. Nasceu da resistência dos trabalhadores aos programas de privatização das florestas, promovidas pelos governos estaduais, que leiloavam lotes de terra a fazendeiros e investidores. Mobilizados para defender seus campos de trabalho, os seringueiros enfrentavam tropas de jagunços e operações militares. Protegendo um sistema de propriedade comunitária, seu movimento nada tinha de privatizante, mas era tecnicamente anti-capitalista. Que diferença, não?
Até hoje os colegas de governo Lula não conseguem conter o riso quando recordam o depoimento de Marina Silva no Jornal Nacional. Questionada pela nomeação de um candidato a vice presidente que fez campanha aberta pela liberação dos transgênicos, Marina reescreveu a própria história. Disse que nunca foi contra os transgênicos. Apenas gostaria de um sistema que permitisse o convívio da soja transgênica com a soja natural.
“Ela simplesmente ameaçou pedir demissão do cargo,” recorda um ministro que seguiu o debate de perto. Um alto funcionário do ministério do Meio Ambiente recorda que aliados de Marina chegaram a homenagear a ministra com flores — uma forma de marcar publicamente seu descontentamento.
A Medida Provisória que liberava os transgênicos não proibia a soja natural — apenas autorizava o plantio e comercialização da versão modificada geneticamente. Marina simplesmente queria liberar os transgênicos numa parte do país e manter a proibição em outras.
Com a declaração ao JN, a candidata perdeu uma excelente oportunidade para reconhecer perante os brasileiros a quem pede seu voto que errou ao combater os transgênicos – ou que foi incoerente ao aceitar um vice que nunca escondeu que fazia campanha por eles e até recebeu apoio financeiro do setor interessado. Preferiu investir em seu personagem Mas não foi só. A mesma MP, que tratava de biossegurança de forma geral, foi alvo de Marina por outra razão: autorizava pesquisas com células-tronco, que ela condenava. A ironia, no caso, é que as pesquisas tinham apoio do Ministério de Ciência e Tecnologia, cujo titular era Eduardo Campos, titular da chapa presidencial do PSB até a tragédia do Cessna.
O Valor Econômico de hoje registra que o mercado financeiro está abandonando Aécio Neves para apoiar Marina e explica: “o sonho de dez entre dez integrantes do mercado financeiro é ver a derrota da candidata do PT.”
Num esforço para não decepcionar nenhum dos dez entre dez, o programa de Marina Silva não faz menção a uma das grandes conquistas dos trabalhadores no governo Lula-Dilma — a legislação que garante reajustes automáticos do salário mínimo, sem necessidade de se promover conchavos anuais no Congresso em nas semanas anteriores ao 1. de maio. 
Outro ponto do programa vem dos bancos privados mas este já foi atendida e, a julgar pela desenvoltura da coordenadora do programa de governo Neca Setubal, herdeira do Itaú, não deve cair nem com um milhão de tuites.
O programa de governo defende a ampliação da participação dos bancos privados no mercado de crédito, diminuindo a participação dos estatais. É coerente com a ideologia privatizante de Marina. Também é prejudicial do ponto de vista do consumidor.
Os bancos privados perderam terreno no mercado de crédito, depois da crise de 2008, porque se recusaram a competir pelos clientes. Mantiveram seus juros nas alturas, mesmo depois que o Banco Central trouxe a taxa Selic para índices compatíveis com aquele momento econômico. O Banco do Brasil e a Caixa só cresceram, a partir de então, porque resgataram clientes que o setor privado decidira abandonar, ameaçando quebrar empresas pela falta de capital de giro e empréstimos que costumavam ser renovados automaticamente.
Atendendo a determinação de Lula — uma imperdoável intervenção aparelhista do Estado petista, certo? — os bancos privados se afastaram da política de mercado para atender ao interesse público.
Essa é a questão.Quando fala em ampliar o espaço dos privados, o programa de governo esconde principal. O mercado de crédito funciona — ou deveria funcionar — sob regime de livre concorrência, onde cada um explora a fatia do mercado que conquistou. Nessa situação, a única forma de mudar a posição de uns e outros é obrigar os bancos que cobram menos a elevar seus juros, permitindo que as instituições que tem taxas maiores ganhem novos clientes.
Em qualquer caso, é uma medida que, elevando o custo do dinheiro, contribui para esfriar ainda a economia, estimulando uma recessão de verdade. Para beneficiar bancos privados, prejudica-se o consumidor e o empresário.
Alguma surpresa? Nenhuma.
Proprietária de uma retórica de palavras fortes, Marina é fraca de conteúdo — situação típica de discursos estruturados mas vazios.

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Lula, Dilma e pezão: Como agradar aliados, sem que o público perceba...

Não podemos dizer que um evento tenha só um propósito...como é correto dizer que estes propósitos não são alimentados apenas por uma causa...

Já aprendemos que há causas determinantes, mas nunca serão exclusivas...

Sendo assim, é correto afirmar que a estratégia do Planalto, do PT e de Lula para as eleições do RJ buscou, em primeira hora, empurrar a candidatura de Lindberg Farias...

Mas este não foi o objetivo exclusivo...

Primeiro, o criou-se candidatura popular-evangélica como a de Crivella, para bloquear os anseios garotistas, o que permitia ao senador petista enfrentar-se com o candidato do governo...

Por  outro lado, como já mencionamos aqui no blog, uma parte do PT (Ricardo Berzoini) deu uma colher de chá (o PROS e algum tempo de TV) ao napoleão da lapa, justamente para fazer um contraponto, e tirar alguns votos de pezão, haja vista a pesada artilharia que o candidato da lapa dedica ao candidato a reeleição...

É preciso dizer que desde o primeiro momento, Lula, Dilma e assessores mais próximos devem ter antevisto o que pouca gente viu há alguns meses atrás: pezão estaria no segundo turno, apesar do inferno astral de sérgio cabral...

Isolado politicamente, apesar de ter feito um governo bem razoável, cabral se tornou uma âncora para pezão, e acreditando nisto, sacrificou-se e retirou-se do governo para diluir sua rejeição e a associação com o nome de seu candidato...e parece ter dado certo!

Agora, com o nanismo da candidatura petista, e apesar do favoritismo do napoleão da lapa no primeiro turno, as candidaturas do planalto (Crivella e Lindberg) são a garantia a pezão de que o napoleão da lapa não se beneficiará de uma polarização que poderia fechar a conta no primeiro turno...

E no segundo turno, não é leviano supor que Crivella e Lindberg farão uma composição natural com pezão...

Vai ser divertido ver o napoleão da lapa sem mandato, e formalmente fora da prefeitura de Campos dos Goytacazes, haja vista que a transição do poder local para um nome fora da famiglia traz resultados já conhecidos e temidos pelos patetas da lapa...

Afinal, somos traídos apenas por quem confiamos...

sexta-feira, 22 de agosto de 2014

Nada como um dia atrás do outro...

Idiota mesmo é quem acredita (e defende) que a política externa dos EUA (alguém ainda defende isto) esteja voltada para tornar o mundo mais seguro, e para disseminar valores como Democracia ou respeito aos Direitos Humanos...

Eles andam meio sumidos (ainda bem), mas volta-e-meia estes asnos zurram por aqui, e não é raro encontrá-los vagando pelos blogs progressistas...

