terça-feira, 16 de julho de 2013

O casamento na ilha (da sonegação) fiscal!

Inspirado em texto da Hildegard de Angel publicado no blog do Azenha, o Viomundo, e que você pode acessar aqui, resolvi meter minha colher suja na questão!

Primeiro é de se estarrecer que o ex-presidente do stf, que certamente julgará, ou já julgou, temas relacionados ao transporte público, ocupe lugar de tanta distinção em relação aos noivos, sendo agora, compadre de seus pais!

Este fato, como sempre, passou despercebido na nuvem de violência que envolveu "a festa".

Vou reproduzir, mais ou menos adaptado para esta página, o comentário que deixei lá no Azenha:

Bem vindos a luta de classes! Alguém disse, lá pelos idos dos anos 80 ou 90 do século XX que ela tinha acabado, tragada pelo fim da História.
Aos apressados, rebato: Nem sempre a luta de classes se expressa através dos atores conhecidos, ou seja: às vezes os mais radicais não estão entre os menos favorecidos.
Aliás, este é um traço da luta de classes: não há uma linearidade ou uma homogeneidade de interesses dentro de cada classe, e esta coesão diminui a medida que a pobreza aumenta, e não é à toa!
O Terror não nasceu entre servos, párias e pobres!
Li um comentário que disse que a destruição dos símbolos de ostentação não significará a melhora da vida dos pobres! Outros dizem que não devemos misturar nosso ódio (justificado) a máfia dos transportes com a vida privada de seus beneficiários.
Pode ser…Mas destruir símbolos não tem outra função, senão substituir a noção que eles trazem implícitos!
Espanta que tamanha tolerância não seja dedicada aos agentes públicos, governantes, partidos, etc, e que neste caso, vidas privadas e públicas se misturem para causar mais e mais dano a imagem dos atacados!
Durante as passeatas recentes, alguns cartazes mostrados pelas redes de TV traziam insultos a governantes que fariam os gritos de "piranha" em frente ao Copacabana Palace parecerem orações de monges budistas.
Quando se trata de empresário, aí a coisa muda...tadinhos!
A verdade é que não há mais como engolir um país com tamanha desigualdade onde existiam DASLU(já foi tarde…)cercada por favelas, ou Ferraris andando pela Barra da Tijuca, ainda mais quando estes paradigmas de consumo classe AAA+ são, na maioria das vezes, fruto da sonegação e toda sorte de negociatas, além da já conhecida e “criminosa” concentração de renda estruturada em injustiça tributária.
No Brasil, só pobre paga imposto e o rico sonega, e a TV nos diz que a carga tributária é alta, para que possam pagar ainda menos ou sonegar ainda mais!
É disto que trata o texto, embora a Hildegard tenha floreado, bem ao costume dos "colonistas sociais".
O texto trata, por exemplo, dos jatinhos carregando e subornando gestores, das mercedes-benz assassinas de seus rebentos, das mega-festas nas Marinas que serão destruídas depois, ou seja, da riqueza não como uma celebração do sucesso, mas a lembrança permanente de que este sucesso implica em condenar milhões a indigência.
Das enormes coleções de artes, como a dos marinho da rede g(r)obo, em recente exposição, a zombar de todos os contribuintes: Soneguei, roubei 600 milhões em tributos, quem sabe até comprando as obras que depois exponho...?
No Brasil (e talvez em outros lugares do mundo), estes comportamentos de alto consumo refletem antes de mais nada, nossa desumanidade, e não reflexo que um país que enriqueceu e prosperou, distribuindo condições mais ou menos isonômicas entre todos!
Claro que se perguntarmos ao povão, a maioria deles responderá que gostaria é de estar lá dentro, ainda que como serviçais.
Mas é, justamente, por isto, que devemos, pequenos-burgueses ou não, condenar e protestar em frente a estes bailes do tipo Ilha Fiscal.
A ostentação não pode mais ficar impune!
Em tempo: quem quiser saber um pouco mais do “caráter” dos empresários(?) do setor de transportes, dê uma olhada no perfil do Nenê Constantino…dono da Gol, processado por mandar matar um líder dos sem-teto, e não satisfeito, atentou contra a vida de testemunha.
Uma olhada entre milicianos e outros que exploram o setor “alternativo” vai dar um pista de quem serão as novas “baratas”, em dez ou quinze anos!
Não é uma questão moral(apenas), é o capitalismo, só isto! 

Um comentário:

Anônimo disse...

Mas a festa era boa...