terça-feira, 2 de julho de 2013

Dossiê UENF. Capítulo 01.

 UENF somos nós, filhos, pais e avós!


Desculpem a brincadeira com o antigo bordão de luta, mas o texto revelará que é adequado.

Eu tenho acompanhado com alguma atenção a movimentação institucional da UENF, onde o governo do estado, personificado na figura do governador, busca, à todo custo, levar à cabo o serviço iniciado por outros déspotas: "quebrar as pernas" de uma das maiores Universidades do Brasil, e em certos casos específicos, um dos maiores centros de produção de conhecimento científico do mundo!

Para quem desdenha destes fatos, é bom lembrar: As primeiras Universidades do mundo surgiram no século XI (Bolonha, em 1088) e outras no século XII, enquanto a UENF tem 20 anos, se muito. 
E mesmo em tão pouco tempo, algo espetacular foi realizado aqui!

Antes mesmo de se tornarem países, ou Estados-Nações, as regiões europeias sistematizaram em Universidades a produção de conhecimento. 

Cientificamente falando, pode fazer muita diferença que, 210 anos antes de chegarem  no Brasil, os portugueses, antes se se identificarem nacionalmente como tais, já mantinham uma Universidade, a de Coimbra (1290).

Mas fará muito mais diferença se olharmos o mapa global e entendermos que os continentes e países onde se cultivaram a Universidade como a celebração do ápice da Educação, espaço, por excelência, destinado a pesquisa e inovação, estarão concentradas não só as riquezas, mas as expectativas de vida, as menores taxas de violência, o conforto, enfim, desenvolvimento humano!

Então, o desmonte da UENF não é apenas a birra de um governador néscio, associado a reitores e professores que desejam fatiar e privatizar a Universidade como meio de angariar fortunas pessoais e prestígio, e soterrar, politicamente, o pensamento crítico.

O ataque a UENF é um duro golpe em qualquer projeto local, regional ou nacional de construção de autonomia científica, de inovação capaz de reverter conhecimento em algum protagonismo global, que nos liberte de sermos os eternos exportadores de pau-brasil e de outras commodities, em troca de algumas miçangas, espelhinhos, hoje convertidas em tablets.

A tática atual reside na tentativa de destruir uma das maiores conquistas no campo de TODA EDUCAÇÃO, e não só na esfera terciária (ensino superior) e quartenária (pós-graduações): A DEDICAÇÃO EXCLUSIVA!.

É consenso mundial que uma das causas do baixo desempenho das políticas públicas de educação está filiada ao fato de que professores têm que se dedicar a três ou quatro vínculos precários para obterem alguma remuneração minimamente satisfatória, destroçando qualquer possibilidade de realizar um trabalho que vá além da mera repetição de conteúdos, sem quaisquer possibilidades de reflexão, de capacitação ou de interação com a realidade escolar onde militam.

Se tal precarização já é um desastre em níveis elementares e básicos, imaginem em uma Universidade, onde os professores devem não só repetir conteúdos, mas antes de tudo, produzi-los?

A tentativa de chantagem e "suborno" pela tese de que a DEDICAÇÃO EXCLUSIVA é um entrave às aulas "instrumentais" é de doer os ossos de Darcy Ribeiro: 

Ora bolas, o que haverá para ser ministrado, como instrumento ou meio, se o fim, A CIÊNCIA, for abandonada?

Na verdade, como dissemos, a intenção é transformar a Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro em um balcão de diplomas, destes que existem desde o Paraguai até o interior de nosso Estado.

E se tem balcão, tem negócio, e se tem negócio, alguns poucos lucram, outros tantos perdem!

Embora reconheça que as enormes carências e demandas deste país maltratado por uma elite canhestra, ainda justifiquem a existência das faculdades shopping centers, ou fast-food (na cabeça dos mercadores de diploma: instrumentais), uma vez que um diploma pode fazer grande diferença na vida de quem ganha 2 ou 3 salários mínimos, o fato é que este tipo de "mercado" não pode se sobrepor a ideia de Universidades públicas e gratuitas que atendam os mais pobres com nível de qualidade que extrapolem a mera formação instrumental!

Ciência não é só um privilégio de rico, mas antes um direito de todos!

A defesa da UENF é um luta que deve ser de toda sociedade regional.

A UENF é uma das poucas instituições públicas que funcionam nesta região, junto com o IFF. 
É, portanto, um dos nossos raros motivos de orgulho!

A UENF é uma conquista e uma herança obrigatória que devemos legar às novas gerações, porque o conhecimento é a única grandeza que não envelhece!

Este blog, a partir de hoje, vai se dedicar, dentro de suas limitações, a esquadrinhar e denunciar este processo de mercantilização da ciência por trinta dinheiros.

Serão vários capítulos da série, DOSSIÊ UENF.

Os servidores e alunos que desejarem contribuir, enviem suas denúncias, sugestões e críticas para nossos e-mail que estão divulgados lá no topo da página.

3 comentários:

Anônimo disse...

Douglas, não sei se é do seu conhecimento e se isso serve como subsídio para falar sobre essa má vontade com uma Instituição que pode muito bem dar a sua contribuição sobre inúmeros aspectos para o crescimento de nossa região como também para o avanço científico. É verdade que logo que a UENF foi criada, para cá vieram vários cientistas oriundos da extinta União Soviética e que esse tipo de sensibilidade paquidérmica do atual governador, aquela época não conseguiram mantê-los aqui, desperdiçando um grande intercâmbio científico?

douglas da mata disse...

Vieram cientistas de vários lugares, e acredito que também da ex-URSS.

Pelo que me lembro, e não tenho certeza, aqui ajudaram a desenvolver uma tecnologia crucial para a perfuração petrolífera, a produção de diamantes sintéticos.

Logo depois veio o paquiderme tucano Marcelo Allencar, e com a "mesma sensibilidade" do atual governador, sucateou e solapou a UENF.

Anônimo disse...

Caminhoneiros denunciam que greve é comandada por empresários



A Unicam (União Nacional dos Caminhoneiros), uma das entidades representativa dos caminhoneiros no país, divulgou nota criticando a paralisação convocada para hoje com o objetivo de fechar algumas rodovias do país.

A paralisação é promovida pelo Movimento União Brasil Caminhoneiro, liderado pelo empresário Nélio Botelho, que já comandou outras paralisações de rodovias no país. O movimento pede o fim da Lei do Descanso dos caminhoneiros.

Segundo a nota, assinada pelo presidente da Unicam, José Araújo China da Silva, a paralisação prejudica a maior parte dos caminhoneiros.

Na nota, a entidade defende a manifestações populares que se espalharam pelo país, mas acusa a convocada pelo Mubc de ser “um movimento grevista mobilizado por empresários travestidos de transportadores autônomos, que usam esses profissionais para atingir interesses próprios, se aproveitando de uma oportunidade política no Brasil, com as manifestações populares vistas nas ruas nas últimas semanas”.

A Unicam defende mudanças pontuais na Lei do Descanso e não a sua revogação.