Pois bem, o jornal The Independent (aqui) traz interessante matéria:

EUA e GBR tramam escondidos uma aliança com o líder sírio Bashar al-Assad para enfrentar as facções extremistas denominadas Estado Islâmico...Ok, ok, ok, não há nada demais em se aliar a um mal menor para derrubar um mal maior...

A questão é que até ontem, EUA e GBR tentaram por todos meios derrubar Assad, financiando e armando milícias rebeldes, e como consequência lançaram a Síria em uma escalada de violência e tragédia humanitárias gigantescas...

Da série: poesia ruim para horas impróprias...

(só) para você...

Você me acusa
(Não sem razão)
De repetir poesias passadas
De amores passados

Não deverias te preocupar...
Palavras são meras molduras.
Alguém se lembra
Do que está ao redor de um Monet?

Você desprezaria um Rembrandt
Apenas por que a moldura
foi usada em um Van Gogh
Em uma exposição qualquer?

Eu usaria todas as palavras disponíveis
Em quantos dialetos remotos fossem possíveis
Línguas mortas ou que sequer foram inventadas
Todos os poemas roubados
poemas próprios ruins
originais ou requentados
E faria um contorno
para a arte mais pura: sua presença.

Lindbergh Farias: devorado pelo eleitor antes de ser decifrado...

Afinal de contas, depois de tanto esforço, de tanta luta pessoal, por que a candidatura petista do senador e ex-prefeito de Nova Iguaçu não decola?

Antes de mais nada, é preciso apresentar (para quem não conhece) as credenciais deste palpiteiro: 

Petista há quase 30 anos (desde 1986, precisamente), colaborador de algumas campanhas eleitorais e um devotado militante pró-Lula e Dilma...

Então, quando me faço estas perguntas, é mais ou menos como se estivesse fazendo uma expiação pública...de culpas ou ressentimentos, vá lá, mas não menos válida como análise (imagino)...

Vamos ao estudo do caso...

Nos fatores extra-Lindbergh, eu elencaria o formato das eleições e do arranjo institucional partidário, que subordinam as eleições dos governos estaduais à campanha presidencial, onde aliados no plano geral acabam colidindo na faixa regional...

A estes quesitos temos que somar a questão da formação das bancadas federais, outro fator incidente importante, que acabou por tornar a eleição para as administrações estaduais algo quase-secundário, ainda mais se considerarmos que um ótimo governador pouco ou nada repercute em nível nacional, mas o contrário traz sérias complicações aos projetos nacionais de um partido, principalmente se for uma unidade da Federação com peso demográfico e econômico, como Rio, SP, MG e depois o RS, nesta toada...

Governador só lida com pepino: polícia e professor (da rede secundária, justamente onde está a maior evasão e problemas), guerra fiscal (ICMS) e rolagem das dívidas estaduais, atiçadas pelo evento da desoneração das exportações imposta pela Lei Kandir, que ajudou a jogar uma pá de cal sobre os orçamentos estaduais...

A prova disto é que desde 1989, apenas Collor foi eleito a partir de uma plataforma estadual...Todos os demais jamais sentaram na cadeira de governador...

Deste modo, não é errado supor que há candidaturas (quase) naturais, aquelas que são inquestionáveis pela força local dos partidos (que não é o caso do RJ), e pela força pessoal dos candidatos e partidos (como Tarso no RS), outras que se impõem pela adversidade e acabam por superar a tudo e a todos, e outras que também nascem pela ruptura, mas não conseguem se livrar das suas cicatrizes, fissuras e fraturas...

A candidatura de Lindbergh é o caso típico de pedra no sapato (do Planalto)...Claro que há o interesse do PT nacional em ter um candidato no estado que mais chama a atenção dentro e fora do país, mas a sua candidatura não foi um parto natural, nem muito menos uma planejada cesariana, mas seguindo a metáfora obstetrícia, diríamos que foi um parto à fórceps...

Como disputar uma eleição contra um aliado com o qual andava junto até ontem? E pior, que se mantém aliado no plano nacional?

Nada demais, é do jogo democrático, dirão os militantes pró-Lindbergh...

Estes também diriam que tanto faz, afinal, o PMDB nos paga com a mesma moeda em outros estados, lançando candidato, mas permanece a pergunta: No plano nacional, quem tem mais a perder?

O eleitorado intui isto (estes dilemas), e não desconhece ou não rejeita as qualidades do candidato Lindbergh, como a razoável experiência na administração municipal (Nova Iguaçu), sua atuação como senador na defesa do estado e dos royalties, e sua estampa de galã da novela das oito...bem como do seu direito inalienável de dizer a que veio...

Porém, tudo que faz diferença é a forma de encaminhar os projetos e os discursos que os emolduram...

O fato é que a atuação do senador sempre estará marcada por alguns eventos:

- Quando em 2010 disse que só Lula conseguiria demovê-lo de se candidatar, Lindbergh colocou-se em estranha posição...Se de um lado demonstrou publicamente subordinação, de outro, sinalizou que, na verdade, estava constrangendo o líder maior a fazer aquilo que ele mesmo já deveria ter feito por conta própria, em uma estranha vitimização de si mesmo...

- Esta tática (na verdade, a que era possível, dada sua trajetória na época), acabou por colocar sobre ele este manto nefasto: O eleitor não quer maria-vai-com-as-outras, mas sim pessoas leais ao projeto que aderem, então, o eleitor não quer(ia) que Lindbergh fizesse o que Lula manda (ou mandou), mas o que ele queria e que deveria ser feito sem que ele pedisse...

- Vejam o caso Crivella: O mais governista de todos os senadores, amigo pessoal de Lula, e que todos identificam como tal, mas que nunca precisou dizê-lo ou cobrar dele alguma posição...ao menos publicamente...

- Por este motivo, Lindbergh não consegue ter uma campanha sua, nem na possibilidade de atacar os adversários para dizer ao eleitor que não rejeita o governo cabral, mas que o PT tem o direito de fazer o SEU (dele) governo, como mandam os princípios democráticos...e que este governo vai ser muito melhor...

- Erro parecido cometeram eduardo campos (descrito com maestria por Janio de Freitas em artigo recente) e marina silva, ou seja, quando um aliado se torna adversário, é preciso dizer que o faz por si mesmo e por acreditar que pode ir mais longe, e não por causa do ex-aliado que o acolheu até recentemente...O eleitor enxerga o oportunismo rápido...

Já no campo pessoal, há leviandades e outras classificações que parecem verdadeiras, haja vista certo consenso sobre elas...

Todas as pessoas que ouvi, algumas mais próximas (se é que alguém com a personalidade de Lindbergh tem alguém próximo), dizem que o candidato sofre por não conseguir cumprir acordos, ou apenas os cumpre por estar com "a faca na goela"...

E não por causa de desonestidade, mas sim por imaginar que toda a realidade deva sucumbir aos seus caprichos...Uma espécie de napoleão da lapa (garotinho) mais polido...

Eu sinceramente desejo estar errado, e voto em Lindbergh por obediência partidária, mas pressinto que outra carreira promissora, de um quadro político de peso, vai escoando pelo ralo da História, que não perdoa quem deseja comer o bolo antes das festas...

