domingo, 4 de agosto de 2013

Onde está Amarildo?

Acabo de ler no blog do Pedlowski que o Financial Times também se pergunta. Você pode acessar a postagem aqui.

Eu digo que mais estarrecedor que este episódio da violência estatal brasileira, e não só policial, como dizem os incautos, é o cinismo e hipocrisia dos países europeus e os EEUU, quando o tema é proteção a vida humana.

Não sei onde está Amarildo, mas posso arriscar um palpite, ou alguns palpites:

Estará o pedreiro nas masmorras de Guantánamo? Ou teria sido morto no metrô londrino pela "infalível" Scotland Yard? Foi ele vítima de uma "extração" da CIA em solo afegão ou iraquiano, transferido para países europeus de segunda linha, transformados em calabouços de tortura para os agentes yankees

Asilado em algum país, por ter desafiado uma grande potência? Ou enjaulado por ter disponibilizado imagens e documentos que mostram as entranhas do Grande Irmão?

Quem sabe estará em uma cova rasa colombiana, enterrado pelos paramilitares financiados pela DEA?

Como vemos, o problema da violência do Estado sobre os cidadãos, mormente aqueles que estão em posição mais frágil nas estruturas sociais ou sejam inimigos nº 1, não é exclusividade brasileira.

Sabemos que, talvez, o único "crime" cometido por Amarildo é ter nascido pobre.

O fato precisa de respostas, mas com certeza, não é a Inglaterra ou os EEUU que podem nos ensinar a tratar destes problemas, até porque, a truculência policial é um ingrediente de perpetuação do sistema capitalista que, justamente, mantém uma minoria de pessoas e países dominando vastos contingentes de pobres ao redor do planeta!

Não existe política de direitos humanos que seja compatível com o capitalismo...é preciso deixar isto claro, de uma vez por todas.

A polícia tem que responder pelos seus atos, mas sem sombra de dúvidas, é uma tremenda idiotice acreditar que a punição de meia dúzia de agentes do Estado dará conta das injustiças que alimentam esta estrutura.

O que me espanta é um cientista social como Marcos Pedlowski cair em um truque manjado destes...

9 comentários:

Anônimo disse...

Você tem problema...

Anônimo disse...

Rapaz você é bom de malhar pra cacete. Fique curioso. Qual país em nossa galáxia se aproxima daquele regime que você acha ideal? Ou próximo do ideal, esse país existe?

douglas da mata disse...

Bom, se promover a dúvida permanente e construir o debate sobre tudo tem, no seu dialeto nenderthal, o significado de "malhar", vou levar como elogio.

Vou até além, e ao invés de te dar a outra dose de chinelada na bunda que você veio buscar, ao contrário, responderei a sua curiosidade:

Nenhum país do planeta (não imagino que haja países em outras galáxias) se aproxima daquilo que considero ideal.

Ideal é a busca permanente por alcançar as condições ideais, ainda que tal condição seja impossível.

Ah, e não esquente, não espero que um débil mental como você vá entender o que falo.

Há, é claro, idiotas que imaginam que há lugares ideais ou países que podem se dar ao luxo de "cagar regras" aos outros, apenas porque estão em estágios civilizatórios diferentes, perpetuando o jogo de dominação que legitima desigualdades e a piora das condições da maioria da Humanidade.


Ao outro comentarista, é verdade, tenho problema:

Por mais que eu tente afastar os débeis mentais, estes se reúnem ao meu redor...ainda que eu lhes chute o rabo, cuspa em suas caras-de-pau, espanque sua auto-estima, os vermes insistem...

Mas cada qual com sua missão...

Anônimo disse...

Bom, malhar é se referir aos que pensam diferente de você como idiota, midiota, imbecil, débil mental, e outros termos que seu vasto vocabulário gosta de classificar. Se isso é tolerância, construir o debate permanente...pô.
Repare, só porque o cara compra o Globo é um imbecil. A metade da população, e talvez alguns ídolos seus. É ridículo. Voltando ao país, eu já sabia que não tinha resposta. Não há nenhum que lhe agrade, como pode? Sabe por que? Porque aqueles que se aproximam do que você imagina ideal são aqueles que mais deram errado amigo, e aí você não vai botar a bunda na janela, né?

douglas da mata disse...

Meu filho, eu só posso entender a sua defesa dos débeis mentais por duas razões:

Ou se solidariza e concorda com eles, ou és um deles.

Repito: minha tolerância não se estende a este tipo.

Agora um dado, ou melhor, um fato:

Apenas 6 a 7% das população economicamente ativa da média dos países compra jornais, e no Brasil a média cai um pouco, 5%.

