segunda-feira, 2 de setembro de 2013

rede gr(ô)bo: o que está por trás do "arrependimento tardio"...




Os lacaios das mídias corporativas e outros seres afeitos ao uso de coleiras e viseiras dirão em uníssono: 
"Viram, a maior rede privada de comunicação do país é capaz de fazer autocrítica, sinal que a autorregulação dos meios é eficaz?".
Bom, quem acredita nisto, com certeza, ainda espera por papai noel nas noites de natal...

Na verdade, este movimento anacrônico, cínico e assimétrico da g(r)ôbo nada ou pouco tem a ver com as manifestações recentes que a hostilizaram, ou mesmo com a descoberta de que a a vênus platinada sonegou milhões de reais e o processo de autuação e cobrança sumiu ("misteriosamente") dos escaninhos da Receita Federal, caso que contou com uma seletiva preguiça do Ministério Público e da Justiça Federal que aceitaram o silêncio constitucional da ré condenada a meros três anos e pouco, e que aguarda em liberdade o trânsito desta sentença...

Em breve, a população brasileira vai assistir uma guinada brutal no posicionamento da gr(ô)bo em relação ao governo...

Não é acidental que, por exemplo, a equipe de reportagem do "fanático", programa dominical da empresa, esteja a se debruçar sobre os problemas da espionagem dos EEUU, executados através da cooptação das gigantes da internet...

É que são estas empresas que se posicionam para, dentro de muito pouco tempo, disputar o controle das concessões de meios de comunicação no Brasil, trazendo conceito de convergência de plataformas, que na prática, já está tecnologicamente estruturado nas ferramentas disseminadas em tablets, telefones e outras mídias que reproduzem conteúdo virtual...

O caso do México e de Carlos Slim, magnata das comunicações e da telefonia sinaliza de modo claro (sem trocadilhos) como as tradicionais empresas chamadas jornalísticas, em franca decadência, não conseguirão fazer frente as gigantes telemáticas, não sem a "proteção de governos"...

Mudarão a gr(ô)bo e suas co-irmãs em relação aos parâmetros "ideológicos", e não será surpresa se estas empresas se dedicarem a reivindicar serem porta-vozes da "cultura nacional" frente ao avanço da globalização excessiva dos modos e pensares...

O aperitivo (ou isca) foi servido pela mídia, e de certo, setores do núcleo duro do governo já começaram a pensar como lidar com esta nova realidade...

O editorial renegando 64, e a repulsa a espionagem dos EEUU é como se o Cerberus (cão mitológico que protege a porta do reino de Hades - o mundo dos mortos) balançasse o rabo...

Quem imaginar que pode acariciá-lo como bicho de estimação vai ter um ingrato destino...



2 comentários:

Anônimo disse...

Concordo Douglas. Você tem razão. A Globo já começou a defender o governo. Por valores e interesses diferentes já vimos isso aqui na planície. Nada de anormal. Pode ser até que o resultado disso seja positivo para o país, se considerarmos o alcance da empresa dos Marinho e a quantidade de gente que acredita neles.
Quanto à indagação da primeira imagem do post (quando vão indenizar as pessoas?) é claro que é uma figura de retórica. Não haverá indenização assim como as famílias dos militares mortos, mesmo que em expressivo menor número, nunca o foram até onde eu sei.
abs

douglas da mata disse...

Há uma pequena confusão feita por você...

Não cabe "indenizar" os familiares dos militares mortos, pois:

01- Não há a figura do "cumprimento do dever", porque ao militar não cabe agir como força política coercitiva em uma ditadura.
Mesmo assim, é certo que suas viúvas e parentes recebem até hoje dos cofres da UNIÃO as pensões correspondentes, relativo as patentes para as quais foram promovidos post mortem.

02- Seus "algozes", ou seja, os militantes de esquerda foram "julgados e processados", ainda que em procedimentos ilegais, e até torturados e mortos, o que elide qualquer possibilidade de se pedir mais alguma reparação.

Em suma, é preciso entender que há uma diferença CLARA entre a ação dos militares(ILEGAL, ILEGÍTIMA E INDIGNA), e a resistência LEGÍTIMA E DIGNA dos militantes que se opunham ao arbítrio e a violência política instalada em 64.

A partir de sua tese, é como se os parentes dos alemães nazistas mortos pela resistência francesa, ou por judeus, pudessem ter direito à reparação.

Ou como um policial que está a torturar um preso que reage e o mata (o policial), pudesse deixar direito a indenização aos seus familiares...

Mas sua consideração sobre a natureza da pergunta é correta: trata-se de uma peça de retórica para vincular o ato político com os crimes cometidos.

No entanto, é bom lembrar que alguns veículos de mídia, como a folha de sp, agiu diretamente, fornecendo veículos e outras facilidades logísticas para sequestros e etc.

Um abraço e grato pela participação.