segunda-feira, 28 de julho de 2014

Ouro de tolo...

Ela chegou em casa...Olhou tudo ao redor. Havia, como sempre, um cheiro estranho de rotina no ar, que se misturava ao odor de álcool que exalava do corpo inerte de seu companheiro no sofá.

Pensava em muitas coisas, mas ultimamente, a ideia de que seres humanos são capazes de se acostumar a tudo, mesmo a situação mais adversa, conferia a si mesmo um certo conforto, resultado de um longo aprendizado nas artes da autocomiseração.

Antes imaginava que isto se dava por algum sentimento em relação ao outro, mas depois descobriu que as razões eram mesmo egoísticas, ou seja, às vezes uma pedra no sapato traz feridas, mas o medo de andar descalça é muito maior, então, ajeite o corpo e não perca a pose, pensava ela...

Como resultado das suas reflexões, entendia que aquele incômodo que sentia, era afinal um preço justo a pagar pela "normalidade". Uma pedra em um par de Louboutin não é o fim do mundo...

Este é, afinal, o dogma de sobrevivência da sociedade ocidental: Consuma e consume-se...Não há nada demais em tentar adaptar-se... 

Ignorância traz felicidade, alguém já disse, então para que perder tempo conhecendo a si mesmo e quem te cerca, buscando conflitos e ameaçando os limites da zona de conforto? Pois é...

Naquele dia ela olhava tudo que estava ali como de costume, mas trazia no olhar uma perplexidade que já esquecera de ser capaz de expressar...

Não era aquele porco que bufava no sofá, e nem a lembrança de seu hálito quando trocavam secreções na cama...

Não eram os afazeres domésticos, ou o ambiente tenebroso de trabalho, onde desempenhava uma função decorativa e só recebia como recompensa cantadas e assédio, chefes e colegas que bem poderiam estar ali bêbados no seu sofá...

Era a descoberta de que era incapaz de respirar ar puro outra vez...a certeza de que estava tão acostumada aquela repetição diária de tragédias, que tinha certeza que não resistiria a duas doses de felicidade...

Nenhum ato heroico, como uma fuga destemperada, nenhum ato dramático, como suicídio, nenhum ato de justiça como assassinato...Nenhum ato de coragem, como um novo amor...

Ela comprou uma passagem de avião para um destino qualquer, e para lá despachou várias malas onde estavam todas as suas memórias, lembranças de um tempo onde ainda imaginava que poderia ser capaz de amar a si mesma e outra pessoa...Roupas de quando era capaz de respeitar-se a si mesma, fotografias de verões inesquecíveis, pequenos adornos baratos que enfeitavam gestos e carinhos de valor incalculáveis...

Voltou para casa...fez um café forte e ofereceu ao seu marido...quando ele quis, ofereceu-se a ele...

Foi ao shopping e fez compras...

Deitou a noite em casa, e rezava baixinho, entre lágrimas, que cada dia fosse o último...

Mas até deus se esquecera dela...




Para Amélia, a mulher (infeliz) de verdade...

sexta-feira, 25 de julho de 2014

As cidades-adolescentes...

Por motivos que não cabe aqui explicar, tenho passado mais tempo que o desejado na chamada entre Macaé e Rio das Ostras.

Confesso que a cada dia amo mais Campos dos Goytacazes, sem ofensa alguma às populações daquelas pequenas-grandes cidades.

Claro que vocês dirão que cada cidade é lugar de problemas e qualidades, e que a gente tende a puxar a sardinha para a nossa brasa (ou vice-versa).

Dias desse, conversando com um pessoa amiga, enquanto eu reclamava do caos urbano, da explosão demográfica, dos permanentes conflitos fundiários urbanos, das ocupações ilegais, e enfim, dos graves problemas de mobilidade, elaboramos uma metáfora para o crescimento desordenado.

Chegamos a conclusão (óbvia) que cidades são como pessoas, tecidos vivos...imagino ter ouvido isto de algum geógrafo ou cientista social.

Assim, cada cidade ao redor do planeta tem um tempo "certo" de maturação, crescimento e amadurecimento, sujeitas, também como nós, os humanos, a ações externas/internas como doenças, violência, incidentes, crises políticas-sócio-econômicas, etc, que nas cidades se expressam como desordem e violência urbana, problemas de mobilidade, desigualdades, e como nas pessoas temo as questões físicas e psíquicas, sendo a "alma" a pólis, e o corpo, a urbi.

No entanto, diante da dinâmica da realidade, os processos "evolutivos" sofrem retardos (atrofias) e aceleramentos, igualmente ameaçadores às pessoas e às cidades.

O esvaziamento da vida das cidades pode se dar por vários motivos, quase todos de ordem econômica, mas com origens sócio-políticas diversas/distintas, mas comumente interligadas, bem como o processo de aceleração deste crescimento.

Macaé e Rio das Ostras sofrem com a presença maciça da indústria do petróleo, e isto também já é lugar comum.

Eis nossa metáfora:

Poderíamos dizer que estas cidades dormiram com dois anos de idade, e acordaram com 17 anos, trazendo na "pele", além das "espinhas", conseqüências da explosão "hormonal" (dinheiro e gente),  outras várias "cicatrizes" causadas pelas agressões decorrentes da total falta de vivência comunitária exigida para um "crescimento normal", como acontece na maioria das cidades.

