terça-feira, 2 de julho de 2013

A epidemia da mentira!

Veja a imagem abaixo, onde consta a convocação dos médicos para sua mobilização corporativista, hamada de "defesa do SUS" (resta saber qual SUS).

Mentem, descaradamente, os senhores médicos, e perdem uma ótima oportunidade de legitimarem a luta pela saúde pública, gratuita, universal, e de qualidade.

É certo que faltam condições de trabalho, mas dizer que não faltam médicos é um acinte, uma distorção grave da realidade.

O Brasil tem números que o comparam aos países mais pobres do mundo.

O que está em jogo, e os médicos não dizem, por óbvio, é a defesa de um modelo que privilegia a medicina como negócio, um produto caro e inacessível, estruturado em subsídios estatais para corporações privadas, enquanto o setor público morre de inanição orçamentária.

Frente a este fato, os "dôtores" apelam para o discurso (neo)liberal da "gestão eficiente"...

Deve ser a mesma "gestão eficiente" das cooperativas médicas, como a UNIMED, que ainda que entubadas em bilhões de reais das deduções fiscais do IRPF, prestam um serviço que é campeão de reclamações na Justiça e dentre as agências reguladoras!!! 

Veja a imagem e leia o texto que vem logo abaixo, produzido pela Agência Estado, e tire você sua conclusão:



OMS alerta para disparidade entre número de médicos e população no BrasilTaxa se aproxima à de alguns dos países mais pobres do mundo

Publicação: 20/05/2013 09:37 Atualização: 20/05/2013 09:51

Genebra - O Brasil tem, proporcionalmente à população, metade dos médicos dos países europeus - no Norte e Nordeste, essa taxa se aproxima à de alguns dos países mais pobres do mundo. Dados que serão divulgados nesta segunda-feira, pela Organização Mundial da Saúde (OMS) na abertura de sua assembleia anual, em Genebra, revelam que a média de profissionais para cada 10 mil pessoas no Brasil está abaixo da do continente americano e é bastante inferior à dos países ricos.

O governo brasileiro vem discutindo a ideia de importar médicos, justamente para atender áreas de maior déficit. Se em alguns centros urbanos os números chegam a superar a média de países ricos, em outras regiões a penúria é dramática, com mais de 300 municípios em dificuldades.

Segundo a OMS, há 17,6 médicos no Brasil para cada 10 mil pessoas. A taxa é inferior à média do restante dos países emergentes - 17,8. O índice também é inferior à média das Américas (mais de 20). Mas é a comparação com os países ricos, principalmente da Europa, que revela a disparidade entre a situação no Brasil e nas economias desenvolvidas. Em geral, existem duas vezes mais médicos na Europa que no Brasil - 33,3 a cada 10 mil habitantes. São 48 médicos na Áustria a cada 10 mil cidadãos, contra 40 na Suíça, 37 na Bélgica, 34 na Dinamarca, 33 na França, 36 na Alemanha e 38 na Itália.

Disparidade
O que chama a atenção da OMS é que há diferentes realidades no Brasil. No Sudeste, por exemplo, a taxa é de 26 médicos por 10 mil habitantes, superior à dos Estados Unidos (24), Canadá (20) e Japão (21) de saúde no mundo. Mas, nos Estados do Norte, são 10 médicos para cada 10 mil pessoas, abaixo da média nacional de países como Trinidad e Tobago, Tunísia, Tuvalu, Vietnã, Guatemala, El Salvador ou Albânia. No Nordeste, a taxa é de 12 médicos para cada 10 mil pessoas - no Maranhão, chega a 7 médicos por 10 mil, taxa equivalente à da Índia ou do Iraque. A situação mais dramática, porém, é ainda da África, com apenas 2,5 médicos a cada 10 mil habitantes. 

4 comentários:

Anônimo disse...

É fato que os estados mais pobres do Brasil, concentrados no Norte e Nordeste, não dispõe de boas condições de trabalho, infraestrutura e material para diversas categorias, inclusive para os médicos. No caso específico deste último, por se tratar diretamente e literalmente com a vida das pessoas, a responsabilidade sobre eles (médicos) é enorme. A responsabilidade sobre o seu trabalho (medicina) é enorme.

Os números gerais de médicos no Brasil - não divididos e calculados por estado e proporcionalmente por habitantes de cada estado – revelam que não faltam médicos no Brasil. O que acontece é que eles não se sentem seguros e bem remunerados (isso também é verdade, e tem que ser dito) para trabalhar em locais que não correspondem a estas expectativas, neste caso os estados mais pobres da federação.

