domingo, 8 de dezembro de 2013

A Educação como panaceia...

Interessante texto do Saul Leblon para reflexão:

Saul Leblon: Elite escravocrata prega a educação, mas sem abrir mão dos juros

publicado em 8 de dezembro de 2013 às 18:56

A escola pode muito. Mas é questionável que vá salvar a pátria, dizia Antonio Candido ao PT, em 2002
A escola resolve o nosso apartheid?
por Saul Leblon, em Carta Maior
Quem vai salvar a pátria?
Um traço constitutivo da agenda conservadora consiste em festejar  as derrotas da sociedade brasileira abstraindo  a dimensão estrutural do problema.
Ou seja, omitindo sua responsabilidade.
Espremido o foco, o resto fica  fácil.
Cria-se uma circularidade; ela confina o debate do futuro no campo da moral.
E a moral, como se sabe, é o  apanágio da classe dominante.
Entre nós esse reducionismo determina que o faminto é culpado pela fome.
O Estado, carcomido pelo cupim privatista, é o responsável pela indigência pública.
O lado ‘gobineau’ das  elites –em que a genética define a história–  tem na educação um compêndio ilustrativo de sua versatilidade e dos seus limites.
Manchetes desta semana esponjaram-se no desempenho sofrível dos estudantes brasileiros no Pisa, edição 2012.
O  Programa de Avaliação Internacional de Estudantes da OCDE  sabatina alunos de 15 e 16 anos em matemática, leitura e ciências.
A mensagem subliminar do jornalismo conservador era:  esse, o país dirigido pelo populismo!
Das 65 nações  incluídas no teste, o Brasil foi a que apresentou a melhor progressão no aprendizado de matemática nos últimos nove anos.
O fato de persistir no 58º  lugar depois disso (em ciências figura no 59º; em leitura, no 55º, num total de 65)  é sugestivo do ponto de partida pantanoso  sobre o qual a elite ‘esclarecida’ fixou a escola pública brasileira.
O mais irônico é que a narrativa conservadora  define  a educação como o único canal legítimo de mobilidade  das massas no país.
Por trás desse simulacro de meritocracia esconde-se o círculo de ferro de uma das piores estruturas de distribuição de renda do planeta, que se avoca o direito à  eternidade.
Endinheirados  que se orgulham de patrocinar  ONGs pela redenção educativa, garantem: será assim, através da escola, não  da reforma agrária, a tributária ou a urbana, tampouco através do salário mínimo ‘inflacionário’, que a miséria material e espiritual perderá seu reinado neste lugar.
A escola pode muito.
Acertou em cheio o governo ao impor uma regulação soberana sobre a riqueza do pré-sal, que  permitirá transferir múltiplos de bilhões de reais à politica educacional nos próximos anos.
Mas é questionável que a escola possa tudo o que lhe atribui  a emancipação a frio apregoada pela agenda conservadora.
Ser uma ilha de excelência, capaz de abrigar e exorcizar o oceano de iniquidades ao seu redor, parece  mais um enredo de aventura nas estrelas do que o horizonte histórico de uma nação.
Os analistas do Pisa  parecem corroborar essa avaliação.
Eles afirmam que a metade do ganho brasileiro em matemática, por exemplo, foi uma decorrência de mudanças no entorno social dos alunos.
Uma parte do noticiário conservador  interpretou esse dado de forma desairosa, como se fora um atestado de fracasso do MEC. Outra,  omitiu-o.
Compreende-se.
Investigá-lo talvez levasse à conclusão de que as políticas demonizadas pela mídia – como o Bolsa Família, a valorização do salário mínimo, crédito barato, subsídio à habitação popular etc–  ajudaram o estudante brasileiro a ter maior poder de aprendizado.
Um exemplo:  estudantes do ensino médio beneficiados pelo Bolsa Família nas regiões Norte e Nordeste têm rendimento melhor do que a média nacional  (82,3% e 82,7%, contra  taxa brasileira de 75,2%).
Outro:  pesquisa feita na Universidade de Sussex, na Inglaterra, em 2012, revela que quanto maior é o tempo de  participação das famílias no Bolsa Família, maior é o aproveitamento escolar das crianças.  Segundo a pesquisa, a taxa de aprovação dos alunos do 5º ano aumenta 0,6 ponto percentual para cada R$ 1 de aumento no valor médio do benefício per capita pago às famílias.
A influência da entorno social na escolarização não é privilégio de sociedade pobre.
Tome-se o caso dos EUA.
O país  retrocedeu cerca de 20 pontos  na classificação global do Pisa- 2012.
Em 2009  ocupava a 17ª posição; caiu agora para a 36ª, abaixo da média geral em ciências e matemática.
O que mudou nos EUA entre 2009 e 2012?
A sociedade norte-americana mergulhou na sua maior crise desde a Depressão de 1929.
Uma em cada cinco crianças norte-americanas vive atualmente em ambiente de pobreza. A renda  média das famílias  com filhos recuou cerca de US$ 6.300 (tomando-se 2001 como base de comparação). Com a implosão da bolha imobiliária, um milhão de estudantes de escolas públicas viram suas famílias serem despejadas .  As taxas de desemprego aberto e oculto hoje superam a faixa dos 13%. O grau de recuperação do mercado de trabalho na presente crise é o mais lento de todas as recessões anteriores.
A sobrevalorização do papel da escola na agenda conservadora brasileira padece de outros flancos de coerência.
Há uma distância robusta entre o que se fala e o que se pratica quando se mede o hiato em moeda sonante.
O piso salarial do magistério brasileiro hoje, R$ 1560,00,  é um dos mais baixos do mundo. A perspectiva de corrigi-lo para modestos R$ 1.860 reais  em 2014  dispara as sirenes de alerta do jornalismo que promete mostrar o abismo fiscal na próxima edição.
