domingo, 22 de setembro de 2013

Pedlowski, os debates assimétricos e as regras do jogo!

Qualquer teórico de botequim sabe que a luta política, e a construção teórica se fazem situando-as em algum limite discursivo: tanto o nosso, mas principalmente o do outro...

Já disse Bordieu que o discurso não nos pertence, pois é o ouvido, e não a fala, que fixa este discurso...

Assim, é infantil tentar nos descolarmos dos rótulos que nossos interlocutores nos colocam, a não ser que pretendamos o monólogo, o isolamento...

De todo modo, nesta busca entre referências, é preciso definir uma instância de legitimação de nosso discurso, e há várias formas de fazê-lo...

Do ponto de vista "teórico", alguns dirão que o governo do PT não pode ser considerado "de esquerda"...Porém, sabemos que tais  referências"teóricas" não são as únicas formas de reconhecermos a realidade, até porque, cada um utiliza a referência que melhor lhe convém...

Então, como escapar a esta armadilha? É preciso recorrer aos fatos, que não raro influenciam a teoria, e vice-versa, em relação de causa e efeito...Uma correção necessária: 
governos não se confundem com partidos, a não ser na cartilha do espectro ideológico onde se encontra o ilustre professor...
Bom, dito isto, é preciso dizer: Como definir, dentro da conjuntura e da estrutura política brasileira (e mundial), um governo que catapultou 40 milhões de pessoas da mais ignóbil miséria a uma vida minimamente digna, triplicou o salário mínimo real, aumentou a renda do trabalho, quintuplicou os investimentos sociais, diminuiu em quase 5 pontos percentuais o total de juros pagos aos rentistas, aumentou vagas um universidades públicas, escolas técnicas, criou programas de habitação, mantém o emprego em 5% aproximados, o que eleva o poder de barganha dos trabalhadores frente ao capital?

De certo não é um governo pré-revolucionário, mas com certeza, a honestidade intelectual não nos permitiria dizer que se trata de um governo "de centro", ou "social-democrata"...

No teatro das disputas políticas globais nos dias atuais, pelo tratamento que recebe dos setores conservadores (e ironicamente, dos ultra-esquerda), não há dúvidas que se trata de um governo de esquerda...Não a esquerda do tipo que delira, mas a esquerda possível...

Mais engraçado é assistir o ilustre professor Marcos Pedlowski tentar fugir, como o diabo foge da cruz, de qualquer enquadramento político-ideológico...Óbvio, como bom debatedor que é, sabe que a inércia de pedra, solta ao vento, sempre é melhor que a inércia das vidraças...porém, a manobra soa farsesca...e é.

E assim, segue ele receitando para os outros (rótulos) o que rejeita para si...

Eu nem vou responder a sentimentalização do drama pessoal dos familiares do professor, utilizado de forma inacreditável (para não dizer inaceitável), para debater um tema tão sério...Eu fico a imaginar que com o salário que recebe hoje(de forma muito justa), poderia o professor providenciar um tratamento mais digno à sua mãe, a não ser que a deixasse morrer apenas para alardear uma posição que lhe é cara...

O texto ficou parecendo um destes programas do datena ou marcelo resende, só que com verniz acadêmico...

Também tenho os meus dramas pessoais no campo da saúde pública, que me ceifou a vida de um ente querido (filho), mas não creio que este seja o local e nem a situação correta para tratar deste assunto...

Já que Calvin foi o instrumento utilizado pelo professor, e estando este cartoon entre os meus prediletos, vai aqui um que pesquei no site Crítica Constitucional, e trata sobre "regra do jogo", naquele caso utilizado para um texto sobre o stf, mas que se encaixa perfeitamente no modus operandi da ultra-esquerda(que aliás, não por coincidência, se parecem cada vez mais):

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3 comentários:

Anônimo disse...

Bem que Lula podia agradecer pelo menos uma vez a FHC por deixar o país redondinho pra ele governar.

douglas da mata disse...

Santo deus, o que é isto?

"Redondinho"? Como assim? Acho que você está redondamente enganado.

Isto é que dá se intoxicar com a (de)formação da mídia golpista, vamos aos dados:

01- Inflação acumulada no período ffhhcc, mais 200%, e no ano de 2002 chegou a 12%. Inflação acumulada no período Lula (e Dilma) algo mais de 100%. No período Lula-Dilma a inflação NUNCA chegou a dois dígitos, como no período anterior.

02- Salário mínimo em ffhhcc, menos de 100 dólares na média, no períod Lula-Dilma: 300 dólares.

03- Desemprego em ffhcc, 10 a 12% na média, Lula e Dilma: 5%.

04- Investimento social per capita em ffhhcc um mil e poucos reais, Lula-Dilma: 5 mil reais.

Agora os dados que eu gosto mais, para desmascarar os midiotas de uma vez, inclusive no campo que eles gostam de se arvorar, o equilíbrio fiscal:

Dívida pública em relação ao PIB em ffhhcc, 55%, Lula-Dilma: 34%;

Juros em ffhcc, 15% (taxa real, descontada a inflação, sempre maior em ffhhcc), na média, Lula e Dilma (3, 4%).

Gasto com juros em relação ao PIB em ffhhcc, mais de 10%, Dilma: 5%.

Mobilidade social em ffhhcc, estatisticamente desprezível, como Lula-Dilma mais de 20 milhões de pessoas deslocadas das classes E e D para a classe C.

Número de Universidades abertas com ffhhcc: ZERO. Lula-Dilma: mais de 20.

Número de escolas técnicas em ffhhcc: ZERO.

Lula e Dilma: mais de 200.

Eu poderia continuar a falar da variação cambial(ffhhcc entregou o país com fuga de capitais e dólar a 4 reais), as reservas cambiais, etc, etc, etc.

Mas acho que já foi informação suficiente para você ruminar...

douglas da mata disse...

PS: e não vale a lenga-lenga de dizer que ffhhcc recebeu o país assim ou assado.

A inflação de 93, último ano de Itamar ficou próxima do zero.

Ou seja, ffhhcc QUEBROU o país umas duas ou três vezes.