segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Os blackbobocas e os tiozinhos em crise de meia-idade.

Existe uma fase na vida em que o homem de meia-idade procura símbolos de rejuvenescimento para aplacar a crua e verdadeira visão de que o tempo chegou, e pouco ou nada daquilo que imaginava fazer para, pretensamente, "mudar" o mundo, se realizou...

Todos, individualmente, em todas as classes sociais, sonharam em mudar os contornos da realidade que os cercavam, e a medida deste desejo, e a repercussão destes desejos em esfera pública tem a ver com um monte de coisas, que vão desde o contexto da História, até a capacidade e possibilidade de articulação destes anseios, funcionando como relação de causa e efeito...

Assim, dizem que delírios sobre a precariedade do tempo sobre as enormes tarefas que se auto-incumbiram, em revelação de megalomania atroz, acometeram Julius Caesar, Napoleão, Hitler, Stalin e outros, que não à toa, a medida que o tempo encurtava, passavam a praticar atos cada vez mais insanos para cumprir aquilo que imaginavam ser seu destino manifesto.

Este desespero também catapulta as vendas de Prozac em meio aos homens ditos "médios"...

Uns buscam a criogenia, outros tiveram seus corpos expostos em caixas de vidro, pintamos o cabelo, vamos às academias, nos unimos a manifestações juvenis-estudantis ou namoramos jovenzinhas...

Mas todos carregam nas suas ações um traço inconfundível: o autoritarismo, que confronta o traço "natural" de tolerância que se espera com o avançar da idade...

É como querer brigar com o fato de que este tempo, esta iniciativa não nos pertence mais...ainda que nos reste observar...

É preciso dizer que este roteiro nunca é linear...é verdade.

Porém, dadas as devidas proporções, é esta estranha mistura que une os grupos fascistas de blackbobocas e alguns de seus apoiadores de meia-idade...

Como garotas recém-saídas da adolescência, os quadrilheiros mascarados exercem para estes senhores uma atração que excita suas lembranças juvenis, e talvez lhes confira um momentâneo elixir contra a inexorável ação do tempo...

Só isto explica tanta paixão!!!

Claro, não há nada demais ter se imaginado como alguém que fosse mudar o mundo, ou que fosse experimentar a tal ruptura revolucionária...

O problema grave é não entender que as possibilidades se esgotaram, ou se tornaram diferentes, e continuar a rezar pela cartilha que aprenderam lá em 1917, associando-se a grupos ou manifestações que tenham a única virtude de embalsamar memórias decadentes...

Só isto explica tão pouco rigor científico, justamente dos cientistas, que deveriam enxergar que estes grupos fascistas, ajuntamentos que não se filiam a nenhuma organização política definida, apenas têm o condão de justificar o aumento desmedido da repressão pelas forças reacionárias que dizem combater...

Não é errado dizer que, violência policial e blackbobocas são fenômenos siameses, que se retroalimentam, fornecendo a setores mais atrasados das estruturas estatais o argumento para endurecimento de ações cada vez mais agudas e restritivas, o que, por sua vez, afasta cada vez mais o manifestante pacífico das ruas e da possibilidade de aumento da organização social contra o sistema...

A imagem mais corriqueira que me vem a cabeça quando vejo gente como eu, um tiozinho, apoiando e se referendando em um bando de molóides como os blackbobocas é aquela famosa cena do senhor de 73 anos abraçado a um poposuda de 19 anos...

Bom, cada um é livre para fazer de si o que quiser...

9 comentários:

Anônimo disse...

Talvez a melhor prova da impossibilidade do socialismo ser uma alternativa ao modelo ocidental seja a autofagia dos esquerdistas, que se auto-destroem assim que um grupo chega ao poder.

Deve ser um sistema de seleção natural do capitalismo.

douglas da mata disse...

Arf...

A esquerda ainda não chegou ao poder em nenhum país ocidental, a despeito de ter ganho eleições...

Esta diferença é fundamental para traçar qualquer análise.

A tese da "seleção natural" capitalista nem merece réplica...é uma tolice sem par...

O que torna o capitalismo condenado ao fim são suas contradições intrínsecas, o que não quer dizer que os modelos que superarem esta etapa sejam eternos, aliás, nada é...

Anônimo disse...

Isso da condenação do capitalismo ao fim pelas suas contradições internas era o que dizia Marx em 1848, certo?

Vai demorar muito ainda?

douglas da mata disse...

Ué, você 'tá com pressa? Então mobilize-se...

De todo modo, só depois de milhares de anos é que o capitalismo se estabeleceu como sistema hegemônico de organização produtiva, e tem apenas 200 e poucos anos...

Mas como desconfio que você deve ser um daqueles que está bem protegido pelo sistema de pequenos privilégios dedicados aos lacaios do capital, então, só lhe resta esperar...

Haverá o tempo em que viverão duas classes sociais: os que não comem, e aqueles que não dormem...rsrs, entendo sua preocupação...

douglas da mata disse...

