quinta-feira, 28 de novembro de 2013

Festa do OMO...dá o branco que a família tucana merece...

A carreira (desculpem o trocadilho) da família perrella sempre foi, digamos, acidentada...Ligados ao governador áecio neves, sempre contaram com o beneplácito da mídia mineira e agora, uma vez que o senador mineiro se prepara para perder as eleições em nome dos tucanos em 2014, é certo que a "cobertura" dos perrellas se ampliou a cadeia, quer dizer, rede nacional (cadeia, perrella e tucanos não são termos que andam juntos, apesar de tudo)...

Flagrado com 450 kg de cocaína em helicóptero do patrão-deputado, o "mula", piloto e funcionário do gabinete do patrão-deputado, foi preso.
Estranhamente, a mídia nacional quase não tocou no assunto, e quando o fez, tratou o tema com rigoroso cuidado, preservando o princípio da presunção de inocência, a que todos temos direito, é verdade...

Mas o fato é que a mídia nunca age assim, salvo com os seus...

Se no país que um ex-ministro da casa civil está preso porque imputaram a ele responsabilidade criminal baseada em "não é possível que não soubesse", ou "seu intuito só poderia ser este", fica a pergunta: Pode um piloto voar com um helicóptero do patrão, com todos os procedimentos que tais viagens implicam (registro de plano de voo, abastecimento, controle de horas para manutenção, etc) sem que o patrão saiba que há uso excessivo do aparelho?

Bom, pode até ser...mas cabe outra pergunta: Se fosse um piloto de um deputado ligado a uma grande figura do PT ou do governo, como se  comportaria a mídia?

Quantas vezes você leu a notícia nos jornais locais ou em destaque nos últimos dias? A repercussão corresponde a gravidade das conexões do deputado perrella?

É claro que várias injustiças não se somam para fazer justiça, portanto, que o deputado perrella, apesar de sua enorme vida pregressa, tenha o direito a não ser considerado culpado, e goze de ampla defesa e contraditório está nítido para este blogueiro, mas se perrella não é culpado, pelo menos a mídia que abafa seu caso, quando escandaliza outros, é totalmente culpada...

Leia o texto que trouxemos do Viomundo para sua leitura:

Farinhaço: A poeira que vai para debaixo do tapete

publicado em 28 de novembro de 2013 às 19:37

Foto da página do Farinhaço na Assembleia
28/11/2013 15h54 – Atualizado em 28/11/2013 19h23

‘Farinhaço’ na ALMG cobra apuração de droga em helicóptero de deputado
Grupo usou farinha em alusão à cocaína apreendida no ES.
 Gustavo Perrella (SDD) é dono da empresa que possui a aeronave.
Raquel Freitas
Do G1 MG 
Um grupo de manifestantes se reuniu, na tarde desta quinta-feira (28), em frente da Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG), em Belo Horizonte, em um protesto contra a apreensão de um helicóptero da família do deputado Gustavo Perrella que carregava 445 quilos de cocaína. Na manifestação, que eles chamaram de “farinhaço”, eles pediram que seja plenamente investigada a apreensão da aeronave, feita pela polícia em uma fazenda no interior do Espírito Santo, no último domingo.

Foto Raquel Freitas
O comunicador Daniel Quintela se apresentou como “dono do helicóptero” que representava a aeronave de Perrella. Ele diz que o desejo dos manifestantes é que o Ministério Público e a polícia investiguem com imparcialidade o crime e que os reais responsáveis sejam punidos. “Estamos aqui para manifestar, para expor a poeira que estão tentando esconder debaixo do tapete”, disse.
No fim da tarde, o 1º secretário da ALMG, Dilzon Melo, recebeu uma comissão de manifestantes, representando a presidência da Casa. Os integrantes do ato cobraram a abertura de uma CPI para investigar “os danos que a família Perrella vem causando ao estado”.
Eles citaram outros episódios envolvendo a família, que foram objeto de investigação da polícia, como a fraude em licitações para compra de merenda. 

Em resposta, Melo citou as providências já tomadas pelo Legislativo e afirmou que, assim como os manifestantes, quer uma resposta sobre o caso, mas ressaltou que a ALMG não pode cometer injustiças.
A aeronave foi flagrada no domingo (24) em Afonso Cláudio, na Região Serrana do Espírito Santo, com 445 quilos de cocaína. Quatro pessoas foram presas, entre elas o piloto, que era, então, funcionário da empresa de Perrella e também servidor da Assembleia. Ele foi demitido e exonerado.

Foto reproduzida na página do Farinhaço no Facebook
A Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG) reembolsa, por meio da verba indenizatória, ocombustível do helicóptero da empresa Limeira Agropecuária, de propriedade do deputado estadual Gustavo Perrella (SDD). A informação está no Portal de Transparência da ALMG e foi confirmada pelo advogado da família, Antônio Castro, nesta quinta-feira (28).
Castro afirmou que o deputado usava a aeronave, em 90% das vezes, para o trabalho político. Os outros 10%, conforme o advogado explicou, eram para uso familiar e de lazer, e pagos particularmente. O advogado não falou sobre os destinos usados.
Entre janeiro e outubro deste ano, o parlamentar gastou R$ 14.078,31 com querosene para avião. Apenas nos meses de fevereiro e abril é que não foram feitos abastecimentos com a verba pública. Nos meses de junho e setembro, o deputado gastou cerca de R$ 3,5 mil, em cada mês, em combustível para o helicóptero.
[Charges reproduzidas na página do Farinhaço]


PS do Viomundo: Na verdade, nos informam os leitores, o helipóptero levava pasta-base, com resultado final muito maior na produção de cocaína.

segunda-feira, 25 de novembro de 2013

A g(r)obo apoia e financia os holligans brasileiros...!

