segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A g(r)obo apoia e financia os holligans brasileiros...!

A título de explicação, é bom dizer:
Este blogueiro ama futebol...
Bom, no g(r)obo esporte de hoje, e em todas as transmissões da g(r)obo no futebol, temos assistido aos jogadores em protesto silencioso, manifestando-se de formas diferentes, mas com o mesmo sentido: reivindicar melhorias nas condições de trabalho, racionalizando as disputas, e poupando atletas de regimes dacronianos...
Para quem responde a esta questão com aquela máxima, de que pelos salários pagos, jogaria quatro vezes por semana, e ainda apararia a grama dos estádios, fica a dica:
- dos quase 4 mil jjogadores profissionais, só 1 ou 2% ganham mais do que 20 salários mínimos por mês;
- o aumento no número de mortes, lesões e problemas decorrentes da sobrecarga de esforço do esporte de alta performance revela o que a sabedoria popular já sabe há tempos: cavalo corredor morre cedo...Se excesso de esforço fosse bom, cortador de cana não teria uma expectativa de vida 20 ou 30% menor que os trabalhadores expostos a tarefas menos extenuantes...
Voltando ao tema:
É gozado ver a cara de não-tô-nem-aí da g(r)obo com o protesto dos jogadores, mais ou menos como tentaram fazer com as manifestações de junho...
Os protestos tendem a sumir das pautas (e do mundo, porque para porcalistas, não está em suas pautas não existe) quando os jogadores tiverem a coragem de expor a parte (mais) sensível do problema:
 O poder financeiro exercido por uma empresa de mídia, que ao invés de veículo para a divulgação dos eventos esportivos, torna-se, ela mesma, razão de existir de tais eventos...
O resultado desta mistura aquele repórter inglês já mostrou nas matérias sobre os párias havellange e teixeira (adorados pelos colonistas sociais desta planície)...
Bem, o DARF desta "festa" 'tá sumido até hoje...
Em um exercício pobre de sociologia de botequim, poderíamos dizer que o futebol é o espelho lúdico do patrimonialismo brasileiro:
Clubes tocados como mercearias familiares, que mamam em bilhões de reais de orçamentos públicos (direta ou indiretamente), plataformas de poder político, amasiadas com a mídia, e todos manipuladores dos destinos de milhões de pessoas, seja por paixão ou por obrigação de levar comida para casa...
Neste sentido, embora exagerada, é irresistível a associação da violência nos estádios, patrocinadas por falanges criminosas vestidas com camisas de times, a mídia e os clubes...
Banido dos estádios por horários improváveis impostos pelas grades da TV, as famílias deram lugares ao público profissional (torcidas organizadas), que passaram a ser a única maneira de levar alguma claque para o estádio...
Quem pode sair de Paraisópolis (SP), Santa Cruz (RJ) ou Contagem (MG) para ir ao estádio, quarta-feira, 21 horas e 50 minutos, sozinho ou (loucura, loucura, loucura...)com a patroa e as crianças????
Por outro lado, qualquer um que goste de futebol sabe que a imagem de estádios vazios não é rentável, e muito menos "motiva" as disputas e paixões que serão comercializadas depois...
Assim, com o passar de tempo, o que era causa virou efeito e vice-versa, e as torcidas-milícia e seus capos , regiamente pagos, acabaram incorporados aos arranjos semi-institucionais dos clubes, e sabedores de poder que detinham, passaram a desafiar diretores, derrubar técnicos, perseguir jogadores, e claro: matar e  espancar tudo e a todos...
Ao invés de uma resposta dura e uma completa reformulação desta orgia de interesses (impossível para quem está atolado a tantos "acordos"), os diretores e cartolas, junto com a mídia cretina, passaram o pepino para a esfera pública: polícia, judiciário, acusados sempre de leniência)...Como sempre...
No meio, os jogadores e técnicos mais "espertos" negociam parte de seus ganhos com estes praticantes de extorsão (torcidas organizadas), "comprando" apoio e simpatia...
Várias vezes, as interrupções destes "arregos" causam ruídos consideráveis nas "relações" de amor e ódio entre ídolos e "torcidas"...
Acrescente-se que, estas milícias também se prestam como instrumentos de pressão para a disputa interna dos clubes e para "azeitar" negociações milionárias de aquisição de direitos federativos (eufemismo moderno para o passe-escravidão) dos atletas, fonte de eterna suspeita de caixa-dois e pagamentos "extra-contabilidade" de cartolas, técnicos e "jornalistas especializados"...
As vésperas da Copa do Mundo, as soluções de sempre: slogans e muita porrada da polícia, endurecimento das leis, etc...para levar a classe mé(r)dia aos estádios, onde ingressos a preço de uma motocicleta usada (que faz uma enorme diferença para quem não tem nada) são vendidos como símbolo de civilização, mas que não passam de mais e mais elitização dos espaços públicos e ferramentas de lazer...
E não adianta torcer o nariz, estádio é espaço público de domínio privado, mas é público, SIM, e se ali há dinheiro público, deve ser acessível ao maior número de pessoas possível...

E você, torcedor comum?
Ainda existe algum por ai?

Um comentário:

Anônimo disse...

Muito bom texto!
Pura verdade.