sexta-feira, 25 de outubro de 2013

A cidade dos carros!

Eu apenas soube dos incêndios esta semana em Campos dos Goytacazes por meio de terceiros, quando estava fora.

Já na noite de ontem e na manhã de hoje, pude atualizar a leitura e no blog do Roberto Moraes li algo a respeito, em abordagem muito boa, sobre riscos e prevenção.

Mas há outras questões que gostaria de ponderar, sob o aspecto das políticas públicas de segurança, neste caso associadas ao atendimento a sinistros, desastres e outras tragédias.

Com a agudização do fenômeno da concentração imobiliária urbana, a verticalização das moradias, há um cenário preocupante no ar, que só vem à tona em casos como este, que felizmente, são raros.

Nem vou abordar a prevenção, haja vista que tanto sociedade (empresas e pessoas) quando Estado parecem adorar andar no fio da navalha.

Falo do combate aos incêndios em si.

A pessoa que me disse dos incêndios relatou que, em determinado momento, faltou água e os bombeiros tiveram que retornar ao manancial para encher os caminhões, e foram ajudados por um caminhão enviado pelo prefeitura ou pela concessionária (não sei ao certo), manobra que durou quase uma hora.

Detalhe: não havia pressão nos hidrantes, isto é, se houver hidrantes no local.

Bom, e o que isto tem a ver com carros, automóveis, como propõe o título deste texto?

A sociedade, na maioria das vezes, não consegue (e isto não é acidente) enxergar o óbvio, neste caso:

Nossos bombeiros, com a explosão de veículos em circulação e dos acidentes, tornaram-se exímios socorristas e suas intervenções têm se tornado cada vez mais sofisticadas em relação a estes eventos (acidentes), enquanto no quesito combate a sinistros (incêndios) em residências e prédios (principalmente, os mais altos) nos pareça que estamos em 1915 ou 1923.

De certo que o volume de uma ocorrência em relação a outra torne a atuação dos bombeiros muito mais direcionada ao trânsito, mas a questão é que no caso de tragédias, a lógica não pode ser apenas a da quantidade.

Como um seguro, a capacidade dos bombeiros em combater o fogo em casas e prédios cada vez mais altos deve estar à postos, SEMPRE, embora ninguém, como no caso do seguro, queira usá-la.

E o que acontece: pagamos uma TAXA DE INCÊNDIO INCONSTITUCIONAL sob a justificativa de preservar nossos imóveis, e o dinheiro acaba indo para os acidentes de trânsito!

Bom que se diga que as vítimas de acidente são tão importantes quanto as vítimas de incêndios residenciais, mas o problema é que a justificativa, isto é, o fato gerador da INCONSTITUCIONAL TAXA DE INCÊNDIO, é a propriedade imobiliária para remunerar o serviço que deveria estar a disposição destes objetos e as pessoas que estão ali dentro(moradores, ocupantes).

O incêndio das lojas provou que é impossível determinar e dividir o serviço(combate ao fogo) para cada unidade (imóvel), e a falta d'água foi o dado mais dramático desta impossibilidade...

Incêndios em acidentes de carro demandam pouca água, salvo os casos com caminhões tanque e outros veículos de carga de combustíveis de alta combustão.

Incêndios em imóveis, dependendo das proporções, ao contrário, exigem enormes quantidades de água...

Logo...caminhões de água e hidrantes não são prioridade para quem só enxerga carros, embora a arrecadação extra seja justificada pela propriedade de imóveis.

Em suma: onde está indo o dinheiro da INCONSTITUCIONAL TAXA DE INCÊNDIO?

2 comentários:

Anônimo disse...

Boa pergunta. O tal do Funesbom ou o Fundo Especial do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro, é um caça níqueis. A tal taxa, apesar de inconstitucional, nos é cobrada coma ameaça de inscrição na Dívida Ativa do estado.
A fiscalização do emprego deste dinheiro deve ser mais uma caixa preta, tal e qual o 1% para o fundo de pobreza.
Há uma certa mistificação pela sociedade com relação aos "valentes soldados do fogo". Não desmereço o trabalho dos bombeiros, antes, o contrário. Mas a sociedade não pode ser refém: de taxas inconstitucionais; fiscalização direcionada visando "empurrar" serviços de empresas credenciadas que na verdade pertencem a oficiais da corporação; controle de eventos com facilidades para uns e rigidez para outros; exigências de obras e adaptações em construções antigas sem critério legal etc.

Anônimo disse...

Eu já fui duas vezes ao Corpo de Bombeiros para transferir a taxa inconstitucional para o meu nome. Na primeira não pude porque era sexta feira à tarde, observei, depois, que isso vem informado no boleto, só não entendo o motivo. Na segunda vez não pude entrar porque estava de bermuda, também não entendo porque posso ir a Receita Federal de bermuda e ao Corpo de Bombeiros não.