A título de explicação, é bom dizer:
Este blogueiro ama futebol...
Bom, no g(r)obo esporte de hoje, e em todas as transmissões da g(r)obo no futebol, temos assistido aos jogadores em protesto silencioso, manifestando-se de formas diferentes, mas com o mesmo sentido: reivindicar melhorias nas condições de trabalho, racionalizando as disputas, e poupando atletas de regimes dacronianos...
Para quem responde a esta questão com aquela máxima, de que pelos salários pagos, jogaria quatro vezes por semana, e ainda apararia a grama dos estádios, fica a dica:
- dos quase 4 mil jjogadores profissionais, só 1 ou 2% ganham mais do que 20 salários mínimos por mês;
- o aumento no número de mortes, lesões e problemas decorrentes da sobrecarga de esforço do esporte de alta performance revela o que a sabedoria popular já sabe há tempos: cavalo corredor morre cedo...Se excesso de esforço fosse bom, cortador de cana não teria uma expectativa de vida 20 ou 30% menor que os trabalhadores expostos a tarefas menos extenuantes...
Voltando ao tema:
É gozado ver a cara de não-tô-nem-aí da g(r)obo com o protesto dos jogadores, mais ou menos como tentaram fazer com as manifestações de junho...
Os protestos tendem a sumir das pautas (e do mundo, porque para porcalistas, não está em suas pautas não existe) quando os jogadores tiverem a coragem de expor a parte (mais) sensível do problema:
 O poder financeiro exercido por uma empresa de mídia, que ao invés de veículo para a divulgação dos eventos esportivos, torna-se, ela mesma, razão de existir de tais eventos...
O resultado desta mistura aquele repórter inglês já mostrou nas matérias sobre os párias havellange e teixeira (adorados pelos colonistas sociais desta planície)...
Bem, o DARF desta "festa" 'tá sumido até hoje...
Em um exercício pobre de sociologia de botequim, poderíamos dizer que o futebol é o espelho lúdico do patrimonialismo brasileiro:
Clubes tocados como mercearias familiares, que mamam em bilhões de reais de orçamentos públicos (direta ou indiretamente), plataformas de poder político, amasiadas com a mídia, e todos manipuladores dos destinos de milhões de pessoas, seja por paixão ou por obrigação de levar comida para casa...
Neste sentido, embora exagerada, é irresistível a associação da violência nos estádios, patrocinadas por falanges criminosas vestidas com camisas de times, a mídia e os clubes...
Banido dos estádios por horários improváveis impostos pelas grades da TV, as famílias deram lugares ao público profissional (torcidas organizadas), que passaram a ser a única maneira de levar alguma claque para o estádio...
Quem pode sair de Paraisópolis (SP), Santa Cruz (RJ) ou Contagem (MG) para ir ao estádio, quarta-feira, 21 horas e 50 minutos, sozinho ou (loucura, loucura, loucura...)com a patroa e as crianças????
Por outro lado, qualquer um que goste de futebol sabe que a imagem de estádios vazios não é rentável, e muito menos "motiva" as disputas e paixões que serão comercializadas depois...
Assim, com o passar de tempo, o que era causa virou efeito e vice-versa, e as torcidas-milícia e seus capos , regiamente pagos, acabaram incorporados aos arranjos semi-institucionais dos clubes, e sabedores de poder que detinham, passaram a desafiar diretores, derrubar técnicos, perseguir jogadores, e claro: matar e  espancar tudo e a todos...
Ao invés de uma resposta dura e uma completa reformulação desta orgia de interesses (impossível para quem está atolado a tantos "acordos"), os diretores e cartolas, junto com a mídia cretina, passaram o pepino para a esfera pública: polícia, judiciário, acusados sempre de leniência)...Como sempre...
No meio, os jogadores e técnicos mais "espertos" negociam parte de seus ganhos com estes praticantes de extorsão (torcidas organizadas), "comprando" apoio e simpatia...
Várias vezes, as interrupções destes "arregos" causam ruídos consideráveis nas "relações" de amor e ódio entre ídolos e "torcidas"...
Acrescente-se que, estas milícias também se prestam como instrumentos de pressão para a disputa interna dos clubes e para "azeitar" negociações milionárias de aquisição de direitos federativos (eufemismo moderno para o passe-escravidão) dos atletas, fonte de eterna suspeita de caixa-dois e pagamentos "extra-contabilidade" de cartolas, técnicos e "jornalistas especializados"...
As vésperas da Copa do Mundo, as soluções de sempre: slogans e muita porrada da polícia, endurecimento das leis, etc...para levar a classe mé(r)dia aos estádios, onde ingressos a preço de uma motocicleta usada (que faz uma enorme diferença para quem não tem nada) são vendidos como símbolo de civilização, mas que não passam de mais e mais elitização dos espaços públicos e ferramentas de lazer...
E não adianta torcer o nariz, estádio é espaço público de domínio privado, mas é público, SIM, e se ali há dinheiro público, deve ser acessível ao maior número de pessoas possível...

E você, torcedor comum?
Ainda existe algum por ai?

caruso, o canalha!!!!

Que o humor brasileiro tem se revelado, nos últimos tempos, na celebração da burrice, do destempero e da intolerância, ninguém duvida...

Não que se deva reclamar das críticas e zombarias com políticos, sejam eles quais forem, de que partido forem, sejam da oposição ou do governo...Não é nada disto...

Há uma linha bem definida entre o sarcasmo e o escárnio, a ironia e a covardia...

Imbecis como CQCs, Zorras e outros que tais refletem a indigência intelectual de um país que teve Chico Anísio, Oscarito e até o impagável Costinha, escatológico, mas nunca vulgar...ainda que politicamente incorreto, sempre!!!

No campo da charge tivemos Pericles, Nássara, etc, dentre os recentes Anegli, Glauco, Laerte, Dalcio, Bessinha, etc...Podemos até incluir o ultra-esquerdalha moraloide do Latuff...

Todos, a sua maneira, acertaram em cheio na maioria das vezes, e cometeram erros em outras, afinal, não há perfeição, nem coerência eternas...

Mas a regra era a inteligência refinada, ainda que remexessem nossos piores recalques, ou aquilo que nos era mais caro, à esquerda ou a direita, ricos, pobres ou classe mé(r)dia...

Hoje a tradição do humor gráfico brasileiro sofreu mais um duro golpe, aliás, hoje não, já tem bastante tempo...

Como inquilino do jornal mais cretino do país, Caruso poderia se dar ao luxo de ser um sopro de Democracia, um arremedo de pluralidade, mesmo que fingida...

Preferiu abraçar a piada óbvia, o riso idiotizado do senso comum, escondendo seu deserto criativo atrás da ignomínia travestida de alguma "polêmica"...

É dele o atentado a dignidade de Genoíno...Foi dele a cusparada, o tapa na cara dos parentes e vítimas da tragédia gaúcha que chocou o país, apenas para ganhar algum ossinho ou um biscoitinho dos patrões, basta lembrar, comparar e constatar que Caruso é a prova que Darwin não estava totalmente certo, pois alguns animais tendem a involução:



Hitler (marinho) descobre a verdade sobre a sonegação da Globo



Este trecho do filme A Queda já serviu para uma série de paródias...E em todas, o resultado é ótimo.

Vale à pena relembrar com bom humor que os cretinos barões da mídia, e seus lacaios de coleira adoram cagar regra para partidos, políticos, funcionários públicos, enfim, todos, menos para si próprios...

Uma auditoria nas contas das principais empresas de mídia, sejam as nacionais, sejam as regionais, nos revelaria que o combustível desta gente é um só: a hipocrisia!

domingo, 24 de novembro de 2013

Os enigmas do capital...

Pego emprestado duas coisas: o título de um livro do maior pensador marxista da atualidade, e a entrevista que ele, Daid Harvey concedeu a TV Ibase, repercutida pelo blog do Roberto Moraes, que aliás, me presenteou com um dos melhores livros que tive acesso nos últimos anos:

Canal Ibase entrevista Harvey em sua passagem pelo Rio

Os jornalistas Rogério Daflon e Camila Nobrega do Canal Ibase entrevistaram ontem o geógrafo David Harvey em sua passagem nesta semana pelo Rio de Janeiro. Na sexta-feira ele esteve na sessão de encerramento do Simpósio de Geografia Urbana na Uerj. Ontem ele foi a um debate organizado pela Editora BoiTempo no Teatro Rival, no centro do Rio de Janeiro. Hoje, o Ibase divulgou aqui a entrevista que republicamos abaixo:

“Urbanização incompleta é estratégia do capital”