É sempre tempo de aprender...tomara que lindinho descubra que não é mais um cara pintada, e que "beicinho" não funciona em política...





quinta-feira, 21 de agosto de 2014

Jornalistas perdem a cabeça, mas isto é só o começo...

A comoção causada pela degola do jornalista estadunidense em frente a uma câmera de vídeo, com imagens divulgadas pelo mundo afora merece uma reflexão mais séria que propõe o título...

Concessões feitas ao humor negro, e ao meu desprezo por certo tipo de jornalista (de coleira), é bom prestar atenção ao que diz Robert Fisk, jornalista inglês do The Independent, e considerado um dos maiores entendedores do Oriente Médio, com olhar crítico afiado e texto fluído...

Na edição de hoje, que você pode acessar aqui, Fisk sentencia, mais ou menos assim: Sabemos muito sobre a violência dos extremistas, mas sabemos muito pouco sobre quem são...

Ato contínuo, em raciocínio ágil, Fisk nos propõe uma conclusão quase óbvia: Saberemos ainda menos, porque o ato de selvageria praticado por um militante jihadista, que as investigações dizem se tratar de um cidadão britânico, dado o sotaque, e o testemunho de outro refém francês libertado (leia aqui), foi calculado para avisar e dissuadir: mataremos as más notícias matando os mensageiros...

Em tempos de celulares e imagens on line, de acordo com Fisk, nunca uma porção tão grande do Oriente Médio esteve fora do alcance e do controle das pautas dos editores ocidentais...Por este motivo, como ele menciona, sabemos (ou nos dizem o que saber) muito mais dos atos praticados que de seus praticantes, e logo, nossas chances de entender e combater a violência são quase inexistentes...

Porém, neste ponto há uma inflexão que Fisk deixou pendente: O pânico causado pela exposição às imagens de crueldade, sem o conhecimento de quem as pratica (a natureza precípua e objetivo final dos atos de terrorismo) serve não só a causa extremista islâmica, mas também aos radicais e falcões ocidentais, que legitimam seus atos como justa defesa, elevando exponencialmente a escalada de violência...

De quebra, o texto coloca o impasse vivido pelos governos da "aliança contra o terror", do tipo: aumentamos a carga de bombardeios ou nos ajoelhamos (como fez Jimmy Carter)?

Fisk imagina que em uma relação de causa-e-efeito sombria, jihadistas de um lado, e "aliados" (aí incluído a trupe sanguinária sionista-judia) de outro, continuarão a justificarem a si mesmos tendo o outro como referência, como já citamos aí em cima.

Outra observação cética de Fisk é pelo fato de que a brutalidade dos estadistas-islâmicos, ato protagonizado por uma minoria extremista, não suscitou nenhuma reação das parcelas mais moderadas das sociedades daqueles países sob o jugo e ocupação estadunidense-europeia, ou seja, de um lado, boa parte daquele território está refém, ou do medo, ou da sádica cumplicidade e ódio contra os invasores, o que, qualquer que seja o motivo, banaliza o mal, e desumaniza estas comunidades...

Não é algo parecido com a indiferença/medo ou quase-gozo da classe média e das elites quando morrem os pretos e pobres periféricos (de sempre) no Brasil?

A diferença crucial é que as vítimas da banalização do mal no Brasil são tragadas, na maioria das vezes, de forma "semi-voluntária" pela espiral de violência, mas jornalistas não, infelizmente eles corroboram e disseminam o discurso de ódio que lhes aniquilará em breve...

Para enxergar tal condição, amplio esta análise ao próprio papel que a mídia e os jornalistas reivindicaram para si desde há algum tempo...

Não é difícil enxergar na matriz estadunidense (nosso modelo para jornalismo) um processo de industrialização/pasteurização da produção da informação (atinente às novas demandas tecnológicas, e principalmente políticas em curso), em detrimento da capacidade analítica, o que revestiu o jornalismo e as empresas de mídia de outras características: a partidarização/militarização/escandalização dos fatos, que assumiram cada figurino determinado em cada demanda específica, mas todas subordinadas a lógica do interesse do capital sobre a sociedade...ou o que se convencionou chamar de neoliberalismo...

- Se temos a cobertura de eleições onde há Democratas (ou petistas, no Brasil) e Republicanos (demotucanos), os contornos da partidarização e escandalização estão claros;

- Se temos a necessidade de justificar escolhas político-militares para dotar sistemas econômicos e políticos de viabilidade, seja com a War on Drugs (Guerra às Drogas), seja com a War on Terror (Guerra ao Terror), está ali o jornalista engajado (engaged, na terminologia jornalística), um híbrido de porta-voz-convidado-correspondente...Sejam idiotas como Tim Lopes, seja este pobre diabo chamado James Foley...

Lógico que um ambiente bipolar resulta da produção destes conteúdos, e os antagonistas (ou alvos das "matérias") tendem a desenvolver especial ódio pelos jornalistas, e pior, como tais sentimentos são confusos e oriundos de uma racionalidade precária, grosso modo, estas parcelas atacadas tendem a transferir seu rancor a própria noção de jornalismo e liberdade de expressão...

Ironicamente, e recheada de humor trágico, jornalistas degolados, jornalistas atingidos por rojões ou incinerados em "microondas" acabam por virar mártires de uma causa (liberdade de expressão) que não acreditavam, ou que acreditavam pela ótica de seus patrões, pois estão ali sob risco apenas para produzir um discurso político-partidário que demoniza o outro...

Também ironicamente, este "outro" responde com violência que acaba por justificar a demonização em curso...

E mais e mais jornalistas vão para a degola ou para o fogo...

E o que é pior: este engajamento não só subtraiu dos profissionais de mídia da certa imunidade contra atos violentos que possuíam quando eram vistos como observadores (nunca neutros, mas não engajados, é claro), ao contrário: além dos ataques dos antagonistas, não raro, estes jornalistas são alvo dos ataques daqueles que eles servem: as forças militares e de segurança pública...

No Oriente Médio, jornalistas são mortos tanto pelos jihadistas, quanto por soldados estadunidenses, israelenses ou europeus...Tal desleixo proposital pela vida deles envia uma mensagem perigosamente cifrada aos militantes jihadistas...

Ou seja, usam coleiras e são mortos pelos próprios "donos"...

Resumindo: quem planta abacaxi nunca colherá melancias...ou, de maneira macabra: jornalistas afiam as lâminas que lhes degolarão...

Detalhe para reflexão: Didier Fraçois, ex-refém francês e testemunha das investigações, disse que o miltante jihadista britânico reservou atos extra de crueldade contra o degolado James Foley porque este era irmão de um piloto da Real Air Force (RAF)...

A globalização com internet não são "maravilhosas"? Cruzam destinos e nacionalidades e explodem conflitos e violência para além do cardápio ocidental...




domingo, 17 de agosto de 2014

Napoleão da lapa, o grande herdeiro de Eduardo Campos...

Agora há pouco, em conversa com um amigo, arguto observador da política regional, ouvi dele uma dica interessante:

- Com a morte de Eduardo Campos, no RJ (além de PE, é óbvio) é que o quadro tende a sofrer mudanças mais drásticas, ou melhor, há uma tendência de consolidação mais clara das mudanças que estão em curso...
Aquilo que parecia uma possibilidade, vai se firmando no campo do muito provável, isto é: um segundo turno Pezão X garotinho...