Este hiato de vivência comunitária desarranja a cidade, assim como um adolescente que cresceu 15 anos em uma noite apenas, e apesar de ter a aparência de um jovem, com todos os instrumentos fisiológicos a seu dispor, ele pouco sabe como usá-los, e quando o faz, atrapalha-se todo, contorcendo-se em mal-humor e fúria, tal e qual as cidades onde as vizinhanças não são vizinhanças, mas amontoados de gente de todo lugar, que assustados com tamanha inundação de diversidade de hábitos e culturas, e pior, de rotatividade, acabam por se tornar indivíduos isolados, ensimesmados, assustados, arredios e...violentos.

Neste contexto, o tecido social tende fica suscetível a toda espécie de fragilidade e ataque, tal qual um corpo de que cresceu rápido demais mas não maturou seu sistema imunológico, que nas cidades é a convivência, o espaço público.

E as respostas são quase sempre desordenadas e exageradas em amplitude e profundidade.

O resultado é um envelhecimento precoce ou uma morte prematura.

Mas como cidades não morrem como gente, estas "mortes" se expressam nas pequenas fraturas cotidianas que vai minando a possibilidade de construção da esfera social-coletiva (que nas pessoas chamamos de caráter ou personalidade), um alheamento, tão comum na adolescência, e que nas cidades pode ser chamado de Síndrome do Forasteiro. Um tipo de necrose social ou metástase social.

Em Rio das Ostras, principalmente, esta síndrome é agravada nos períodos de eventos e a temporada de verão, onde há uma carga extra de "hormônios" (gente e dinheiro), que altera o formato do "corpo" ainda mais, e pior, "rouba" a percepção de cidade de si mesma, que ao "se olhar no espelho", nunca saberá se é cidade-dormitório ou cidade-turística.

Muito me espanta que alguns idiotas sigam a reivindicar um aceleramento para nossa cidade, Campos dos Goytacazes, que se comparada a outras pelo mundo, é ainda uma adolescente, mas que cresceu no "tempo certo".

Completando a metáfora, estes idiotas são o que chamamos para o corpo humano de parasitas, ou organismos oportunistas.

Quando o corpo (cidade) estiver exaurida, eles "migram" para outro hospedeiro.

A coletividade e o espaço público são as únicas "vacinas".



Texto dedicado a Maria Felícia, (in memoriam)...

segunda-feira, 21 de julho de 2014

Método simples para afastar filmes ruins...

Há algum tempo desenvolvi um método simples (e simplista) para entender as coisas, e determinar minhas preferências...

Por exemplo, se está na revista "óia" eu repilo com veemência, assim como tudo que circula pela vênus platinada...Ou por certas folhas de embrulhar peixes podres...

A plêiade pigueana (bonner, fátima bernardes, ana maria braga, ou jabour, merval, etc) é batata...deveria vir com uma tarja preta de advertência, do tipo, Cuidado lixo tóxico!!!!

É claro que posso cometer injustiças, e perder algo aproveitável, mas estas possibilidades são tão raras que só justificam esta regrinha e seu método...

Logo eu penso: Se ali há algo que preste, com certeza encontrarei algo bem melhor em outro canal de informação...

Não raro estes cretinos copiam estes conteúdos na maior cara de pau, sem os devidos créditos...portanto, é sempre melhor ir na fonte original...

Com filmes eu faço quase a mesma coisa...Há atores e atrizes que me guiam, como Sean Pen (Mystic River, Últimos passos de um homem, dentre outros), Susan Sarandon (Últimos passos de um homem, Telma & Louise, etc), Daniel Day Lewis (fenomenal em Lincoln, ou magistral em Em nome do pai), ou Kevin Space (American Beauty), Robert de Niro (com restrições, mas imortalizado em The Godfather, The GoodFella, Taxi Driver, Cape of Fear, etc), junto com Marlon Brando (Apocalipse Now, The Godather, Dom Juan deMarco, Último tango em Paris, etc), ou Meryl Streep (Dama de Ferro, O Diabo veste Prada, Pontes de Madison)...

E claro, Eastwood...Javier Barden e Tomy Lee Jones (genial até em bestagens como MIB)...

Quando estou na banca de filmes à procura de algo para renovar o acervo, ou guardar clássicos já vistos antes, me oriento por estes nomes, além da galeria restrita de diretores, onde olho com atenção a Almodóvar, Iñárritu, Tarantino, Eastwood, Malick, Irmãos Cohen, Sordenberg, e outros poucos...

Mas de todos estes, o nome que mais tem me trazido ótimas surpresas é Johhny Deep, desde que assisti o xarope Edward Mãos de Tesoura...Aqui temos um caso clássico de ator X diretor (Tim Burton), com química acertada...Os dois remetem a um ambiente sombrio óbvio, mas nunca menos impactante...

Passeando pela rede, e pelo blog do Nassif me deparei com este texto do ótimo blog Cinegnose (já citado aqui várias vezes: cinegnose.blogspot.com), da lavra do Wilson Ferreira...Trata do filme estrelado por Deep e outros...