Segundo o Pisa, o Brasil investe três vezes menos  que a média da OCDE para educar uma criança dos 6 aos 15 anos (R$ 64 mil e R$ 200 mil, respectivamente).
Em termos de PIB, fica com uma fatia equivalente a 5%.
O pedaço destinado aos rentistas da dívida pública é maior: 5,7% do PIB.
O mesmo jogral que atribui à educação poderes sobrenaturais,  martela a necessidade de submeter a economia a uma ação purgativa contundente feita de juros mais altos e cortes no poder de compra da população (em especial, a depreciação real do salário mínimo).
O conjunto visa, no fundo,  preservar  a regressividade fiscal brasileira, que privilegia ricos e penaliza pobres e remediados, contra eventuais reformas progressistas.
Nos salões elegantes, os candidatos a candidato do dinheiro grosso em 2014    acenam com a miragem desse país impossível: um Brasil com produtividade chinesa, civilidade suíça, superávit ‘cheio’ e carga fiscal equiparável a de Burkina Faso, onde o índice de alfabetização não ameaça a barreira dos 25%.
Não é apenas o entorno social do aluno pobre que está ameaçado por esse coquetel ; na verdade, ele rasga a própria  fantasia da prioridade educacional,  reduzindo-a a sua verdadeira essência histórica: uma agenda protelatória.
Ou seja, um deslocamento espacial e temporal do conflito distributivo, confinado em uma escola e em um aluno, aos quais caberá a exclusiva responsabilidade de erguer a sociedade  pelos próprios cabelos.
Ou não será assim também com a saúde pública, desafiada a ‘fazer mais com menos’, –com menos ainda  depois  que a coalizão demotucana  subtraiu R$ 40 bilhões por ano do SUS em 2007?
Um comparativo da OMS mostra o quanto há de perversidade na fotografia que imortalizou esse ato cometido na madrugada de 13 de dezembro de 2007. A imagem mostra a nata do retrocesso político comemorando a extinção da CPMF em alegria obscena. A indecência se  panfletada nas filas do SUS  ainda guarda nitroglicerina para sublevar o país.
Segundo a OMS, o gasto público mundial per capita com a saúde  chegou a US$ 571 por ano em 2010. Inclua-se nessa média os US$ 6 mil per capita da Noruega e os US$ 4 per capita do Congo; o valor brasileiro é de US$ 466/ano; em 2000, no governo FHC, somava US$ 107 per capita.
Os mesmos que gargalhavam na madrugada de 13 de dezembro de 2007 fuzilariam o ‘Mais Médicos’ seis anos depois. E não por acaso são as mesmas bocas de onde ecoa a cínica profissão de fé em uma escola  capaz de corrigir aquilo que suas madrugadas políticas cuidam de perpetuar.
Os resultados do Pisa deveriam servir de combustível para um aggiornamento do debate brasileiro  que de forma preguiçosa adotou o cacoete de terceirizar à educação tarefas que só uma repactuação do desenvolvimento pode honrar.
Na ante-sala do debate eleitoral de 2014  seria oportuno, por vezes,  inverter os termos da equação. E arguir o que o projeto mercadista pretende fazer em benefício da pobreza e da desigualdade hoje para que elas possam mudar a escola pública  amanhã.
Vale retornar às origens e reler um trecho inspirador de uma entrevista concedida pelo professor, crítico literário e cientista social Antonio Candido de Mello e Souza, à campanha de Lula, em 2002, sobre o assunto.
Como ele, as palavras aqui emitem uma luminosidade clássica:
“Temos  uma crise de civilização (…) Talvez seja um mal que deriva de um bem.
O esforço para tornar os níveis de ensino acessíveis a todos força diminuir o nível. Então, você fica num dilema perverso: elitizo ou democratizo e abdico de qualidade?  A saída está numa sociedade igualitária, onde todos tenham acesso à cultura e à educação de qualidade. Foi o que eu vi em Cuba. Instrução pública e gratuita em todos os níveis. E de muito boa qualidade. A chave é a transformação da sociedade, na qual as pessoas se apresentam para a educação em pé de igualdade.
Quem acha que um bom sistema educacional salva a pátria está redondamente enganado. A participação nesse sistema será sempre restrita. Por isso você tem que, primeiro, fazer mudanças estruturais; depois, terá um boa educação. Os liberais pensam: eu tendo uma população instruída, terei uma sociedade melhor.
Errado. Tendo a sociedade melhor, terei uma população instruída. Só assim você supera essa contradição aparente entre elitização e democratização. Continuo achando que a forma republicana do ensino público e gratuito é o grande modelo
(…)  Numa sociedade em que as diferenças de classes ficam muito reduzidas, haverá um desaparecimento da cultura erudita e da popular. E surgirá uma nova cultura. Isso é possível. A função do Estado é fazer um grande esforço econômico e social para que no plano cultural o hiato diminua. De tal maneira que, no fim de certo tempo, o popular se torna erudito e o erudito se torna popular.
(…) Sempre tivemos uma República de elite. Um presidente da República era eleito com 200 mil votos – e votos descobertos. Em 1930, eu assisti na minha cidade, em Cássia, Minas Gerais, à última eleição a descoberto. O eleitor chegava e o coronel, ao lado, fiscalizando. Depois de Getúlio, com a emergência das massas operárias, das massas urbanas, não foi mais possível manter esse estreitamento. O Getúlio era um caudilho esperto. Para manter as elites sob controle, abriu as porteiras e deixou o povo entrar, mas patrocinado por ele. Todavia, abriu a porteira.  E ela está aberta até hoje” (Antonio Candido; site da Campanha Lula Presidente; 2002)

