segunda-feira, 30 de setembro de 2013

O PT e Carla Machado...ou, o PT virou a casa da mãe joana?

Uma das maiores vitórias do espectro ideológico conservador nas últimas 03 décadas, desde que Margareth Tatcher e Ronald Reagan assumiram, respectivamente, o poder da Inglaterra e nos EEUU, foi a transformação dos sistema políticos de representação em indústrias de marketing, erigidas sobre estamentos jurídicos que confinaram a luta política dentro dos limites de tribunais, e em alguns casos, dentro das estações policiais...

Este processo bem elaborado permite que, em boa parte do planeta, ainda que mudanças circunstanciais, porém importantes, aconteçam na gestão dos orçamentos público-estatais, seja a agenda conservadora uma constante ameaça a necessária alternância de poder que a Democracia impõe...

Neste sentido, devemos resistir as críticas superficiais a suposta filiação (ainda não consumada) da ex-prefeita de SJB aos quadros do PT daquela cidade...Afastemos o moralismo infértil...

Não haveria nada demais nesta aproximação política de uma ex-prefeita, costurada dentro  de uma estratégia do candidato favorito ao governo do Estado, Lindbergh Farias, se tudo não se resumisse a apenas...ISTO...

É verdade, pelo que dissemos há pouco, que nem o candidato, nem a ex-prefeita são culpados pela descaracterização de partidos e do debate ideológico dentro da vida política brasileira, e quiçá, mundial.

Mas por outro lado, é desanimador assistir a coisa ser tocada com tamanha superficialidade, ou como gostam os analistas, apenas pelo viés quantitativo, ou seja, quem soma, quem perde, quem divide, quem multiplica...

Olhando apenas por este prisma a filiação da ex-prefeita é sempre bem-vinda...

Mas o problema é este: só olhar por este prisma!

Aos que sugerirem um raso comentário de que os governos petistas, na busca por ampla e forte coalizão, já sinalizam há tempos uma frouxidão conceitual, eu digo: Não misturem governo com partido! São coisas que estão ligadas, mas são instâncias diferentes...

E mesmo que aceitemos tal comentário, é bom lembrar: erros não justificam outros erros...

O partido deveria ser o espaço onde os militantes podem (e DEVEM) discordar de governos onde este partido seja até majoritário...É isto que oxigena governos...e PARTIDOS!!!!

O partido, também, deve ser o espaço onde, ainda que reconhecido o papel das lideranças, estas não sejam a última ou única palavra...

Trazer a ex-prefeita é concordar com seu legado político, na medida que é impensável(e desnecessário) querer lhe impor um mea culpa por sua biografia política...

E o PT de SJB, e de outras paragens, parece concordar, por exemplo, com a condução da ex-prefeita no desastre do Império X, onde foi responsável pela rendição incondicional do poder público (e REGULADOR) aos pés do capital especulador!!!

Não seria exagero dizer que em cada palmo de terra salgada do Açu há as pegadas da ex-prefeita...Quando estas pegadas somem, é porque foi carregada no colo pelo Imperador X (me desculpem os católicos pela imagem emprestada)...

Assim como é assustador que sua filiação não tenha alimentado nenhum debate sobre métodos draconianos, como mandar espancar desafetos...

Afinal, fica a pergunta: além de controlar a máquina de propaganda, cevar órgãos de mídia corporativa, e realimentar os esquemas de controle do poder, qual é o grande feito político-administrativo da ex-prefeita que some ao PT de SJB...?

Bom, eu só entendo tamanha complacência se concordamos que no caso do PT de SJB, um quase nada político, qualquer coisa sirva mesmo!!!

Mais ou menos como o "casamento" de um certo médico com o PT de Campos dos Goytacazes...

5 comentários:

Anônimo disse...

Depois que li a notícia da filiação da ex prefeita, queria te perguntar isto: Se o PT é a esquerda possível, Carla seria o quadro político possível?
Seria o tal pragmatismo aplicado às composições disponíveis na região para combater o garotismo?

douglas da mata disse...

Meu caro, o PT, como nenhum grupo ou ajuntamento humano detém uma face apenas, ou seja, não é um bloco monolítico.

Isto quer dizer o seguinte: há diversas forças e espectros dentro da sigla, e haverá os que defendem a tática eleitoral com este viés mais pragmático, bem como as coalizões governistas mais amplas.

Eu não creio, também, que haja uma receita única que funcione no planalto e na planície...ainda bem.

Não acho que, por aqui, vale-tudo contra o napô da lapa, até porque, já vimos que não deu certo, e não dará certo...

Para trazer um quadro ou receber um apoio de alguém considerado distante do que o PT defende, há de se fazer a conta do ônus e bônus...

Neste caso, eu só enxergo ônus, mas posso estar errado...aliás, torço para estar...rs

douglas da mata disse...

PS: mas em todo caso, fiel ao raciocínio acima, antes é preciso definir o que defendemos...7

O PT de Campos defende o quê mesmo?

Anônimo disse...

Ora, O PT da planície defende... defende... defende, ora! Defende o deles.

douglas da mata disse...

Meu amigo, se ainda fosse assim, e eles tivessem a competência mínima de fazer algo, ainda que em benefício próprio, eu aplaudiria...porque, afinal, poderia, desta ação, algo dar certo, coletivamente falando...

Nem isto...

São como prostitutas que reembolsam os clientes ao fim do programa...