segunda-feira, 2 de setembro de 2013

O São Caixa d'Água.

Foto do acervo da Liga Campista de Desportos.

Como todo mundo, este blogueiro também cultiva suas memórias afetivas em relação a esta cidade que o acolheu...

É o Americano Futebol Clube o responsável por parte destas, quando aos dez anos, molecote, tomava a condução em frente a Faculdade de Filosofia, e ia de CTC, linha 7, pela Alberto Torres, que ainda aceitava o tráfego em dois sentidos...

E lá vou eu pela contramão do tempo...

Na piscina do clube dei as minhas primeiras braçadas, e sem muito destaque, frequentei a equipe de natação do alvinegro...Talvez minha preguiça endêmica não deixasse a dedicação me alcançar e me alçar a lugares mais altos no esporte, mas o fato é que envergar aquele uniforme todo preto, na época com agasalho e calça daquela marca alemã famosa das três tiras, todas brancas, como o lindo escudo "eneaestelar" era o máximo...principalmente porque era a mesma indumentária do time profissional de futebol...

É claro que o Americano Futebol Clube construiu sua história de hegemonia sobre o futebol campista e regional à custa de muita arbitrariedade, negociatas misturadas a paixão de dirigentes-cartolas que, não raro, confundiam as dependências do clube como extensão de suas casas, e o atletas como uma mistura improvável de filhos, afilhados e criados, a depender da relevância dentro da estrutura da agremiação...

Mas esta é a história de todo esquadrão brasileiro e da afirmação do esporte bretão neste país...

O fato é que até por isto, clubes e seus patrimônios não podem ser tratados como meros ativos imobiliários sob o apetite voraz dos especuladores...

Muito dinheiro público foi e continua a ser enterrado dentro das deficientes organizações de futebol, sob o perene argumento de que nossa cultura desportiva mistura laços de paixão e sociabilidade, que justifiquem esta mistura de interesses públicos e privados, naquilo que em outros países se chama de promiscuidade...

Então não venham me dizer que o patrimônio do clube só diz respeito aos sócios e a quem (mal) o administrou...Se a cidade ajudou a criar e a sustentar este patrimônio, é no mínimo estranho que o poder Legislativo da cidade não seja convocado a opinar no assunto...

Como bem lembrou o professor Roberto Moraes, em texto sobre o tema , e de onde "roubei" a bela foto, foi dinheiro federal que ajudou a erguer o estádio do time do Parque...

A queda do Godofredo Cruz é mais um pontapé na nossa História de decadência recente, paradoxal frente ao oceano de riquezas que desperdiçamos anualmente...

Ali vi jogar meu time, o Flamengo, nos áureos tempos de Zico & Cia, espremido nas desumanas arquibancadas, mas também vi Sérgio Pedro, Índio, Maguinho e outros enfrentarem este e outros gigantes com a disposição de Davi frente a Golias...algumas vezes as "pedradas" atingiam o alvo...

Hoje, assistindo os "argumento$" daqueles que acreditam no fatalismo irreversível do dinheiro sobre as gentes das cidades, eu tenho certeza: Eduardo Vianna, o folclórico e polêmico cartola campista, czar-dirigente da FERJ e alvinegro empedernido, "companheiro" de gente como Eurico Miranda, é santo, se comparado a este pessoal de bons modos e fala macia...

Assim, se derrubar o Godofredo Cruz e boa parte da histórica campista por uns trocados, e uma expectativa de estádio lá na curva do deus-me-livre é bom negócio, então canonizemos o Caixa d'Água...


2 comentários:

Anônimo disse...

Parabéns pelo texto até que enfim alguém teve coragem de der ir contra a maré esta que esta desfavorável para o nosso futebol tomará que ela mude acho que ainda a tempo.

Wilson Carlos

douglas da mata disse...

Grato, Wilson.