O Rio de Janeiro sempre foi considerado um eleitorado "rebelde"...Não possuo embasamento técnico para corroborar ou derrubar esta assertiva, e nem sei ao certo se ela pode ser considerada relevante em alguma categoria analítica...

Mas o fato é que de alguns anos para cá, o eleitorado fluminense vem flertando com um espectro neo-conservador-pentecostal com uma assiduidade incomum...

Olhando um pouco para trás, o eleitor fluminense sempre esteve oscilando entre o centro e o centro-esquerda, com viés moralista forte, onde temas vinculados aos costumes e a cultura estiveram colocados na primeira agenda...

São do RJ figuras como Brizola, Darcy, Gabeira, Marcelo Alencar, César (o maia), Saturnino Braga, e mais recentemente, Cabral, Eduardo Paes, garotinho, Lindbergh, Crivella, dentre outros...

Claro que não podemos esquecer que no campo parlamentar, o espectro sempre foi o mesmo (nefasto) com as famiglias Nader, Picciani, Paulo Melo, etc, etc...o que nos revela que neste aspecto, por mais ou menos "progressistas" , o controle legislativo não foge ao controle do capital...

No entanto, em relação as figuras mais proeminentes do jogo nacional, o RJ sempre esteve refratário...Lula, ele mesmo, só conseguiu solidificar sua posição por aqui com a aliança com Cabral, e com a parceria pessoal e sentimental que mantém com Crivella, seu senador mais fiel que o mais empedernido petista...

Presidentes e Presidenta nunca tiveram vida fácil por aqui...

O trágico evento de Santos, que tem seu desfecho com o enterro do ex-governador pernambucano nesta tarde-noite, acendeu uma brasa que se mantinha acesa desde 2010...

A joana d'arc da floresta ocupou como ninguém o espaço neo-conservador-pentecostal no RJ, que tem características especiais...O eleitor "carioca", que leva de roldão o eleitor fluminense, gosta de se imaginar alguém "antenado"...alguém que seja "moralista", mas que mantenha um discurso social forte, com viés humanista (e por que não messiânico?), mas que parece cansado do estilo caudilhesco do legítimo representante desta tribo: o napoleão da lapa...

Por isto, não parece errado dizer que a morte de Eduardo Campos, e a virtual entrada no jogo daquela que se imagina "a cordeira de deus", dá um novo ânimo a candidatura do napoleão da lapa...

joana d'arc da floresta encarna como ninguém este modelo conservador-humanista, aquele que imagina que é possível manter uma postura econômica neoliberal e uma agenda social progressista...

Uma aliança óbvia se formará entre o napoleão da lapa e a joana d'arc da floresta, de acordo com o prognóstico do meu amigo...na minha opinião, esta aliança trará certa "suavidade" ao perfil do napoleão da lapa, e pode amainar seus índices de rejeição...

De quebra, o desdobramento desta aproximação é o esvaziamento completo da campanha petista, onde o candidato Romário, oportunista como nos tempos de goleador, fará o caminho mais fácil junto a ex-senadora e agora candidata a presidenta...



As chances do segundo turno


Lembremos que eleitor não tem dono, e até o mais disciplinados eleitores-fieis alternam suas opções de acordo com suas demandas mais importantes...

Logo, o eleitorado de Crivella, mesmo que este decida por manter-se neutro em relação a Pezão e o napoleão da lapa, ou que decida por compor com o candidato a reeleição do PMDB, poderá manter-se fiel a questão de laços espirituais e cerrar fileiras com o napoleão da lapa, ou diluir-se entre os candidatos e a anulação dos votos...

Novamente, pesarão os esquemas junto as prefeitos, e no segundo turno, com a bancada recém-eleita, que passará a ter que contribuir exclusivamente com o esforço do candidato majoritário...

Aqui a porca torce o rabo para o napoleão da lapa, porque seu "exército" é bem menor daquele que tem a caneta, além dos obstáculos óbvios: o planalto e a própria corrida presidencial...

Caso a eleição esteja sendo decidida em segundo turno entre Dilma e a joana d'arc, esta conjuntura despejará os recursos do PT e aliados em Pezão...

Se o concorrente de Dilma for aócio, a joana d'arc deixa de ter muito peso na disputa, pois seu capital político e sua capacidade de transferência são reduzidas (fato provado com a aventura junto com o extinto candidato), dado seu cacoete de messias dos povos...Em 2010 ela se "anulou" e não parece que fará diferente, ainda mais se for derrotada mais uma vez...

Já no caso de uma vitória de Dilma no primeiro turno, aí o napoleão tem chance quase zero...Dilma, traída pelo napoleão da lapa, que a preteriu por marina, fará o possível (e impossível) para mandar o napoleão da lapa de volta para a república do Chuvisco...

Façam suas apostas...

sexta-feira, 15 de agosto de 2014

A morte e as outras mortes...

Não dá para não escrever sobre o incidente fatal na cidade de Santos...É como tentar ignorar uma final de Copa do Mundo, ainda que se deteste futebol ou que mesmo gostando, não enxerguemos tanto peso deste evento na vida das pessoas.

Gente morre todo dia, "gente mais ou menos importante", e como parece óbvio, a vida segue...

Mas há outras mortes, as metafóricas, que nem por isto são menos reais...

Os escrúpulos da nossa mídia já estavam mortos faz tempo...é bem verdade que estavam fedendo por aí, insepultos...

Se não fosse o drama da família e a própria tragédia em si, seria divertido assistir a nossa mídia buscando uma maneira de tirar proveito e ao mesmo tempo fingir alguma comoção...

Ainda que se trate de um candidato a presidente da República, parece uma grosseira manipulação inferir que o eleitor vá fazer escolhas pautado por um tipo de comoção ou "culpa", ou por último, por algum tipo de "gratidão" ao extinto candidato...

No entanto, é esta a mensagem que está sendo elaborada...todos os dias...pelas manhãs, tardes e noites, como um mantra quase silencioso...

Mais grave ainda é imputar ao eleitor um viés de transferência, ou "herança eleitoral" àquela que se apresenta como "viúva do espólio", a joana d'arc da floresta, a ex-verde, agora meio-rede e meio-PSB...

Agora dizem que há (havia) uma "nova forma de fazer política", que morreu com o extinto candidato...Mas como assim?

Não há nada na administração pernambucana, com erros e acertos (e justiça seja feita, uma das administrações mais bem avaliadas, o que revela ao menos uma gestão "boa de propaganda") que nos revele algo revolucionário...

Relação com a Assembleia de Deputados? Muito parecida...

Licitações? Idem...nada de novo...

Gastos orçamentários e prioridades? As mesmas de todos os outros governos...

E a cereja do bolo da obviedade: O candidato bebeu na fonte do governo até ontem (ano passado)...

Então o que havia (ou há) de "novo"? 

Nada, e não há, a não ser o fato de que a mídia cretina deseja costurar um novo figurino para que seja vestido por algum "redentor" da oposição ao governo federal...

Querem um "cavalo" para baixar o espírito do morto...