Camila Nobrega e Rogério Daflon
Do Canal Ibase 
David Harvey no Rio de Janeiro. Foto: Camila Nobrega
Com a usual camisa vermelha, o sorriso miúdo e uma calma que contrasta com sua densa teoria crítica, o geógrafo britânico marxista David Harvey se preparava para uma palestra que lotaria neste sábado (23/11) o Teatro Rival, no Centro do Rio de Janeiro. Considerado um dos maiores pensadores da atualidade, ele recebeu o Canal Ibase uma hora antes do início de sua fala e não deixou pergunta alguma sem resposta. Harvey, que está no Brasil para o lançamento do livro “Os limites do capital” em português, pela Boitempo, desafia o coro dos contentes sem qualquer bravata. Age assim porque vê um mundo com cada vez menos gente satisfeita com os rumos do capitalismo. Sem palavras de ordem e dispensando clichês, o geógrafo diz que há uma atmosfera para se criar um grande movimento anticapitalista. Ele vislumbra uma convergência entre os protestos no Brasil, a revolta da Praça Tahrir (na Tunísia) e outras manifestações internacionais : “Atualmente, quando um presidente diz ‘o país está indo muito bem’, ele quer dizer que o capital está indo bem, mas as pessoas estão indo mal.” Nesta entrevista, Harvey explica o porquê de tanta insatisfação.
Canal Ibase: Com os Jogos Olímpicos e a Copa do Mundo, nunca foi tão caro morar no Rio de Janeiro. E isso está impactando a renda de todas as classes sociais na metrópole. Mas é claro que as classes mais pobres são as mais prejudicadas. Qual serão, na sua opinião, as consequências dessa segregação?
David Harvey: O interesse que o capital tem na construção da cidade é semelhante à lógica de uma empresa que visa ao lucro. Isso foi um aspecto importante no surgimento do capitalismo. E continua a ser. Após Segunda Guerra, por exemplo, os Estados Unidos construíram os subúrbios de uma maneira muito rentável. O que temos visto, nos últimos 30 anos, é a reocupação da maioria dos centros urbanos com megaprojetos. Muitos desses projetos associam a urbanização ao espetáculo. E fazem um retorno à descrição de Guy Debord sobre a sociedade do espetáculo.  Faz todo sentido na diretriz da realização dos megaeventos como as Olimpíadas e a Copa do Mundo. O capital precisa que o estado assegure essa dinâmica. Assim, pode usar esses eventos como instrumentos de investimentos e mais lucratividade. Invariavelmente, entre as consequências dos megaeventos estão as remoções de pessoas de algumas áreas. Eles dependem disso para serem realizados. E essa situação tem causado revolta. De um lado, o capital vai muito bem, mas as pessoas vão mal. Há alguma geração de empregos, em função dos megaprojetos e megaeventos, mas o que se vê é o desvio da verba pública para apoiar essas empreitadas. Ao redor do mundo, tem havido muitos protestos devido à retirada de pessoas de suas residências. As populações percebem que o dinheiro dos impostos está indo para esses fins, em detrimento da construção de escolas e hospitais. Este é um contexto que ilustra como o capital gosta de construir as cidades, à diferença do que é a cidade em que as pessoas podem viver bem. Há um abismo entre essas duas propostas. Essa é a grande briga, porque enquanto o capitalismo quer desempoderar pessoas, a fim de reproduzir a si próprio, elas querem verbas para outras coisas. O grande problema é que a tendência é a dominação do capital sobre o poder político nas cidades. O financiamento das campanhas políticas é um instrumento para que isso aconteça. Trata-se de controle sobre a representação política. Essa lógica tem ocorrido em vários lugares do mundo, não só na viabilização de megaeventos no Brasil. Trata-se de um processo padrão. Remete à Coréia do Sul, em Seul (Olimpíadas de 1988). E também à Grécia. Se pensarmos na Grécia hoje, um país que sediou as Olimpíadas (Atenas, em 2004), vemos que esses eventos não costumam trazer grandes benefícios econômicos. O país está numa profunda crise econômica. Há grandes estádios construídos mas, a longo prazo, essas edificações gigantes não trazem vantagens para o país.
Canal Ibase: Mas, e quanto à Barcelona, que aqui no Brasil é um dos exemplos mais disseminados como uma cidade que aproveitou muito bem um megaevento?
Harvey: Bem, eu acho que Barcelona era uma excelente cidade antes das Olimpíadas (de 1992). Eu nem gosto de voltar muito lá. Costumo dizer que o ápice da cidade foi antes das Olimpíadas. Depois disso, foi ladeira abaixo.
Canal Ibase: Na África do Sul, muitas pessoas foram expulsas de suas casas devido às obras relacionadas à Copa do Mundo…
Harvey: Exatamente. O problema das remoções tem sido recorrente. Há muita luta em torno disso. Isso é típico. Se há pessoas pobres vivendo em terras muito valorizadas, há uma tentativa de tirá-las de lá. Uma forma de levar isso a cabo é o aumento do custo de vida. Os megaprojetos também são uma excelente desculpa.
Canal Ibase: Qual é sua reflexão sobre o papel do grandes veículos de comunicação na lógica de acumulação do capital nas intervenções urbanas?
Harvey no camarim durante a
entrevista. Foto: Miguel Serbeto
Harvey: Claramente, o controle da mídia é uma ameaça para a democracia popular. A questão é como se faz uma cobertura e o que é coberto. Os jornalistas que querem cobrir os acontecimentos de uma forma mais real têm vivido tempos difíceis. É uma luta pela liberdade de expressão. O caminho passa pela mídia alternativa, e a tecnologia, com a internet, abre possibilidades. O problema é que a mídia alternativa pode ser absorvida e disciplinada pelo mercado. É uma disputa que está sendo travada.  Mas é importante lembrar que vivemos sob monopólios dos meios de comunicação no mundo. A desinformação pode ser espalhada tão facilmente como a informação. E há monopólio inclusive nas mídias sociais. Ainda há muitas perguntas a serem respondidas sobre o papel das mídias sociais e sua diferença em relação às mídias convencionais.
Canal Ibase: As obras de urbanização nas favelas do Rio têm como característica a falta de diálogo com as populações e a descontinuidade dessas intervenções. Ocorreu com um projeto chamado Favela Bairro e agora se repete com um Programa de Aceleração do Crescimento. Nota-se o desinteresse do poder público de oferecer os mesmos serviços da cidade sem que haja gentrificação, embora as grandes construtoras estejam sempre presentes nessas obras. Para não legitimar a permanência dos moradores de favelas, as obras são interrompidas sempre. Qual a avaliação do senhor sobre isso?
Harvey: Se há populações de baixa renda em terras de alto valor, uma das estratégias é dar títulos de propriedade aos moradores dessas áreas, sob o argumento da regularização fundiária e da garantia da moradia. Não sei como isso ocorre no Brasil, mas um dos projetos em favelas, periferias e outras áreas pobres tem sido essa concessão de títulos de propriedades. Porque propriedade o capital pode comprar. Assim começa um processo de reocupação dessas áreas e sua consequente gentrificação. Por outro lado, uma forma de manter os preços baixos em determinadas comunidades é ter projetos incompletos. Então, o estado oferece intervenções, mas não as termina. E, desse jeito, os moradores vendem a terra a um preço baixo e saem do local. Quando a oferta chega, a infraestrutura ainda não está lá. Essa estratégica é típica nos Estados Unidos, onde se compram propriedades e as levam à decadência forçadamente. Desse jeito, desvalorizam um bairro inteiro e, num período de dez anos, é possível reocupá-lo comprando propriedades no entorno. Como o estado está envolvido nisso? Depende de lugar para lugar. Às vezes, o estado é apenas incompetente e não sabe o que está fazendo. Nesse caso, o estado pode começar uma obra e simplesmente parar no meio. Não necessariamente é uma estratégia deliberada. Mas em alguns casos é. E responde aos interesses privados. Nesses casos, há de fato uma estratégia quando uma empresa quer atuar em determinado lugar. E se decide começar uma obra já sabendo que não vai terminá-la. Ao não se terminarem projetos de infraestrutura, abre-se caminho para a chegada das empresas privadas.
Canal Ibase: No Brasil, o estado tem feito alianças com transnacionais, que têm usado e abusado do territórios brasileiro, nas zonas urbanas e rurais. Um dos setores onde isso é mais grave é a mineração. sobretudo no que diz respeito à mineração. Como a sociedade civil pode reagir a isso?
Harvey: O principal jeito de reagir é por meio de protestos. Eu fico abismado que países como o Brasil ainda abram mão de seus recursos naturais para multinacionais. E há outras formas de exploração, como é o caso das plantações de soja. Empresas como a norte-americana Monsanto (líder mundial de venda de sementes transgênicas e agrotóxico) e outras líderes do agronegócio tomam conta de territórios. A terra no Brasil vem sendo constantemente degradada por esse processo. E o ciclo é maior. É preciso lembrar que o principal mercado do agronegócio brasileiro é a China. De um lado, são os Estados Unidos vendendo a semente e o agrotóxico e, de outro, a China comprando. Um problema que se agrava é o controle chinês de terras na América Latina.
Canal Ibase: O geógrafo brasileiro Milton Santos tem uma frase que diz: “A força da alienação vem dessa fragilidade dos indivíduos que apenas conseguem enxergar o que os separa e não o que os une”. O senhor tem falado sobre a divisão da esquerda no mundo, da fragmentação dos movimentos sociais. Para a criação de um movimento anticapitalista, quais são os elementos invisíveis que perpassam todos os movimentos? O que liga a preservação do meio ambiente, a luta das mulheres por autonomia e o direito à cidade, por exemplo?
Harvey: Eu conheço Milton Santos, especialmente o dos anos 1970. Depois disso, ele se tornou muito pró-franceses. E ele não gostava de norte-americanos (risos; Harvey leciona na Universidade da Cidade de Nova York). Se eu tivesse a resposta para essa pergunta, poderíamos ter começado a revolução. Mas não tenho uma boa resposta.  É importante ter alianças que cruzem movimentos ambientalistas, o feminismo, assim como juntar organizações que trabalham por questões como a da moradia ou questões étnicas. Mas às vezes divergências tolas quebram essas alianças. Na minha opinião, precisamos definir o que é anticapitalismo. Não há razão para ser anticapitalista, se você acha que o capitalismo está fazendo um bom trabalho. Mas, se você não acha…Uma das coisas que eu tenho discutido com amigos da esquerda é esse conceito de anticapitalismo. Há opiniões que afirmam que o capitalismo fez um trabalho melhor que o comunismo e o socialismo. No entanto, o que está acontecendo agora é um processo violento. Se queremos mudar, temos muito trabalho a fazer. Não há muita gente na mídia interessada no que nós fazemos. Não somos um grupo muito poderoso, nem temos popularidade. É importante, entretanto, fazer esse grupo crescer, explicando às pessoas  por que é importante ser anticapitalista.
(Na palestra ministrada logo em seguida à entrevista ao Canal Ibase, Harvey complementou esse raciocínio: “Estamos em um mundo em que o neoliberalismo está ficando enraizado. Se a pessoa vai mal, a culpa é dela, e não do sistema. Ah!, e só para lembrar: é também você o responsável por pagar sua educação. Eu sempre estudei em instituições públicas até o doutorado. Hoje em dia, isso não é possível nem na Inglaterra nem nos Estados Unidos. O movimento anticapitalista poderia visar a algumas vitórias, como tornar novamente públicos o transporte, a saúde e a educação. O que estou tentando dizer é que, se você é pobre ou tem dificuldades de acesso a serviços, você é um produto do sistema; a culpa não é sua. E só há como mudar isso mudando o sistema. Em que sociedade você quer viver? Na sociedade em que a educação é com base no valor de uso ou no valor de troca?”, disse o geógrafo, fazendo a oposição por meio desses dois conceitos marxistas)
Canal Ibase: Movimentos sociais já contabilizam 100 mil pessoas removidas de suas casas apenas no Rio de Janeiro, para realização de obras em função dos megaeventos. Que forças do capitalismo levam, mesmo após os protestos que ocorreram no país inteiro, à manutenção desta alteração brutal no território?

