segunda-feira, 2 de setembro de 2013

EEUU e Brasil: terabytes de big stick!

Ninguém, a não ser os idiotas de sempre, acreditaria que após a queda do Muro de Berlim, a conjuntura geopolítica internacional fosse experimentar as delícias do "mundo livre", com autorregulação do mercado, prosperidade para todos, e convivência harmônica dos povos, e de quebra, o encerramento das lutas de classe, e da própria dinâmica dialética dos acontecimentos, naquilo que chamaram de "Fim da História".

É certo que alguns tolos ainda se batem por isto, e pregam um mundo onde a política e as ideologias sejam ultrapassadas em nome de uma assepsia filosófica, ou uma neutralidade permanente de culturas e modos, como se isto fosse possível, ou pior, desejável.

Toda vez que alguém prega o fim dos conflitos, das ideologias e da política, é porque deseja impor o seu consenso, a sua ideologia, enfim, a sua forma de fazer política.

Este pequeno preâmbulo foi feito para tratar do assunto da vez, que retorna à baila, com novas revelações do ex-agente Edward Snoden, exilado em Moscou após revelar ao The Guardian os pormenores das ações de espionagem do governo dos EEUU no tráfego de internet, com a compra do apoio das gigantes no setor: Google, Yahoo, Microsoft, Facebook.

Os eventos históricos não podem ser encarados de forma isolada, estanque...Não se trata de um surto de bisbilhotice estadunidense ao redor do planeta.

A espionagem é um dos pilares da política externa dos EEUU, e seria correto dizer que ela se torna mais aguda à medida que aquele país perde peso no cenário internacional, ou tem seus interesses contrariados.

Mas não é só isto...todo problema tem várias faces, ou seja, se apresenta de maneira polimórfica.

No Brasil, as raízes da violação de nossa soberania tomou contornos de subserviência estatal quando o governo tucano de ffhhcc escancarou, principalmente, nossa Polícia Federal ao domínio das agências estadunidenses, chegando ao cúmulo de delegados receberem dinheiro externo diretamente em suas contas correntes, a título de "ajuda de custo" em operações "conjuntas" de combate ao narcotráfico e as narcoguerrilhas na fronteira norte e no enclave tripartita do sul brasileiro.

Para quem já esqueceu, basta ler a série de reportagens da revista Carta Capital que revelou este estranho relacionamento...Se preferir, vá ao endereço www.cartacapital.com.br e digite na janela de busca as palavras Polícia Federal e Estados Unidos.

Os resultados são assustadores: Lá você ficará sabendo, por exemplo, que o ex-governador de SP, çerra, aventou a possibilidade de pedir "ajuda" aos EEUU para conter os ataques do PCC...

Em resumo, os incidentes revelados sobre a inclinação dos EEUU em tratar a América Latina como seu quintal, tiveram suas bases lançadas durante a octaéride fernandista...o episódio simbólico mais vergonhoso desta "era" foi quando embaixador brasileiro teve que tirar sapatos para entrar em aeroporto de lá...

Então, o que surpreende aos incautos, ou atiça a falsa comoção dos cínicos foi quase uma política oficial do governo brasileiro da "turma da Privataria".

Para a alterar esta diretriz, não bastam discursos inflamados. É preciso, em caráter de urgência, destinar volumes significativos dos royalties, inclusive a parcela que foi direcionada recentemente a Educação, para os setores de pesquisa e inovação das tecnologias da informação no Brasil, como forma de romper a dependência tecnológica que nos deixa reféns dos desmandos daqueles que monopolizam estas ferramentas...

Este blog já mencionou aqui esta necessidade quando trouxemos a reportagem do The Guardian sobre o PRISMA, Agência de Segurança Nacional dos EEUU e Edward Snoden...

Caso contrário, vamos continuar a encenar o "teatro" de sempre: fingimos indignação e continuaremos sob as cipoadas do "bic stick", que desta vez, ao contrário do que pregou Theodore Roosevelt, prescindem qualquer agressão militar...

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