Com aécio empacado, e às vésperas do horário gratuito, onde a presidenta poderá dizer o que foi feito e o que está por vir, a morte do extinto candidato aparece para a oposição como uma rara oportunidade...

Aqui morreu o decoro...

A complicada engenharia publicitária é dar o tom certo a consternação e aproveitá-la para criar um "sentimento" no eleitor, que o identifique com o "legado" do extinto...

Não é tarefa fácil...Primeiro porque o "legado" é quase inexistente, e segundo porque o que existe está quase todo vinculado ao governo federal, que afiançou cada passo seu na administração estadual...

Vamos então aos fatos:

Sabemos que o eleitorado, até aqui, estava sedimentado em algo assim: 55 a 60% dos votos válidos para o governo e o resto pulverizado para oposição, juntando os descrentes que não votarão em ninguém...

Pois é, admitindo pequena margem de flutuação destes votos, de um lado a outro, é certo afirmar que a maioria do eleitorado quer a continuação das políticas consagradas até então...

Sendo assim, perguntamos: Quem mudaria de posição em virtude de um episódio, por mais trágico que fosse, mas que não tivesse nenhuma relação com sua vida cotidiana? Pouca gente...

Mas e no lado da oposição?

Bem, eu diria que o eleitorado de ambos os lados fazem opções por naturezas distintas, e mesmo entre estes blocos, não há uma homogeneidade...

Ainda assim, votos do governo são, via de regra, de petistas e militantes históricos do campo progressista (ínfima minoria), e do enorme contingente de pessoas que, mesmo professando princípios conservadores paradoxais comuns atávicos, está satisfeita com a gestão do país, da economia, enfim, com a vida...

No campo da oposição, temos um setor um pouco mais amplo que professa um ódio de classe, identificado como as classes A e B+, que rejeita o governo e tudo que venha dele, ainda que goze dos mesmos privilégios de sempre, e que sua vida só tenha melhorado nestes 12 anos...

É o pessoal que gozou com o julgamento da farsa do STF, o pessoal que lê a "mártir" míriam leitão, ou que detesta pobre em aeroporto, ou médico cubano...o pessoal do não teve Copa e não vai ter Olimpíada...

Outra parte, a maior, está oscilando no caldo de informação massiva da mídia, que vomita escândalos e bombas semióticas a todo tempo, como o raid sobre Londres, ou sobre Dresden na II Guerra...

É neste voto mais emocional, e menos "ideológico" da oposição, que está a maior parte da possibilidade de alteração de decisão de voto, provocada por fatos dramáticos...

Logo, não seria exagero concluir que as alterações se darão dentro do campo do eleitorado da oposição, derrubando parte dos votos de aécio junto com o avião que matou o outro candidato...

Porém a mídia quer te dizer que a morte do candidato é um momento que dará uma guinada no jogo eleitoral...

Aqui morreu a lógica...

Para que haja alguma herança política é preciso capital político para transferir...

Por mais que a mídia force a barra, o capital do extinto candidato estava confinado a uma pequeníssima parcela do eleitorado...então, há pouca coisa para inventariar...

Aos que desejam desesperadamente associar a imagem sofredora da joana d'arc da floresta a este pequeno espólio, é preciso lembrar:

- O casamento eleitoral deles deu poucos frutos, pois o eleitor entendeu que se tratavam de projetos distintos...

Para o PT, o melhor dos mundos seria que os publicitólogos da viúva eleitoral encurralassem ela como porta-bandeira do projeto do morto, haja vista que isto a colocaria em uma espécie de limbo, onde nem conseguiria levar a frente seus dotes messiânicos (para não parecer oportunista), e nem teria a legitimidade para falar de um projeto alheio ao qual aderiu por falta de opção, e não por companheirismo...


domingo, 10 de agosto de 2014

Wilson Ferreira desvenda a não-notícia...Mais uma vez!!!

Não há como ignorar o blog cinegnose.blogspot.com...Sua escrita paciente desarma cada bomba semiótica colocada pela mídia no nosso cotidiano...

Leiam este texto sobre a canastrice do Wikipedia Gate(?):

O "escândalo da Wikipédia" e a autofagia da TV Globo


O “escândalo da fraude da Wikipédia” é a confirmação de que nada mais resta para a grande mídia do que a bomba semiótica da não-noticia. Em nova “denúncia” jornalistas Miriam Leitão e Carlos Sardenberg tiveram seus perfis na enciclopédia virtual Wikipédia “fraudados” com a inserção de difamações e críticas. E tudo teria partido do endereço virtual “da presidência”... ou teria sido “do Palácio do Planalto”... ou, então, “de um rede pública de wi fi?”. A ambiguidade dá pernas à não-notícia que revela um insólito desdobramento de um jornalismo cuja fonte primária (a Wikipédia) nega a si própria como fonte confiável de investigação. Abre uma surreal possibilidade de um tipo de jornalismo que se basearia exclusivamente em fontes onde o próprio repórter pode criá-las para turbinar a sua pauta. E de quebra revela o momento autofágico da TV Globo que oferece suas próprias estrelas jornalísticas em sacrifício no seu desespero de ter que lutar em duas frentes simultâneas: a política e a audiência.

Com o “escândalo Wikipédia” e a perspectiva de uma hilária “CPI do wi fi” está se confirmando que na atual batalha semiótica pela opinião pública a única arma que restou para a grande mídia é a da não-notícia – sobre esse conceito clique aqui.

O jornal O Globo deu a manchete (“Planalto altera perfil de jornalistas com críticas e mentiras”) e a TV Globo repercutiu nos seus telejornais durante todo o dia a “notícia” de que os perfis dos jornalistas Carlos Alberto Sardenberg e Miriam Leitão na enciclopédia virtual foram alterados com o objetivo de criticá-los. E o IP (endereço virtual) de onde partiram as alterações era da rede do Palácio do Planalto.

As supostas “críticas” inseridas no perfil dos jornalistas qualificam as análises e previsões econômicas de Miriam Leitão como “desastrosas” e de ter defendido “apaixonadamente” os ex-banqueiro Daniel Dantas quando foi preso pela Polícia Federal em escândalo de crimes contra o patrimônio público. E o jornalista Sardenberg de ser crítico à política econômico do governo por ter um irmão economista da Febraban que tem interesse em manter os juros altos no Brasil.


Jimmy Walles: Wikipédia não é apropriada
como fonte primária
Três características chamam a atenção nessa segunda detonação seguida de uma bomba semiótica da não-notícia (a anterior foi a tentativa de transformar a existência do media trainning na Petrobrás em escândalo político): a irrelevância, o timming e o tautismo.

Wikipédia é relevante?


Como a própria Wikipédia já admitiu, a enciclopédia não deve ser utilizada como fonte primária de investigação (“Wikipedia Reasearching With Wikipedia”). Jimmy Walles, co-fundador da Wikipedia, afirmou que “enciclopédias de qualquer tipo não são apropriadas como fontes primárias, e não devem ser invocadas como autoridades”.

Pelo seu caráter colaborativo onde qualquer usuário pode alterar o conteúdo dos verbetes, o uso da Wikipédia não é aceito em escolas e universidades. No máximo é utilizada como indicadora para fontes externas. Mas repentinamente para a grande mídia a Wikipédia passou a ter uma surpreendente relevância como documento primário de investigação.