Harvey: Como falamos anteriormente, o capitalismo depende de uma dinâmica maior. Mas precisamos redefinir coisas. Moradia não pode ser vista como commodity. A questão central é descobrir se você quer uma cidade para as pessoas ou para o lucro. Para construir uma cidade diferente, é preciso ser anticapitalista. Não há outra forma.

domingo, 17 de novembro de 2013

A oposição local em divórcio eterno com a realidade!!!

Este blog tem se dedicado a não comentar os fatos que tratam nosso planície nos últimos tempos...

Não por falta de assunto, mas por falta de ânimo, dada a quase-total indigência intelectual que assola aquilo que outrora se chamou blogosfera local...Um cadáver insepulto e mal cheiroso que vaga por aí...

No dia de hoje, com desprazer masoquista fui ler, pela chamada, os textos de alguns blogs sobre uma suposta pesquisa sobre a credibilidade da Câmara Municipal e seus vereadores...

Todos sabem a posição política deste blog sobre o atual governo e sua base aliada, ou seja, estamos em campos diametralmente opostos...

Mas esta constatação não pode sequestrar meu bom senso em evitar o linchamento hipócrita das casas legislativas, movido pelo diuturno trabalho de criminalização da política e do moralismo mequetrefe de alguns vestais...

Ora bolas, qualquer pessoa com um QI maior do que uma ameba se daria ao trabalho de questionar o seguinte:

Se os vereadores foram eleitos pelos cidadãos, se estes vereadores em sua maioria apoiam o governo eleito esmagadoramente pela maioria destes cidadãos, como é que pode haver algum sentido na desaprovação da atuação da casa legislativa que se porta exatamente com os eleitores-cidadãos pretenderam??????

E mais: diante desta contradição carregada de cinismo, como podem blogueiros, que se dizem a referência da análise e do bom senso político locais, repercutirem tamanha asneira, instrumentalizando o absurdo como ferramenta política?????

Nem vou mencionar o fato de que pesquisa para esta gente só serve se trouxer números que os favoreçam...isto, neste contexto de aberrações, é só detalhe...

É por estas e por outras que este blog se arrepende amargamente de algum dia ter compartilhado algum tipo de ação ou consenso com este tipo de gente...e segue observando esta planície de lama de longe, bem longe...

Não tenhamos dúvidas, frente a tudo que tenho lido e assistido, com o meu pobre PT entregue a deus-sabe-o-quê, a dinastia da lapa vai ficar, pelo menos, mais uns 20 ou 30 anos no poder por aqui...



sábado, 16 de novembro de 2013

Textos memoráveis...

Vem de Saul Leblon, no sítio Carta Maior, um texto que precisa ser lido com atenção, e reverência...Republicado no Viomundo, e que trago para vocês, nestes tempos estranhos, onde a caserna do judiciário se assanha:

Saul Leblon alinhava 54, 64 e 2014: Os golpes da direita

publicado em 16 de novembro de 2013 às 17:02

A memória seletiva de O Globo sobre Getúlio
14/11/2013 – Copyleft
A resposta esmagadora
Cabe à campanha de Dilma incorporar o salto programático que os últimos acontecimentos ensejam, na esfera da democracia e do desenvolvimento.
por Saul Leblon, na Carta Maior
A derrubada violenta de Jango em 1964 foi antecedida, a exemplo do que se fez com Vargas, dez anos antes, de uma campanha midiática encharcada de ódio e acusações de corrupção contra o seu governo e a sua pessoa.
A popularidade de Vargas revestiu o desenvolvimento brasileiro com travas de soberania  e direitos sociais inaceitáveis pelo dinheiro local e forâneo.
A mesma e dupla intolerância colidia com a aprovação popular às reformas de base de Jango, constatada então por pesquisas do Ibope sonegadas à opinião pública pelos veículos de comunicação.
Nos dois casos, a caça à corrupção se transformaria na única marreta disponível para a derrubada conservadora do governo.
Quis o destino que  49 anos depois do golpe de 64, quando a versão falsificada daquele período é desmentida pelo desagravo solene do Estado brasileiro a Jango, um novo ataque disfarçado  contra os mesmos objetivos se configure.
É pedagógico e inquietante.