31 comentários:

Anônimo disse...

Douglas, achei estranho, depois de tudo o que fala sobre a Educação, o autor dizer que o governo acertou em cheio ao impor uma regulação soberana sobre o pré sal que permitirá transferir bilhões de reais a política educacional.Ora, se a Educação não resolve, por que então transferir tantos bilhões para ela? Isso não quer dizer que eu não concorde com tal transferência. Fica mais compreensível a atitude do autor, quando o mesmo enfatiza POLÍTICA educacional. O valor para ele deve ir para a "POLÍTICA" dela , e não tanto assim para a educação em si.
O autor credita aos conservadores, que "a escola pode tudo o que lhe atribui a emancipação". Mas não é essa também uma das linhas do programa de esquerda ( talvez não tão esquerda.)
É da Escola Particular(JoãoXXIII)de Campos que sairam as melhores notas do ENEM.
E aí? Não foi só em matemática. Foi também.
A Política de Bolsa Família demonizada pela mídia, foi antes demonizada pelo Lula ( quem aprecio pela humildade em reconhecer hoje os benefícios antes criticados)quando partia de "outros". Lembra?
"Outros", antes do PT buscavam trazer a população benefícios tidos como populistas, que hoje governo abraça a idéia.
Um povo bem escolarizado será mais crítico e analisará melhor o seu entorno. Isso sim, todos sabemos. Mas hoje seria um perigo que o povo estivesse envolvido com grandes pensamentos. Matemática é mais exata, não deixa povo pensar "socialmente", "filosoficamente".
É melhor que o pensamento lógico-matemático supra as necessidades daqueles que amanhã serão levados para outros lugares sem perceberem.
Muito bom o texto do Mello e Souza, mas onde fica o X da questão pragmática...

Professora do Município e de Particular

Anônimo disse...

Corrigindo:
"Ideia" sem acento, por favor.

Obrigada!

douglas da mata disse...

Ilustre Professora, antes de mais nada, grato por sua participação.

É sempre ruim defender texto alheio, porque implica, em primeiro momento, que concordamos com tudo, o que, nem sempre, é verdade.

Mas este aqui, as linhas gerais me contemplam, pois:

01- Na minha modesta opinião, definir Educação "em si", como você disse, é algo sem utilidade para um debate deste quilate.

Ora, Educação é algo intangível e que não define nada.

Serve para "palanque", e nada mais.

Ninguém se dirá contra "A Educação", mas aí, como dizer quem é, realmente, contra ou à favor? E mais, como definir que tipo de Educação eles são contra ou que tipo são a favor(o mais importante de definir)?

Política educacional (pública) é o processo pelo qual se determina que tipo de Educação (este valor intangível) vamos ter, ou seja, seu alcance, relevância, valorização, universalidade, gratuidade (ou sistemas mistos, como o nosso), etc, etc.

Neste sentido, o texto acerta quando foca na questão orçamentária (dinheiro e transferência dos royalties, por exemplo) como manifestação POLÍTICA da sociedade (neste caso, representada pelos seus mandatários) da importância da Educação (aquele bem/valor meio indefinível).