Como “dar pernas” à não-notícia?


Estamos na típica situação jornalística em que se tenta “dar pernas” para a notícia que, em si, não possui relevância. A melhor forma de dar algum gás à não-notícia é por meio da retórica da ambiguidade. 

A matéria do jornal O Globo ora fala que o IP era da “Presidência da República”, ora do “Palácio do Planalto”, ou também de “computadores do Palácio” e “IP da Presidência” para no final diluir tudo no “endereço geral do servidor da rede sem fio do Palácio do Planalto”. Naturalmente o teaser é dado pela manchete e primeiro parágrafo que tentam aproximar ao máximo o fato (irrelevante em si mesmo) da figura da presidente da República. Se o leitor persistir a leitura até o final da matéria, perceberá a diluição do próprio impacto noticioso.

Qual a matéria-prima dessa suposta notícia? De um lado a própria enciclopédia virtual que é até cautelosa consigo mesma e do outro uma rede wi fi pública. Com isso se projeta a possibilidade de que se alguém alterar o perfil do governador Geraldo Alckimin em rede wi fi pública instalada pela prefeitura de São Paulo, o gabinete do prefeito seria responsabilizado... A matéria abre uma surreal possibilidade de um tipo de jornalismo que se basearia exclusivamente em fontes primárias de investigação onde o próprio repórter pode criar para turbinar a sua pauta.

O timming do escândalo


Outra coisa que chama a atenção é o timming da detonação dessa bomba semiótica. Supostamente o “fato” teria ocorrido nos dias 10 e 13 de maio e somente agora é “revelado”. Desde então, os perfis da Wikipédia encontravam-se alterados, sem haver qualquer tipo de escandalização – o que demonstra a “relevância” da enciclopédia virtual. Nesse momento, outras bombas semióticas estavam em andamento na Operação Anti-Copa (manifestações de rua, Black blocs etc.). A não-notícia foi guardada no paiol de armas semióticas da grande mídia, aguardando o momento propício para a detonação, que acabou sendo na sequência da suposta fraude da CPI da Petrobrás.

Enquanto havia manifestações anti-Copa
as não-notícias não eram necessárias
E para turbinar a não-notícia dos “perfis fraudados” da Wikipédia (como pode haver “fraude” se a enciclopédia é colaborativa?), a manjada estratégia da chamada agenda setting que até aqui o Governo federal mantêm-se inacreditavelmente refém: a não-notícia é repercutida pela imprensa ao “noticiar” que políticos de oposição pedem que a Procuradoria Geral da República apure a “denúncia”; ou divulgando a “preocupação” de órgãos como Associação  Brasileira de Imprensa, Associação Nacional de Jornais e Federação Nacional dos Jornalistas.

O que exige uma resposta institucional da Secretaria de Comunicação do Governo, dando legitimidade e combustível à não-notícia da “fraude da Wikipédia”.

Estrelas do jornalismo global
entregues ao sacrifício?

Um escândalo tautista

Outra característica dessa não-notícia é que ela revela não só o desespero da grande mídia em ter que continuamente rebocar um oposição política inepta como também o próprio tautismo da Organizações Globo. Por tautismonos referíamos em postagem anterior a um momento de crise que a Globo enfrenta revelada por uma combinação de tautologia com autismo, por meio do conteúdo da sua programação cada vez mais autorreferencial e metalinguístico – sobre isso, clique aqui.

Quando a emissora oferece as própria estrelas do seu jornalismo como supostas vítimas no script de uma não-notícia (repare na matéria do Jornal Nacionalcomo o depoimento de Miriam Leitão foi feito com a câmera pegando-a de cima para baixo para reforçar a ideia de vitimização e fragilidade), é que estamos diante de uma situação análoga ao caso de um indivíduo que, sob condições extremas de fome ou de alteração do metabolismo basal, o corpo começa a entrar em processo catabólico (processo de degradação onde o corpo começa a consumir seu próprio tecido muscular).

Essa autofagia da TV Globo pode ser percebida nessas seguintes características que tornam a não-notícia da “fraude da Wikipédia” num exemplar caso de tautismo global:

(a) ao colocar seus próprios jornalistas como vítimas de uma armação cibernética, a Globo insere essa não-notícia na sua tradicional linha editorial de criminalização da Internet. Em geral nos seus telejornais a Internet é pautada em seus aspectos negativos e difamatórios (crimes, vício, fraude etc.). Afinal, a mídia digital é o grande vilão da crise de audiência da TV aberta e concorrente direto da mídia tradicional.

(b) A insólita edição do Jornal Nacional do dia 08/08 onde um repórter entrevista outro jornalista da própria emissora, acaba revelando uma situação comum na cobertura de eventos extensivos como Copa do Mundo e Olimpíadas: na falta de assunto, jornalistas entrevistam-se entre si. No atual cenário eleitoral com uma frágil oposição política, a grande mídia começa a consumir a si mesma ao oferecer seus próprios integrantes como matéria-prima das bombas semióticas.

(c) Essa não-notícia revela também ser nostálgica: reviver os antigos fantasmas da censura, do controle da Imprensa por governos autoritários e toda a mitologia da extinta Guerra Fria – as supostas ditaduras comunistas como a cubana onde não haveria liberdade de imprensa e os jornalistas críticos seriam cruelmente perseguidos.


(d) O episódio guarda uma impagável ironia com a jornalista Miriam Leitão. No meio jornalístico ela é conhecida como “urubóloga” por suas apocalípticas previsões para o País que nunca acontecem e pela forma como gagueja e engole seco quando é obrigada a dar notícias econômicas positivas nos telejornais da TV Globo. A “fraude” do verbete “Miriam Leitão” revela essa fina ironia autorrealizadora: numa suprema metalinguagem, a emissora brinca com a própria notoriedade pública da sua jornalista.

quarta-feira, 6 de agosto de 2014

Arqueologia virtual para contos perdidos...

