quinta-feira, 25 de julho de 2013

Missing: "os desaparecidos" da paz armada!

Poucos devem se lembrar do filme de Costa Gravas, de 1982, onde Jack Lemon fazia o papel do pai estadunidense à procura de seu filho jornalista de esquerda, que vivia e desapareceu no Chile quando o golpe explodiu naquele país.

Com certeza, há menos ainda que se recordem que em 1992, um funcionário da FIOCRUZ, Jorge Antonio Careli também foi "abduzido".

Em pleno "estado de ocupação" pelas tropas das forças armadas, espalhadas pelo Rio de Janeiro para garantir a "paz" das autoridades e militantes que participavam do evento ecológico, Careli "virou fumaça".

Pois bem, agora é o pedreiro Amarildo de Souza, retirado da favela da Rocinha por policiais, que alegam tê-lo liberado antes de seu desparecimento.

O personagem Ed Horman, vivido por Lemon, traz a perspectiva do despertar das pessoas sobre a realidade que os cerca, ou seja, alienado em suas próprias convicções (ou falta delas), indiferente a violência e autoritarismo que parecem estar distante suficiente para ameaçar seu ambiente, Horman descobre que nenhuma forma de ataque a Democracia está longe demais a ponto de ser inofensiva.

Horman é sacudido pelos acontecimentos pessoais que o tragam para o turbilhão da História.

Até quando esperaremos para descobrir que pode ser tarde demais?

Em tempo: no filme, Charles Horman (John Shea), foi morto no Estádio Nacional de Santiago, e seu corpo estava "emparedado" (enterrado em uma parede). Ed Horman, na busca de algo que dê sentido a sua existência, tenta processar o Secretário de Estado, Henry Kissinger.

Quantos mais desaparecerão até que acordemos? Ou será que esperamos algum "filho importante" suma para comover os editoriais, e provoquem a única justiça que funciona, a dos ricos?

Não é coincidência que estes eventos aconteçam, justamente, quando há nas ruas e nos bairros ocupações militarizadas para implementar políticas de "segurança" feitas sob encomenda dos grupos econômicos e das elites.

Só não enxerga quem não quer...

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