sábado, 22 de fevereiro de 2014

Um problema patológico?

É preciso que se diga: As pessoas têm todo o direito a mudar de opinião sobre qualquer tema! Tanto faz se levam meses, anos, dias ou horas.

Nossa racionalidade nos impõe que encaremos a realidade e sua dinâmica, e tracemos novos conceitos, alterando mais ou menos a escala que chamamos de princípios, ou criando novos princípios.

Assim, exacerbando o conceito, matar não é aceitável em determinadas situações, mas imperativo em outras.

Não há problema de caráter ou julgamentos morais a fazer, a não ser sob o signo da hipocrisia, diga-se. 

Mas o grave na mudança de atitude ou de opinião é fazê-lo sem a devida repactuação com aquilo que defendia, e seguir em frente com a transformação que reivindica, sem deixar esqueletos no armário.

Claro que  na realidade as coisas se complicam, sempre, mas o objetivo não deve ficar longe desta perspectiva.

Quando falamos coisas que nos contradizem, sem que antes tenhamos explicitado o porquê da mudança de atitude, a percepção que muitos terão de nós é da incoerência.

Foi esta a impressão que me passou ao ler, hoje, a declaração do presidente do PT sobre o Programa Mais Médicos.

Em 09 de dezembro de 2013, sua abordagem do tema, no calor dos debates provocados pela sabotagem fascista das corporações médicas, publicamos um texto lamentando a posição corporativista do presidente do PT, e você pode ler aqui:

http://planicielamacenta.blogspot.com.br/2013/12/no-brasil-mais-medicos-salvamno-pt-de.html

E não é que hoje, como se por encanto, sem fazer nenhuma remissão ao que dissera a pouco mais de dois meses, o presidente do PT se desdiz?

Pois é, são tempos estranhos.

Será um problema físico da estrutura de sua memória ou alguma lacuna de sua índole política?

São estas e outras que me empurram para um silêncio observador.