segunda-feira, 21 de outubro de 2013

Leilão de Libra...

Como este blogueiro anda meio sem tempo, e sem paciência, vamos replicando o que há de melhor na rede...

Sobre o Leilão de Libra vamos escrever algo até o fim da semana, mas como aperitivo, trago um texto do Tijolaço, do Fernando Brito, que o Miguel do Rosário publicou em seu blog O Cafezinho:

Libra: vitória política completa. Econômica, um pouco menos que o possível
21 de outubro de 2013 | 17:57
Por Fernando Brito, no Tijolaço.
Politicamente, a vitória obtida pelo Brasil no leilão não poderia ter sido maior.
A presença minoritária da Shell no consórcio da Petrobras jogou por terra todo o blá-blá-blá de que as regras eram inviáveis, que as empresas comerciais temiam a ingerência do governo, que a partilha era um modelo fadado ao fracasso.
A outra empresa privada, a Total, é muito ligada ao governo francês, que tem participação acionária e já se esperava que pudesse entrar no consórcio por razões estratégicas de abastecimento. Mas não a Shell.
Deixou de queixo caído todos os “mercadistas” que não entenderam que as americanas e inglesas caíram fora por conta da espionagem e a “dupla cidadania” da Shell – também holandesa – a deixou menos exposta ao escândalo.
Nem a Miriam Leitão tem o que falar sobre isso, agora.
Do ponto de vista do resultado econômico do leilão, todos viram que o representante do consóricio esperou até os últimos segundos para entregar aquele envelope.
Claro, porque havia outro, com um lance maior, para o caso de haver outros na disputa.
Se não há, vai a proposta mínima, até porque a Petrobras não tem como forçar seu aumento se não há licitantes a vencer.
Poderíamos ter alcançado os 80% de participação estatal, mas acabamos ficando, como mostrou o post anterior, em 75,73%.
Duas razões nos impediram:
A primeira, o alto bônus de assinatura, que criou dificuldades de desembolso imediato para a Petrobras. E isso, com todo apoio que este blog deu ao leilão, jamais deixou de ser objeto de crítica, sobretuso porque derivou das necessidades imediatas de caixa do Governo para alcançar a meta de superávit primário, aquele do maldito tripé que a direita e, agora, Marina Silva, endeusam.
A segunda, a pressão política.
Não a das poucas dezenas de manifestantes ali fora do leilão que, tirando meia-dúzia de provocadores black blocs – são gente nacionalista.
A pressão vem de outros black blocs, os mascarados do mercado, que vêm vandalizando as ações da Petrobras faz tempo, sob a música de desastre que a mídia incessantemente toca para a empresa com mais reservas novas a explorar neste momento no mundo.
Nada isso, entretanto, diminui meu otimismo com a exploração de Libra. Até porque, fora da parcela de lucro embolsada pela União, pela Petrobras e pelas outras empresas do consórcio, existe uma parcela imensa, de algo perto de US$ 300 bilhões, que vai ser apropriada pelo país na forma de salários, compras de insumos e de encomendas com o máximo possível de conteúdo nacional, como é tradição da Petrobras, e que, por isso, vai irrigar nossa economia com impostos e salários.
Nem falo, também, no horizonte de cooperação que ela abre com a China, que lentamente vai assumindo o seu papel de parceiro estratégico do nosso país.
O Brasil está de parabéns. Provamos que é possível juntar a defesa dos interesses nacionais, o controle de nossas matérias primas estratégicas, a eficiência tecnológica e operacional com a necessária captação de recursos para o desenvolvimento de nossa indústria petroleira.
O petróleo teve três fases neste país.
A primeira, a de acreditar que ele existia e encontrá-lo.
A segunda, a de sermos capazes tecnologicamente de extraí-lo, nas difíceis condições onde ele surgiu.
A terceira, agora, a de sermos capazes de mobilizar, sem perder a soberania sobre ele, os recursos necessários a realizar essa imensa riqueza potencial.
Demos um passo gigantesco e seria tolice deixar de reconhecê-lo por acharmos que se poderia ir alguns centímetros além.
E, depois dos retrocessos que a década neoliberal nos obrigou, estamos mais longe do que qualquer um de nós poderia pensar naqueles anos amargos.
Esta caminhada jamais foi fácil, jamais foi simples.
Mas não há de parar nunca.
Por: Fernando Brito
n62
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6 comentários:

Anônimo disse...