02- Eu não sei se a Educação como libertação (panaceia) é uma bandeira de esquerda. Se foi, ou é, me permita discordar "da esquerda" ou dos seus setores que defendem tal premissa. Aliás, é bom entender que, assim como uma sala de aula é cheia de heterogeneidades, também é "A Esquerda" e seus partidos.

Dito isto, eu posso dizer, por alguma vivência familiar (pelo que ouço aqui em casa) que a garantia de Educação (ainda que nos moldes considerados de "primeiro mundo": integral, alimentação, atenção às transversalidades e diversidade, coesão programática, estímulo e valorização salarial do professor, etc) não "liberta" classes sociais, nem sequer uma comunidade.

Se não há empregos, renda, perspectiva, vamos ter, no máximo (o que não é pouco, é verdade), garis e empregadas domésticas com mais escolaridade formal.

O que o autor diz, pelo que entendi, é que a escola está inserida dentro de um contexto muito mais amplo de mudanças estruturais na sociedade, e que ela sozinha não resolve nada, porque, inclusive, não é sua tarefa resolver.

Se entendermos que a escola pode tudo, então vamos acabar jogando a culpa dos fracassos da sociedade (violência, pobreza, desigualdade social, racismo, etc) nas costas da escola e...claro, dos professores.

O autor tentou chamar atenção para um ponto específico da luta política que é travada pelos "partidos da mídia" contra o governo, isto é: Apesar de toda a inclusão social, da melhora de vida, e da expansão da escola a todos, em todos os níveis, do fundamental até o ensino superior(mesmo que com sacrifício óbvio e inicial da "qualidade"), os críticos apelam para a cantilena do "fracasso" das nossas políticas educacionais.

Basta olhar os dados dos EEUU (e o resultado da crise) para enxergar que nenhuma política educacional resiste à pobreza extrema. Os EEUU despencaram na qualidade do seu ensino e aproveitamento de seus alunos, o que em breve se refletirá também na Europa.

Continua no próximo...

douglas da mata disse...

Continuação....


03- Eu sou filiado ao PT desde 1986. Sinceramente não me recordo das críticas específicas do Lula ao programas de renda mínima, ou imposto de renda negativo (como é chamado nos EEUU).

Esta proposta está no PT desde 1988 ou 1990, com o mandato do Senador Suplicy, inclusive tenho a encadernação de seus discursos neste sentido aqui em casa.

A crítica que o PT fazia, e ainda faz, é o condicionamento da concessão do benefício ao apoio a este ou aquele líder ou grupo político.

Do tipo: "me dá o número de seu título, seção e zona de votação que eu vou lá conferir seu voto."

Ou a modalidade que se vincula o gasto do benefício a um setor específico, como são os vales e cheques, que só podem ser descontados em determinadas redes conveniadas.

O que o PT sempre criticou, a ainda critica (eu acho) é a concessão de um benefício sem a amplitude e universalidade, que não alteram a curva da desigualdade, e fez justamente o contrário: ampliou, unificou e universalizou os benefícios, inseriu programas de cuidados básicos a saúde de mães e filhos e trouxe várias iniciativas de geração de emprego e renda, que pelos motivos óbvios, é solenemente ignorado pela grande mídia e pela classe média.

04- Quanto a questão do "pensamento matemático", eu não tenho estofo teórico para debater estes aspectos pedagógicos, mas empiricamente eu posso lhe afirmar:

Nenhuma forma de pensamento está dissociada de outra, ou seja, ainda que um geógrafo ou sociólogo privilegiem a dimensão humana do conhecimento no seu exercício acadêmico, o fato é que o raciocínio matemático não está abandonado por ele, e vice-versa.

O estereótipo que divide matemáticos (e outros de ciências exatas) como nerds egoístas ou desligados do mundo social, e sociólogos e outros "ólogos" como politicamente "engajados" é só isto mesmo: um estereótipo.

Não podemos confundir pensamento matemático com pensamento cartesiano.

Aliás, este é um cacoete comum em nossas escolas, que nos ensinam a aprender as coisas em "caixinhas separadas".

Por fim, comento o que você diz sobre o ensino pago.

O resultado das escolas particulares só revelam e cofirmam um viés ruim do nosso sistema misto, ou seja, o governo, através das deduções fiscais do IRPF dos pais destes alunos (que não são pobres) deixam de receber impostos que seriam usados na escola dos mais pobres.
Isto se chama financiamento indireto por subvenção fiscal.

E depois, esta escola paga, e financiada em parte pelos impostos de TODOS (incluindo os pobres que ficaram na escola gratuita - e pior) faz propaganda de sua "excelência" de ensino, e faz o círculo vicioso continuar...as disparidades só aumentam e colocam um funil lá na frente: como estudaram em escola melhor, os mais ricos têm mais chances de ocupar as melhores cadeiras na Universidade, novamente gratuita e paga com imposto de TODOS (inclusive os mais pobres, que, novamente, ficam de fora).