Em tempo: pensamento único é coisa do capitalismo, e vejam só a merda que deu no mundo todo!

Anônimo disse...

Deu merda, mas tambem deu Noruega, Suecia, Canada e outros paises onde se vive melhor do que nunca na historia do mundo.

O socialismo bem sucedido, por outro lado, deu a China.

douglas da mata disse...

Bem, é bom você dar uma revisitada nos números da concentração de renda, e do desemprego provocados pela crise capitalista europeia na Suécia e na Noruega.

A Suécia experimentou, inclusive, manifestações violentas e um recrudescimento das experiências autoritárias pró-nazismo.

Tudo bem, com as fontes limitadas de (des)informação a seu dispor, é pedir muito que "saia da caixinha".

De todo modo, Suécia e Noruega praticam algo bem mais próximo da social-democracia, ou um wellfare state super dimensionado, onde a carga tributária beira os 60% do PIB, e que algumas faixas de rendimento pagam 75%¨.

Logo, não são exemplos de sucesso capitalista no modelo clássico de estado-mínimo.

Por outro lado, a China, é verdade, também não é exemplo de sucesso socialista, mas de capitalismo de estado.

Canadá até hoje não tem sistema público de saúde.

O que está em debate aqui não é isto, mas a inevitabilidade da superação do capitalismo, haja vista que a História não acaba com este sistema.

O que você, de forma tacanha, chama de autofagia, eu chamo de dinâmica de classes.

Embora o capitalismo se autodenomine "democrático" por natureza, ele pretende sempre impor uma visão única, consensual e simplista da realidade, onde o dissenso é visto como fraqueza.

De fato, esta construção teórica acaba por seduzir gente como você, incapaz de fugir aos esquemas ideológicos da classe dominante (elites capitalistas), que fazem bobocas imaginarem que as classes subalternas devem apenas repetir o que ouvem, abdicando da possibilidade de se enxergarem como tais, isto é, subservientes.

É sobre isto que Marx se referia quando falava em alienação pela exploração.

Anônimo disse...

Seu comentário de 18:04 não precisa resposta, de tão obtuso.

Ser subserviente com as classes dominantes é pensar que Canadá (ou Suécia) é melhor do que o Brasil...

Então ser de esquerda é pretender ser melhor do que Suecia ou Canadá, que representam a 'decadência do capitalismo', sem nunca chegar nem perto dos patamares de qualidade de vida deles.

Vocês querem pular do subdesenvolvimento à utopia do Novo Homem, sem lhe dar ao povo a chance real de ser um país onde se respeite o ser humano, como esses que já foram mencionados. Só porque se trata de umas horriveis 'social democracias".

Assim, a esquerda nunca vai precisar de inimigos.

douglas da mata disse...

Meu filho,

É preciso que você consiga entender o que lê, antes de se arvorar a um debate:

Eu não disse que Suécia, Canadá, ou Noruega, ou mesmo a Finlândia são "fracassos"...Mas, por outro lado, não acredito nesta idealização de que são "sucesso" absolutos.


Disse que detêm números melhores, justamente, por não adotarem a receita clássica de tão cara aos midiotas do pensamento único neoliberal: baixa carga de impostos e estado mínimo.

Aqueles países tiveram relativo sucesso porque negaram esta cartilha capitalista, mas ainda assim, experimentaram duros revezes na crise recente, e ainda enfrentam.

Outro erro comum é comparar países...é como comparar melancias e jaboticabas, apesar de serem frutas, são totalmente diferentes.

Nosso país tem história, processos e cultura diferentes, muito por causa de suas dimensões, onde aqui cabem 40 Suécias/Noruegas, o que faz toda diferença quando se aplicam políticas públicas.

É, pois, impossível, dizer que a Suécia é melhor ou pior que o Brasil.

São antes diferentes...e é bom não esquecer que os estágios diferentes de riqueza de cada país estão ligados a posição que cada país exerceu na divisão internacional do trabalho ao longo da História.

A riqueza europeia só é possível pelo saque a América Latina...outro dado que torna mais difícil a comparação entre países.

No entanto, eu imagino que se pagássemos a mesma taxa de impostos que se paga por lá, talvez fôssemos muito melhores, dadas nossas vantagens naturais(água doce, petróleo, clima, etc).

Mas por aqui sempre "macaqueamos" as piores teses, as piores ideias, justamente para que o nosso Estado-mínimo, possa permitir que continuemos a exportar riquezas e importar dificuldades.

Este argumento de "dar a chance real de ser um país onde se respeite o ser humano" foi demais...Eu não quero pular do subdesenvolvimento a Utopia do "Novo Homem" porra nenhuma, só não quero que a História deixe de seguir seu curso...ou que se repita por aqui como farsa!

O fato é que o figurino social-democrata que cabe na Suécia não nos serviria.

E nem de longe a social-democracia deu conta dos problemas que se propunha resolver, pois não há capitalismo passível de ser domesticado...

É como criar cobras e reclamar das picadas.