quinta-feira, 19 de junho de 2014

O fim do paradoxo do futebol.

Concordem ou não meus poucos leitores, a Copa do Mundo no Brasil é recheada de significados. Para o bem e para o mal.

Os mais óbvios: TEVE COPA, o Brasil não se afogou em convulsões sociais, tudo funcionando a contento, os empresários, mídia, etc, ganhando tubos de dinheiro (e ainda assim reclamando), classe política tentando adequar o melhor figurino para aproveitar: governo e oposição torcem contra ou a favor por seus motivos.

Todos imaginam que um evento de futebol possa ter alguma influência no resultado das eleições. Pode ser, mas estranhamente nenhum instituto de pesquisas, nem estes de fundo de quintal, sendo o Brasil um país das pesquisas (depois dos EUA), se arrisca a perguntar ao eleitor se o resultado da Copa mudará seu voto, ou melhor, se houver fracasso do scratch canarinho, deverá ser a Dilma a ser punida!

E não fazem pelo simples motivo que temem não as respostas, mas porque têm certeza que a pergunta não faz qualquer sentido nos dias atuais.

Mas a imprensa "especializada esportiva" (pausa para rir), que nos tempos de Copa tem mais parecido com editoria política (nada contra), insiste em nos vender uma imagem que este país gira em torno da bola, torcendo para uma catástrofe que traga de roldão o governo federal!

E há as explicações clássicas para tanto. As de natureza sociológica (até as de botequim, as melhores), que nos informam que o povão, com mais grana, mais escolaridade desenvolve outros interesses, mesmo que mantenha sua predileção pelo esporte bretão. Mas a paixão arrefece, porque deixa de ser paixão exclusiva.

Por este motivo a mídia tem parecido tão histérica em relação a Copa. Aumentam o tom para provocar sentimentos que antes seriam quase que naturais.

Vai que cola...

Há as explicações de natureza, digamos, "econômico-esportiva". O futebol se transformou um espetáculo global, mercantilizado, de altíssimo uso de tecnologia e inovações, que como causa e efeito se espalham sob a forma de traquitanas e acessórios, que igualam pelo modelo ultra-high-tech de chuteiras nos pés (e pelo bolso), o maior jogador do mundo e o perna de pau da pelada de quarta-feira a noite.

Antes este nivelamento era a paixão, o jogo apenas, e os meios eram apenas pés descalços de garrinchas em Pau Grande ou nas peneiras dos clubes, arena dos selecionáveis pelo olhar arguto dos "olheiros", que descolavam uns trocados, ingressos, e certa celebridade junto às diretorias dos clubes.

Hoje há um sistema muito mais sofisticado e vertical!

Não vou entrar em julgamentos saudosistas! No entanto, as coisas são diferentes, e o grande paradoxo do futebol, que era equilibrar a imperativa necessidade do jogo coletivo com a genialidade pessoal parece pender perigosamente para a descaracterização mecanicista que transforma jogadores em máquinas de correr.

Ainda que exaltemos surpresas como a Alemanha (nem tão surpresa assim, pois esteve em sete finais nos últimos anos, e com seu principal clube no topo da Champions League há duas ou três temporadas), que goleou sem dó os touros mochos espanhóis, ou o ressurgimento da escola chilena, não tenho dúvidas em afirmar que esta é um dos torneios mais chatos tecnicamente falando, mesmo que consideremos uma média de gols bem alta (mais de três, até onde vi).

Gols em profusão que revelam mais cansaços e desarrumações dos esquemas defensivos que habilidade e preparo dos atacantes.

Nenhum dos matches da Copa chegou aos pés de um simples jogo como aquele Flamengo e Santos (5 x 4), onde brilharam a genialidade de Ronaldinho Gaúcho e Neymar (com o gol mais lindo do ano).

E nada justifica, porque ali estão o creme do creme em um evento cada vez mais profissional, seguro, grandioso e CARO!!!

Pior: jogos como aquele Fla e Santos são cada vez mais raros! Basta olhar os arquivos das mídias que tratam do tema para constatarmos que temos muito menos material para mostrarmos às novas gerações belos jogos de futebol. No máximo alguns lances, e olhe lá.

Qual é o grande nome da primeira fase? Müller? Piada! 

Há algum candidato a Maradona, Beckenbauer, Cruyff, algum Zico, Leandro, Reinaldo, algum, vá lá, Toninho Cerezo?

Não há sequer esta discussão que povoava nossas conversas quando garotos: Maradona melhor que Pelé, Pelé melhor que Garrincha, e ia por aí...

Triste ver bons jogadores moídos em final de temporada se arrastando em campo. Pobres Messi e CR7...

Nos dias atuais, o futebol e a Copa parecem um filme onde mudam os atores, mas sempre nos contam o final...seja ele qual for.

2 comentários:

Anônimo disse...

Evidentemente, não é apenas de política que você não entende absolutamente nada.
Este é um dos melhores mundiais dos ultimos tempos.

douglas da mata disse...

Tem razão,

O melhor jogador do mundo (CR7) se arrastando em campo, alquebrado opr uma temporada onde se extraiu-lhe até o suco, rodeado por um time de medíocres que não dão sequência a dois passes.

O jogo Portugal e Eua foi de um nível abaixo da pelada que jogamos na segunda, e olha que não somos grande coisa.

A Alemanha na montanha russa, golpeando os moribundos portugueses e depois claudicando para derrotar ganeses.

A Espanha em frangalhos, a Inglaterra no fundo do poço, e de interessante apenas a correria uruguaia tresloucada, e o esforço do time mediano chileno e colombiano.

Nem vale a pena chamar o amontoado do animador de circo (Felipão) de time...

Eu só assisti a mundiais depois de 78.

Eu não assisti a nenhum mundial depois de 1982 e 1986 que valha a pena ser chamado por este nome.

82 pelo melhor futebol que não ganhou, reforçando a mágica futebolística de que nem sempre vence o melhor.

E 86, porque depois de 62, foi o primeiro mundial que um jogador ganhou sozinho, neste caso Maradona, em 62 foi o Mané, o Garrincha.