Um forte abraço, e espero ter contribuído não para dirimir (seria muita pretensão minha), mas pelo menos para aumentar suas dúvidas, rsrs.

Anônimo disse...

Sim, concordo, definir educação é algo intangível, mas não podemos esquecer que precisamos buscar definições para tudo o que vamos analisar. Se assim não fizermos corremos o risco de passarmos por cima de algo que poderia nos explicar o fundamento da coisa definida.


Douglas e por que o governo não cobra dos bancos os impostos devidos? Isso é algo que não cabe em meu pouco raciocínio.
Os bancos tém lucros exorbitantes e a simples matemática elucida este fato engustiante.
Vejo também que o autor, Mello, parece ser um apreciador da cultura como o X da questão para resolver o problema social. Tá vendo? Sai da panaceia educação, mas cai na panacéia "cultura".
Isso não seria uma troca injusta? Ou não entendi nada?

douglas da mata disse...

Cara professora, vamos por partes:

Eu não defendi uma relativização absoluta (a pior forma de autoritarismo) da conceitualização de "educação".

Eu só defendi que há instâncias definidas (e apropriadas) para determinar cada categoria.

Faz sentido definir para a Academia a "educação" e sua face polimórfica, suas implicações e reflexos na cultura e na sociedade, e até o viés estatal das ações educacionais e estimulação de princípios, seus limites formais e informais, os processos de produção, transmissão e apreensão de conhecimento.

Mas não faz sentido para a política pública (execução orçamentária, organização administrativa e aplicação de parâmetros curriculares, etc) definir "educação".

Embora seja crucial que haja um consenso possível para definir "educação" para aplicar então as políticas públicas educacionais.

É uma relação de causa-e-efeito.

E esta matéria-prima, as políticas educacionais, que permite ao povo-eleitor definir suas escolhas democráticas dos modelos a serem aplicados.

O eleitor-povo(nós) sabemos fazer escolhas pelo que nos é tangível...isto é um processo humano.

Bem, quanto aos bancos:

Concordo. Os governos devem propor reformas tributárias onde a sociedade e empresas sejam chamadas a contribuir da seguinte forma:

Quem pode mais, paga mais.

Então, se não faz sentido o (dono do)banco pagar o mesmo de IRPF que você, ou a empresa bancária recolher quase a mesma alíquota de ISS que a lojinha da esquina, também não faz sentido o pobre pagar o imposto para financiar a escola do filho do rico e da classe média.

Não conheço o texto do Mello e Souza, o texto aqui debatido é do Saul Leblon que cita Antônio Candido, mas desde já adianto a você que rejeito panaceias.

Sou pela complementaridade, pela integração transversal de conceitos, seja na Educação, Segurança, Saneamento ou Saúde, ou enfim, Cultura.

Acho que é um defeito meu, mas não consigo enxergar as coisas sem as suas diversas injunções e conexões.

Novamente, grato.

Anônimo disse...

Gosto da Dilma, (apesar dela pegar o bonde andando para resolver problema de PIBINHO), mas não compreendo muito quando ela usa esquema "conservadores" para continuar no trilho da História. Quando a mesma fez dos royalties o mote da educação, pensei que fossecpara a educação mesmo, mas diante deste texto acordei para o fato de que a "política é quem está "ganhando" e isso me assusta. Não seria uma esperteza para
"garant$r" sustento para o partido e suas idéias esquerdo-comunistas? Ou meu pensamento tá muito cruel e é bola fora de área?
Não quero fazer julgamentos. Mas, uma pergunta: Em quê será investido este dinheiro? Aumento do professor? Ele ganhando mais a educação melhora? Ou o ser humano precisa de uma melhor fiscalização para dar conta de seu recado? O que acontece no Privado. No Público é tudo a Deus dará, salvo aquele funcionário mais consciente que dá o melhor de si. Concorda?
Não teria que se achar uma forma de "melhorar" esse ser humano?
Mas como, se na verdade, poucos querem isso. É cada qual com seu face, tudo no aleatório, esperando a sexta feira...
TODOS estamos neste contexto. Salvo um ou outro que ainda acredita que é na simplicidade da vida que a vida é vida. Mas estes não tem crédito.

Anônimo disse...

MELLO e SOUZA, Antonio Candido.

PSP

Anônimo disse...

Sim, cita, isso mesmo.

douglas da mata disse...

Perdão, eu só conhecia o Antonio Cândido pela sua alcunha "política", digamos assim...rs.

Cara,

Vamos desmontar alguns mitos antes de continuarmos este profícuo colóquio:

01- Não há premissa comprovada que diga que o privado é BOM, e o público é RUIM. Esta é uma construção ideológica privatista para garantir que os recursos PÚBLICOS continuem a financiar as atividades privadas em detrimento da coisa pública.