Achei que valia a pena compartilhar com vocês, pois o tema é urgente, ainda que aparentemente árido:

"Transcendence" mostra fábula nietzschiana sobre tecnologia e poder


Crítica e público estão massacrando o filme “Transcendence – A Revolução” (2014). Todos esperavam um sci fi clássico com super-heróis e narrativas de ação e terror. Mas o filme nos oferece uma extrapolação do atual discurso autopromocional das neurociências e ciências da computação através do olhar de uma autêntica fábula nietzschiana sobre o Poder: a grande questão da onisciência e onipresença de uma suposta superinteligência digital por trás de corporações como Google e do projeto da Internet das Coisas não é a do Poder vulgar em conquistar mais dinheiro e controle político: é o Poder pelo Poder, como jogo, vontade de potência em transcender os limites da ética e moral humana representado pela superação do próprio corpo.

Nelson Rodrigues dizia que toda unanimidade é burra. Certamente essa máxima pode ser aplicada à forma como a crítica e o público está recebendo o filmeTranscendence – A Revolução. Bilheterias decepcionantes nos EUA e Brasil e péssimas críticas tanto aqui como lá.

“Muito conceito e pouca história para contar”, “explicações incessantes”, “elenco estrelado (Johnny Deep, Morgan Freeman e Cillian Murphy e Paul Bettany) que parecem não saber o que fazer trocando frases soltas entre si”, “pretensioso e chato” etc. O que parece criar estranhamento para os críticos são os desempenhos “contidos” ou até “robóticos” do protagonista Deep e um filme que parece investir muito mais nas rimas visuais e em conceitos abstratos do que em uma história dramática.

Crítica e público esperavam um “filme de ficção científica” com super-heróis ou narrativas de ação e terror com um “sabor” de sci-fi, que é o que normalmente Hollywood oferece. Mas o que o diretor Wally Pfister (desde o filme Amnésia diretor de fotografia dos filmes de Christopher Nolan) foi uma verdadeira ficção científica: a partir da agenda tecnologia atual, extrapolar para onde estamos indo e o que isso pode significar para a raça humana, intelectual e espiritualmente.


O que talvez tenha estimulado esse boicote quase generalizado da crítica é que Transcendence acerta em cheio no cerne da atual agenda tecnognóstica: a transcendência da própria existência por meio de uma superinteligência “em nuvem” capaz de integrar sociedade e natureza numa gigantesca rede neural por meio de nanotecnologia (Google? Internet das Coisas?). E o que há por trás dessa agenda? O poder em sua forma mais pura e abstrata: a vontade de potência. Por isso Transcendence é o mais nietzschiano filme sobre tecnologia jamais feito.

O filme


Johnny Deep faz uma espécie de Dr. Frankenstein moderno, Will Caster, um neurocientista especializado em inteligência artificial que no início do filme confronta uma plateia numa palestra sobre as possibilidades de mudar o mundo através da “singularidade tecnológica” – a criação de um computador autoconsciente que atravessaria a fronteira entre o homem e a máquina. Acusado de tentar criar um novo Deus (“e não é isso que o homem sempre tentou?”, responde), Caster sofre um atentado de terroristas anti-tecnologia e escapa ferido.

Mas logo descobre que não era um simples atentado à bala: ele foi contaminado por um elemento radioativo e morrerá em pouco tempo. Diante da morte iminente, sua esposa e pesquisadora Evelyn (Rebecca Hall) e Will Caster decidem fazer um upload da sua consciência para o banco de dados do gigantesco computador chamado P!NN (um mix de computação quântica e rede neural física e independente, projeto de Caster).

Após a ousada operação, sua consciência ressurge como uma espécie de fac símile da sua alma e prontamente exige um acesso super-rápido à Internet. Mas o que ou quem é essa nova entidade digital sensciente? A reencarnação digital do amor perdido de Evelyn? Ou uma entidade cada vez mais voraz, uma extensão tecnológica distorcida das próprias ambições de Will Caster?

A entidade digital que habita a plataforma P!NN expressa as intenções messiânicas e de compaixão com o ser humano e o próprio planeta: quer “consertar” deficientes físicos, doentes e livrar a Terra dos problemas ecológicos. Através de nanorobots criados em um gigantesco laboratório nos subterrâneos de um vilarejo perdido no meio do deserto, a versão digital de Caster consegue fazer mortos reviverem, cegos e deficientes físicos se curarem e até fazer chover por meio da nanotecnologia que começa a espalhar fractais da superinteligência de Caster na própria natureza. Só que, em troca, os seres humanos curados tornam-se “híbridos”, hospedeiros desses fractais da superinteligência como formigas comandadas por uma formiga-rainha. Caster transformado em uma superinteligência onisciente e onipresente cria um exército de quase autônomos dispostos a proteger o seu propósito mais profundo: abandonar a plataforma P!NN e se integrar ao próprio tecido da realidade, uma superinteligência “em nuvem” – o panteísmo digital.

