segunda-feira, 29 de julho de 2013

Afinal, que medicina queremos?

Trazemos mais um depoimento de médicos sobre o tema que tem mobilizado esta categoria. Parece ficar cada dia mais claro que as corporações médicas emprestam o restinho de credibilidade que mantinham para a defesa da indústria da medicina, o que os médicos brasileiros entrevistados neste texto do blog Viomundo chamam de modelo "hospitalacêntrico".

Vale a pena ler e refletir:

Formados em Cuba, brasileiros destacam atenção à saúde primária

publicado em 29 de julho de 2013 às 22:11

Andreia Campigotto trabalha em Cajazeiras, no sertão paraibano
“Medicina cubana ensina a atender o povo com qualidade e humanismo”, afirma militante
29 de julho de 2013
Por José Coutinho Júnior
Da Página do MST
A saúde no Brasil tem sido tema de grandes debates nas últimas semanas, provocados tanto pelas manifestações das ruas, que exigem melhoras e mais investimentos na área, quanto pelas propostas recentes do governo em trazer médicos de outros países para trabalhar em regiões mais carentes.
Essas propostas, assim como a obrigação dos estudantes de universidades públicas em cumprir dois anos no Sistema Único de Saúde (SUS), tem sido alvo de fortes críticas das associações de médicos, que afirmam que essas não seriam as soluções para os problemas.
A Página do MST conversou com Augusto César e Andreia Campigotto, ambos militantes do Movimento e formados em medicina em Cuba, sobre o tema.
Nascido em Chapecó e com 25 anos de vida, Augusto César ainda não exerce a profissão. Está estudando para fazer a prova de revalidação do diploma cubano e, assim, poder atuar no Brasil. Quando conseguir seu registro, pretende trabalhar na área rural, atendendo os Sem Terra e os assentados da Reforma Agrária.
Andreia Campigotto tem 28 anos e nasceu em Nova Ronda Alta (RS). Trabalha em Cajazeiras, no sertão paraibano, como residente em medicina da família em uma unidade básica de saúde, que atende uma comunidade de 4 mil pessoas.
Formato
O curso de medicina cubano dura seis anos. Para estudantes de outros países, ele se inicia na Escola Latinoamericana de Medicina, localizada em Havana. Depois de um período inicial de dois anos, os estudantes são enviados para as diversas universidades do país. Augusto e Andreia foram para a universidade da província de Camagüey.
O curso de medicina cubano não se difere muito do brasileiro, do ponto de vista curricular.

Augusto é de Chapecó e estuda para fazer o Revalida
“Os dois primeiros anos trabalham com as ciências médicas. Estudamos fisiologia humana, anatomia humana e desde o primeiro ano temos contato com os postos de saúde. Quando somos distribuídos para as universidades, vivenciamos o sistema público de saúde. Comparado com o Brasil, o nível teórico é igual, mas o nível de prática é maior”, afirma Augusto.
“Um estudo do governo federal mostra a compatibilidade curricular dos cursos de medicina de 90% entre Brasil e Cuba. Então, não há grandes diferenças teóricas”, conta Andreia.
A diferença principal entre os dois cursos está na concepção de medicina e de saúde na formação dos médicos. “O curso brasileiro é voltado para as altas especialidades. Tem essa lógica de que você faz medicina, entra numa residência e se especializa. Já em Cuba o curso se volta à atenção primária de saúde, para entendermos a lógica de prevenção das doenças e o tratamento das enfermidades que as comunidades possam vir a ter”, diz Augusto.
Em contrapartida, “saúde” e “medicina” no Brasil são sinônimos de pedidos de exames e tratamento com diversos medicamentos, calcados em sua maioria na alta tecnologia. Com isso, a medicina preventiva fica em segundo plano, alimentando uma indústria baseada na exigência destes procedimentos.
“No Brasil, temos uma limitação na formação do profissional, pois ela é voltada ao modelo hospitalacêntrico, que pensa só na doença e no tratamento. Em Cuba isso já foi superado. Lá eles formam profissionais para tratar e cuidar com qualidade, humanismo e amor cada paciente; aprendemos de verdade a lidar com a saúde do ser humano”, analisa Andreia.
Ela destaca que os médicos formados na ilha são capazes de atender a população sem utilizar somente a alta tecnologia, condição que não necessariamente limita um atendimento com qualidade à população que mais carece.
“É mais barato fazer promoção e prevenção de saúde. No entanto, isso rompe com a ditadura do dinheiro. Com isso, os médicos aguardam o paciente ficar doente para pedir um monte de exames e dar um monte de medicamentos”, afirma Augusto
De acordo com ele, essa estrutura fortalece o complexo médico-industrial, que se favorece sempre que há alguém internado ou que precise tomar algum medicamento.
“Não negamos a necessidade de medicamentos e equipamentos, porque precisamos dar atenção a esse tipo de paciente. Mas não precisamos esperar que todas as pessoas fiquem doentes para começar a trabalhar a questão da saúde”, acredita Augusto.
Nesta série de reportagens, os dois relatam as diferenças entre os cursos e a concepção de medicina em Cuba e no Brasil, opinam sobre os problemas brasileiros em relação à saúde e defendem uma medicina que sirva para atender com qualidade o povo brasileiro. Na quarta-feira (29/07), Andreia e Augusto contam como é a prova de revalidação dos diplomas estrangeiros, e analisam a elitização da medicina nas universidades brasileiras.