As mesmas forças, os mesmos interesses, os mesmos veículos e o mesmo linguajar que levaram Vargas ao suicídio e violentaram a democracia em 64, agora se unem abertamente para golpear o esforço progressista de retomar a construção interrompida de um Brasil mais justo e soberano.
Contra Vargas, ergueram-se as manchetes do ‘mar de lama’.
Contra Jango, ‘o ouro de Moscou, ‘a República sindicalista’, ‘o naufrágio dos valores cristãos’, ‘falência do abastecimento’.
Nos dias que correm, ‘o mensalão’,  ‘a companheirada’, o  ‘intervencionismo estatal’, a ‘gastança’, o ‘abismo fiscal’, a implosão iminente da economia.
‘Se não for hoje, de amanhã o Brasil não passa’, reitera o necrológio diário do colunismo especializado em sepultar o interesse social na cova da república rentista.
Exacerbam-se  os decibéis do jogral que não desafina nunca.
A purga redentora dos livres mercados é a única solução para uma economia envenenada pela criação de 20 milhões de empregos em 12 anos.
A  prisão ‘exemplar’ dos ‘mensaleiros’ é o laxativo  indispensável à assepsia de uma política cúmplice do voluntarismo econômico, como diz o grão tucano FHC.
Não se releve aqui o ilícito cometido em um sistema eleitoral apodrecido pela hegemonia dos interesses que agora se  avocam os savonarolas da moralidade pública.
O dinheiro privado que dá à campanha o seu fulgor publicitário é o mesmo que desidrata projetos, amesquinha governos, aleija lideranças  e desacredita o voto e a política.
Importa, todavia, enxergar além da neblina  que subordina o principal ao secundário.
Em 54, em 64 e em 2014 o nome do jogo não é ética, como se constata da temperança  das manchetes — e togas inflamadas — quando se trata da corrupção conservadora.
Exemplos terminais de credibilidade em ruína, como o da ‘Folha de SP’,  já se prestam  ao estudo acadêmico de cases da manipulação informativa, em que o veículo deixa de ser referência para ser referido.
O que está em jogo é o comando do processo de desenvolvimento brasileiro.
O udenismo  de 54 e 64 ao contrário de atenuar  sua ganância e o entreguismo foi coagido  pela determinação das finanças globalizadas a radicalizar seu descompromisso com a sorte do desenvolvimento e o destino da sociedade brasileira.
Não se diga que a mesma asfixia não esgoelou em parte a agenda progressista.
Mas o fato é que  nem mesmo um programa moderado de reformas e oxigenação social  como o da coalizão centrista liderada pelo  PT é tolerável.
Avulta desse estreitamento histórico a sofreguidão estalada nas manchetes, que promovem o adestramento  circense das togas incumbidas de ocupar o picadeiro com degolas e sentenças profiláticas.
Contra o PT  e contra tudo o que ele representa.
Como se sabe, ele representa a corrupção sistêmica, sendo a do conservadorismo sempre um ponto fora da curva.
Ao comando de holofotes, a toga desempenhou seu número nesta quarta-feira, dando cambalhotas no enredo da indignação seletiva, com o qual se pretende vitaminar candidaturas rastejantes a 2014.
Cumpre assinalar não apenas as linhas de passagem que  unem o opróbio entre  1954,1964 e 2014.
Sobretudo, é imperativo iluminar a seta do tempo que não se quebrou  na atualidade de mudanças estruturais reclamadas pelo país e por sua gente.
Em 13 de março de 1964, Jango pronunciaria  um discurso memorável, que dava a agenda das reformas estruturais o lugar que ela ainda cobra na história brasileira.
É para a exumação dessa construção interrompida, que reafirma sua pertinência nos dias que correm, que Carta Maior chama a atenção nesse momento, especialmente de seus leitores jovens.
E o faz dando ao discurso da Central do Brasil o espaço de atualidade que a narrativa conservadora sempre lhe sonegou.
Sobre aquele pronunciamento, o leitor de Carta Maior, Fausto Neves Ribeiro da Silva, comentou:

 “ Ouvi este discurso com o radinho de pilha debaixo do travesseiro. Eu tinha 14 anos. Estava numa juventude atenta, que não acreditava em esperança mas em ações. Quem se manteve atento guarda na memória, ou aprendeu, o que e quanto perdemos” 

.
Leia, a seguir, a íntegra do comício na Central do Brasil:
Devo agradecer em primeiro lugar às organizações promotoras deste comício, ao povo em geral e ao bravo povo carioca em particular, a realização, em praça pública, de tão entusiasta e calorosa manifestação. Agradeço aos sindicatos que mobilizaram os seus associados, dirigindo minha saudação a todos os brasileiros que, neste instante, mobilizados nos mais longínquos recantos deste país, me ouvem pela televisão e pelo rádio.


Dirijo-me a todos os brasileiros, não apenas aos que conseguiram adquirir instrução nas escolas, mas também aos milhões de irmãos nossos que dão ao brasil mais do que recebem, que pagam em sofrimento, em miséria, em privações, o direito de ser brasileiro e de trabalhar sol a sol para a grandeza deste país.


Presidente de 80 milhões de brasileiros, quero que minhas palavras sejam bem entendidas por todos os nossos patrícios.


Vou falar em linguagem que pode ser rude, mas é sincera sem subterfúgios, mas é também uma linguagem de esperança de quem quer inspirar confiança no futuro e tem a coragem de enfrentar sem fraquezas a dura realidade do presente.


Aqui estão os meus amigos trabalhadores, vencendo uma campanha de terror ideológico e sabotagem, cuidadosamente organizada para impedir ou perturbar a realização deste memorável encontro entre o povo e o seu presidente, na presença das mais significativas organizações operárias e lideranças populares deste país.


Chegou-se a proclamar, até, que esta concentração seria um ato atentatório ao regime democrático, como se no Brasil a reação ainda fosse a dona da democracia, e a proprietária das praças e das ruas.
Desgraçada a democracia se tiver que ser defendida por tais democratas.


Democracia para esses democratas não é o regime da liberdade de reunião para o povo: o que eles querem é uma democracia de povo emudecido, amordaçado nos seus anseios e sufocado nas suas reinvindicações.


A democracia que eles desejam impingir-nos é a democracia antipovo, do anti-sindicato, da anti-reforma, ou seja, aquela que melhor atende aos interesses dos grupos a que eles servem ou representam.


A democracia que eles querem é a democracia para liquidar com a Petrobrás; é a democracia dos monopólios privados, nacionais e internacionais, é a democracia que luta contra os governos populares e que levou Getúlio Vargas ao supremo sacrifício.


Ainda ontem, eu afirmava, envolvido pelo calor do entusiasmo de milhares de trabalhadores no Arsenal da Marinha, que o que está ameaçando o regime democrático neste País não é o povo nas praças, não são os trabalhadores reunidos pacificamente para dizer de suas aspirações ou de sua solidariedade às grandes causas nacionais.
Democracia é precisamente isso: o povo livre para manifestar-se, inclusive nas praças públicas, sem que daí possa resultar o mínimo de perigo à segurança das instituições.


Democracia é o que o meu governo vem procurando realizar, como é do seu dever, não só para interpretar os anseios populares, mas também conquistá-los pelos caminhos da legalidade, pelos caminhos do entendimento e da paz social.


Não há ameaça mais séria à democracia do que desconhecer os direitos do povo; não há ameaça mais séria à democracia do que tentar estrangular a voz do povo e de seus legítimos líderes, fazendo calar as suas mais sentidas reinvindicações.


Estaríamos, sim, ameaçando o regime se nos mostrássemos surdos aos reclamos da Nação, que de norte a sul, de leste a oeste levanta o seu grande clamor pelas reformas de estrutura, sobretudo pela reforma agrária, que será como complemento da abolição do cativeiro para dezenas de milhões de brasileiros que vegetam no interior, em revoltantes condições de miséria.

Ameaça à democracia não é vir confraternizar com o povo na rua.
Ameaça à democracia é empulhar o povo explorando seus sentimentos cristãos, mistificação de uma indústria do anticomunismo, pois tentar levar o povo a se insurgir contra os grandes e luminosos ensinamentos dos últimos Papas que informam notáveis pronunciamentos das mais expressivas figuras do episcopado brasileiro.


O inolvidável Papa João XXIII é quem nos ensina que a dignidade da pessoa humana exige normalmente como fundamento natural para a vida, o direito ao uso dos bens da terra, ao qual corresponde a obrigação fundamental de conceder uma propriedade privada a todos.


É dentro desta autêntica doutrina cristã que o governo brasileiro vem procurando situar a sua política social, particurlamente a que diz respeito à nossa realidade agrária.


O cristianismo nunca foi o escudo para os privilégios condenados pelos Santos Padres. Nem os rosários podem ser erguidos como armas contra os que reclamam a disseminação da propriedade privada da terra, ainda em mãos de uns poucos afortunados.


Àqueles que reclamam do Presidente de República uma palavra tranqüilizadora para a Nação, o que posso dizer-lhes é que só conquistaremos a paz social pela justiça social.