O discurso autopromocional das neurociências


O irônico no filme (pois simbolicamente apresenta o atual discurso autopromocional das neurociências) são os bem intencionados propósitos da revolução tecnológica de Will Caster: a cura do Mal de Alzeheimer, evitar a destruição do planeta, acabar com fome e guerras, fazer cegos enxergarem e paralíticos andarem..., mas sob o preço de criar uma nova ordem autoritária de controle e dominação, contra a qual os terroristas antitecnologia lutam. Como no atual discurso messiânico da agenda tecnognóstica, a transcendência de Caster é uma mistura de misticismo, religião e tecnologia.

 Transcendenceé o mais nietzschiano filme sobre tecnologia porque revela que por trás de todo esse discurso bem intencionado sobre a tecnologia promovido pelas grandes corporações e neurocientistas está avontade de potência como a própria essência do Poder. Essência amplificada em um discurso tecnognóstico que limita a inteligência e a consciência a um fenômeno da mente e que transcenderia as limitações corporais.

Nietzsche e a Vontade de Potência


O conceito de Vontade de Potência foi criado pelo filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900). A Vontade de Potência estaria em todo universo como luta constante, sem equilíbrio possível, apenas tensão pelo incessante movimento das coisas, ora delicado, ora violento. Movimento que vai das reações químicas à psique humana.

É a vontade que procura expandir-se, superar-se, juntar-se a outras e se tornar maior. Tudo no mundo é Vontade de Potência porque todas as forças procuram a sua própria expansão. A vontade de dominar, fazer-se mais forte, constranger outras forças mais fracas e assimilá-las. 

A chave de compreensão do filme Transcendence está na fala da consciência de Will Caster quando desperta no interior de P!NN:
“Vou precisar expandir. Preciso de mais energia. Preciso de um processador três vezes mais rápido do que o sistema atual. Não consigo descrever, é como minha mente estivesse livre. Precisam me colocar on line. Preciso acessar mercados financeiros, banco de dados educacionais...”.
Evelyn está diante do seu amor perdido ou diante de uma estranha criatura digital? A questão não é mais essa: Transcendence revela a mais abstrata forma de Poder, não mais político ou econômico (Poder como um meio para ter), mas como Vontade por si mesma, de um eterno dizer-sim ao devir universal por Potência.

A sensação de liberdade experimentada pela consciência de Will Caster pode ser comparada, guardada as proporções, com a própria experiência que a tecnologia digital promete proporcionar aos usuários. Diversos pesquisadores em cibercultura apontam para esse fascínio por transcender as supostas limitações corporais. Por exemplo, o cientista computacional Jaron Lanier fala que busca gnóstica em transcender a carne seria o emocional subtexto por trás da eufórica reação a cada novidade em informática no mercado e a cada website ou blog com frivolidades que é lançado. Lanier fala em uma “religião das máquinas” que seria o élan das pesquisas do Vale do Silício – sobre isso clique aqui.

Erick Felinto vai nomear este sujeito das ciberutopias como “sujeito pneumático”, uma forma de subjetividade que se pretende libertar dos limites do corpo, um self quase divino e de natureza espiritual (pneuma). Este sujeito pneumático teria as seguintes características: a comunicação total (como anjos incorpóreos vagando pelo ciberespaço sem barreiras para comunicar-se), por meio da “hipermediação que equivale à imediação das mídias digitais” e a mobilidade total – leia FELINTO, Erick “A Tecnoreligião e o Sujeito Pneumático”.

Essa consciência pneumática e livre dos constrangimentos corporais teria uma relação com o outro rarefeita e precária. Como destaca o filme Transcendence, o outro se converte em mera extensão de uma superinteligência, negando a individualidade e privacidade – a versão digital de Will Caster vai querer controlar, prever e suprir tudo não por ter se tornado maligno, mas por ter a liberdade plena de exercer a Vontade de Potência.

Sem as âncoras com o mundo real (finitude, temporalidade e senso de fragilidade corporal) a superinteligência perde as bases de toda ética e moral: a experiência corporal de extensão – onde termina o meu eu e onde começa o outro?


A grande virtude de Transcendence é a de ser uma fábula nietzschiana sobre o problema do Poder dentro da atual agenda tecnognóstica – a confluência entre Inteligência Artificial, neurociências e computação. A grande questão da futura onisciência e onipresença de corporações como Google e aquelas por trás do projeto da Internet das Coisas (sobre isso clique aqui) não é a do Poder vulgar em conquistar mais dinheiro e controle político: é o Poder pelo Poder, como jogo, vontade de potência em transcender os limites impostos pela ética e moral humana representado pela superação do próprio corpo.

Papai Hitler sorri no inferno...

Toda nação tem seu mito fundador...

Se temos o nosso Macunaíma, personificado tanto na intempestividade lasciva de um D. Pedro I, ou na claudicância carola paradoxal a curiosidade científica do Pedro II, indelével marca de nosso caráter que vacila ("tetra-polar") sempre entre razão, a emoção, a luxúria e a fé, se os EUA têm nos quatro fundadores os pais da nação mais poderosa do mundo, ou a França e sua rebeldia anti-imperialista gaulesa, ou por fim, o mito romano para os italianos, podemos dizer que Israel tem em Hitler seu pilar fundador...

