sexta-feira, 11 de julho de 2014

Pitty - 8 ou 80 (Chiaroscope Oficial)





Um dos melhores versos do rock nacional: "...me dou bem com os inocentes, mas com os culpados me divirto mais..."

8 ou 80

Todo mundo tem segredo
Que não conta nem pra si mesmo
Todo mundo tem receio
Do que vê diante do espelho

Eu só quero o começo
Me entedia lidar com o meio
Quero muito, tenho apego
Já não quero e só resta desprezo

Nem sempre ando entre os meus iguais
Nem sempre faço coisas legais
Me dou bem com os inocentes
Mas com os culpados me divirto mais

Todo mundo tem segredo
Que não conta nem pra si mesmo
Todo mundo tem receio
Do que vê diante do espelho

Todo mundo tem desejo
Que não divide nem com o travesseiro
Um remédio pra amargura
Ou as drogas que vêm com bula

Nem sempre ando entre os meus iguais
Nem sempre faço coisas legais
Me dou bem com os inocentes
Mas com os culpados me divirto mais

Não conheço o que existe entre o 8 e o 80
Não conheço o que existe entre o 8 e o 80

Nem sempre ando entre os meus iguais
Nem sempre faço coisas legais
Me dou bem com os inocentes
Mas com os culpados me divirto mais
Nem sempre ando entre os meus iguais
Nem sempre faço coisas legais
Me dou bem com os inocentes
Mas com os culpados me divirto mais

Ah... eu me divirto mais
Ah... eu me divirto mais
Ah... eu me divirto mais
eu me divirto mais
eu me divirto mais
eu me divirto mais
eu me divirto mais

Ahhh (17x)
Ah..




11 comentários:

Anônimo disse...

Entao vc deve sei "adivertir" com a turminha do mensalão, pois fazem todos nós de bobos, se fazendo de inocentes e coitados.

Anônimo disse...

Douglas, estou sentido falta das suas postagens mais frequentes sobre política. Estive numa conversa recente sobre o tamanho do estado e os tributos em nosso país. Aliás o tempo é de debates, já que a eleição está chegando. A classe média tem reclamado muito sobre a nossa carga tributária e a falta de serviços públicos de qualidade. Eles dizem que o que nós pagamos não volta em serviços públicos pelo Estado. E como Dilma é a presidente, sobra sempre pra ela. Gostaria de lhe sugerir uma postagem sobre esse assunto: nossa carga tributária e nossa ausência de serviços de qualidade. Afinal, nós realmente pagamos um alto imposto de renda e ninguém (da classe média) deixa de ter plano de saúde e de pagar uma escola particular para seus filhos. Abraço. Claudinei Silva (Nei - Parque Santo Amaro).

Anônimo disse...

Oi. Te conheci na 134. Mais uma vez, Parabéns. Te leio faz tempo. Abraço forte.

douglas da mata disse...

Oi, foi um prazer e obrigado pelos comentários generosos, siga em frente com sua luta...não desista de seus sonhos!

Sobre carga tributária e serviços:

- Meu caro, nenhum país conseguiu implementar serviços bons com carga tributária baixa, pois bem sabes, dinheiro não nasce em árvores.

Nossa carga tributária é de cerca de 37% do PIB, e dentre os países do G 20 é a menor, salvo a dos EUA, que circula entre 20 a 25%, considerando que eles não tem um sistema de saúde universal, e o sistema educacional, principalmente o superior, é pago.

Parte dos planos (de saúde)da classe média e as matrículas de seus filhos nas escolas privadas são pagas com renúncias fiscais do governo federal (deduções do IRPF) e somam valores que são muito maiores que os gastos per capita com os mais pobres nestes setores, o que aumenta ainda mais a desigualdade, e pior: avilta o setor público, em detrimento do aumento dos lucros dos setores privados, que nem sempre rimam com qualidade.

Por exemplo: bastou um aumento da base da demanda dos planos de saúde para que o serviço se aproximasse da qualidade do SUS, embora você pague muito mais pelo plano, que o valor disponível no setor público para o gasto individual com seus usuários.

Proporcionalmente, a maior parte da carga tributária incide sobre os mais pobres, pois são os alimentos e serviços que mais são onerados, e representam proporcionalmente a maior parte dos rendimentos destas famílias.

Em todos os países do chamado centro (ricos) quando os impostos são cortados, a qualidade cai, como foi recentemente no sistema de saúde inglês, ou no elogiadíssimo sistema educacional sueco, que tentou adaptar-se as regras neoliberais (menos impostos) e quase jogou uma geração em desgraça, fazendo com que eleitores e representantes (de direita) dessem meia volta para manter os investimentos públicos.

A falsa premissa de que nossos serviços são ruins e que pagamos muito é falsa, e sobrevive apenas para que os mais ricos continuem a pagar menos impostos que os mais pobres, e mesmo assim tenha melhores serviços que os mais carentes, desde a segurança, educação e saúde (ainda que estes últimos, de forma indireta, pelas deduções fiscais).

Em breve coloco algo mais detalhado sobre o tema.

Grato pela dica.

Anônimo disse...