Isto quer dizer que algo em torno de 4 ou 5 milhões compram jornais neste país, e dentre estes, uma parte compra o jornalixo do grôbo.

Atenção, não confundir com números de circulação, que é aquele dado que os jornais e revistas inflam para vender propaganda aos governos e clientes privados.

Os dados estão na ANJ.

Então, "metade" da população é "uma conta" sua, mas eu prefiro chamar de chute.

Viu? Não dá para ser tolerante com alguém que quer debater sem a menor condição, e pior, se coloca de forma agressiva e arrogante, sem ter o mínimo estofo intelectual, nem humildade para procurar, ainda que o google forneça elementos suficientes para um debate mequetrefe destes.

Eu afasto a burrice porque ela é letal, mais que o câncer, mais que a criminalidade.

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Quanto ao país ideal, como eu disse, não esperava que entendesse a resposta.

"Os países que se aproximam do que imagino...."

Ora, que tipo de filho da puta é você para saber o que imagino ou o que considero ideal, seu comedor de merda?

Eu te disse, e vou repetir: A sociedade ideal não existe, mas existe uma busca permanente (ideal) na sua construção.

As experiências socialistas, que você imagina serem a "minha predileção", cara de cú, tem enormes erros e enormes acertos, assim como as potências capitalistas que hoje chafurdam em miséria, desemprego, violação de direitos humanos (Guantánamo, espionagem de e-mails, etc).

Eu não defenderia o legado anti-democrático e ditatorial dos países chamados de socialistas, mas tenho certeza que capitalismo e democracia também são incompatíveis.

Mas para merdas como você é difícil aceitar um conceito que não esteja diante do focinho...

O pior é que mesmo que estejam dois palmos adiante dele (seu focinho) você não os enxergará...

Um conselho? Pare de ler e comentar neste blog, corra ao banheiro e se mate!

Anônimo disse...

'Amarildo não é um caso isolado', diz especialista da Anistia Internacional

O caso do pedreiro Amarildo de Souza, recentemente desaparecido na favela da Rocinha, é um exemplo da "cultura de brutalidade" da polícia brasileira, avalia o assessor de direitos humanos da Anistia Internacional no Brasil, Maurício Santoro.

Em entrevista, o especialista destacou que milhares de pessoas desapareceram no Brasil --90 mil somente nos últimos 20 anos-- e que o caso do pedreiro só chamou a atenção por acontecer num momento em que a sociedade está mobilizada.

Não fosse o contexto atual de protestos no país, Amarildo simplesmente teria entrado nas estatísticas "como mais um homem negro e pobre, que é morto e desaparece", diz Santoro. O caso "exemplifica de modo trágico os principais dramas e contradições da política de segurança pública do Rio de Janeiro", considera.

"O governador disse que era inadmissível que um trabalhador desaparecesse após ser interrogado pela polícia. Ora, é inadmissível que qualquer pessoa desapareça após ser interrogada pela polícia, mesmo que essa pessoa seja um criminoso, o que evidentemente não era o caso do Amarildo", afirma.

douglas da mata disse...

Bom que a Anistia desse uma olhada em Guantánamo.

Ou nas extrações no Iraque e Afeganistão, e quem sabe em Israel.

Ou quem sabe procurasse convencer a família do menino Trevon sobre a Justiça da Flórida?

Estes erros não eximem os nossos, mas revelam a impossibilidade de debater DH sob uma ótica universalista, ao menos por enquanto.

Polícias refletem a sociedade nas quais estão inseridas e as demandas políticas das classes que as controlam (dominantes).

Isolar este problema como um assunto restrito a segurança pública e a polícia é mero cinismo, e não evitará outros amarildos!

Anônimo disse...

Ou seja, ninguém pode falar sobre o caso Amarildo: nem um jornal inglês, nem uma ONG, nem ninguém que antes não denuncie o que acontece nos países onde estão sediados.

Seus argumentos não são pobres, são autoritários.

douglas da mata disse...

Não, filho, autoritária é a lógica das ONGs e mídia internacional, que apenas fazem denúncias e cobranças de mão única, geralmente dirigidas a países como o nosso, enquanto os seus problemas permanecem intactos.

Isto acontece na matéria DH, temas ambientais, organização de grandes eventos, política econômica e por aí vai...

É o tal do faça o que eu falo, mas não faça o que faço.

Você nem precisa ser muito esperto(e de fato, você não é)para perceber que por detrás da suposta preocupação, esconde-se uma luta política e ideológica para expor uns (nós) e preservar outros (eles).

É claro que o temas relacionados aos DH devem ser expostos, mas sob a ótica da coerência.

Até as crianças conhecem o velho ditado: "macaco olha pro teu rabo antes de falar do outro".

Mais do que isto eu não sei explicar.