domingo, 22 de setembro de 2013

A ultra-esquerda e o sindicato dos carrascos!

Ler representantes do pensamento delirante da ultra-esquerda nacional, defendendo o direito de uma das categorias mais abastadas do país a manter seus privilégios, como você pode ler aqui, e neste trecho em especial:

"(...)E para os médicos o que isso traz? Primeiro, o adeus ao sonho de ter pela carreira uma ascensão ainda maior. Segundo, o abandono daquelas especialidades que são vistas como mais trabalhosas e menos rentáveis. Terceiro, o reconhecimento desagradável de que estão se tornando cada vez mais simples trabalhadores, destinados a um tipo de estresse ocupacional que não lhes foi ensinado nos bancos escolares.(...)"
Quem se der ao trabalho de ler o texto do ilustre Professor Pedlowski, sem saber quem assina, imaginará que está diante de algum articulista da mídia golpista ou das fileiras do Instituto Millenium...

Então é aterradora a visão de se tornar "simples trabalhadores"????

Mas então que sociedade igualitária, onde as diferenças de classe, de atribuições e recompensas estejam cada vez menos distantes é esta que o professor professa?

O que o professor não enxerga, ou não quer enxergar, é que o fato dos médicos serem oriundos das classes mais abastadas das sociedades, é relação de causa e efeito que perpetua, ao redor do mundo, mas com agudeza sem igual neste país, um sistema de privilégios e castas, onde o exercício da medicina se tornou um lucrativo negócio, não sem o conluio subserviente da categoria médica, ora adulada por sonhos de "grandeza" (que o professor chama de "ascensão"), ora por favores e mimos da indústria farmacêutica, ora pela sedução e aliciamento da ultra-especialização que alimenta a indústria de equipamentos e diagnósticos.

Recentemente, com os efeitos da globalização e das crises cíclicas, Vossas Majestades, os "dôtores" foram chamados a pagar parte da conta, e claro, agora lembraram de dividir esta conta com os Erários municipais, estaduais e federal, tudo sob o chantagista  e hipócrita argumento da "preocupação" com a saúde pública...

Acredite quem quiser, principalmente, quando nesta celeuma desfocada do programa Mais Médicos (que o governo em MOMENTO ALGUM disse que seria a solução das políticas públicas de saúde do país, como os desonestos intelectuais apregoam), nenhum sindicato médico, nenhum conselho ou associação de classe veio a público para cessar ou contradizer as manifestações de racismo, exclusivismo, preconceito e ignorância sobre saúde pública...

Não era de se esperar outra coisa em uma categoria formada apenas por gente de classe A e B, e 95% branca, onde os pobres são um traço estatístico... 

Só no socialismo de ascensão do professor que integrantes da classe A estarão solidários com as demandas e pleitos dos mais pobres....

Depois somos nós os conservadores, ou neo-alguma coisa...rsrsr

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Ler as incongruências deste pessoal é saborosamente divertido...Mais ou menos como imaginar que em algum período pré-revolucionário qualquer, na iminência da ruptura desejada, o poder instituído estivesse a sobrecarregar os carrascos que decepam as cabeças dos revoltosos, com o intuito de frear-lhes os ânimos  insurrecionais...

Diante do aumento de trabalho, e da manutenção dos soldos, os carrascos entram em greve, e decidem filiar-se a um sindicato, e uma vez sindicalizados, manifestam o desejo de falar a assembleia dos revoltosos...

E aí?

O que fazer?

Com certeza, os "jênios" da ultra-esquerda defenderiam o direito dos carrascos de aumentarem seus soldos, contra a precarização do trabalho, etc, e tal...Ainda que isto custasse suas cabeças (ocas, por óbvio)....

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