E claro, com esta estratégia, perpetuar a noção de que o público não funciona, ou funciona mal.

Veja o caso dos planos de saúde...Têm um valor per capita muito maior que o SUS, obrigações de atendimento muito mais restritas, um suposto "controle" muito mais "eficiente" (como é difícil autorizar um exame mais complexo ou uma consulta com especialista mais renomado) e detêm um índice de insatisfação e mau funcionamento que se iguala ou supera o SUS.

E mais uma vez, como na educação, é o dinheiro do Estado (isenções e deduções fiscais do IRPF) que ajudam a pagar a conta: dinheiro dos pobres que ficam com o SUS que alimentam a exclusividade dos planos para a classe média.

Veja que a lógica da Universidade (as públicas sempre são melhores que as pagas) revelam que o problema não é se é público ou privado, mas sim qual é o público atendido: como as escolas fundamentais ficaram por conta do mercado privado, e os governos, historicamente, optaram por dotar este sistema privado de mais recursos (públicos), o nível é muito mais alto que as escolas fundamentais públicas.
Já no ensino superior, como são os filhos dos mais ricos que passam pelos funis, a lógica se inverte e ali é a escola pública que fica melhor.

Então, o "privado" melhor que o "público" não é um fato natural ou decorrência de uma "vocação estrutural", pois:

Nem sempre é possível separar o público e privado neste país, e as abordagens sobre um ou outro setor sempre obedecem uma lógica de classe:

Aos mais ricos o melhor, aos mais pobres, o pior.

................................

Continua no próximo

douglas da mata disse...

.............................

continuação...

Bem, não há outra forma de fazer política senão com partidos, e política é a atividade humana por excelência.

Eu não sei onde você conseguiu fazer uma relação entre recursos dos royalties para educação e financiamento partidário.

Sei, no entanto, que não é ilegítimo que um partido reivindique ser reconhecido pela população(eleitores) como o partido que executou esta ou aquele medida para o benefício da população(eleitores).

E não há crime nestes eleitores corresponderem a esta expectativa.

Agora, se os royalties ou qualquer outra fonte orçamentária de custeio para qualquer área será usada desta ou daquela forma, só a política e a sociedade, junto com os governos, poderão definir(outra vez a política como necessidade imperiosa), pois não há "fórmulas", nem milagres.

Seu comentário sobre "pibinho" está contaminado pelo que se ouve na mídia.

A média de crescimento global de PIB para 2013 é de 2,5%, a do Brasil é de 2,7%, ou seja, acima.

Se você considerar que só a China com 7,5% puxa boa parte desta média, e que a China não tem uma democracia como a nossa, e enfim, que nos outros do G20, (EEUU 1%, Europa nada mais que 1,8%, Japão, 0,7%, etc), ninguém cresceu mais que o Brasil, nem Índia (1,9%), eu não diria que o crescimento do Brasil é tão ruim assim.

Mas há um dado que é muito mais importante que o PIB, ou avanço do PIB, que é a qualidade do crescimento, ou seja: se há diminuição de desigualdade (índice Gini), emprego, aumento da renda da massa salarial, aumento de tempo médio na educação formal, saneamento, expectativa de vida, vagas em ensino superior, etc, etc, etc ...Nestes quesitos, não há nada que se compare a expansão brasileira.

O ser humano não melhora, nem piora...não há como "medir" isto, dada a colossal disparidade entre o que é ser humano na Oscar Freire em SP, e em alguma viela suja em Bangladesh, sendo que a única coisa que os une é o fato de que a mulher pobre que ganha menos de 1 dólar por dia, costura as roupas da madame que paga 2.000 ou 20.000 reais pela peça produzida...

É sobre isto que devemos tratar: melhorar o mundo e diminuir disparidades para termos humanos melhores....

Anônimo disse...

Valeu, Douglas.
Quer saber, com tudo o que posso pensar sobre o Brasil, o meu, seu país ainda é um dos melhores para viver. Aqui há uma liberdade não muito conhecida e aproveitada em outros países. E quer saber, nosso café com pão e nosso arroz com feijão é o mais procurado por brasileiro quando vai gastar dólares no exterior. Engraçado, né?

Isso Lula prometeu e acho que cumpriu.
Temos o essencial. Desde o mais simples trabalhador, estamos caminhando para a classe do temos o essencial. Até o mais pobre compra seu apartamentozinho. Isso não é bom? Viva o capitalismo humano, não selvagem.
Ótimos os seus argumentos.
Professora do público e do privado, com carrinho e apartamentozinho, café com pão e arroz com feijão, bifinho e saladinha. Não engorda.

Abraço

Anônimo disse...

Você tem um lado humano muito bonito, não sei por que se estrambelha rsrs com uns menos tolerantes...

Valeu, Douglas

douglas da mata disse...

