domingo, 14 de julho de 2013

Outras planícies.

A direita internacional e sua agenda racista ou: Racismo S/A!

O racismo é uma barbárie internacional, e não raro os que defendem uma suposta "superioridade civilizatória" da Europa e EEUU sobre o resto do mundo, principalmente sobre a América Latina e África, esquecem que é no centro capitalista que este sentimento de ódio étnico encontra terreno mais propício.

Se é verdade que o racismo não é uma invenção capitalista, é neste sistema de produção que a etno-fobia elevou-se a categoria estrutural e universalizada, confundindo-se com o funcionamento dos arranjos produtivos ao redor do planeta. Outras etnias sofreram de forma semelhante, mas só os negros sofrem em escala global!

Desde quando foram escravizados em massa para sustentar o esforço produtivo do capitalismo mercantil passando pela revolução industrial, até a sua incorporação como massa trabalhadora de segunda categoria, formando o lumpen do lumpen dentro do emergente proletariado, os negros habitaram os porões da Humanidade.

Se pertencer a classe trabalhadora já trazia em si um corte de exploração desumana, ser negro e trabalhador acrescentava outra carga de sofrimentos indizíveis.

É verdade que nós, brasileiros, por exemplo, construímos alternativas peculiares de racismo, e gostamos de propagar o mito da democracia racial, enquanto confinamos as jovens negras nas senzalas modernas, os quartinhos de empregadas, ou os jovens negros nas cadeias, nos necrotérios ou nos sub-empregos.

Tem débil mental que até hoje exalta a "miscigenação racial" brasileira como algo consensual, como se o senhor (a quem cabia o direito de propriedade, de vida, de morte, do pão e do castigo) e a escrava pudessem manter alguma forma de negociação sobre o ato sexual, na verdade, um estupro étnico de proporções históricas.

Esta tentativa de absorção sublimada da violência e segregação racista não acontece nos EEUU e na Europa, e talvez por isto mesmo, os movimentos de contestação ao racismo sejam tão mais fortes e organizados por lá, afinal, onde é mais fácil de enxergar os antagonismos e delimitar os campos em disputa...logo, é mais provável tomar consciência de si e da violência da qual é vítima.

Mas o fato é que não é moleza ser negro, seja nos ricos EEUU, seja na culta e bela Itália, seja nos rincões de qualquer periferia mundial.

Os jornais ingleses The Independent e The Guardian trazem matéria sobre a enorme repercussão da absolvição de George Zimmerman, na época com 28 anos, acusado de matar em 26 de fevereiro de 2012, em uma comunidade chamada The Retreat, em Sanford, Florida, o adolescente Travyon Martin, então com 17 anos.

De acordo com as leis da Florida, onde qualquer cidadão pode matar outro, desde que sinta-se ameaçado de agressão iminente. Zimmerman, uma espécie de patrulheiro-civil local ou vigilante-voluntário, viu o garoto negro, chamou a polícia, e recebeu ordem de aguardar por ajuda, como consta no registro da chamada, e mesmo assim, foi até o rapaz, que logo depois sofreu o disparo fatal. 

A despeito dos debates jurídicos, fica claro que uma condenação a Zimmerman seria uma rejeição a um sistema de "proteção privada" onde cidadãos consideram-se aptos a determinar o que pode significar ameaça, e investir contra elas. Parece claro a este blog que lá como cá, os suspeitos têm sempre a mesma cor da pele!

Ao contrário do esperado, cidades como New York, Washington, Philadelphia, San Francisco e Atlanta, tiveram protestos pacíficos.

Já o jornal El País nos traz mais um ataque dos fascistas italianos, que como sempre, miram nos povos africanos, que desejam manter, convenientemente, sempre como cidadãos de quinta categoria, como forma de aproveitar-lhes os braços para o trabalho barato, e mantê-los apartados de quaisquer direitos!

O senador, vice-presidente do Senado, e ex-ministro, Roberto Calderoli, comparou a ministra italiana da Integração doutora Cécile Kyenge de orangotango. A ministra de 48 anos, nascida no Congo, se converteu em alvo predileto da Liga Norte, partido de extrema-direita que por anos sustentou o governo Berlusconi.

Como se vê, lá como cá, o racismo não é só uma questão moral, como pretendem os ingênuos, mas antes de tudo, uma "facilidade econômica".

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