Douglas
Como trata-se do mesmo assunto, gostaria, se possível, de replicar meu comentário no blog do Professor Roberto:
Anônimo disse...

Professor
Pelo que entendi desse novo sistema, ele, no início, será bom para Brasil, que praticamente não terá que mexer no bolso, e gerará impostos, empregos, e desenvolvimento da indústria, que alimentará toda a exploração. Na segunda etapa começara a entrar realmente o dinheiro, na terceira, só não será uma merda porque o negócio é petróleo.
Embora tenda ao nacionalismo, aceito e tento entender os argumentos de ambos os lados, mas confesso que é muito difícil ouvir os argumentos nacionalistas do cara de pau do Álvaro Dias, tem coragem até de falar em privataria.

11:51 PM

Anônimo disse...

Engraçado, o Pt fez praticamente o mesmo que o os Tucanos, tomando em conta o percentual que fica com o governo, mas seus blogs chapa branca o vendem como a grande vitoria nacionalista.

Veja as condições e os percentuais que lhe correspondem ao governo, tente fazer as contas direitinho (não da maneira que a Magda Chambriand faz), e vamos ver se o caso é de má fé ou apenas ignorância.

douglas da mata disse...

Engraçado, mas antes de ceder a tentação de responder ao idiota das 07:50, do dia 22/10, eu me pergunto:

Se o governo Dilma (e não o PT apenas, porque governo e partido são coisas bem distintas, embora isto não caiba no exíguo espaço craniano dos midiotas) fez tudo igual ou muito parecido, como é que as maiores empresas do setor sumiram da disputa, ao contrário do que fizeram na pilhagem demotucanalha?

Pois é...Como fazer conta de modelos de exploração tão diferentes?

Impossível...Partilha é uma coisa (delimita um quantitativo para a exploração dos parceiros e cobra-se parte dos valores percebidos, mantendo-se enorme faixa de reserva do óleo e dos lucros), concessão é outra(neste caso, entrega-se TUDO, e a União fica só com royalties e PE)...

Fica clara a necessidade destes bobocas, já que o governo deles foi um desastre, de tentarem dizer que todos os governos posteriores são meras repetições...é o conhecido "nivelar por baixo".

Pobre débeis mentais.

...............................

continua(...)

douglas da mata disse...

Mas vamos ao primeiro comentarista, que nos traz um debate interessante:

Meu amigo, eu costumo, ou pelo menos tento, olhar as coisas pelo prisma mais amplo possível.

Desde o caso Chevron, me preocupa aquilo que foi um ensaio (e escrevi sobre isto aqui neste blog) de "rodar" uma teoria jurídica que diluísse a possibilidade de determinar o local exato da localização das reservas, explico:

Naquele desastre da Chevron, os advogados conseguiram do TRF que o processo subisse a Brasília sob o argumento de que o dano ambiental (mancha de óleo de vazamento) desta atividade econômica (exploração de petróleo), por sua natureza, não poderia ser determinado em local exato, o que impediria o processamento da ação penal (e outras) por aqui.

Depois, esta tese caiu por terra, mas revelou o que pode vir pela frente.

Se esta tese vingasse, estaria aberta(juridicamente, e pelo nosso Judiciário) a possibilidade de debater em organismo jurídico internacional, a localização de nossas reservas e os limites da bacia continental.

