terça-feira, 6 de agosto de 2013

Da série: Os médicos-monstros na História!

Provocado por um comentarista na postagem Homenagem Póstuma, resolvi pesquisar e enumerar os casos onde médicos, no exercício da pesquisa médica, abandonaram sua função precípua do bem estar do paciente, em troca do "avanço" tecnológico, que como sabemos, se por uma lado, servem a Humanidade de forma subsidiária, por outro, se destinam primeiro a fama dos seus autores, e antes de tudo, ao lucro das corporações industriais da medicina e da farmacologia.

Eu já sabia deste experimento na América Central, mas só hoje encontrei um texto mais detalhado sobre o tema, que compartilho com vocês:

Novas Atrocidades em Experimentos Humanos em Guatemala 

Associated Press
01 de setembro de 2011
Em Português por Luis R. Miranda
ATLANTA (AP) – Um painel presidencial nesta segunda-feira revelou novos detalhes sobre os experimentos médicos que EUA realizou na Guatemala em 1940, incluindo a decisão de re-infectar uma mulher que morria depois de participar em um estudo de sífilis.
Os experimentos de Guatemala são considerados um dos piores episódios de investigação médica na história dos EUA, mas os membros do grupo dizem que nova informação indica que os pesquisadores foram extraordinariamente antiéticos, mesmo quando colocados no contexto histórico de uma época diferente.
“Os pesquisadores colocaram o avanço da medicina sobre o bem-estar dos pacientes”, disse Anita Allen, um membro da Comissão Presidencial para o Estudo das questões bioéticas.
De 1946-1948, o Serviço de Saúde Pública de EUA e a Associação Sanitária Pan-Americana trabalharam com várias agências do governo da Guatemala para conduzir pesquisas médicas – pagos pelo governo dos EUA – Estes estudos deliberadamente consistiram na exposição de pessoas a doenças sexualmente transmissíveis.
Os pesquisadores estavam aparentemente tentando ver se a penicilina poderia prevenir a infecção em 1300 pessoas expostas a sífilis, gonorréia ou cancro mole. Pessoas infectadas incluíam soldados, prostitutas, prisioneiros e doentes mentais com sífilis.
A comissão disse segunda-feira que apenas cerca de 700 das pessoas infectadas receberam algum tipo de tratamento recebido. Além disso, 83 pessoas morreram, embora não esteja claro se as mortes foram resultado direto das experiências.
A pesquisa em que médicos experimentaram com os guatemaltecos não teve nenhuma informação médica útil, de acordo com alguns especialistas. Esta prática foi escondido por décadas, mas veio à tona no ano passado depois que um historiador de medicina na Universidade de Wellesley encontrou registros de documentos do Dr. John Cutler, que liderou os experimentos.
O presidente Barack Obama chamou o presidente da Guatemala, Alvaro Colom, para se desculpar. Ele também ordenou a sua comissão de bioética para rever as experiências da Guatemala. O inquérito está quase completo. Apesar de não ser o relatório final esperado até o próximo mês, os membros da comissão discutiram algumas das conclusões em uma reunião na segunda-feira em Washington.
Foi revelado que alguns dos experimentos foram mais chocantes do que era anteriormente conhecido.
Por exemplo, sete mulheres com epilepsia que foram alojadas no hospício da Guatemala (Home para doentes mentais), foram injetadas com sífilis na parte de trás do crânio, um procedimento arriscado. Os pesquisadores pensavam que a nova infecção pudesse de alguma forma ajudar curar a epilepsia. As mulheres ficaram doentes com meningite bacteriana, provavelmente como resultado de injeções não esterilizadas, com a qual elas foram tratadas.
Talvez os detalhes mais perturbadores referem-se ao caso de um paciente com sífilis que foi infectado com uma doença terminal não revelada. Os pesquisadores, curiosos sobre o impacto de uma outra infecção, decidiram infectar a paciente com gonorréia no olho e em outros lugares. Seis meses depois ela morreu.
Dr. Amy Gutmann, presidente da comissão, descreveu o caso como “assustadoramente terrível.”
Durante esse tempo, outros pesquisadores também usaram pessoas como cobaias humanas em alguns casos, para infectá-las com doenças. Os estudos não foram regulamentados e o pouco planejamento do Dr. Cutler não foi único, alguns especialistas têm notado.
Membros do painel concluíram que a pesquisa na Guatemala foi ruim, mesmo para os padrões da época. Os pesquisadores compararam o trabalho de um experimento em 1943 feito por Cutler e outros em que prisioneiros foram infectados com gonorréia em Terre Haute, Indiana. Os detentos eram voluntários e foram informados de que estariam em estudo e deram seu consentimento. Os participantes na Guatemala – ou muitos – não foram informados e por isso não deram o consentimento, disse a comissão.
A comissão está trabalhando em um segundo relatório examinando estudos internacionais financiados com  fundos federais para garantir que a pesquisa atual seja feita de forma ética. Esse relatório é esperado ainda este ano.
Enquanto isso, o governo da Guatemala comprometeu-se a fazer sua própria investigação sobre o estudo de Cutler. Um porta-voz do presidente Rafael Espada disse que o relatório deve ser feito antes de novembro.

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