E não apenas porque a tragédia do Holocausto deu ao mundo uma justificativa para inventar o Estado Judeu, mas pela essência deste Estado, totalmente assassino e filiado a noção cara aos germanos, o espaço vital (lebensraum)...

Se existir um inferno (como advogam as tradições monoteístas: judaica, católica e muçulmana), com certeza Hitler estará lá, divertindo-se com o comportamento de suas improváveis criaturas...

A derrota dos judeus não é militar...Ela é moral, quando praticam eles mesmos aquilo que sofreram na carne...

Leiam a matéria do The Independent, onde 4 morreram e outras 60 pessoas foram feridas em um bombardeio por tanques israelenses a uma instalação de socorro aos feridos...30 deles eram pessoal do staff médico...

Imagens dos corpos de um ataque a outro hospital, semana passada
(The Independent)

sábado, 19 de julho de 2014

Reflexões tangentes.

Já dizia "O Velho" (Karl Marx) que a História, nossa História pode ser comparada a de um rio. Mesmo que da nascente a foz sejam as águas deste rio, é impossível, em qualquer ponto de sua trajetória de banhar-se duas vezes na mesmas águas.

Daí vem a frase que a História se repete a primeira vez como farsa, e a outra como tragédia.

Eu prefiro simbolizar a vida como um espiral.

É possível enxergar os eventos passados mais de uma vez, mas sempre a partir de um ponto de vista mais amplo e a mais distante, que é dado justamente pelo passar dos anos.

Por isto temos a impressão que alguns destes eventos estão prestes a se repetir. Não estão.

Se pudéssemos aplicar alguma lei da física, e se traçássemos uma tangente entre o ponto mais interior da espirar (passado) e o ponto onde estamos (presente), poderíamos obter um vetor de força desconhecida.

Isto acontece, por exemplo, quando tentamos reeditar relações, sejam elas de amizade ou afetivas, tendo como parâmetro aquilo que houve no ponto mais interior da espiral.

As forças resultantes, por exemplo, da tangente entre amores, revoluções, ódios e outras disrupturas pretéritas e tardias podem ser devastadoras, para o bem e para o mal.

Mas a pergunta que move a Humanidade é: seguir inerte como um corpo solto no espaço, sujeito às leis incontroláveis da cinética ou forçar uma reação que altere os cursos, ainda que percamos o controle sobre eles?


A guerra total e suja...

Adjetivar um conflito armado em "sujo" ou "limpo", total ou parcial, é sempre algo que extrapola o cinismo...

De certo que o termo guerra suja também pode estar associada aos ataques terroristas que atingem alvos civis, e sem que haja uma disputa bélica regular, ou seja, entre países.

Mas com o tempo, a tentativa estranha da Humanidade de "regulamentar" a matança em campos de batalha "evoluiu" dentro de uma lógica própria, onde tivemos o ápice dos requintes de crueldade nas guerras colonialistas, que se estenderam desde o início do século XX até o começo de sua segunda metade, e no teatro de operações da Grande Guerra (1914-1918).

Assombrada a plateia com a visão, ainda que fragmentada, pois nem de longe tínhamos a conectividade imagética de hoje, passamos do vale-tudo dentro das trincheiras para uma série de restrições chamadas de "humanitárias", desde o quesito bélico (proibição de munições explosivas de fragmentação, ou o uso de armas químicas, por exemplo), até a questão do ataque às bases hospitalares e as condições para remoções de feridos.

Porém, este breve "alívio" foi logo engolido pelo conceito de guerra total, que acabou por transferir a crueldade entre soldados, e passou a dirigir a ferocidade e covardia destes contra civis e instalações não-militares.

Este conceito foi levado a cabo na II Guerra Mundial, seja em Londres pela Luftwaffe de Göering, seja em Dresden pela RAF, com apoio da US Air Force.

Na frente oriental, Stalingrado é o símbolo desta noção estratégica de causar sofrimento ao povo inimigo como forma de atingir o moral das tropas.

Os estupros às mulheres são um capítulo à parte nesta infâmia, tanto pelas tropas da Wermacht e das SS em campo soviético, quanto as retaliações pelo Exército Vermelho na Berlim ocupada em 1944/45.

Estas concepções também foram duramente exercitadas na Guerra da Coréia, Vietnam, etc.

Como tudo que se relaciona com geopolítica e conflitos, cada evento dramático serve a um propósito na outra guerra: a da luta pela hegemonia ideológica, ou em outras palavras, a da propaganda.

Hoje em dia, a mídia internacional parece bem contente pelo fato de que o avião malaio ter sido abatido em espaço aéreo dominado por rebeldes ucranianos pró-Rússia, apesar de todos os discursos inflamados.

Que chance melhor teriam os EUA e a Europa de cobrar a conta a Moscou? Engraçado que ninguém mais se lembra que a explosão de violência na região foi causada pela incitação ocidental aos fascistas de Kiev, que derrubaram um presidente eleito, sob a sempre duvidosa e hipócrita motivação da luta contra a corrupção (não já ouvimos isto por aqui?).

Claro que esta é uma redução para caber neste espaço, pois sabemos que a Ucrânia é um barril de pólvora há tempos, e os russos não são santos.

