domingo, 14 de julho de 2013

Pau que dá em chico não vai bater em francisco?

O escândalo Globogate, onde a maior e mais poderosa rede de comunicação empresarial do país, e uma das maiores do mundo, foi flagrada em um processo de sonegação fiscal da ordem de 600 milhões de reais, que inclui paraísos fiscais e esquemas de lavagem de dinheiro, com direito a SUMIÇO do processo fiscal dentro da Receita Federal, revela-nos a imperatividade de abrirmos as caixas pretas dos grupos de comunicação do país.

Sejam as concessões públicas, como rádios e canais de TV, sejam as empresas de mídia impressa, estes grupos são cevados com largas somas de dinheiro público, diretamente, através das verbas oficiais de propaganda, ou indiretamente, nos tributos que não são recolhidos (imunidade fiscal), porque neste caso o constituinte enxergou uma função social pública relevante na atividade econômica de comunicação.

Mas estas premissas não podem ser absolutizadas, e não é mais possível que meios de comunicação reivindiquem a condição de utilidade pública, e ajam como negócios privados indevassáveis, ainda mais quando se lançam como "arautos da moralidade", sempre seletiva, onde aliados são hipócrita e constantemente poupados, enquanto os inimigos são "queimados" nas "fogueiras midiáticas".

Afinal, quais são os critérios que definem a cobrança pelos "serviços" de comunicação que empresas privadas prestam aos governos?

Como é feito o cálculo? Quem determina quanto, onde e como se gastará o dinheiro público?

Quais são os órgãos que medem os parâmetros, como audiência ou alcance das publicações? São órgãos públicos?

Todos intuímos que pairam sobre as chamadas contas de propaganda das administrações públicas, uma série de irregularidades, todas possibilitadas pela total ausência de controle e transparência.

Terão os manifestantes de nossa cidade, chamados de Cabruncos Livres, a coragem cívica de colocar tais temas na pauta, ou será que já estão reféns do sequestro promovido pela mídia local?

Será que este grupo também crê que a corrupção é uma exclusividade dos políticos e dos governos? Existirá corrompidos sem corruptores?

Quem teria medo de uma completa devassa nas contas públicas da propaganda oficial deste e de outros governos?

Longe de mim pretender determinar a agenda de qualquer grupo ou movimento social, porém nos parece estranho o silêncio acerca dos temas afetos a democratização e controle da mídia...

O pessoal de SP, RJ, BH já entendeu, e promoveu, nesta última semana, históricas manifestações em frente às organizações PIG (globo e outras)...Será que na planície lamacenta não temos grupos de mídia que cumpram este odioso papel que tem sido repudiado pelos movimentos sociais?


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