12 comentários:

Anônimo disse...

Vai pra puta que pariu pôrra. Vem de Cuba cagar goma na nossa cabeça. Vai você morar lá então pôrra, se lá é o paraíso. Médica com camisa do MST, bando de bandidos. Se você morasse lá ô babaca, nem internet teria. Mas se for vai logo, ver o que é gostoso. É tão bom que os médicos tão vindo pra cá, lá deve ter um salário de uns 100 reais por mês. Não fode pôrra.

douglas da mata disse...

Boom, nem precisa dizer que, de fato, este tipo de reação é o desespero da falta de argumentos.

As corporações médicas foram desmascaradas, de cabo a rabo.

Médicos com este salário, apontado pelo cretino anônimo, conseguem níveis de saúde pública comparáveis aos países de primeiro mundo, e em alguns casos, melhores que estes.

O débil mental(que com toda certeza, deve ser um destes açougueiros mercenários que se dizem médicos) desconhece o programa de medicina solidária cubana que envia médicos a vários países do mundo.

Claro, Cuba não é um paraíso, mas ainda assim, sem internet, sem multinacionais da indústria farmacêutica, sem hospitais tipo hotéis dez estrelas consegue sua população viver 4 anos a mais(na média) que a nossa, forma mais e melhores médicos.

Apenas publiquei este zurro deste animal para que os leitores tenham a exata noção da real (im)postura daqueles que atacam o programa mais médicos.

Os fascista de jaleco estão à solta!!!!

Anônimo disse...

Adorei sua resposta ao Playboy!

Cuidado que ele vai falar com o pai dele.

douglas da mata disse...

uiiii, que mêda.rsrsrs

Anônimo disse...

Ah tá...forma mais e melhores médicos. Quem diz isso? Você? Que pesquisa é essa? Onde encontro esses dados? Quando foi feita essa comparação. Balela, gente boa. Bom mas se for verdade, todo o resto é uma merda, então que acertem em alguma coisa.

Anônimo disse...

Completando...aquele país infeliz, baluarte do comunismo falido está sob embargo há anos. Que equipamentos eles usam na formação dos médicos? Eles já viram um tomógrafo de última geração? Um bisturi elétrico? Você acha realmente que esses gênios lá formados podem fazer parte de uma equipe do Sírio Libanes ou do Einstein. Tenha a santa paciência, é inocência demais. Ah tá, mas a formação acadêmica é muito boa. Só se for pra saúde da família, preventiva, pra malária, gonorréia, essas doenças mais graves. É o romantismo imbecil, Cuba é uma merda.

Anônimo disse...

Aliás o embargo é uma tremenda covardia, já devia ter acabado há tempo. É chutar cachorro morto, covardia pura, não ameaça ninguém. O Irã é muito pior. Deixem o povo cubano viver em paz e ter acesso ao progresso. Mas Fidelzinho também podia liberar o pessoal pra sair. Se tivesse todo mundo satisfeito neguinho não se jogava numa bóia de trator pra chegar em Miami. E pelo que sei, ninguém que chega volta. Por que será? Essa é difícil responder.

douglas da mata disse...

Respostas aos anônimos que parecem um só:

Quem diz que a saúde pública cubana é uma das melhores do mundo não sou eu, é a OMS (os dados estão lá...eu sei que médico é um tipo meio burro, mas com um pouquinho de esforço, consegue...se não conseguir a OMS, tenta o Google, clica lá: "Estudo comparativo da saúde pública de Cuba e resto do mundo").

Bom, agora que titio ensinou onde procurar, vamos as respostas:

Logo, se Cuba tem a melhor saúde pública, não é difícil imaginar que tenham melhores médicos dentro de uma estrutura que privilegia o paciente e atenção básica, e não o hospital, o equipamento e a especialização, o que os especialistas chamam de "hospitalacentrismo"!

