sábado, 4 de janeiro de 2014

Outras planícies: o país de Mandela também tem a sua "cura gay".

Prezados e prezadas, os grupos de defesa de Direitos Humanos, neste caso, os LGBT, comumente são reconhecidos como um ponto fora da curva.

Nada demais.

Embora eivado de contradições, como o fato dos grupos de DH-LGBT noticiarem o conservadorismo pragmático petista (aliança com setores evangélicos extremistas), mas a seu lado embarcam na candidatura PS(D)B, com Heráclito e Bonhausen como signos da "modernidade", suas preocupações são sinceras, embora deslocadas.

Parte deste fenômeno reside nos limites da luta setorial por direitos de minorias, porque reivindicá-los significa reconhecer a existência de um pensamento majoritário e seus direitos.

Lógico que há limites difíceis para esta relativização, que se levada a cabo e as últimas consequências acaba por legitimar as violações, mas por outro, sua absolutização encontra sérias restrições quando acabam por expressar uma seletividade geopolítica (no campo externo) e inter fronteiras, na instância das sociedades e sua noção de soberania.

Outro ponto nevrálgico é a falta de uma instância que reúna condições "morais" de impor uma agenda universal, dada a captura destes organismos e grupos, onde interesses alheios seguem contrabandeados, como é o caso explícito dos ecopentencostais ou ecomilitantes ou os grupos estrangeiros de defesa indígena.

Mas há casos que não se pode tergirversar.

Assomborosa a matéria do The Independent, que você pode ler aqui:

Trata-se da versão sul-africana da cura gay, manifestada em estupros corretivos, onde mulheres lésbicas são atacadas por grupos de homens, mortas ou deixadas à morte, violadas com objetos como bastões, amarradas com suas vestes íntimas e toda sorte de "terapia".

Como sempre, a legitimação social do fenômeno repercute na leniência estatal na punição.

Mas o mais grave, e digno de nota para este nosso debate, é o caso de Pearl Mali, entregue a seu "terapeuta" pela própria mãe, que desejava afastar o "doença" do lesbianismo na filha.

Não satisfeita, a mãe de Pearl convidou o homem a residir na casa das duas, como um tipo de "homecare", e após quatro anos de abusos e frustradas notícias à polícia, Pearl conseguiu ordem de restrição de aproximação, que foi, por óbvio, violada, onde teve que lutar com o agressor, que não consumou novo ato sexual, mas chutou-lhe os pontos da operação cesárea, o que lhe acarretou diversos problemas.

Este dado acrescenta dramática complexidade e afasta qualquer simplificação rasteira do tema.

A mãe e seu cúmplice sumiram com a criança, sob a alegação que o toque entre mãe e filho acarretaria "contágio".

Mas fica a dúvida, os mesmos países que celebraram o legado de Mandela, hipocritamente, é claro, e que o empurraram a aceitar os termos de uma rendição imposta, sob o título engraçado e trágico de reconciliação, como se os próprios negros, agora senhores de seu estamento político não pudessem transitar entre a paranoia da vingança e a omissão em fazer justiça e punir os crimes do apartheid e dos racistas, como faremos para intervir neste cenário sem incorrer em violações ao princípio da autodeterminação dos povos e suas escolhas.

Como os grupos de DH-LGBT e outros, geralmente filiados a correntes internacionalistas, ONG, etc, poderão defender uma intervenção direta da África do Sul e esquecer Israel ou os EEUU e Guantánamo, por exemplo?

É preciso certa pressa em avançar neste debate interditado.

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