sábado, 3 de agosto de 2013

Prevenir é melhor que remediar!

Se o governo federal atual, ou qualquer outro governo daqui por diante, desejar modificar as estruturas da saúde pública nacional, e pretender um amplo debate sobre o papel do médico e do exercício da medicina neste país, não poderá fugir ao seguinte debate:

Apenas teremos médicos comprometidos com a maioria da população quando estes forem oriundos das camadas mais pobres da população!

A mudança da medicina no país requer uma mudança do perfil de classe dos médicos. A elite nunca irá se preocupar com a pobreza!

O intenso debate sobre o Programa Mais Médicos do Ministério da Saúde tem nos revelado uma categoria ensimesmada, individualista, egoísta e portadora dos piores preconceitos, fruto de uma estrutura de formação que privilegia e dedica boa parte dos melhores esforços e recursos públicos para dar diplomas aos filhos da classe A e B, que depois dão as costas a maioria dos brasileiros, sob o falso argumento da "falta de condições".

O que estamos fazendo é usar dinheiro público das universidades e bolsas para empurrar médicos para os grandes centros, seus grandes hospitais e especialidades caríssimas, quando o que precisamos é atenção básica, comprometimento com as periferias e procedimentos simples, como tocar e ouvir o paciente.

60% dos casos levados aos ambulatórios se resolvem com apenas UMA consulta! (DataSUS).

O atual modelo de medicina e saúde pública no Brasil, que impõe a necessidade de dispositivos cada vez mais caros, tornam as "condições" pretendidas pelos médicos cada vez mais distantes, o que os livram cada vez mais de cumprir sua missão como profissionais que devem ao público a retribuição pelos sacrifícios que fizemos para sua formação (790 mil reais per capita, sem os custos de residência - dados do MEC).

Na medida que os atuais "filhinhos-de-papai" (os nazistas de jaleco) resolveram empunhar a bandeira do "somos cultos, somos ricos..."(como estava em um cartaz de uma destas manifestações fascistas), ou do reducionismo criminoso ("dilma vá curar seu linfoma em Cuba", ou "achamos o dedo do Lula, está no c...do brasileiro"), fazendo chacotas com doenças e amputações de pessoas, independentemente de concordarem ou não com suas posições políticas, é chegada a hora de varrer este pessoal do mapa, ou seja:

O governo deve começar a pensar seriamente em mudar radicalmente o acesso as faculdades públicas e bolsas de estudo, criando cotas sociais que impeçam ou dificultem cada vez mais o ingresso dos ricos nas faculdades públicas e/ou subvencionadas, reservando as vagas para os pobres.

Tenho certeza que os playboys irão as ruas para dizer que pobre não pode ser médico, assim como não podia ser presidente!


5 comentários:

Anônimo disse...

Fascista é você! Seu recalcado de merda! Algum médico pegou a sua mulher? Tem algum parente estudando medicina em Cuba por indicação do pt? Você fala do que não conhece! Vá se fuder!

Roberto Torres disse...

Pôs o dedo na ferida.

Nossos médicos de classe média tradicional - com as exceções que sempre existem - talvez sejam os maiores representantes do preconceito de classe à brasileira.

Nossa grande causa para os próximos anos, com enorme potencial de mobilização. Mais cedo ou mais tarde, a ficha da verdade vai cair para uma maioria muito importante: pobres despossuídos e nova classe trabalhadora.

Grande abraço,

Roberto

douglas da mata disse...

Pois é Roberto, e pelo jeito, o dedo na ferida está doendo.

Este tipo aí em cima é, mascarado pela liberdade que só o anonimato proporciona, o ethos político da classe médica brasileira, com raras exceções, como você já citou.

Raramente deixo passar este tipo de comentário, mas neste debate, cada vez que um demente de jaleco destes se manifestar, será exposto como um animal grotesco para nossa observação.

Anônimo disse...

Não tenho certeza de que o médico oriundo da classe pobre, quando se FORMAR MÉDICO, terá mais comprometimento com os mais pobres. Com o conforto, a tendência é repetir o mesmo comportamento dos seus pares.
Poucos se importam com os mais pobres por razões humanitárias, esta é que é a verdade.

douglas da mata disse...

Bom, este é um bom debate, mas eu imagino que um médico com origem de classe humilde não terá problemas em atender na periferia.

Até porque, ele será referência ali, para si mesmo e para orgulho da sua família.

Estes laços não são fáceis de desconstruir. Ao contrário...

Ninguém deseja frear os efeitos da ascensão social, ou seja, se a profissão é bem remunerada, ótimo, conforto não é ilegal, nem imoral.

O que não pode é dar vaga pública e bolsa para rico se formar e cuspir na cara do paciente pobre.

Tenho certeza que invertendo a pirâmide social na formação da medicina, os casos de deslumbramento serão exceções, e não regra como agora.

No entanto, como eu disse, o texto coloca a necessidade desta discussão, que é claro, vai incomodar muita gente, principalmente os que advogam que os privilégios são direitos...