Letícia...
O gosto de corrimão na boca, a cabeça que badalava como um sino de catedral, denunciavam os abusos da noite passada...A amnésia também, mas isso era até um efeito colateral "positivo", pensou ele...O seu apartamento de três quartos, duas suítes, com churrasqueira na varanda, móveis (cuidadosamente)planejados, enfim, de bom gosto, estava todo revirado...Difícil distinguir se ali duas pessoas lutaram ou fizeram sexo...Bom, em certas ocasiões, ele bem sabia, não dava para dizer bem a diferença...
Olhou para o lado, e a mocinha da qual não se recordava o nome, já não estava mais ali...Não estranhou...Afinal, essa é a principal virtude de contratar profissionais...
Enquanto retomava sua consciência do mundo, aos poucos, o ruído de batidas na sua porta, intercaladas com o soar frenético da campainha, que não sabia o porquê, se misturava com sons de sirenes vindas lá da rua, lá de baixo...
Levantou, com o desequilíbrio próprio de quem carrega duas toneladas de concreto na cabeça...Percorreu o caminho de obstáculos entre seu amplo quarto e a porta da sala, onde os despojos da "guerra" se espalhavam pelo chão...Garrafas de vinho, uísque e tequila...pratos com resto de cocaína...preservativos usados...suas roupas...e opa..!!! as roupas dela...
Bom ela então deveria estar no banheiro...Abriu a porta
-Pois não...???
-Bom dia, eu sou o delegado de polícia Ademardo Augusto, será que poderíamos entrar?
-Bom, eu acabei de acordar, dei uma festinha ontem à noite...o sr sabe como é...? Se o sr não reparar a bagunça...deixa eu vestir algo, o sr vai entrando, e deixa eu avisar a moça que está comigo...
-É essa moça aqui da foto...?
O delegado lhe mostra a foto...do corpo estatelado lá embaixo...na rua, em frente a sua portaria...
..............
Na delegacia, aquele habitat que se acostumara a ver pela TV...Repórteres ávidos por um detalhe exclusivo...ele ali sentado na sala do delegado, na companhia de seu advogado, dr Rubens...O causídico aconselhara-o a permanecer em silêncio...E diante do fato de que até agora não tinha entendido o que acontecera, parecia um ótimo conselho...
Enquanto aguardava, recolhia os cacos de sua memória, e tentava recordar dos acontecimentos anteriores àquela fatídica noitada...
Na noite anterior, quer dizer, na tarde-noite, lá por volta das 19 horas, entediado, resolvera apanhar a edição de um jornal da cidade, folheou as folhas até a seção de classificados, e escolheu uma companhia...O critério de escolha foi quase-científico: dados antropométricos:cintura, seios, cor, etc, e o teor sacana do texto...Agora se acorda do nome(nesse caso, o nome de guerra): Adrielle...
Ligou, acertou preço...
Morava só, e isso lhe permitia receber essas "visitas" em casa...no "recato" de seu lar...Estava abastecido...Sempre estava...bebida da boa, pó do bom, estimulante sexual, brinquedinhos, filmes, lençóis de algodão egípcio, sais de banho, óleos e tudo mais...
Naquele "latifúndio vertical", de 280 m², encravado no metro quadrado mais caro da cidade, ali, entre a Pelinca e o Tamandaré, comprado com o dinheiro que arrecadou junto aos seus negócios com o governo municipal, eram seus domínios, e ele reinava ali...
À medida que ia reconstituindo essas imagens, era impossível não misturar a realidade com cenas de tantos outros filmes que vira, onde o protagonista enfrentava aquela situação..Homem rico, solitário, geralmente corrupto, punido em alguma conspiração de inimigos, ou pelo excesso de loucura e selvageria mesmo...
A principal dificuldade em montar uma história crível, mesmo diante de toda aquela "bagunça", e mesmo que fosse para si mesmo, se dava pelo fato de que não se lembrava de nada...Portanto, tudo era possível...
Essa sensação, e a impotência dela decorrente, eram sufocantes...claustrofóbica...naquela sala envidraçada, como um aquário...Sentia-se em exposição, mesmo por detrás das persianas fechadas da sala do delegado...É como se a curiosidade e outros sentimentos misturados ali, naquele ambiente hostil, penetrassem aquela frágil proteção...De quando em vez, ele afastava a persiana com as mãos, fazia uma pequena fresta para olhar...Como se quisesse atualizar seu sofrimento, ou verificar mudanças significativas no quadro...
O vai-e-vem de policiais, de pessoas, de presos, vítimas...
De repente, em uma dessas olhadas, pode ver um rosto conhecido...Estava claro pela dor e pelo choro que se tratava de vítima de algo...Conhecia aquela mulher...Seu nome era Susana...Ahh, Susana fora sua namorada, quando ainda era pobre...Mas já naquela época seu faro para "os negócios" já se revelava...Trabalhava, estudava à noite, cursava Administração de Empresas...Logo, logo seu talento e sua liderança deram-lhe destaque dentre os demais, e ele foi alçado a líder estudantil, e dali para um cargo na administração pública foi um pulo...
Diante daquele mundo de oportunidades, e da escalada rápida para montar seu "esquema" de empresas prestadoras de serviços e fornecedoras para a prefeitura, foi difícil manter o relacionamento com Susana...Queria se livrar de tudo que lhe lembrasse a pobreza...Susana era linda, mas era uma pobre convicta...Era como se não fosse possível retirar a pobreza de dentro dela, mesmo com dinheiro...E para que tentar, se já havia um "mundo de mulheres" já prontas...Com berço e com classe...?
Mas naquela situação miserável na qual se encontrava, ver um rosto conhecido foi quase um alento...
Não queria sair da sala, mas a curiosidade em saber o motivo de Susana estar ali o corroía...Ele queria dizer que também era um sentimento de solidariedade, de querer saber, e talvez ajudar, mas lembrava-se de que não estava em uma situação muito confortável também...Mas esse foi o pretexto que lhe fez pedir ao seu advogado para ir até ela e, confirmado o nome, lhe perguntar o que acontecera, e oferecer ajuda, se fosse o caso...
O advogado retornou:
-Olha, essa é a mãe da menina que esteve com você, e que está morta...Ela me perguntou se você aceitaria vê-la, ela quer saber o que aconteceu, e diz que tem o direito...Isso é com você...Eu não aconselho, mas a decisão é sua...
Não sabe bem o que houve em sua cabeça...Sabia que aquele reencontro, naquelas circunstâncias tinha tudo para aumentar as cores da tragédia...Não sabia como, mas sabia que sim...Mesmo certo disso, resolveu se deixar levar, e como se devesse isso a Susana, pelo abandono, pelos telefonemas que rejeitou, como se fosse uma auto-imolação, assentiu em falar com Susana...
Foi transferido para uma sala mais reservada, longe do alcance dos curiosos...
Quando Susana abriu a porta, e lhe encarou, desmaiou...Foi retirada para atendimento, o tumulto recomeçou, e todo aquele turbilhão lhe tragou...
Esperava uma reação agressiva... se preparou para isso...Mas aquele desmaio era de horror, um horror incalculável que vislumbrou em seu rosto antes que ele se apagasse...
Horas depois, que pareceram uma era, seu advogado retorna, lhe diz que responderá o inquérito em liberdade...Alívio...
Logo em seguida, dr Rubens lhe comunica sua sentença irrevogável:
-A Susana disse no Hospital que seu horror e o desmaio se deram porque você é o pai da menina...e seu nome é Letícia...

Final feliz...

A definição das palavras "até que a morte os separe" não é bem o que se pode dizer do casal Simpson (Don e Maxime Simpson), ele de 90 anos e ela com 87...

Foram casados por 62 anos, e passaram os últimos anos de suas vidas juntos, viajando pelo mundo...

Eis que em 21 de julho, às 07 horas, no horário da cidade de Bakersfield, California, a Senhora Maxime Simpson faleceu...Uma hora depois de seu corpo ser retirado do quarto do hospital, onde também estava Don, seu marido, ele faleceu...

Se quiser ler mais sobre o assunto, acesse a página do The Independent... 

Na verdade, a história do casal é a própria definição da expressão juntos...como um só...

Esta foto foi fornecida pela neta do casal, Melissa Sloan, e foi publicada na matéria do jornal inglês...De acordo com ela, o casal manteve-se de mãos dadas...