Em outras palavras: se o dano ambiental pode ser considerado o "assessório"(o resultado) da reserva( de petróleo), e se nós mesmos tivéssemos dito: não há como fixar competência para julgar os danos, logo, o raciocínio "lógico" remeteria a conclusão de que as reservas não podem ser apenas do Brasil, se parte delas se expandir para fora dos limites territoriais da nossa plataforma continental, porque como decidir onde começa a reserva e onde termina, como quiseram dizer com a mancha?

O assessório (a impossibilidade da localização dano) seguiria o principal (a impossibilidade de localização exata da reserva de óleo).

Somos um país militarmente nanico, e um disputa internacional não nos seria favorável.

É certo que os EEUU não nos invadiriam (por terra), mas nem precisa: nosso petróleo está ao alcance de seus vasos de guerra.

E a nossa Marinha? Piada...

Acho que o governo atual, cuidou de achar uma fórmula de atrair empresas estrangeiras para legitimar e RATIFICAR a propriedade sobre estas reservas, ganhando aliados para futuros debates.

Não esqueçamos que a IV Frota foi reativada, recentemente.

Pelo viés econômico, eu acho que foi o melhor negócio possível, e o governo manobrou para alterar a referência que já existia(o crime de lesa-Pátria, chamado concessão) para o modelo de partilha, sem que nenhum governo ou órgão internacional nos acusasse de romper contratos ou de impedir a participação de capital estrangeiro.

Há outros debates que envolvem a exploração de petróleo, como sua taxa de retorno frente a necessidade de novos investimentos de pesquisa e prospecção, o enorme e intrincado mercado derivado, que incide sobre reservas anunciadas e expectativas (não se trata apenas de demanda e oferta, como era em 1930, 1950 ou 1970), as possibilidade de futuras incorporações de outros insumos que mudem a matiz energética global (ou que comecem a mudança), que poderia derrubar preços, etc, etc, etc.

Este é um tema para um post, mas como disse, ando sem paciência com internet...

É só ver o bando de idiotas que têm aparecido, e outros tantos que nem me dou ao trabalho de publicar...

Confesso que ando desanimado.

Marcelo Siqueira disse...

Douglas
Eu sou o comentarista de 11:51 h. Em minha ignorância, não quis me identificar, por estar falando do tal Álvaro, embora saiba que você, e outros, possam me identificar. Sou nacionalista, prefiro que o petróleo seja todo nosso, mas entendi que não temos condições de fazer isso, hoje, sem a grana dos chamados parceiros. Já enjoei de ouvir que o Brasil é o país do futuro. Há muito o que fazer em saúde e educação, e é para hoje, ontem já passou, e amanhã, é incerto. Os investidores foram poucos, exatamente, porque o modelo é bom para o Brasil, se fosse bom para o mercado, certamente, teríamos inúmeros consórcios oportunistas. Acho que o governo errou em planejamento, o BNDES arrumou dinheiro para um monte de projeto furado, mas mesmo assim, o modelo de partilha é muito melhor que o anterior.

douglas da mata disse...

Marcelo, vou tentar ser mais claro:

Não se trata de alarmismo, mas ao olharmos a História dos conflitos geopolíticos acerca de reservas de energia e da expansão de territórios necessários ao fluxo capitalista, o que fica é:

a) o petróleo ainda é a força motriz principal do mundo, e parece que será por 50 ou 80 anos;

b) para se ter muito petróleo, e tentar manter estas reservas de forma absolutamente nacionalizada é preciso, sem delongas, TER ARMAS, E ARMAS NUCLEARES!

c) caso contrário, viramos alvo fácil, e não imagine que não tomem o que é nosso se houver necessidade.

Como nós somos uma piada militar (e de péssimo gosto), manter uma reserva destas sem proteção é como ter um cofre se papelão cheio de barras de ouro!

Então, além das razões econômicas óbvias (com as quais concordo contigo), está a razão estratégica.

Um abraço.