Perdem seu tempo os que temem que o governo passe a empreender uma ação subversiva na defesa de interesses políticos ou pessoais; como perdem igualmente o seu tempo os que esperam deste governo uma ação repressiva dirigida contra os interesses do povo. Ação repressiva, povo carioca, é a que o governo está praticando e vai amplia-la cada vez mais e mais implacavelmente, assim na Guanabara como em outros estados contra aqueles que especulam com as dificuldades do povo, contra os que exploram o povo e que sonegam gêneros alimentícios e jogam com seus preços.


Ainda ontem, trabalhadores e povo carioca, dentro da associações de cúpula de classes conservadoras, levanta-se a voz contra o Presidente pelo crime de defender o povo contra aqueles que o exploram nas ruas, em seus lares, movidos pela ganância.


Não tiram o sono as manifestações de protesto dos gananciosos, mascarados de frases patrióticas, mas que, na realidade, traduzem suas esperanças e seus propósitos de restabelecer a impunidade para suas atividades anti-sociais.


Não receio ser chamado de subversivo pelo fato de proclamar, e tenho proclamado e continuarei a proclamando em todos os recantos da Pátria – a necessidade da revisão da Constituição, que não atende mais aos anseios do povo e aos anseios do desenvolvimento desta Nação.


Essa Constituição é antiquada, porque legaliza uma estrutura sócio-econômica já superada, injusta e desumana; o povo quer que se amplie a democracia e que se ponha fim aos privilégios de uma minoria; que a propriedade da terra seja acessível a todos; que a todos seja facultado participar da vida política através do voto, podendo votar e ser votado; que se impeça a intervenção do poder econômico nos pleitos eleitorais e seja assegurada a representação de todas as correntes políticas, sem quaisquer discriminações religiosas ou ideológicas.


Todos têm o direito à liberdade de opinião e de manifestar também sem temor o seu pensamento. É um princípio fundamental dos direitos do homem, contido na Carta das Nações Unidas, e que temos o dever de assegurar a todos os brasileiros.


Está nisso o sentido profundo desta grande e incalculável multidão que presta, neste instante, manifestação ao Presidente que, por sua vez, também presta conta ao povo dos seus problemas, de suas atitudes e das providências que vem adotando na luta contra forças poderosas, mas que confia sempre na unidade do povo, das classes trabalhadoras, para encurtar o caminho da nossa emancipação.

É apenas de lamentar que parcelas ainda ponderáveis que tiveram acesso à instrução superior continuem insensíveis, de olhos e ouvidos fechados à realidade nacional.


São certamente, trabalhadores, os piores surdos e os piores cegos, porque poderão, com tanta surdez e tanta cegueira, ser os responsáveis perante a História pelo sangue brasileiro que possa vir a ser derramado, ao pretenderem levantar obstáculos ao progresso do Brasil e à felicidade de seu povo brasileiro.


De minha parte, à frente do Poder Executivo, tudo continuarei fazendo para que o processo democrático siga um caminho pacífico, para que sejam derrubadas as barreiras que impedem a conquista de novas etapas do progresso.

E podeis estar certos, trabalhadores, de que juntos o governo e o povo – operários , camponeses, militares, estudantes, intelectuais e patrões brasileiros, que colocam os interesses da Pátria acima de seus interesses, haveremos de prosseguir de cabeça erguida, a caminhada da emancipação econômica e social deste país.


O nosso lema, trabalhadores do Brasil, é “progresso com justiça, e desenvolvimento com igualdade”.


A maioria dos brasileiros já não se conforma com uma ordem social imperfeita, injusta e desumana. Os milhões que nada têm impacientam-se com a demora, já agora quase insuportável, em receber os dividendos de um progresso tão duramente construído, mas construído também pelos mais humildes.


Vamos continuar lutando pela construção de novas usinas, pela abertura de novas estradas, pela implantação de mais fábricas, por novas escolas, por mais hospitais para o nosso povo sofredor; mas sabemos que nada disso terá sentido se o homem não for assegurado o direito sagrado ao trabalho e uma justa participação nos frutos deste desenvolvimento.


Não, trabalhadores; sabemos muito bem que de nada vale ordenar a miséria, dar-lhe aquela aparência bem comportada com que alguns pretendem enganar o povo. Brasileiros, a hora é das reformas de estrutura, de métodos, de estilo de trabalho e de objetivo. Já sabemos que não é mais possível progredir sem reformar; que não é mais possível admitir que essa estrutura ultrapassada possa realizar o milagre da salvação nacional para milhões de brasileiros que da portentosa civilização industrial conhecem apenas a vida cara, os sofrimentos e as ilusões passadas.


O caminho das reformas é o caminho do progresso pela paz social. Reformar é solucionar pacificamente as contradições de uma ordem econômica e jurídica superada pelas realidades do tempo em que vivemos.



Trabalhadores, acabei de assinar o decreto da SUPRA com o pensamento voltado para a tragédia do irmão brasileiro que sofre no interior de nossa Pátria. Ainda não é aquela reforma agrária pela qual lutamos.

Ainda não é a reformulação de nosso panorama rural empobrecido.


Ainda não é a carta de alforria do camponês abandonado.


Mas é o primeiro passo: uma porta que se abre à solução definitiva do problema agrário brasileiro.


O que se pretende com o decreto que considera de interesse social para efeito de desapropriação as terras que ladeiam eixos rodoviários, leitos de ferrovias, açudes públicos federais e terras beneficiadas por obras de saneamento da União, é tornar produtivas áreas inexploradas ou subutilizadas, ainda submetidas a um comércio especulativo, odioso e intolerável.


Não é justo que o benefício de uma estrada, de um açude ou de uma obra de saneamento vá servir aos interesses dos especuladores de terra, quese apoderaram das margens das estradas e dos açudes. A Rio-Bahia, por exemplo, que custou 70 bilhões de dinheiro do povo, não deve bemeficiar os latifundiários, pela multiplicação do valor de suas propriedades, mas sim o povo.


Não o podemos fazer, por enquanto, trabalhadores, como é de prática corrente em todos os países do mundo civilizado: pagar a desapropriação de terras abandonadas em títulos de dívida pública e a longo prazo.


Reforma agrária com pagamento prévio do latifundio improdutivo, à vista e em dinheiro, não é reforma agrária. É negócio agrário, que interessa apenas ao latifundiário, radicalmente oposto aos interesses do povo brasileiro. Por isso o decreto da SUPRA não é a reforma agrária.


Sem reforma constitucional, trabalhadores, não há reforma agrária. Sem emendar a Constituição, que tem acima de dela o povo e os interesses da Nação, que a ela cabe assegurar, poderemos ter leis agrárias honestas e bem-intencionadas, mas nenhuma delas capaz de modificações estruturais profundas.


Graças à colaboração patriótica e técnica das nossas gloriosas Forças Armadas, em convênios realizados com a SUPRA, graças a essa colaboração, meus patrícios espero que dentro de menos de 60 dias já comecem a ser divididos os latifúndios das beiras das estradas, os latifúndios aos lados das ferrovias e dos açudes construídos com o dinheiro do povo, ao lado das obras de saneamento realizadas com o sacrifício da Nação. E, feito isto, os trabalhadores do campo já poderão, então, ver concretizada, embora em parte, a sua mais sentida e justa reinvindicação, aquela que lhe dará um pedaço de terra para trabalhar, um pedaço de terra para cultivar.
Aí, então, o trabalhador e sua família irão trabalhar para si próprios, porque até aqui eles trabalham para o dono da terra, a quem entregam, como aluguel, metade de sua produção. E não se diga, trabalhadores, que há meio de se fazer reforma sem mexer a fundo na Constituição.
Em todos os países civilizados do mundo já foi suprimido do texto constitucional parte que obriga a desapropriação por interesse social, a pagamento prévio, a pagamento em dinheiro.