No entanto, o lamentável e horrendo ataque a um avião civil, que ainda não teve sua responsabilidade investigada e definitivamente provada, revela-nos que este não é um caso isolado. E pior, não será o último.

E seguirá como distração para a audiência. As mortes na Ucrânia vieram a calhar para esconder os horrores na Faixa de Gaza.

Vejam esta matéria da seção brasileira do El País, que nem de longe pode ser considerado um veículo de comunicação "esquerdista" ou anti-sionista.

Como se não bastassem os assassinatos de 300 palestinos, a maioria mulheres, velhos e crianças, a destruição de centenas ou milhares de casas, o que renova o martírio dos refugiados em campos que podem ser comparados aos que confinavam os judeus em 39 (quanta ironia, macabra ironia!!!), eis que o "alvo militar" dos judeus parece confirmar a tática da guerra total (e suja).

Dutos de saneamento, abastecimento de água, poços e fontes são atingidos por mísseis potentes, misturando água potável e fezes, matando pela falta d'água, ou pelo consumo de água de merda.

Os israelenses inauguram assim uma nova noção de genocídio. 


sexta-feira, 18 de julho de 2014

Pitty - Me Adora (Videoclipe Oficial)





Continua nosso passeio pela carreira da legítima herdeira da tradição baiana do rock'n'roll...
Segue aí a letra para acompanhar:

Me adora

Tantas decepções eu já vivi
Aquela foi de longe a mais cruel
Um silêncio profundo e declarei:
"Só não desonre o meu nome"

Você que nem me ouve até o fim
Injustamente julga por prazer
Cuidado quando for falar de mim
E não desonre o meu nome

Será que eu já posso enlouquecer?
Ou devo apenas sorrir?
Não sei mais o que eu tenho que fazer
Pra você admitir

Que você me adora
Que me acha foda
Não espere eu ir embora pra perceber
Que você me adora
Que me acha foda
Não espere eu ir embora pra perceber

Perceba que não tem como saber
São só os seus palpites na sua mão
Sou mais do que o seu olho pode ver
Então não desonre o meu nome

Não importa se eu não sou o que você quer
Não é minha culpa a sua projeção
Aceito a apatia, se vier
Mas não desonre o meu nome

Será que eu já posso enlouquecer?
Ou devo apenas sorrir?
Não sei mais o que eu tenho que fazer
Pra você admitir

Que você me adora
Que me acha foda
Não espere eu ir embora pra perceber
Que você me adora
Que me acha foda
Não espere eu ir embora pra perceber

Link: http://www.vagalume.com.br/pitty/me-adora.html#ixzz37rljus00

Esteira.

A vida é algo como uma encruzilhada, alguém já deve ter dito. 

Mas o fato é que não se trata apenas de
nunca termos certeza
de seguir pelo caminho certo. 

Ou ter a certeza de que ele não tem volta.

Talvez esta percepção tenha feito você hesitar, porém creia: 

mais aterrador é saber
que pior que seja sua escolha,
muito pior é não escolher. 

pois enquanto você fica parado(a), o caminho passa por você.

A vida é um caminho que se move junto com quem caminha nele.

Estar morto ao fim da vida é o que se deseja.

Ruim mesmo é estar morto enquanto a vida passa.

segunda-feira, 14 de julho de 2014

SUDERJ informa:

Governo, povo, seleções, turistas: 14.654.879,97.

Mídia cretina, oposição tresloucada, classe mé(r)dia desbocada: Zero.

Engraçado mesmo foi ouvir agripino, o mala, dizer no PIG nacional que tudo que deu certo se deve ao povo, e que os estádios e tudo mais foi obra privada.

Upa-lê-lê, mas a grita não era dinheiro público que ia construir estádios ao invés de hospitais?

Dá pena de assistir o desespero desta gentalha...

Eu, verdadeiramente, torço para que um dia tenhamos uma oposição mais qualificada. O nível só vem ladeira abaixo, e isto estimula pouco o governo.

O sempre...

Antes que fosse tarde, amou-a desde cedo,  pela madrugada até o fim da manhã...Antes, durante e depois que seja tarde...

Analfabeto.

Eu queria descobrir a metáfora perfeita, ou uma rima que não pudesse ser desfeita, um paroxítono, uma sílaba, um dígrafo, um simples fonema que expandisse todas as frequências do barítono, que transformasse em ditongo crescente este hiato permanente entre nós.

Quem me dera calcular seu teorema, enunciar alguma fórmula de poema, descobrir a quadratura do teu círculo, revelar a desigualdade de sua equação, o fim de sua dízima, reduzir o expoente, transformar todos seus números complexos, esquadrinhar sua geometria, decompor este triângulo em reta, que, enfim, seria o caminho mais curto entre nós.

Eis me aqui, sem alfabeto, sem operação, sem lógica, matemática, gramática ou razão, reprovado todos os dias, aluno à beira da evasão.

sexta-feira, 11 de julho de 2014

Pitty - 8 ou 80 (Chiaroscope Oficial)





Um dos melhores versos do rock nacional: "...me dou bem com os inocentes, mas com os culpados me divirto mais..."

