segunda-feira, 15 de julho de 2013

Tyson Gay e Asafa Powell, quando a regra confirma a exceção!

Só os  ingênuos ou os cínicos são capazes de acreditar que a promiscuidade dos negócios com o esporte de alta performance poderia trazer um cenário virtuoso de disputa, onde o dopping fosse um ponto fora da curva, para usar a expressão da moda!

A pergunta não é quem usa o dopping como manobra para manter suas marcas e seus patrocinadores em alta!

Seria correto perguntarmos quem não usa!

Na verdade, as agências de controle, todas ligadas as confederações mundiais, que por sua vez, subordinam-se aos bilhões e bilhões de dólares que circulam ao redor do planeta, não têm a menor condição de acompanhar os avanços da indústria química e farmacológica, e utilizam os casos mais escandalosos apenas como um biombo, uma distração em meio a realidade aditivada por substâncias para melhorar o desempenho dos atletas!

O que espanta é o mundo de fãs do esporte que desanca políticos, mas deposita toda a fé de que o esporte seja limpo ou sinônimo de virtudes, heroísmo e superação!

Bem, tem idiota para tudo...

4 comentários:

Fernando disse...

Acho até que as agências anti-dopping fazem questão de não avançar muito no controle das substâncias que aumentam a performance.
Fazem isso pelo motivo de sempre: o espetáculo é necessário. O circo vende. Sem quebra de recordes ou superação das marcas as olimpíadas seriam um fracasso de público e patrocínio. Imagine uma olimpíada sem promessas de superação, antes, com viés de baixa de tempos, escores e resultados. Quem, em nossa sociedade cretina, pagaria para ver uma involução nos esportes?
Se tirassem o dopping de verdade só haveria competição no iatismo e no tiro ao alvo. Mesmo assim tenho as minhas dúvidas.
Será que dá para turbinar uma espingarda?

Abs

douglas da mata disse...

Dá para modificar a munição, e por isto há regras específicas para ordenar cada modalidade.

Na verdade, há outros tipos de "dopping" que não são considerados desta forma, mas que refletem a ideia do esporte como expressão de supremacia de um povo sobre o outro, e não como uma reunião de congraçamento esportivo!

Há "dopping" biológico e/ou tecnológico.

No iatismo, o material dos barcos faz toda a diferença, e aditivos químicos podem determinar a força, resistência e reflexos do competidor.

Assim como no tiro ao alvo, ou arco e flecha, quando a diferença é o material, mas acima de tudo a concentração, não tremer, etc.

Sabemos todos que há saídas farmacológicas para aumentar a possibilidade de concentração, ou evitar tremores indesejados...

Roberto Torres disse...

Caro Douglas,

como você sabe, mas vale lembrar, a mídia nos impõe um viés cognitivo e moral que nos leva a somente identificar corrupção na esfera política. O esporte, a economia, o sistema jurídico agora tb, e, claro, o próprio sistema de comunicação de massas, nos são apresentados como andando na linha, sendo a corrupção apenas um ponto fora da curva.


É interessante que, no passado recente, o dopingo no esporte foi tratado como fruto da interferência política, cujos maiores exemplos eram a alemanha oriental a ex-urss.

Grande abraço,

Roberto

douglas da mata disse...

Pois é, Roberto...

Pelo filtro da luta ideológica de então, o atleta comunista era "feito" em laboratório, enquanto os capitalistas eram sinônimo de esforço e superação!

Assombra é que idiotas (quer dizer, nem assombra mais) defendam que práticas esportivas possam representar um cenário de disputa ideal e limpa, ou seja, à salvo dos interesses que já mencionamos.

Assim como nesta discussão tola e recente sobre a proibição da encenação de Nelson Rodrigues (que ninguém provou ainda se houve e se foi por este motivo).

Ora, uma classe artística que não faz outra coisa senão pedir favores ao invés de lutar por seus direitos esperava o quê?

Quando contrariados, vociferam toda sua carga de preconceitos contra as escolhas populares e os esquemas de poder.

Uns idiotas...