No Japão de pós-guerra, há quase 20 anos, ainda ocupado pelas forças aliadas vitoriosas, sob o patrocínio do comando vencedor, foram distribuídos dois milhões e meio de hectares das melhores terras do país, com indenizações pagas em bônus com 24 anos de prazo, juros de 3,65% ao ano. E quem é que se lembrou de chamar o General MacArthur de subversivo ou extremista?


Na Itália, ocidental e democrática, foram distribuídos um milhão de hectares, em números redondos, na primeira fase de uma reforma agrária cristã e pacífica iniciada há quinze anos, 150 mil famílias foram beneficiadas.


No México, durante os anos de 1932 a 1945, foram distribuídos trinta milhões de hectares, com pagamento das indenizações em títulos da dívida pública, 20 anos de prazo, juros de 5% ao ano, e desapropriação dos latifúndios com base no valor fiscal.


Na Índia foram promulgadas leis que determinam a abolição da grande propriedade mal aproveitada, transferindo as terras para os camponeses.


Essas leis abrangem cerca de 68 milhões de hectares, ou seja, a metade da área cultivada da Índia. Todas as nações do mundo, independentemente de seus regimes políticos, lutam contra a praga do latifúndio improdutivo.


Nações capitalistas, nações socialistas, nações do Ocidente, ou do Oriente, chegaram à conclusão de que não é possível progredir e conviver com o latifúndio.


A reforma agrária não é capricho de um governo ou programa de um partido. É produto da inadiável necessidade de todos os povos do mundo.
Aqui no Brasil, constitui a legenda mais viva da reinvindicação do nosso povo, sobretudo daqueles que lutaram no campo.


A reforma agrária é também uma imposição progressista do mercado interno, que necessita aumentar a sua produção para sobreviver.


Os tecidos e os sapatos sobram nas prateleiras das lojas e as nossas fábricas estão produzindo muito abaixo de sua capacidade.
Ao mesmo tempo em que isso acontece, as nossas populações mais pobres vestem farrapos e andam descalças, porque não tem dinheiro para comprar.


Assim, a reforma agrária é indispensável não só para aumentar o nível de vida do homem do campo, mas também para dar mais trabalho às industrias e melhor remuneração ao trabalhador urbano.


Interessa, por isso, também a todos os industriais e aos comerciantes. A reforma agrária é necessária, enfim, à nossa vida social e econômica, para que o país possa progredir, em sua indústria e no bem-estar do seu povo.

Como garantir o direito de propriedade autêntico, quando dos quinze milhões de brasileiros que trabalham a terra, no Brasil, apenas dois milhões e meio são proprietários?


O que estamos pretendendo fazer no Brasil, pelo caminho da reforma agrária, não é diferente, pois, do que se fez em todos os países desenvolvidos do mundo. É uma etapa de progresso que precisamos conquistar e que haveremos de conquistar.


Esta manifestação deslumbrante que presenciamos é um testemunho vivo de que a reforma agrária será conquistada para o povo brasileiro. O próprio custo daprodução, trabalhadores, o próprio custo dos gêneros alimentícios está diretamente subordinado às relações entre o homem e a terra.
Num país em que se paga aluguéis da terra que sobem a mais de 50 por cento da produção obtida daquela terra, não pode haver gêneros baratos, não pode haver tranquilidade social. No meu Estado, por exemplo, o Estado do deputado Leonel Brizola, 65% da produção de arroz é obtida em terras alugadas e o arrendamento ascende a mais de 55% do valor da produção.
O que ocorre no Rio Grande é que um arrendatário de terras para plantio de arroz paga, em cada ano, o valor total da terra que ele trabahou para o proprietário. Esse inquilinato rural desumano é medieval é o grande responsável pela produção insuficiente e cara que torna insuportável o custo de vida para as classes populares em nosso país.


A reforma agrária só prejudica a uma minoria de insensíveis, que deseja manter o povo escravo e a Nação submetida a um miseravel padrão de vida.


E é claro, trabalhadores, que só se pode iniciar uma reforma agrária em terras economicamente aproveitáveis.
E é claro que não poderíamos começar a reforma agrária, para atender aos anseios do povo, nos Estados do Amazonas ou do Pará. A reforma agrária deve ser iniciada nas terras mais valorizadas e ao lado dos grandes centros de consumo, com transporte fácil para o seu escoamento.


Governo nenhum, trabalhadores, povo nenhum, por maior que seja seu esforço, e até mesmo o seu sacrifício, poderá enfrentar o monstro inflacionário que devora os salários, que inquieta o povo assalariado, se não form efetuadas as reformas de estrutura de base exigidsa pelo povo e reclamadas pela Nação.


Tenho autoridade para lutar pela reforma da atual Constituição, porque esta reforma é indispensável e porque seu objetivo único e exclusivo é abrir o caminho para a solução harmônica dos problemas que afligem o nosso povo.


Não me animam, trabalhadores – e é bom que a nação me ouça – quaisquer propósitos de ordem pessoal.
Os grandes beneficiários das reformas serão, acima de todos, o povo brasileiro e os governos que me sucederem. A eles, trabalhadores, desejo entregar uma Nação engrandecida, emancipada e cada vez mais orgulhosa de si mesma, por ter resolvido mais uma vez, pacificamente, os graves problemas que a História nos legou.
Dentro de 48 horas, vou entregar à consideração do Congresso Nacional a mensagem presidencial deste ano.


Nela, estão claramente expressas as intenções e os objetivos deste governo. Espero que os senhres congressistas, em seu patriotismo, compreendam o sentido social da ação governamental, que tem por finalidade acelerar o progresso deste país e assegurar aos brasileiros melhores condições de vida e trabalho, pelo caminho da paz e do entendimento, isto é pelo caminho reformista.


Mas estaria faltando ao meu dever se não transmitisse, também, em nome do povo brasileiro, em nome destas 150 ou 200 mil pessoas que aqui estão, caloroso apelo ao Congresso Nacional para que venha ao encontro das reinvindicações populares, para que, em seu patriotismo, sinta os anseios da Nação, que quer abrir caminho, pacífica e democraticamente para melhores dias. Mas também, trabalhadores, quero referir-me a um outro ato que acabo de assinar, interpretando os sentimentos nacionalistas destes país.
Acabei de assinar, antes de dirigir-me para esta grande festa cívica, o decreto de encampação de todas as refinarias particulares.


A partir de hoje, trabalhadores brasileiros, a partir deste instante, as refinarias de Capuava, Ipiranga, Manguinhos, Amazonas, e Destilaria Rio Grandense passam a pertencer ao povo, passam a pertencer ao patrimônio nacional.


Procurei, trabalhadores, depois de estudos cuidadosos elaborados por órgãos técnicos, depois de estudos profundos, procurei ser fiel ao espírito da Lei n. 2.004, lei que foi inspirada nos ideais patrióticos e imortais de um brasileiro que também continua imortal em nossa alma e nosso espírito.


Ao anunciar, à frente do povo reunido em praça pública, o decreto de encampação de todas as refinarias de petróleo particulares, desejo prestar homenagem de respeito àquele que sempre esteve presente nos sentimentos do nosso povo, o grande e imortal Presidente Getúlio Vargas.


O imortal e grande patriota Getúlio Vargas tombou, mas o povo continua a caminhada, guiado pelos seus ideais. E eu, particurlamente, vivo hoje momento de profunda emoção ao poder dizer que, com este ato, soube interpretar o sentimento do povo brasileiro.


Alegra-me ver, também, o povo reunido para prestigiar medidas como esta, da maior significação para o desenvolvimento do país e que habilita o Brasil a aproveitar melhor as suas riquezas minerais, especialmente as riquezas criadas pelo monopólio do petróleo.
O povo estará sempre presente nas ruas e nas praças públicas, para prestigiar um governo que pratica atos como estes, e também para mostrar às forças reacionárias que há de continuar a sua caminhada, no rumo da emancipação nacional.


