sexta-feira, 27 de junho de 2014

Suárez, o futebol e os canibais...

Assombrosa a postura do uruguaio em campo, ainda mais se considerarmos a reiteração de sua conduta. 

Disto não há dúvidas, assim como não há dúvidas que nos limites das regras que organizam o esporte, pode a FIFA mantê-lo impedido de jogar futebol, até para procurar um tratamento, se for o caso.

Agora o problema é quando as coisas extrapolam esta simples realidade...ufa, a realidade teima em ser simples, mas parece que isto não nos basta.

Diante do linchamento público do jogador, correm seus patriotas e simpatizantes a transformá-lo em mártir. 
Comportamento óbvio. 
Os que detêm algum caráter detestam este tipo de covardia, o popular "chutar cachorro morto". 

Poucos escaparam desta triste dicotomia, nem o jogador Giggia, que antes do episódio lamentável já rosnava, ranzinza, pleiteando uma atenção eterna, mendigando mais alguns segundos de fama, reclamando de ingressos, carros, e outras mordomias.

Ora bolas, já não a teve pelo hercúleo feito de 50? O que deseja mais?

O problema da atenção é quando suplicamos por ela. Desesperador.

Mas no caso do jogador-ancião é compreensível, a fama é um vício adicionado por droga ainda mais devastadora, a vaidade.

Porém, como explicarmos a colossal hipocrisia que se apoderou do caso do jogador uruguaio, justamente oriunda dos que se dedicam a modelar o futebol como uma espécie de pequena guerra (por dinheiro), onde os termos metafóricos para os envolvidos é: artilharia, artilheiro, tiro de meta, cobrança fatal, matar a jogada?

Diante disto tudo, de tanta fumaça, esquecemos de perguntar coisas simples:

Pode a FIFA impedir que um jogador entre em um estádio de futebol em um país democrático qualquer, seja o Brasil, ou o Uruguai, para onde o jogador rumou?

Está a FIFA autorizada a cassar o direito de ir e vir de uma pessoa?

Sim, a "pena" de Suárez inclui o impedimento de entrar em um estádio de futebol durante a Copa(não sei se a "pena" se estende para o depois).

E se o Uruguai for a final?

Aceitaremos que a FIFA revogue a nossa Constituição?

Com qual objetivo? De dar "o exemplo"? Mas quê exemplo? Não é a própria entidade uma enorme lavanderia de dinheiro sujo, palco de falcatruas, acertos e afagos com governos ditatoriais e sanguinários (como o Brasil de 70 ou Argentina de 78)?

Será uma tentativa de incutir valores nos mais jovens? Mas quê valores, senão os financeiros, já que a poderosa entidade se omitiu para o cruel mercado de carne adolescente que transfere garotos de 14, 13 anos para países distantes, longe de pais, ao alcance do assédio de "benfeitores"?

Em nome da paz e da não-violência? Como assim? Quem observar o número de lesões (traumas) na região da cabeça dos jogadores neste último mundial, e o igual número de afastamento dos jogadores por completo esgotamento físico, além de um nível de performance abaixo da média, poderá perceber que não é apenas o gesto de Suárez que deve ser rejeitado como violento.

Esta cantilena da hipocrisia que sepultou carreiras "malditas", ou o reconhecimento, ainda que póstumo, de gente como Maradona e Garrincha, mas celebra o cretino do Pelé, que pedia atenção pelas criancinhas, mas abandonou a renegou a sua até o fim, até depois do DNA.

Segue o jogo dos canibais.



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