Mais uma vez, este blog repete: o que está em debate não é a qualidade individual do profissional, que depende do tipo de sistema no qual ele está inserido.
Mas o tipo de modelo e que tipo de prioridade será dada! A formação é resultado desta escolha!

Embora os problemas da saúde pública de países latino-americanos (e outros com níveis de IDH semelhantes) sejam parecidos, ou seja, é a atenção básica e preventiva (muito mais barata) que deveria ser focada, os nossos "jênios" da medicina querem manter o modelo que sustenta a indústria dos procedimentos caríssimos e equipamentos inalcançáveis, como se cada cidade de 10 ou 20 mil habitantes pudesse contar com tomógrafos, aparelhos de ressonância magnética ou laboratórios de sequenciamento genético.

Cuba é uma merda, mas o cubano vive em média 78,7 anos, enquanto o brasileiro vive 74 anos. Expectativa de vida cubana é igual ou melhor que os países do G8, exceto Japão.

Cuba é uma merda, mas tem 7 médicos a cada mil habitantes, e o Brasil, 1,8 a cada mil habitantes.

Cuba é uma merda, mas exporta médicos para 60 países, e forma médicos vindos de outros tantos, inclusive dos EEUU.

O que o idiota não percebe, e não quer perceber, que o atendimento básico, como saúde da família, é responsável por 60% do sucesso no tratamento (dados dos DATA SUS), o que descarregaria a pressão do sistema por outros procedimentos mais complexos.

É por isto que Cuba, mesmo em meio a pobreza e as dificuldades do embargo consegue ostentar números e índices melhores que o Brasil, os EEUU, e se igualar a Europa.

Eu fico cada vez mais assustado: se temos médicos com o "raciocínio" do idiota aí em cima, como confiar para uma consulta ou diagnóstico?

É como sempre digo, ao entrar em um consultório, a parte de você que terá mais atenção é o bolso!

Anônimo disse...

Nossa a sessão "Cuba é uma merda mas..." foi ótima. Me convenceu, to comprando a passagem pra Havana amanhã. Esta é uma opinião de quem NÃO mora lá? Será que aqueles miseráveis que se jogam no mar concordam com você? Por que se jogam não é mesmo? Por mim já deu, acho que pra você também. Cuba é ótima.

douglas da mata disse...

Caro (m)idiota, entenda:

Eu não estou aqui a defender o sistema político cubano, ou as escolhas do povo de lá.

Deveríamos dizer que o Brasil é um paraíso quando temos milhares de pessoas que se arriscaram (e se arriscam) a viver como clandestinos, ou sendo mortos atravessando o Rio Grande?

Se Cuba tem problemas? Lógico, que país não os tem.

A Europa tem 20% de desempregados, conflitos e toda vez que ali se abateu uma crise o mundo amargou milhões de mortos em conflitos de escala mundial.

O prefeito de Barcelona mandou lacrar as lixeiras para evitar que os "homens-vira-latas" as revirem em busca de comida...Não parece ser o melhor dos mundos, não é mesmo?

Os EEUU? Bem, o que dizer da maior economia do planeta que não tem sistema público de saúde?

Como pode ver, cada sociedade carrega seus problemas, e cada qual, a seu modo, busca soluções.

O debate aqui é outro, e (m)idiotas como você querem a simplificação...aqui não tem simplificação, meu caro.

Você pode ir a Cuba ou a puta que te pariu, não me interessa, mas para discutir aqui, tem que ter argumentos, e você não os tem.

FATO: O sistema público de saúde cubano é melhor que o do Brasil e se equipara aos dos países mais ricos.

Outro FATO: nosso sistema de saúde privilegia o ganho privado, o mercantilismo da medicina, e os médicos que sempre se beneficiaram disto, agora usam a "chantagem" da melhora das condições para impedir que seus privilégios sejam atacados!

Quando você tiver um outro FATO, um DADO que desconstruam estas premissas, ótimo, traga e debateremos.

Mas por enquanto, você bem que poderia ajudar os imbecis cubanos que fogem para Miami achando que encontrarão o paraíso.

Com uma vantagem, você não precisa de boia, porque merda não afunda.

douglas da mata disse...

PS:

- acho que sua "dose diária" de chinelada e chute da bunda já está dada!

- a próxima, só com receita.

- auto-medicação e overdose são perigosas, então, vaza meu filho...

douglas da mata disse...

Dados, só publicaremos dados!

Não insistam...

Repor(c)agem do "grôbo" é coisa para midiotas.

Só débeis mentais são capazes de comprar e/ou divulgar aquele lixo.

Quando você tiver algo mais que estes dejetos para contribuir para a discussão, publicaremos com todo prazer.