segunda-feira, 14 de julho de 2014

Analfabeto.

Eu queria descobrir a metáfora perfeita, ou uma rima que não pudesse ser desfeita, um paroxítono, uma sílaba, um dígrafo, um simples fonema que expandisse todas as frequências do barítono, que transformasse em ditongo crescente este hiato permanente entre nós.

Quem me dera calcular seu teorema, enunciar alguma fórmula de poema, descobrir a quadratura do teu círculo, revelar a desigualdade de sua equação, o fim de sua dízima, reduzir o expoente, transformar todos seus números complexos, esquadrinhar sua geometria, decompor este triângulo em reta, que, enfim, seria o caminho mais curto entre nós.

Eis me aqui, sem alfabeto, sem operação, sem lógica, matemática, gramática ou razão, reprovado todos os dias, aluno à beira da evasão.

4 comentários:

Anônimo disse...

Gostei, quem é o autor, você?

Anônimo disse...

Ponha um ponto final em suas jornadas portuguesas, uma vírgula em seus destinos americanos, um dois pontos em suas chegadas cubanas, uma exclamação em suas paradas haitianas, uma reticências em suas jogadas marxianas, um travessão em suas rodadas de baianas e uma interrogação em suas relativas certezas esquerdonas.

Você vai passar de ano.
Com grandes pontuações.

douglas da mata disse...

Sim, o autor sou eu.

Ao segundo comentarista:

"Certeza relativa" é um "oco" gramático, pois se é certeza, nunca carregará relatividade.

O resto ficou bonitinho, mas disfarça mal o interesse em desqualificar o conteúdo ideológico do blog apenas pela gramática, esquecendo que o importante é o verbo!

Anônimo disse...

Bom, muito bom!

O verbo o anônimo vende. É mercadoria barata, dessas que se embrulha em jornal. Mal disfarça a desfaçatez do disfarce.