segunda-feira, 8 de julho de 2013

Usinas padrão-Fifa?

Este bordão, o padrão-Fifa, pode significar muita coisa! 

Afinal, ter um padrão-Fifa pode dizer respeito a ações de lavagem de dinheiro, como a conhecida operação havelange-teixeira, e agora, das empresas dos marinho.

Mas via de regra, o padrão-Fifa quer dizer excelência, e os manifestantes que foram às ruas protestaram por hospitais, escolas e tantos outros serviços públicos com a mesma qualidade, haja vista  o emprego de dinheiro público em estádios e outras facilidades.

Nem adianta detalhar que o dinheiro do BNDES, a maior parte dos recursos empregados, não são públicos, propriamente ditos, e que ainda assim, a natureza da utilização do dinheiro não é definitiva, ou seja, tratam-se de empréstimos, com as devidas garantias e regras de remuneração das amortizações  e para restituição do principal.

O fato é que padrão-Fifa virou sinônimo de cobrança pelo bom emprego do dinheiro público.

Pois é...O engraçado (ou trágico) é que a rede g(r)obo, por exemplo, uma das maiores beneficiárias corporativas dos empreendimentos esportivos fomentados pelos governos federal, estaduais e municipais, atirou-se com gosto nas críticas aos governos, principalmente o federal, enquanto, HIPOCRITAMENTE, desde 2002, já escondia suas negociatas de sonegação e lavagem de dinheiro, do tipo daquele outro padrão-Fifa que citamos lá em cima, e não por coincidência, em transações de compra de direitos de transmissão dos eventos (COPA 2002) desta mesma entidade, e que, suspeita-se, envolveu aqueles cartolas supra citados.

Aqui na região, também seria cômico, senão fosse antes desastroso, a seletividade de boa parte da imprensa local na crítica do uso de dinheiro público e suas finalidades.

Como caixas de ressonâncias locais, repercutiram todos os questionamentos sobre estádios e serviços públicos! 
Ótimo, se isto fosse, de verdade, uma guinada da mídia rumo a uma inédita capacidade de apresentar questionamentos sérios!

Mas não é, não foi, e pelo andar da carruagem, nunca será....

Recentemente, após "venderem", junto com outros proxenetas nacionais, o maior mico empresarial da História, e eikelândia, onde chamaram de "arautos do atraso", "trombetas do Apocalipse", todo e qualquer crítico que avisasse dos perigos e da inconsistência de se esperar...ou pior, de se justificar um desenvolvimento predatório baseado em apostas especulativas (no popular, castelos de areia), esta parte da mídia local tenta corrigir os rumos, abandona quem lhe cevou, e agora se dedica a implorar que o dinheiro público venha corrigir as cagadas na instalação do monstro X, que anunciaram como a nova versão do Taj Mahal empresarial.

Neste caso, como em tantos outros, o pudor no uso do dinheiro público desaparece.

Mais ou menos como em outra notícia "auspiciosa" publicada por esta mesma secção da mídia local.

As usinas de cana, historicamente responsáveis pelo atraso secular desta região, e da manutenção de laços sociais estruturados na segregação social e exploração desumana, e felizmente, uma espécie de atividade econômica à beira da extinção, amealharam, com a ajuda de um deputado-despachante local, alguns milhões de reais para continuarem a sobreviver, desta vez, com a desculpa que se trata de investimento na mecanização do setor!

Pois bem...é mais ou menos assim: Queimaram cana por anos (e ainda queimam), sujando o ar e as ruas da cidade, usaram (e ainda usam) mão-de-obra em regimes análogos a escravidão, por vários e vários anos, e agora, recebem como "prêmio" um din-din para comprar máquinas novinhas em folha!

E onde está o cuidado e o bom senso no uso do dinheiro público? Será que poderemos exigir usinas com o padrão-Fifa? 

Será que podemos exigir uma mídia padrão-Fifa? 

Ops...pelo jeito, elas já estão neste padrão...aquele outro padrão: o que é meu é meu, o que é seu, é nosso!

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