sábado, 19 de julho de 2014

A guerra total e suja...

Adjetivar um conflito armado em "sujo" ou "limpo", total ou parcial, é sempre algo que extrapola o cinismo...

De certo que o termo guerra suja também pode estar associada aos ataques terroristas que atingem alvos civis, e sem que haja uma disputa bélica regular, ou seja, entre países.

Mas com o tempo, a tentativa estranha da Humanidade de "regulamentar" a matança em campos de batalha "evoluiu" dentro de uma lógica própria, onde tivemos o ápice dos requintes de crueldade nas guerras colonialistas, que se estenderam desde o início do século XX até o começo de sua segunda metade, e no teatro de operações da Grande Guerra (1914-1918).

Assombrada a plateia com a visão, ainda que fragmentada, pois nem de longe tínhamos a conectividade imagética de hoje, passamos do vale-tudo dentro das trincheiras para uma série de restrições chamadas de "humanitárias", desde o quesito bélico (proibição de munições explosivas de fragmentação, ou o uso de armas químicas, por exemplo), até a questão do ataque às bases hospitalares e as condições para remoções de feridos.

Porém, este breve "alívio" foi logo engolido pelo conceito de guerra total, que acabou por transferir a crueldade entre soldados, e passou a dirigir a ferocidade e covardia destes contra civis e instalações não-militares.

Este conceito foi levado a cabo na II Guerra Mundial, seja em Londres pela Luftwaffe de Göering, seja em Dresden pela RAF, com apoio da US Air Force.

Na frente oriental, Stalingrado é o símbolo desta noção estratégica de causar sofrimento ao povo inimigo como forma de atingir o moral das tropas.

Os estupros às mulheres são um capítulo à parte nesta infâmia, tanto pelas tropas da Wermacht e das SS em campo soviético, quanto as retaliações pelo Exército Vermelho na Berlim ocupada em 1944/45.

Estas concepções também foram duramente exercitadas na Guerra da Coréia, Vietnam, etc.

Como tudo que se relaciona com geopolítica e conflitos, cada evento dramático serve a um propósito na outra guerra: a da luta pela hegemonia ideológica, ou em outras palavras, a da propaganda.

Hoje em dia, a mídia internacional parece bem contente pelo fato de que o avião malaio ter sido abatido em espaço aéreo dominado por rebeldes ucranianos pró-Rússia, apesar de todos os discursos inflamados.

Que chance melhor teriam os EUA e a Europa de cobrar a conta a Moscou? Engraçado que ninguém mais se lembra que a explosão de violência na região foi causada pela incitação ocidental aos fascistas de Kiev, que derrubaram um presidente eleito, sob a sempre duvidosa e hipócrita motivação da luta contra a corrupção (não já ouvimos isto por aqui?).

Claro que esta é uma redução para caber neste espaço, pois sabemos que a Ucrânia é um barril de pólvora há tempos, e os russos não são santos.

No entanto, o lamentável e horrendo ataque a um avião civil, que ainda não teve sua responsabilidade investigada e definitivamente provada, revela-nos que este não é um caso isolado. E pior, não será o último.

E seguirá como distração para a audiência. As mortes na Ucrânia vieram a calhar para esconder os horrores na Faixa de Gaza.

Vejam esta matéria da seção brasileira do El País, que nem de longe pode ser considerado um veículo de comunicação "esquerdista" ou anti-sionista.

Como se não bastassem os assassinatos de 300 palestinos, a maioria mulheres, velhos e crianças, a destruição de centenas ou milhares de casas, o que renova o martírio dos refugiados em campos que podem ser comparados aos que confinavam os judeus em 39 (quanta ironia, macabra ironia!!!), eis que o "alvo militar" dos judeus parece confirmar a tática da guerra total (e suja).

Dutos de saneamento, abastecimento de água, poços e fontes são atingidos por mísseis potentes, misturando água potável e fezes, matando pela falta d'água, ou pelo consumo de água de merda.

Os israelenses inauguram assim uma nova noção de genocídio. 


4 comentários:

Anônimo disse...

O que vou dizer não é sobre o post, mas não deixa de ser também uma guerra suja. Guerra suja também é o que a oposição tem feito com a Petrobrás. Primeiro foi aquela CPI, que na verdade está servindo apenas para manchar a imagem da empresa. Um verdadeiro desserviço contra a empresa. Agora é a questão do preço da gasolina, que estão dizendo que está muito alto e que vai subir ainda mais. Estão dizendo até que a gasolina da Petrobrás é mais barata na Argentina do que em nosso país, e ainda que lá ela não é misturada. Uma guerra contra a empresa.

Anônimo disse...

Mas é a pura verdade. Na Argentina a gasolina da Petrobrás é muito mais barata do que a gasolina que nós temos por aqui. Nossa economia está uma bosta e o retrato é o preço da gasolina. A nossa Petrobrás, que os petistas enchem a boca para dizer estão fortalecendo, tem um preço de gasolina melhor em outro país do que no nosso.

Anônimo disse...

Esta informação de que a Petrobrás cobra um preço menor pela gasolina na Argentina do que no Brasil está circulando nas redes sócias. O objetivo é atingir o governo, e isso realmente está acontecendo.

Anônimo disse...

E o conflito Israeli-Palestina escondem a massacre que está acontecendo na Síria, onde já morreram 170.000 pessoas desde 2011.