quinta-feira, 4 de julho de 2013

Médicos e catadores: Encontro inédito e histórico!

Pela primeira vez em suas vidas, boa parte dos catadores de lixo que estiveram na praça, em protesto pela sua situação, encontraram médicos!

Como a maioria dos "dôtores" têm aversão a qualquer lugar para clinicar que não seja algo parecido com o Copa D'Or, e verdadeiro horror pelas periferias, deve ter sido um assombro para aquele monte de gente muito pobre ter visto tanto médico junto.

E por outro lado, deve ter muito médico que sentiu vontade de sair correndo dali, haja vista o horror que nutrem pelos pobres, embora pouco ou nada façam para lutar contra a pobreza!

É claro que este blog não defende uma saúde que dedique aos mais pobres as condições mais precárias, mas o certo é que boa parte dos procedimentos médicos de atenção médica preventiva podem ser feitos em unidades de saúde com estrutura básica.

As estatísticas do SUS e do MS dizem-nos que 60% dos atendimentos médicos são relativos a procedimentos de baixa ou nenhuma complexidade, que exigem apenas uma boa análise clínica do paciente, faculdade rara nos médicos de hoje em dia.

Outra alternativa reconhecida e bem sucedida são os programas de saúde da família, que também necessita de médicos com as mesmas (simples) qualidades.

Um modelo que está bem longe do excesso de especialização que se tornou o "mercado da medicina", que aprisionou os orçamentos públicos em estratégias cada dia mais irrealizáveis, onde os médicos   são formados para serem exímios especialistas na unha do dedo mínimo do pé esquerdo, mas que são incapazes de distinguir uma gripe de meningite, ao que resumem seu diagnóstico a famosa "virose"...

Mas claro, para impor as estratégias mais baratas, o médico precisa ir a casa do pobre, lá na favela, ou na periferia...

Pelo jeito, se depender disto, foi a primeira e última vez que os catadores de lixo viram um médico...uma pena!

Enquanto isto, na Pelinca, há um consultório por quarteirão (ou vários deles), todos eles subsidiados pela renúncia fiscal (IRPF), ou seja, dinheiro público!

Será que teve alguma faixa dos médicos questionando tal distorção?

Pois é...tomara que sim...

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