A classe média tem criticado muito o PT, seja pela carga de impostos, seja pelos programas de transferência de renda. É também essa mesma classe média que critica Garotinho e seus programas de apoio social, como o cheque cidadão, a passagem a R$ 1,00 e o restaurante popular. Marilena Chauí já esbravejou contra a classe média, mas não entendi muito o que ela quis dizer. Parece que o PT mesmo que criou o monstro para lhe morder, afinal, a classe média é hoje mais populosa e pode decidir a eleição.

douglas da mata disse...

A percepção da classe média tradicional, esta que se acha prejudicada pela ascensão social das classes mais pobres é baseada, como já disse, em premissas ideológicas que buscam cooptá-la como aliada das elites.

É processo parecido em todo mundo, e nos EUA este eleitorado é chamado de swinging voters (algo como eleitores pêndulos).

Temos então uma heterogeneidade nesta classe média, a nova e a mais antiga (como em todas as demais, se bem que as elites tendem a ser mais coesas) que acabam opor visões de mundo, embora em alguns temas (como aspectos morais, aborto, drogas, violência/segurança, religião e relação Igreja x Estado, etc) elas sejam parecidas.

A classe média antiga enxerga a nova como ameaça, já que em algum tempo a mobilidade social vai cobrar a conta nos orçamentos e nos tributos.

A nova classe média, por sua vez, reconhece no governo e suas políticas a causa de sua ascensão, mas ao mesmo tempo que repudia os chiliques dos antigos patrões, acaba por incorporar cacoetes desta antiga classe média.

A disputa por este novo estamento social dentro da luta política é crucial no governo, e não à toa a propaganda eleitoral do PT tem focado nesta questão, ou seja: dizer que todas as classes medianas ganharam e muito, o que é verdade, haja vista os ganhos salariais, o emprego quase pleno, as novas oportunidades de qualificação com a expansão do ensino superior e técnico.

Mas esta luta se dá também no campo simbólico e aí, eu concordo o PT tem deixado a desejar.

Faço aqui o mea culpa, pois tenho pouco saco para aturar os "coxinhas", mas em algum tempo este diálogo terá que ser retomado.

Anônimo disse...

Até concordo que os impostos não são tão altos assim como vivem dizendo, pois como você mesmo disse, é possível a dedução no imposto de renda e muita gente sonega muita coisa. Agora, que os serviços públicos são muito deficientes, isso também é verdade. Ninguém com um pouco de instrução e que não esteja realmente muito mal financeiramente, se arrisca numa creche pública, numa escola pública e num hospital público. Andar de ônibus? Só em último caso!

douglas da mata disse...

Meu amigo, você chegou no ponto certo. Daqui por diante, ou você entende ou que eu digo, ou continua a repetir os chavões sobre impostos que william bonner adora vomitar.

Os serviços são ruins, justamente porque se destinam aos mais pobres, e por isto falta dinheiro, pois os impostos são cobrados de forma injusta (quem pode mais paga menos) e depois distribuídos de forma ainda mais injusta:

Quem precisa menos tem melhores serviços, inclusive pela dedução fiscal que permite contratar planos, médicos, dentistas e escolas particulares, enquanto que ao pobre sobra os restos do orçamento para atendimento de sua demanda.

Não é á toa que em nossos bairros ricos o índice de homicídios é similar ao da Europa, enquanto nas periferias é parecido ou maior que o do Iraque.

Este fato não é uma coincidência ou castigo divino, ou inclinação dos pobres para a violência.

É má divisão dos recursos disponíveis, como em todos os demais casos.

Portanto, como já disse, este ciclo proposto por você é falso, isto é, os impostos são poucos e mal distribuídos, logo o serviço é ruim e não o contrário.

Anônimo disse...

Obrigado pelas respostas, Douglas. Parabéns pelo blog. Nei do Parque Santo Amaro.

Anônimo disse...

Tudo bem, concordo com você, mas então porque o PT, que está há 12 anos no poder nada fez para mudar esse quadro de injustiça tributária e péssima prestação de serviços públicos, que até você critica?

Tempo o PT teve pra fazer. Então o partido dos trabalhadores governa contra o povo pobre?

douglas da mata disse...

Amigo, o PT não governa, ou ao menos não governa sozinho.

Temos cerca de 100 deputados em 503 e outros tantos senadores que não conferem maioria ao PT no Senado, sem as coalizões.

Ainda assim, é verdade que o governo (bem mais amplo que o partido) evitou esta questão, que não poderá evitar mais...

No entanto, o fato de doze anos terem se passado, e mesmo com todos os avanços sociais, a questão tributária, da mídia (regulamentação), a reforma política e outras tantas, mostra quão complexa é nossa sociedade e seus conflitos.

Quanto aos serviços públicos, eu diria que você anda intoxicado com a propaganda do PIG, pois se concordo que falta muito para ficar bom, também não há este caos todo, se considerarmos o tamanho deste país, e as dificuldades já conhecidas.

Leve em conta que depois de 500 anos, apenas nos últimos 12 anos tivemos uma pequena movimentação da atenção do Estado para a população mais pobre, e ainda assim, apenas por este pequeno e tímido começo, setores da sociedade começaram uma campanha criminosa de ódio político.

Cada coisa tem seu tempo, e tem o tempo de todas as coisas.