segunda-feira, 9 de dezembro de 2013

A TV, o futebol e a violência nas arquibancadas...

Neste mês, por mera coincidência este blog tratou do assunto violência nas arquibancadas, no post "A g(r)obo apoia e financia os holligans brasileiros...Quem desejar, pode dar uma olhada, e quem sabe entender melhor o que escreveremos a seguir.

Parece que não há mais dúvidas que o negócio do futebol, e do entretenimento esportivo, como possibilidade adicional de lucros exorbitantes para o capitalismo do lazer, que absorve enormes quantias de recursos (dinheiro) excedentes (que sempre precisam encontrar novas fontes de rendimento composto), estão totalmente vinculados com diversas formas de explosão de conflitos...

Seja para a instalação dos equipamentos necessários a mobilidade de pessoas que afluem para tais eventos (desapropriações, expulsões, etc), seja pela sua face mais caótica e próxima ao espetáculo em si, que é a guerra entre facções de torcedores-profissionais, verdadeiras legiões de mercenários a serviço do negócio que mistura interesses de grandes conglomerados de mídia, fundos de investimentos que controlam desde "direitos federativos" dos jogadores, até a indumentária que usam (uniformes), passando pelas empresas de controle de publicidade e divulgação paralelas às empresas de mídia jornalística...

Já dissemos no post citado aí em cima, que a imposição de horários pela grade de programação dos canais de TV, bem como a adequação, também forçada de calendários de competições, sempre submetidos ao tempo dos países mais ricos, refletem no esvaziamento dos estádios pelo torcedor comum das periferias, trazendo um duplo efeito: a elitização dos estádios pelo preço cobrado para espetáculos mais atraentes, e o preenchimento dos estádios vazios pelos mercenários-uniformizados, bancados pelos esquemas clube-empresas-mídia...

Se o futebol é hoje uma fonte de negócios para empresas esportivas, as torcidas organizadas são empresas de torcer...Torcidas organizadas, ou melhor, quadrilhas organizadas são parte essencial deste lucrativo empreendimento global, e não à toa, a violência nos estádios se associa, na Europa, a conflitos étnicos e geopolíticos, enquanto por aqui, esta face ainda não esteja bem definida, embora haja desconfiança de ligação destes grupo organizados com falanges políticas ultra-conservadoras (neonazistas, etc)....

Com o passar do tempo, estes esquemas escapam ao controle, ou melhor, mudam de controladores, na medida que após serem instrumentalizados para disputas internas e comerciais, os mercenários começam a entender o poder que detêm, e o usam, contra tudo e contra todos...Ou seja: deixam de ter mediadores para seus atos (dirigentes, cartolas, empresários, jogadores) para atuarem por conta própria...

A tarde de ontem foi um exemplo dramático disto...

Desnecessário dizer que se uma estatística fosse entabulada, é muito provável que dos conflitos entre torcedores nos estádios brasileiros, poucos escapam do alcance da guerra entre estes mercenários uniformizados, assim como foi ontem em Santa Catarina...Até porque, brigas entre torcedores "comuns" raramente assumem proporções dignas de nota ou repercussão...

Antes de mais nada é bom repetir: cabe ao realizador do evento PAGO, e destinado ao lucro, proporcionar ao seu público (torcedores) a segurança, e não ao policiamento estatal, que deve se limitar a ficar no entorno das instalações esportivas...

Este é um protocolo internacional, baseado na crença de que o poder público não DEVE arcar com o ônus de atividades desta natureza, para além dos que já arca: transporte público, segurança no entorno, hospitais, etc...

Mas o que mais chamou-nos a atenção foi o cinismo, selvageria e insensibilidade dos promotores do evento: CBF, personificada na figura de seu representante no gramado, junto ao árbitro, clubes, e por fim a TV...

Um total desrespeito as leis e ao bom senso, afinal, manda a lei que a cena de um crime (neste caso, foram cometidos vários), principalmente aqueles contra a vida (mesmo que seja de um selvagem débil mental uniformizado), devem ter seus locais interditados e isolados, até a chegada dos peritos e da Autoridade Policial, e naquele caso, todos os envolvidos deveriam ser mantidos detidos até que as imagens da TV possibilitassem a identificação e individualização da conduta de todos os envolvidos(imagens que, por sinal, até agora, só serviram para repercutir a selvageria com propósito do aumento de audiência nas infindáveis repetições que só servem como "troféus publicitários" as facções criminais uniformizadas)...

Mas ainda assim, o circo de horrores teve que continuar a qualquer custo...Sem qualquer decoro ou protesto eficaz ante tamanha violência, seguiram os "negócios", para satisfação dos sócios...

A cena mais bizarra, enquanto estava paralisado o jogo, e locutores e comentaristas fingiam alguma comoção, foi a divulgação (no horário contratado) de uma propaganda de automóvel (acho que da VW, o novo Golf), com efeito visual que simulava a queda de um meteoro no meio do gramado, e da explosão e fumaça surgia o bólido novo em folha, com locução em off...
Quem sabe melhor seria se alterassem um pouco o roteiro e mostrassem um Golf vascaíno, "subindo" as arquibancadas, atropelando atleticanos, ou vice-versa, em uma demonstração de robustez e "ferocidade", conceitos tão caros ao marketing de veículos...? Fica aí a "dica"...
Dada a banalização da violência nos estádios, por que não ganhar algum a mais com ela?


Um comentário:

Anônimo disse...

Ficou um tempo sem escrever mas voltou com a corda toda...