Minha cara,

os blogs, as pessoas, os partidos, as escolas, enfim, tudo que nos cerca, não são lineares e homogêneas...

Cada forma de temperamento que utilizo aqui tem um propósito:

Pessoas que têm uma disposição de frequentar blogs para demarcar posições fechadas devem ser repelidas com veemência, até escatológica, porque a luta política contar estes comentaristas é sempre desigual para quem está aqui deste lado, uma vez que os ataques são anônimos.

Você pode perguntar: então por que você os publica?

Bem, justamente para possibilitar a cada um, leitor, a chance de ver como se comporta o pensamento fascista, que precisa ser combatido e humilhado, com toda força.

Já outras pessoas, mesmo que compartilhem ideias conservadoras (isto não é crime), mas que estejam abertas a interlocução (sem que isto signifique convencer o outro) são sempre bem-vindas.

Em suma, como se diz: é uma questão de jeito, se me atacam com canivete, eu respondo com canhão... se vêm com canhão, eu disparo a bomba nuclear..

É simples assim, uma escolha pessoal, para o bem, ou para o mal, mas é minha escolha...

Cordiais saudações...

Anônimo disse...

Douglas, e você? Não demarca posição fechada?
Não o faz quando manda canhão e bomba atômica?
Não é radical com os radicais?
Por que não usa seus argumentos com esses de posição fechada, muitas vezes como vc (por favor, não me leve a mal).
Mas não seria mais proveitoso para o PT campista se você fosse menos agressivo e estrambelhado, (não me leve a mal).
Já pensou se tivéssemos uns 4 alunos do seu temperamento usando da força para deter os contrários?

Pense nisso. Faça uma auto análise.
Um abraço

douglas da mata disse...

Minha cara,
Como eu lhe disse, são escolhas...

Exércitos, sociedades, escolas, salas de aula, turmas de bairro, etc, precisam de gente para contemporizar, negociar, parlamentar, liderar...

Precisam de gente para pegar no "pesado", questionar, radicalizar, atacar e defender com força e raiva...

Esta é essência do movimento humano pela Terra.

Certamente se eu enxergasse no PT de Campos possibilidade, e quisesse atuar ali, eu mudaria meu discurso e jeito de ser...

Mas não vejo...e não consigo enxergar quem me convença disto(com bons argumentos, e não sentimentalismo)...

O que determina a intensidade e quantidade de cada temperamento é:


a) a esfera onde se combate;

b) o uso dele.

Em um blog, onde estou só contra uma legião de anônimos boçais que vêm aqui tentar destruir meus argumentos sem tê-los, não há como fazer diferente...

Lembre-se que muito mais violento que responder como faço seria censurá-los.

Se não publicasse os comentários, teríamos a ilusão de uma ambiente em "paz", mas qual seria o ganho democrático?

Você acertou na definição:

Radical com radicais...tolerante com os tolerantes...

Não sei fazer diferente, e mais: não quero fazer...

Pode ser que o tempo mude esta percepção, mas por enquanto, é o que sou...e me orgulho disto.

Anônimo disse...

Se você pode ser quem é e quer, tem que saber que outros também podem. Bem, sem me posicionar contra ou a favor, penso que a luta armada parece mesmo ser seu método. Isso, hoje no tempo da comunicação em massa, não seria enxugar gelo?
Você acredita mesmo que este método é que vai mudar o mundo?
Já imagino vc me dizendo de forma nada ortodoxa, que "dane-se", rsrs.
Não seria mais útil você usar armas mais


absolutas e menos relativas?
Tem hora que absolutos são mais necessários, até para chegarmos a alguns relativos honestos.
Não dependa de seus arroubos. Seja mais contido . Isto vai te valer.
Mas como tudo isso é questão de "querer"... e vocé não quer. Também não quer os Vejas, Os Pigs, e todos os anti Douglas que existem.
Tão bom se tudo fosse um simples "querer..."

Anônimo disse...

Creio que o tempo te fará mudar. Ele muda todos nós.
Obrigada por me tolerar.

douglas da mata disse...

Minha cara, a definição filosófica de vontade pode nos aproximar de Schopenhauer (ou Kant) ou de Hitler...

Não fico com nenhum dos extremos...

Reconheço os limites de minha vontade, e há espaços onde exercito minha tolerância (como com você) ou na minha família, amigos, trabalho(às vezes, rs)...

Ou seja: embora pareça, não sou louco e sei onde posso exacerbar (imagino que saiba, e isto é que importa) e onde tenho que me conter.

Quando houver um deslocamento(exacerbação fora de hora ou local) tenho que contar com minha autocrítica para consertar, ou a crítica alheia...

E não ignoro estes sinais.

Mas como eu lhe disse, e reafirmo: nos espaços onde me é dada a escolha, eu as faço, e optei por ser assim...

