sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

Prefeito Haddad: Um poste a iluminar a política.

Quando foi apresentado ao eleitorado, o prefeito Haddad, cria política do faro aguçadíssimo do presidente Lula, foi taxado com "poste", ou seja, aquele que não teria luz própria, ou que se portaria de forma estática (como poste) frente as desafios que exigem o famoso "jogo de cintura".
Lula, de bate-pronto respondeu que de poste em poste o PT ia iluminando o Brasil, em alusão ao prefeito e a presidenta Dilma, casos irreversíveis de sucesso inconteste.
Agora o prefeito Haddad lança uma ousada, porém simplérrima, política de abordagem os adictos em crack da cidade de São Paulo, confinados nos redutos que convencionou-se chamar de cracolândias.
Penso que uma observação corriqueira dos hábitos e gestos políticos do prefeito Haddad vão revelar vários erros e acertos, mas há uma qualidade que é impressionante: A rapidez com que aprende com seus erros, a capacidade de retomar a agenda da governança.
Desde as manifestações de junho/julho, um teste de fogo para um prefeito recém-empossado e com pouca bagagem "político-administrativa", Haddad recuperou a iniciativa.
Primeiro sinalizou que não deixaria a mídia lhe pautar, e disse isto com todas as letras em entrevistas.
Enfrentou o ataque da mídia na questão das investigações da máfia do ISS, contornou as tentativas de vinculá-lo, e manteve sob controle as apurações.
Agora partiu para a dianteira no problema dos adictos em crack que perambulam pelo centro da cidade, como uma abordagem inovadora, porém simples.
Não "varreu" os adictos para depósitos de gente, ou para as franjas da cidade, ao contrário, tenta reconectá-los com o ambiente a partir da renovação do laços destas pessoas com a realidade, com uma ocupação, algum dinheiro, moradia, dignidade enfim.
É uma jogada arriscada, ainda mais porque os detratores estarão sob espreita, a gritar o fracasso estatístico da iniciativa. E sob este aspecto é bom que se diga: uma expectativa realista não pode considerar que mais que 30% destas pessoas consigam superar sua vinculação com o abuso de entorpecente, e provavelmente voltarão as ruas e a degradação.
Mas se entre 300 ou 400 pessoas, 30, 40 ou 60 delas conseguirem reconstruir suas vidas, é um ganho incalculável, porque no caso do tratamento e reinserção de pessoas excluídas neste nível, não é possível uma conta quantitativa, simplesmente.
Quanto dinheiro vale uma vida? Quantos orçamentos? Qual será a medida para pesar uma vida recuperada?
O que o prefeito nos diz com sua ação (simples) é que não deve haver limites nos esforços para (re)humanizar tais pessoas, torná-las visíveis novamente, e seguir tentando com tantas outras houver.
O principal mérito da iniciativa, além de seu objeto principal, é afastar a hipocrisia deste debate.
O trato hipócrita que estas pessoas recebem da maior parte da mídia, e de outras pessoas de compreensão deturpada, é também uma escolha de classe, afinal, os motoristas bêbados, por exemplo, causam muito mais mortes, prejuízos, rombos previdenciários, rombos orçamentários (estrutura disponível para atender as vítimas do acidentes) que os usuários de crack, e nem por isto são tratados com tanto desprezo ou violência.
Antes que a hipocrisia moralista se levante para dizer que estas pessoas DEVEM ser submetidas a tratamento médico, é bom que se diga: Não há relação nenhuma de sucesso resultante da política de internação  ou tratamento compulsório.
O que o prefeito Haddad está fazendo é simples: Reconhece a humanidade nestas pessoas, humanidade que elas mesmas não conseguem mais expressar, e pior, que a maioria da cidade lhes nega.
Bem-vindo a política Excelentíssimo Senhor Prefeito de São Paulo.

9 comentários:

Anônimo disse...

Ah...Haddad...Ah...PT. Todo prefeito petista é ótimo. Você é patético, parece criança.

douglas da mata disse...

Bem, meu caro, o que você esperava ler aqui, em um blog com definição partidária e ideológica conhecidas, que eu exaltasse as ideias que você defende?

Onde é que no texto diz que todo prefeito petista é ótimo, ou que Haddad esteja a salvo de críticas?

E sou eu que pareço criança?

Você faz "birra", bate o pezinho, não apresenta um argumento que contra-ataque o que o texto diz, vem aqui fazer ataques pessoais, e eu que sou patético?

Olha, eu vou te confessar, adoro comentários do tipo de seu: nos dão a chance de revelar a tônica da indigência intelectual da direita brasileira.

E vá se acostumando: pelo ritmo, Haddad em pouco tempo já estará como alternativa para alçar a presidência.

São mais 40 ou 50 anos de PT no poder, e gente como você ou engole ou se muda para Sibéria.

Boa viagem.

Anônimo disse...

40 ou 50 anos no poder...essa foi boa...muito boa mesmo!

Anônimo disse...

E ahí, da mata? Foi suplicy. E se fosse rosinha? Hein?

douglas da mata disse...

Caro amigo,

Eu acho que você não é idiota, ou é?

Pois bem, já deu para perceber que este blog tem definições claras sobre suas escolhas ideológicas e partidárias.

Então, se você quer textos sobre Suplicy, vá a veja, ou ao globo, ou aos blogs de coleira que existem aos montes por aí.

Mas por que você espera que eu a trate como trataria a Rosinha?

Você acha que são iguais?

Ué, por que então não estão no mesmo partido, não tem a mesma casa, o mesmo marido, os mesmos gestos e decisões políticas?

A sentença contra ela a coloca, politicamente, no mesmo campo de outra pessoa?

Então se tivermos Hitler e FHC condenados por improbidade isto significa que os dois cumpriram o mesmo papel na História?

Meu filho, é preciso cuidado com as provocações.

É preciso talento, cérebro.

Aqui não tem moleza, fiote.

Anônimo disse...


Dê uma olha nisso:

http://www.ocafezinho.com/2014/01/21/o-historico-sabao-de-luiza-trajano-em-diogo-mainardi/

Anônimo disse...

Receita Federal informa que não é possível descontar do IR doações para os mensaleiros do PT

Anônimo disse...

mais um petista condenado por improbidade...

e aí, carniceiro?

douglas da mata disse...

Dor de cotovelo é dose.

Veja que com todo ataque da mídia, o moralismo inútil da classe mé(r)dia, o PT segue disparado na preferência do eleitorado (37%), e conta com mais de 1 milhão de filiados, estrutura singular que lhe permite mobilizar (como nenhum outro partido) um corrente de solidariedade ao deputado José Genoíno.

Já que não ganham nas urnas, criminalizam a política.

E ninguém cala este chorôrô da oposição.