8 ou 80

Todo mundo tem segredo
Que não conta nem pra si mesmo
Todo mundo tem receio
Do que vê diante do espelho

Eu só quero o começo
Me entedia lidar com o meio
Quero muito, tenho apego
Já não quero e só resta desprezo

Nem sempre ando entre os meus iguais
Nem sempre faço coisas legais
Me dou bem com os inocentes
Mas com os culpados me divirto mais

Todo mundo tem segredo
Que não conta nem pra si mesmo
Todo mundo tem receio
Do que vê diante do espelho

Todo mundo tem desejo
Que não divide nem com o travesseiro
Um remédio pra amargura
Ou as drogas que vêm com bula

Nem sempre ando entre os meus iguais
Nem sempre faço coisas legais
Me dou bem com os inocentes
Mas com os culpados me divirto mais

Não conheço o que existe entre o 8 e o 80
Não conheço o que existe entre o 8 e o 80

Nem sempre ando entre os meus iguais
Nem sempre faço coisas legais
Me dou bem com os inocentes
Mas com os culpados me divirto mais
Nem sempre ando entre os meus iguais
Nem sempre faço coisas legais
Me dou bem com os inocentes
Mas com os culpados me divirto mais

Ah... eu me divirto mais
Ah... eu me divirto mais
Ah... eu me divirto mais
eu me divirto mais
eu me divirto mais
eu me divirto mais
eu me divirto mais

Ahhh (17x)
Ah..




Claustro.

Às tantas horas, de um dia qualquer, em uma tarde de estação indefinida, ele viu-se sentado a beira de si. E ali de onde estava, pode ver um cômodo cheio de portas, mas sem nenhuma janela, que mais parecia uma tela de Salvador Dali.

Assim, ele só podia entrar e sair naquele recinto, mas uma vez lá dentro, nunca poderia contemplar a paisagem.

Trancou-se (dentro de si) e engoliu (todas) as chaves.



Um pouco além das chuteiras...



Ainda que jogasse bem menos que o esperado, em parte pelo esgotamento físico e lesões evidentes, quem se der ao trabalho de olhar o que diz o craque além das obviedades de perguntas e respostas dos "especialistas do futebol", verá que há casos (raros) onde jogadores têm tanto mais a dizer com gestos do que com chutes...

Assistindo ao assassinato (mais um) de Israel contra a Faixa de Gaza, dobro-me em reverência ao gesto do jogador português, logo após um jogo contra o time israelense...

Em tempo, já passam de 100 os mortos palestinos, como noticiou a Rede Al Jazeera...


Suárez e os canibais hipócritas...

Depois de ser execrado, impedido até mesmo de ir e vir em determinados espaços pela FIFA, eis que o desfecho previsível se anuncia...

Leia aqui no The Independent a notícia da transferência do jogador uruguaio por 75 milhões de libras, algo em torno de 225 milhões de reais, negócio celebrado entre o Liverpool e o Barcelona...

Pelo que se vê, entre um frango-ney de costas quebradas, e atropelado pelos alemães, e um "carniceiro" bom de bola, e potencial de exposição "agressiva" incalculável, os "magos do marquetíngue" parecem não ter dúvidas, nem muito menos culpa...

That's all business, and that's the way it's...

Fica a pergunta: Se o propósito (moral) da punição fosse realmente o que foi divulgado ("dar o exemplo"), não seria o caso de impedir transferências do jogador por um prazo ainda maior que a suspensão dos campos?

Ou tudo que é bom faz mal, engorda ou "morde"?

E ainda ficam os cretinos da mídia local e nacional a celebrar motivos e justificativas para o indizível...

quinta-feira, 10 de julho de 2014

Vieram buscar lã, saíram tosquiados...

Campeonatos apresentam resultados óbvios e previsíveis: Uns tantos perdem, e apenas um sagra-se campeão.

No entanto, para além desta dicotomia esportiva, há mais ganhadores e perdedores na Copa do Mundo do BRASIL, de 2014, e este fato merece registro...

Primeira perdedora óbvia, a FIFA, em boa parte pelo que escreveu aqui o jornalista Juca Kfouri, republicado no blog do Roberto Moraes.

Portadora de uma arrogância sem par, chantagista de ofício, predadora por excelência, a FIFA, com a anuência dos governos ávidos (inclusive o nosso, diga-se a verdade) por contratarem o evento que ela monopoliza, se instala nestes territórios nacionais com uma força que nem a ONU sonha desde 1948...Nenhum organismo internacional, sem a força das armas e/ou derramamento de muito sangue, consegue impor tanto consenso às diversas forças sociais e políticas de populações inteiras dos países-sede e dos demais participantes...

Vejam por exemplo o caso do jogador uruguaio, não só expulso do jogo e do torneio, mas impedido de entrar em um estádio em território nacional, em clara e grave afronta a nossa Constituição e os poderes por ela constituídos, seja o Judiciário, sejam os eleitos, Legislativo e Executivo.

Pois é, eis que a cagadora de regras, vai enfrentar o apito final saindo-se envolvida em mais um escândalo de proporções gigantes, pega no contra-pé pela atuação do Delegado Fábio Baruck e sua equipe de policiais civis, que mesmo diante da precariedade e poucos recursos frente aos milhões e milhões movimentados no esquema da FIFA-MATCH, colocaram um bola nas costas e mandaram vários envolvidos para o "chuveiro"...