Na mensagem que enviei à consideração do Congresso Nacional, estão igualmente consignadas duas outras reformas que o povo brasileiro reclama, porque é exigência do nosso desenvolvimento e da nossa democracia. Refiro-me à reforma eleitoral, à reforma ampla que permita a todos os brasileiros maiores de 18 anos ajudar a decidir dos seus destinos, que permita a todos os brasileiros que lutam pelo engrandecimento do país a influir nos destinos gloriosos do Brasil.
Nesta reforma, pugnamos pelo princípio democrático, princípio democrático fundamental, de que todo alistável deve ser também elegível.


Também está consignada na mensagem ao Congresso a reforma universitária, reclamada pelos estudantes brasileiros. Pelos universitários, classe que sempre tem estado corajosamente na vanguarda de todos os movimentos populares nacionalistas.

Ao lado dessas medidas e desses decretos, o governo continua examinando outras providências de fundamental importância para a defesa do povo, especialmente das classes populares.


Dentro de poucas horas, outro decreto será dado ao conhecimento da Nação. É o que vai regulamentar o preço extorsivo dos apartamentos e residências desocupados, preços que chegam a afrontar o povo e o Brasil, oferecidos até mediante o pagamento em dólares. Apartamento no Brasil só pode e só deve ser alugado em cruzeiros, que é dinheiro do povo e a moeda deste país. Estejam tranqüilos que dentro em breve esse decreto será uma realidade.


E realidade há de ser também a rigorosa e implacável fiscalização para seja cumprido. O governo, apesar dos ataques que tem sofrido, apesar dos insultos, não recuará um centímetro sequer na fiscalização que vem exercendo contra a exploração do povo. E faço um apelo ao povo para que ajude o governo na fiscalização dos exploradores do povo, que são também exploradores do Brasil. Aqueles que desrespeitarem a lei, explorando o povo – não interessa o tamanho de sua fortuna, nem o tamanho de seu poder, esteja ele em Olaria ou na Rua do Acre – hão de responder, perante a lei, pelo seu crime.


Aos servidores públicos da Nação, aos médicos, aos engenheiros do serviço público, que também não me têm faltado com seu apoio e o calor de sua solidariedade, posso afirmar que suas reinvindicações justas estão sendo objeto de estudo final e que em breve serão atendidas. Atendidas porque o governo deseja cumprir o seu dever com aqueles que permanentemente cumprem o seu para com o país.


Ao encerrar, trabalhadores, quero dizer que me sinto reconfortado e retemperado para enfrentar a luta que tanto maior será contra nós quanto mais perto estivermos do cumprimento de nosso dever.
À medida que esta luta apertar, sei que o povo também apertará sua vontade contra aqueles quenão reconhecem os direitos populares, contra aqueles que exploram o povo e a Nação.


Sei das reações que nos esperam, mas estou tranqüilo, acima de tudo porque sei que o povo brasileiro já está amadurecido, já tem consciência da sua força e da sua unidade, e não faltará com seu apoio às medidas de sentido popular e nacionalista.


Quero agradecer, mais uma vez, esta extraordinária manifestação, em que os nossos mais significativos líderes populares vieram dialogar com o povo brasileiro, especialmente com o bravo povo carioca, a respeito dos problemas que preocupam a Nação e afligem todos os nossos patrícios.
Nenhuma força será capaz de impedir que o governo continue a assegurar absoluta liberdade ao povo brasileiro. E, para isto, podemos declarar, com orgulho, que contamos com a compreensão e o patriotismo das bravas e gloriosas Forças Armadas da Nação.


Hoje, com o alto testemunho da Nação e com a solidariedade do povo, reunido na praça que só ao povo pertence, o governo, que é também o povo e que também só ao povo pertence, reafirma os seus propósitos inabaláveis de lutar com todas as suas forças pela reforma da sociedade brasileira.
Não apenas pela reforma agrária, mas pela reforma tributária, pela reforma eleitoral ampla, pelo voto do analfabeto, pela elegibilidade de todos os brasileiros, pela pureza da vida democrática, pela emancipação econômica, pela justiça social e pelo progresso do Brasil.

sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Nota oficial do PT.

Nota assinada pelo presidente Rui Falcão sobre as decisões do STF a respeito da Ação Penal 470

A determinação do STF para a execução imediata das penas de companheiros condenados na Ação Penal 470, antes mesmo que seus recursos (embargos infringentes) tenham sido julgados, constitui casuísmo jurídico e fere o princípio da ampla defesa.
Embora caiba aos companheiros acatar a decisão, o PT reafirma a posição anteriormente manifestada em nota da Comissão Executiva Nacional, em novembro de 2012, que considerou o julgamento injusto, nitidamente político, e alheio a provas dos autos. Com a mesma postura equilibrada e serena do momento do início do julgamento, o PT reitera sua convicção de que nenhum de nossos filiados comprou votos no Congresso Nacional, nem tampouco houve pagamento de mesada a parlamentares. Reafirmamos, também, que não houve da parte dos petistas condenados, utilização de recursos públicos, nem apropriação privada e pessoal para enriquecimento.
Expressamos novamente nossa solidariedade aos companheiros injustiçados e conclamamos nossa militância a mobilizar-se contra as tentativas de criminalização do PT.

Rui Falcão
Presidente Nacional do PT

A vocação para o golpe: antes as fardas, agora as togas...

A mídia brasileira, entendida como um setor empresarial do ramo das comunicações, sempre se portou de forma promíscua em relação aos interesses das elites nacionais, justamente aquelas que vocalizam aqui a subordinação do país a condição periférica no arranjo capitalista global...

Em determinado momento, não é mais possível divisar onde termina o caixa destes monopólios e suas linhas editoriais...

Fieis à tradição e a escola anglo-saxã, nossa mídia experimentou todo o processo de industrialização, escandalização e judicialização da política nacional...

Claro que em terras tupinambás, com as peculiaridades que temos, como a pouca maturidade democrática, afinal, desde o 15 de novembro de 1889, temos não mais que 30 ou 40 anos de Estado Democrático de Direito, e regimes democráticos, e com o histórico de desigualdades brutais (resultado, justamente, dos modelos defendidos pelas elites e seus sabujos da comunicação ao longo de nossa História), as distorções provocadas pela mídia assombram de forma mais densa a frágil estrutura institucional brasileira...some-se a isto a descomunal concentração monopolista da mídia, e teremos um quadro dantesco:

Juntos, o poder econômico e a mídia, sem nenhum voto sequer, acuam e desafiam a vontade consagrada nas urnas, e com este "sequestro", aprofundam as condições que permitem ter mais e mais poder de coação...

É verdade que muita coisa mudou nestes anos, e o advento da internet deu algum frescor na comunicação social, mas o fato é que, com auxílio instrumental da Justiça, e com o desequilíbrio financeiro, as grandes corporações de mídia e seus patrocinadores buscam amordaçar a rede e seus militantes...

Ainda assim, não é mais possível manipular a informação como antes, e diga-se: não foi nenhuma inciativa de autorregulação da mídia (piada brasileira) que permitiu o contraditório na comunicação social de massas, ao contrário, foi uma luta diuturna, quase suicida, de pessoas e grupos que ousaram desafiar a construção das "verdades convenientes"...

No dia de hoje, 15 de novembro de 2013, a decretação da prisão do companheiro José Dirceu, José Genoíno e João Paulo Cunha, foi mais um duro golpe foi desferido contra a Democracia brasileira...

Só o tempo e o afastamento possibilitarão a completa compreensão dos fatos...

Hoje, os sabujos e toda sorte de acólitos vomitam suas incompreensões, assim como faziam nas vésperas do golpe de 64, aquele mesmo sobre o qual a globo se desculpou...

Ao observarmos a (im)postura editorial (?) do grupo nos dias atuais, fica a certeza que muito pior que errar, é pedir desculpas sem ter, de fato, se arrependido...

As manchetes de amanhã trarão algo com sentido parecido com o que vemos aí embaixo...Lendo os jornais de ontem, e os de 50 anos atrás, temos a impressão nítida de que para a mídia nacional, nada mudou...

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