Sua concepção de mundo, me desculpe, prega um universo plano, com pessoas abdicando de suas escolhas e modos pessoais para aderir a uma "paz universal", onde todos são, interminavelmente tolerantes...será algum tipo de "comunismo", rsrs?

Eu te tranquilizo: a maioria dos meus arroubos são friamente calculados.... e não dependo deles para nada, prova disto é o debate que mantemos até aqui...

Os meus "arroubos" incontrolados não cabem na estética de um blog, ou de qualquer tipo de conversa que você conheça, pode acreditar, rsrsrs....

Anônimo disse...

Eu não prego um universo plano, apenas sou cristã. Entrei no blog por causa do tema "educacão", que me encanta. Não entendo dar ao seu blog o nome de planície lamacenta. Sei que deu porque quiz. Mas se quiz foi por motivo tipo dane-se. Dane-se a sua cidade, Douglas? Tudo bem, estou ousando pensar alto com você. Tolere-me mais um pouco.

Anônimo disse...

Sabia que lidar com você é como lidar com cristais finos perto de crianças ativas?
Que medo deles serem quebrados.

douglas da mata disse...

Bem, minha cara, respeito sua fé cristã, embora reconheça que no campo filosófico dos debates, esta condição torne nossos pontos de vista algo que irreconciliáveis...

Mas nada que seja dramático...

O nome do blog é uma homenagem a cidade e suas contradições...

Não vejo como "gostar" possa rimar com "dourar a pílula", ou seja, gostar não pode significar deixar de enxergar defeitos, por piores que sejam (isto é algo cristão, não?), e fazer de tudo, dentro do que o blog se propõe (e os limites deste blog) para debater e discutir estes problemas sob a marca da crítica permanente, nunca da acomodação...

Poderia ser minha planície, meu amor? Poderia, mas acho que ficaria deslocado da proposta....

A ousadia é algo que admiro nas pessoas...

douglas da mata disse...

A dos cristais foi a maneira mais "cristã" (digamos) de me dizer que sou um macaco solto em loja de louças, rsrs...

Mas há quem veja poesia no caos, lembre-se, rsrs...

Anônimo disse...

Que nome vc daria ao Brasil se tivesse um blog para criticá-lo?
Que bom! O cristal ainda está inteiro! rs rs!

Anônimo disse...

Que isso, Douglas?! Não pensei nisso não, mas é engraçado rsrs!
Sou professora e aluno hoje não é mais inquieto que ontem, apenas está mais solto e sem rédea mesmo.E imaginei esses alunos em meio a cristais. Assim é estar aqui.
Queria conhecer o seu lado não caos. Você é muito, muito inteligente. Tem boa memória e sabe inferir como poucos. Pensei duas vezes em me manifestar aqui, pensei que iria sair batida, mas vejo que você é "normal" como todos nós..rsrs
Sabe, Deus viu poesia no caos. E dali criou tudo. NÃO!!!! NÃO pretendo te cristianizar, apenas lembrei apesar de nossos pontos "irreconciliáveis..."

douglas da mata disse...

Cara mestra,

Sua armadilha é sutil, mas eu, como sabes, não sou chegado a sutileza!

Eu não usaria as mesmas "armas" semânticas para criar um blog que falasse do Brasil, pois:

a) como nossa planície é parte deste Brasil, estou criticando a parte e o todo...

b) do ponto de vista da luta política que travo, contra o grupo (da lapa) que torna esta cidade pior, apesar de todo o dinheiro disponível, não faz sentido equiparar com a esfera federal onde, você sabe (e todos que aqui vêm), que sou defensor das ações do governo do PT...E hoje, pelo que o Brasil já foi, há muitos motivos mais para elogiar que criticar (na minha opinião)...

c) se um governo melhor ganhasse as eleições, e começasse um bom trabalho (no meu julgamento), com certeza mudaria o nome do blog...minha pretensão nunca foi parecer imparcial, porque imparcialidade é uma lenda, assim como a criação do Mundo, rsrs...

Anônimo disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.
douglas da mata disse...

Desculpe, apaguei seu comentário por acidente.

Boa tarde, então.

Anônimo disse...

Não há de que...

Anônimo disse...

Cientista aponta que origem da vida pode estar no barro. E aí? A coisa está afunilando...
Pesquise.

douglas da mata disse...

Caro comentarista:

Ciência para confirmar tese religiosa não é ciência.

Muito menos religião que se pretenda "cientificamente provada".

Fé é fé...é crença. Quem tem, tem...

Não adianta convencer quem tem fé, ou ao contrário, dotar de fé quem não a tem.

Ciência, ao contrário do que você imagina, não é a busca da verdade, ao contrário, é desafio permanente dela.

Quando a ciência pretende dizer que chegou a verdade, ela deixa de ser o que é, e vira fé.

Um "cientista" que se proponha a ratificar ou confirmar a existência de deus, por exemplo, não merece este nome.

deus é fé.

Quem tem acredita, quem não tem...