Só os tolos imaginam que ingressos cuja dinâmica de aquisição, por simples mortais como nós, beira a um ritual místico-cibernético, com senhas, contra-senhas, inscrições, cadastros, filas, sorteios, números de CPF, RG, e o escambal, possam ser desviados e vendidos aos borbotões sem o conhecimento, anuência e participação dos escalões mais altos da entidade...

Mas pelo visto, para nossa imprensa cretina, local e nacional, a teoria do domínio do fato só existe para petistas e "mensaleiros"...

A segunda perdedora foi a torcida que foi aos estádios...Nossas arquibancadas eram mais "europeias" (onde "europeu" quer dizer branco) que times como a França ou a Bélgica, mostrando que temos muito ainda por fazer neste nosso país para trazermos as classes mais desprivilegiadas (pretos e pardos, a maioria) das periferias para o centro...

Pelo que vimos na TV, descontando o fato de que cinegrafistas "caçam" imagens associadas aos seus padrões-estéticos para fabricarem "musas" e tipos exóticos, no jogo da França e da Bélgica, tinha mais gente negra em campo que nas arquibancadas...

Ah, e claro, apareceram como seguranças, apoio  e serviçais também, alçados de sua "invisibilidade habitual" por takes de câmera de soslaio...Na boa e velha tradição Casa Grande e Senzala...

Não se pode culpar quem comprou ingressos, mas ficou óbvio que o evento foi feito para um tipo de público...

Ainda assim, esta classe média coxinha que lotou aos estádios, ao invés de dar-se por satisfeita por encontrar um evento onde podia posar de "exclusiva" nos telões, respondeu a quem lhe proporcionou a festa com grosseria digna dos bailes funks que esta corja adora depreciar...

Neste sentido, a carroçada alemã e o choro destes canalhas e seus pequenos rebentos, projetos de coxinhas-fascistas, é motivo de regozijo...

Em terceiro lugar, mas não menos relevante, perderam a mídia e os que apostaram que a Copa seria um fracasso. 
Para estes a goleada foi muito mais que 7 a 1,  foi um ciclo gigantesco de obras e intervenções (legado) que mesmo que não ficasse pronto a tempo, vai dotar as cidades-sede de facilidades que desde a década de 70 estavam por fazer.

Nem é preciso citar a exposição óbvia do país para o turismo internacional, uma vocação ainda mal explorada por nós, mas que ganha impulso considerável...

E por último, sucumbiram os idiotas do Felipão, ele mesmo um brucutu adepto das frases bipolares de efeito, tendo a frente iniquidades como o Neymar (por sorte conseguiu um atestado médico para faltar o trabalho) e ou bisonho Fred, que não poderia nem ser comparado a Serginho Chulapa em 82...

Muitos disseram, em outros tantos blogs, o que todos temos dito há tempos, todos nós que amamos futebol e não conseguimos enxergá-lo na seleção ou em nossos campeonatos risíveis faz muito anos...

O esquema mídia-CBF-FIFA-empresários destroçou as bases de nossa inventividade, que foi aprisionada em "linhas de produção", as famigeradas escolinhas dos "professores", que sufocaram os campinhos de terra (estes desaparecidos também pela especulação imobiliária que supre estes espaços públicos de prática de FUTEBOL, e outras brincadeiras)...

Este esquema se destina a "profissionalizar" crianças de 15, 14 e até 10 anos, "produtos" a serem cafetinados por pais e espertalhões..."produtos" pausterizados, que cedo abdicam do melhor do nosso futebol (a molecagem), e aprendem o pior do futebol deles (disciplina tática e vigor físico), onde os meios sacrificam o fins, tudo baseado em pseudo-teorias onde a arte sempre é apresentada como inimiga da eficiência...

Como se nos dissessem que a técnica do melhor professor de arte fosse mais eficiente que o talento de Da Vinci...

A Alemanha é a prova que até o mais "duro" e sem requebrado dos povos (como repetimos a exaustão nos estereótipos e outras galvãobuenices) consegue subordinar o físico a plasticidade...com uma dignidade rara de se ver...É preciso ter caráter para perder, mas muito mais para ganhar...Uma breve lição para nossa soberba futebolística... 

Enfim, acho que os ganhadores somos aqueles que acreditaram que a mídia mentia sobre a Copa, aqueles que rejeitaram a grosseria com a presidenta, aqueles que entenderam que não há mais pátria (cabeça)de chuteiras...Para o bem, e para o mal, há mais coisas boas e más para que prestemos atenção...Há um país por construir...

Em uma metáfora ruim...se ele vai ser bonito, justo, heterogêneo, plural e respeitoso com os que têm menos, como fizeram os alemães, ou se será arrogante, elitizado, burocrático, previsível, sem cor e criatividade como o time dos idiotas do Felipão e a sua torcida coxinha, que adora cantar hino, mas detesta o resto do Brasil que não está na Oscar Freire ou na Delfim Moreira, isto também dependerá de nós...estamos na frente do placar, mas este jogo só acaba quando termina...