In this photo provided by their granddaughter, Melissa Sloan, Don Simpson, 90, and his wife Maxine, 87, hold hands from adjoining hospice beds in Sloan's home in Bakersfield, Calif.

terça-feira, 5 de agosto de 2014

Republicações. Série: pequenos contos de lama.

Estes contos estavam perdidos por aí, em algum canto mofado deste blog moribundo...

Não se enganem, recordar é morrer...aos poucos...


Contos de lama!

Anatomia do amor antropofágico.
 Silenciosa, ela o esquarteja. Ele não reclama, consciente e voluntário. Devora cada pedaço com devoção, lambe cada pedaço, sorve a carne e a suga até os ossos, enquanto escorre pelos cantos da sua boca o sangue e o gozo. No fígado não há amor, só ódio. Ela joga fora.Depois, metódica, arranca-lhe os olhos, e faz duas contas, que pendura em brincos, exibidos como troféus de uma refeição bem feita. O coração acelera, e ela o arranca de uma só vez. Tão rápido que ainda há batimentos reflexos fora do corpo. Ela aproveita, e coloca aquele coração ainda pulsante dentro de si, como um parto invertido.Depois, extinto o movimento, empalha e o coloca em algum canto de sua memória sombria. O cérebro ela deixa intacto, pois não quer comer suas últimas lembranças.O couro ela esfola, seca, trata, faz uma capa e voa, nas noites sem lua, à caça de outros alimentos:sentimentos.


Contos de lama!


A casa.

 
As janelas e as portas estavam abertas. Mas, estranhamente, não entrava nenhum vento, nenhum som ou nenhum outro sinal de vida naquela casa. Por isso mesmo, tudo indicava que ele não ficaria muito tempo. Mas, ao contrário do que se podia esperar, ele ficava, e contemplava uma paisagem que nunca mudava. Paciente, esperava. Houve um dia em que ela chegou. Nada disse. Sentou ao seu lado, no chão. Nem sequer se olharam, mas sabiam mais um do outro do que de si mesmos. Nunca tinham se encontrado, mas com certeza, se conheciam. Procuravam a mesma coisa. Ela entrou, ele lá já estava. Não importa. O fato é que ficaram juntos. E um dia, saíram juntos. E voltaram juntos. Mas deixaram as portas e as janelas abertas. Sempre.

Republicações. Série: pequenos contos de lama.

Pequeno conto de lama.

O alimento.

Tal e qual os contos de sobreviventes e náufragos, ele se viu sozinho em uma ilha, depois que o helicóptero que o carregava, junto com os demais trabalhadores da plataforma P-312, caiu no mar.
O tempo passava de duas formas. Rápido para acabar com as provisões de água e comida que trouxe consigo no kit-salva vidas, e devagar na angústia da espera pelo resgate. Era, assim, um tempo sempre relativo, em um lugar sem referência alguma.
Nesse ambiente, suas certezas sobre vida e morte, religião e deus começaram a se misturar como um delírio estranho.
Eis que no 18º dia, 6 dias sem comida, avistou naquela faixa de areia limitada por pedras e quase nenhuma vegetação, um tipo de galinha pequena, branca, que depois, de perto, viu se tratar de um pombo.
A pequena ave lhe falava, e lhe dizia que era o espírito santo, pronto a lhe proporcionar o milagre da revelação, com as portas de uma vida eterna, desde que aceitasse a morte como o fim daquele sofrimento.

Não teve dúvidas.

Comeu a ave, aos poucos, e agüentou os dias necessários para ser salvo.

Nunca mais teve dúvidas:
Para vivermos sãos e salvos, é preciso matar e engolir a fé em deus, que na verdade se resume a solidão e medo da morte.

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

E assim rasteja a Humanidade...

Nos EUA (e no Brasil?), a melhor forma de erradicar a pobreza é sumindo com os pobres...


Tenha esperança, alguém lhe diz...Eu não sei se é esperança ou desespero...Afinal, para se ter alguma expectativa razoável, é preciso algum sinal concreto de que há coisas boas no horizonte...Senão é loucura...

Olhando os jornais, eu chego a conclusão que tinha razão uma velha amiga, professora de História, quando ela me dizia: "Douglas, a Humanidade não é viável".

The Independent traz uma interessante notícia sobre o american way of life, o padrão que nossa classe média busca desesperadamente copiar.

Claro que alguns cretinos logo se adiantarão em dizer: "ué, você não gosta de mordomias e conforto?".

Mas é claro, no entanto, não é esta a questão, e sim o fato de que a manutenção deste direito (ter conforto econômico) no patamar de privilégio de poucos (a elite e as classes médias), acaba por levar as sociedades a adoção dos seus instintos mais selvagens, e o que é pior, revestidos da "aura" de legitimidade ou institucionalidade, conferidos por uma estrutura poderosa de convencimento ideológico, que se apresenta, justamente, como não-ideológica, SEMPRE.

Leiam aqui a matéria (se desejarem).

Adiantamos o principal: Cidades estadunidenses, com o aumento da miséria de suas populações, começam uma escalada de higienização, instituindo regimes legais draconianos e incentivando o endurecimento policial com as populações de rua.

Vejam o absurdo: Em Fort Lauderdale, Broward County, Flórida, um sem-teto foi multado porque estava sentado no meio-fio, com os pés tocando a via, o que é considerado uma violação de tráfego. 

Há outras leis em estudo, em outros lugares, como nos informa a matéria de David Usborne, como aquelas que apontam para dificultar as organização humanitárias na tarefa de distribuição de refeições aos sem-teto e outros carentes.

Bem, que se lembra da Sandra Cavalcanti, que na década de 70 mandava quebrar as pernas do mendigos da capital do então estado da Guanabara, para jogá-los no rio da Guarda, ou das recentes medidas do tucanos paulistas e seu "general geraldo (alckmin)" na cracolândia, ou da reação da "tribo branca dos shoppings" aos rolezinhos, saberá dizer que esta "tecnologia" social não é exclusividade estadunidense...





Israel, a trégua parcial, assassinato completo, ou: Os nazissionistas recarregam suas baterias!

Os cães de guerra de David foram recolhidos por sete horas, a partir das 10 horas (horário local de Gaza). É o que nos diz o The Guardian.

Acredite quem quiser.

Eu não acreditei e fui verificar.

A Rede Al Jazerra revela que o cessar fogo foi imediatamente violado por Israel logo após sua decretação unilateral pelo comando assassino nazissionista.

Diante da inevitabilidade do fato, a pergunta: para que dizer que vai parar de atirar, enquanto continua atirando? Seguem minhas hipóteses que não se excluem:

- Cessar fogo apenas para distrair a atenção da comunidade internacional, que hipócrita, lamenta: "matem, mas tenham classe".

- Enganar suas vítimas, que iludidas com o "intervalo" do "jogo mortal" tentam retomar algo parecido com a rotina (juntar pedaços de corpos, enterrar crianças, lavar feridas, catar restos de comida, etc), e acabam se descuidando e virando alvos mais fáceis...Algo como matar alguém que já se rendeu...

Dizem que ninguém é tão ruim que nunca se possa concordar com ele...Vendo no que se transformaram os judeus-sionistas, eu tenho medo de pensar que Hitler, enfim, poderia estar certo...
                                                                                                                           

Não tenha esperança, não espere...Faça!