segunda-feira, 12 de agosto de 2013

fernanda torres e os militantes "culturais" da república dos guardanapos: Do Leblon a planície de lama!

Este blog sempre foi uma trincheira de combate a dinastia da lapa. Ultimamente, dada a piora acentuada da já péssima qualidade do discurso político daqueles que se imaginam "oposição" nesta cidade, confesso que arrefeci, e passei a me dedicar aos temas "nacionais", e em algumas parcas situações, internacional.

Mas desde 1998, quando o deputado-prefeito chegou ao governo do estado, não sem o grande entusiasmo de alguns que hoje lhe atiram pedras, incluída aí certos setores da mídia cafetina, uma coisa me incomodava no discurso anti-garotista: A enorme carga de preconceito dedicada a sua origem, suas companhias, sua religiosidade, todos seus trejeitos chamados de "populista".

Faço minha auto-crítica se em algum momento tenha aderido a esta turba, pois não se combate no campo da política com argumentos da anti-política!

Desde já é bom lembrar que refuto veementemente qualquer invasão da religiosidade sobre a agenda política, embora a enxergue inevitável, infelizmente.

Mas me assusta muito mais a hipocrisia dos que rejeitam os evangélicos para aplaudir bispos da igreja dos padres pedófilos, quando estes apontam traços fisiológicos em nossa política, ou quando gozam em êxtase com o discurso político anti-corrupção do papa da igreja dos lavadores de dinheiro!

Então, se pode a superstição incoerente da igreja do carpinteiro bastardo, pode também a dos mega-pastores e outros mercadores de fé!

Bom, mas voltando ao tema principal, esta sensação de incômodo me atacou quando comecei a ler(mas não terminei, pois saí correndo para vomitar) a defesa que a atriz fernanda torres promove do seu estilo de vida, do establishment do Leblon, ou para nós da província do Chuvisco, a república dos Guardanapos.

Seria bobagem pretender fazer alguma defesa do deputado-prefeito da lapa, sua esposa e sua entourage
Não! Eles que o façam, pois pagam aos seus para tanto.

Porém, não é possível ficar impassível frente a carga de estereótipos sublimados nas palavras de la torre.

Impossível não rir do tom blasé, mal disfarçando o preconceito contra o exercício do poder por aqueles que fogem aos esquemas tradicionais do grand mondé.

É claro, la torre pode e deve defender o que acredita. O problema é fazer isto querendo dar a impressão que não o faz. Aliás, esta praga virou moda!

Assim, ao contrário do desesperado desabafo de la torre, sabemos que percalços de cabral não são o fim do mundinho lebloniano ou ipanemense, bem como já aprendemos que na política se morre (e se vive) várias vezes...

No entanto, na atitude fatalista de la torre está boa parte da explicação do que passa na cabeça de governantes como cabral...e pasmem, também como os da estirpe garotista!!!!

Eis o trecho que carrega um sentido mais autoritário...o trecho do "medo" nos envia diretamente ao desastre pró-çerra de regina duarte!!!

"(...)Temo tanto a esquerda radical, pura, virgem, que vê em todo e qualquer empresário um corrupto em potencial, quanto o capitalismo sem freio, que aceita conchavos, subornos e privilegia aliados. Mas me apavora, acima de tudo, o populismo de Garotinho.
Eu me pergunto se a grita não beneficiará, mais tarde, forças políticas devastadoras.
Tenho refletido sobre as opções para 2014. A ideia de que as milícias estariam por trás da ação dos policiais, com o objetivo de acabar com a credibilidade do trabalho de José Mariano Beltrame, é uma triste possibilidade. Quando eu me lembro de Álvaro Lins, tenho vontade de chorar.É preciso ter cuidado para não servir de massa de manobra para as sempre alertas forças ocultas.Como diz um amigo budista, o mal é sempre poderoso e a virtude, frágil como pluma.

E o que esta recém descoberta militância da la torre tem a ver com a miopia cultural que tem sido praticada por aqui recentemente?

É aí que o PIG torce o rabo...

Os conceitos defendidos por la torre , que nos remetem a quase um choque cultural, uma "guerra dos mundos", vicejam como ervas daninhas pela chamada intelligentzia cabrunca, como se portassem a marca da exclusão lebloniana, nos moldes de uma franquia.

Teve até historiador decretando que o uso instrumental da cultura e suas manifestações nas plagas goytacá começou em 1989!

Uauuuu.....como assim? Então só tem relevância historiográfica a manipulação dos bens estéticos da sociedade no período pós-garotismo? Arffff....

Claro, nesta "análise", isentou a si próprio, e os meios aos quais se submete, como se as empresas de mídia não fossem um forte ingrediente no papel de massificação e idiotização cultural.

O diagnóstico é claro: É tudo um problema do garotismo tacanho, que não sabe usar os talheres quando se senta à mesa! Que usa shows e contratações para perpetuar-se no poder! Que impõe a lógica religiosa sobre a "arte livre"!!!!

Concordaria! Mas e as verbas de mídia que poderiam compor um fundo municipal de cultura e comunicação? E os enormes gastos com a celebração do "santíssimo salvador"?

Na bundada, não vai dinha?

Talvez seja por isto que o deputado-prefeito se ache o cara mesmo! Seus adversários, os leblonianos da planície, até para lhe criticar, sobrevalorizam o papel do deputado-prefeito, quem sabe para justificar a sua pequena relevância frente ao fenômeno que adoram detestar? 

Não basta dizer que a escolha popular não presta, ou que está viciada por esquemas de assédio do capital!

Tem que dizer quem é que lucra com esta merda toda, e mesmo assim continua a dizer que esta democracia não serve, como faz a mídia hipócrita!

Tem que ter coragem para admitir que dentre as possibilidades que se apresentam como "alternativa", a população, pelo menos, escolhe aqueles que atendem suas demandas, por piores que sejam.

Para mudar, é preciso dizer como fazer diferente, e é óbvio, agir diferente.

Senão, fica como a pobre la torre, falando do chuvisco com o guardanapo na cabeça!

Fica o "aviso" ao pessoal lebloniano daqui: O pessoal "tradicional" se julga original, e só dará um olhada para vocês com curiosidade antropológica, achando engraçado exóticos selvagens que recitam  trechos decorados de Shakespeare!

4 comentários:

Anônimo disse...

Você tinha que ver o último artigo do Nelson Motta, é de um preconceito e de uma burrice que espanta.

Marcelo Siqueira disse...

Se você pensa ao contrário do merdal, você é massa de manobra, se você pensa igual, e é pobre, aliás, nem precisa pensar, basta achar que pode ter transporte e outras coisas básicas, como saúde e educação, você é um comunista filho da puta, se você é preto, se você é pobre, se você é feio (só se for pobre também), é gente diferenciada, se você pensa igual ao merdal, você é o máximo, está totalmente integrado. E eu, um merda, vou sumir.

Boy disse...

Cada lugar tem a merda que merece. Uns tem Merdal, outros, Demerdal.

douglas da mata disse...

Caro Boy, tens toda razão...