sexta-feira, 5 de julho de 2013

A moral seletiva: A maior das imoralidades!

O grande problema da tal "luta pela moralidade" é que, como todas as outras disputas no campo da ação humana, ela é estruturada em seletividade, ou seja, ainda que se pretenda universal, a tal da "moralidade" não consegue se livrar de sua carga de julgamento particular de condutas, e isto alçado a ferramenta do processo político desemboca sempre em um cinismo calhorda!

Só isto explica a repulsa aos atos dos presidentes do Senado e da Câmara em relação ao uso de transporte oficial em proveito próprio, e o esquecimento de que o presidente do stf, o torquemada jurídico, praticou os mesmos atos, e foi ainda além!

Claro que seus descendentes não estão condenados a desaparecer do mundo e/ou interromperem suas vidas profissionais, mas se estão corretos os partidários do "moralismo extremo", ao repetirem que a mulher de César não basta ser, mas tem que parecer honesta, é preocupante que os nossos macartistas da mídia e da direita brasileira tenham esquecido de comentar que o filho do cavaleiro das trevas (in)constitucionais tenha se empregado na maior rede de comunicação do país, justamente aquela que lhe adula os atos de vingança juristocrata e chiliques supremos.

Fico a imaginar se fosse a filha da presidenta a se empregar na redação da Carta Capital...Seria o caos! Um ultraje!

Este ato do justiceiro do stf não se compara, diga-se, as pressões nada ortodoxas que os juízes do stf andaram fazendo, recentemente, para que seus rebentos fossem alçados a desembargadores em tribunais superiores ao redor do país. 

Muito menos aos desvarios do gilmar "dantas" mendes.

Mas o fato é que o presidente do stf, em relação ao grupo globo, é reincidente. Há poucos meses, foi flagrado ao pagar as despesas de jornalista daquela casa em evento internacional (Costa Rica) que participou, ou seja, pagou com nosso dinheiro a cobertura de suas vaidades pessoais, porque, caso houvesse interesse público a ser noticiado, é dotado o stf de assessoria de comunicação capaz de distribuir conteúdo aos meios de comunicação.

E vamos seguindo, assistindo a mídia corporativa derreter sua credibilidade, ou pelo menos, o que sobrou dela...

Leia aqui a matéria da Agência Estado, publicada no site Viomundo:

Os voos da alegria de Joaquim Barbosa e Henrique Alves

publicado em 5 de julho de 2013 às 8:29

Joaquim Barbosa voa para ver jogo com dinheiro público
04 de julho de 2013 | 20h 09
EDUARDO BRESCIANI E MARIÂNGELA GALLUCCI – Agência Estado
O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Joaquim Barbosa, usou recursos da Corte para se deslocar ao Rio de Janeiro no final de semana de 2 de junho, quando assistiu ao jogo Brasil e Inglaterra no estádio do Maracanã. O STF diz que a viagem foi paga com a cota que os ministros têm direito, mas não divulgou o valor pago nem qualquer regulamento sobre o uso da cota.
O tribunal confirmou à reportagem que não havia na agenda do presidente nenhum compromisso oficial no Rio de Janeiro durante o final de semana do jogo no Maracanã. Barbosa tem residência na cidade e acompanhou o jogo ao lado do filho Felipe no camarote do casal de apresentadores da TV Globo Luciano Huck e Angélica. Segundo a Corte, porém, apenas o ministro viajou de Brasília com as despesas pagas pelo STF. Os voos de ida e de volta foram feitos em aviões de carreira.
Reportagem do jornal O Estado de S. Paulo de maio deste ano mostrou que ministros têm usado recursos da Corte para viagens durante o recesso forense, quando estão de férias, e para levar as mulheres em diversos voos internacionais. O total gasto em passagens para ministros do STF e suas mulheres entre 2009 e 2012 foi de R$ 2,2 milhões. Neste período, Barbosa utilizou recursos da Corte para passagens enquanto estava de licença médica e não participava dos trabalhos em Brasília. Os dados oficiais foram retirados do portal da transparência do Supremo após a reportagem por supostas “inconsistências”.
O Supremo diz que os ministros dispõem de uma cota para voos nacionais tendo como base uma decisão tomada em um processo administrativo durante a gestão de Nelson Jobim na presidência da Corte. Segundo o STF, a cota equivale a um deslocamento mensal para o estado de origem com base na tarifa mais alta para voos entre Brasília e Sergipe, devido ao fato de o ministro já aposentado Carlos Ayres Britto ser o integrante da corte naquele momento que morava na unidade da federação mais distante.
De acordo com o tribunal, a cota é anual e não é submetida a controle. As passagens podem ser usadas a qualquer momento, inclusive no recesso parlamentar, durante licenças, ou para viagens motivadas por interesses pessoais dos ministros.
À exceção do recém-empossado Luís Roberto Barroso, e de Celso de Mello, Marco Aurélio Mello e Teori Zavascki, os outros sete integrantes da atual configuração do tribunal usaram passagens áreas pagas pelo Supremo durante os recessos de julho e janeiro entre 2009 e 2012 segundo os dados que estavam no portal do próprio STF.

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