As comparações com os números (expectativa de vida e mortalidade infantil) de outros países e a questão da mercantilização da saúde – que virou uma realidade em nosso país, principalmente pela desregulamentação do setor de planos de saúde, e que você descreveu bem – fazem deste debate importante e necessário para o Brasil, mas entendo que falta em seu discurso exigir do estado brasileiro melhores condições de trabalho aos médicos que queiram trabalhar nos estados mais pobres. Isso também é uma realidade e os números estão aí também!

douglas da mata disse...

Caro comentarista:

Você parece não ter lido bem o texto:

Eu sei que estatísticas podem dizer um monte de meias-verdades. Mas o fato é, nosso número médio de médicos por cada 1 mil ou 10 mil (tanto faz) é sofrível.

Mas vamos a um exemplo grotesco:

Não se trata de ponderar sobre esta média, uma vez que você terá 500 médicos no Leblon, e 1 em Belford Roxo, ou no Souza Aguiar. Isto é FATO!

Com exceção dos centros urbanos do sul-sudeste, onde a média sobe e muito, não há médicos para atender a todos, mesmo que déssemos todas as garantias e condições, isto é OUTRO FATO, porque eu preciso é de 2000 médicos em Belford Roxo, e não os 250 que eu poderia redistribuir do Leblon!

E por que?

Ora, não é só uma questão da salário no setor público, embora este seja um fator relevante, é porque nas áreas pobres do Brasil não haverá possibilidade de angariar pequenas fortunas com a medicina privada (consultórios), inclusive porque fazer medicina para pobre(geralmente preventiva ou de urgência/emergência) não dá status e reconhecimento (salvo casos raros).

O dinheiro vem com o procedimento eletivo no Sírio-Libanês ou no Copa D'Or.

Você acha que as condições cubanas de trabalho (inclusive pelo embargo) são melhores que as do Nordeste ou Norte do país?

Será que os cubanos têm mais compromisso hipocrático?

Eu lido diretamente com vidas (ando armado, e tenho que defender sua vida, em qualquer situação), me exponho a todo tipo de ameaças, trabalho em condições draconianas, um erro de julgamento pode matar inocentes ou meus colegas, mas será que você vai se lembrar disto quando acontecer algo contigo, ou quando ficar três ou quatro horas na delegacia? E ganho 4 mil reais por mês...Qual médico ganha 4 mil reais?


O problema real e que deve ser debatido é que as condições gerais dos médicos (ou de qualquer outro servidor público) só se tornarão boas ou satisfatórias quando o Estado começar a servir, de fato e de direito, os mais pobres.

O modelo atual, tanto na saúde, quanto na segurança ou educação, mercantiliza este Estado e precariza seus servidores, e os médicos acabam por buscarem alternativas individuais (e nunca coletivas) para melhorar sua renda, porque suas profissões permitem.

E tudo isto às custas do aumento da segregação sanitária, ou seja, com mais deduções de impostos que bancam consultas e procedimentos privados, enquanto os orçamentos públicos definham.

A tese da gestão eficiente é neoliberal e idiota!

O que os médicos estão a dizer a população é que querem que o modelo medicina-negócios permaneça, e claro, com maiores ganhos para eles.

Anônimo disse...

Caro Douglas:

Concordo em tese com seus argumentos econômicos e relativos ao status e reconhecimento, em contraponto ao Anônimo das 8:55. Contudo devo discordar da comparação com o seu trabalho de policial. Não me refiro às condições de trabalho, que são semelhantes na precariedade de recursos. Me refiro à posição geográfica. O policial lotado em Confins-do-Judas lida com poucos crimes, embora com a presença do risco inerente ao cargo. De toda forma, baixo. Já o médico que se dispor a trabalhar em Judas-Perdeu-a-Meia terá muito mais demanda.

...

A questão é relativamente simples: se os médicos brasileiros quiserem ir para as regiões remotas do País que aproveitem a oportunidade e o façam agora. Se não querem, deixem os cubanos em paz. Depois façam a comparação das estatísticas. Se os doutores da ilha estiverem fracassando, os mandamos de volta.

Sugiro aos médicos que saírem de suas casas que continuem a caminhar. Em direção ao norte...

douglas da mata disse...

Sem querer esticar a polêmica para uma comparação de menor importância, nem sempre o "confins" do judas têm, na função policial, a mesma conotação que você imprimiu:

Para quem mora em Parati, ser transferido para Macaé, é o confins do judas, e a violência e condições de trabalho disputam para saber o que ameaça mais a saúde do trabalhador.

Tudo isto sem ajuda de custo, sem diárias, etc.

Já médicos, e outras categorias recebem todos os mimos para se deslocarem.

Imperatriz, a segunda cidade do Estado do Maranhão está com o cargo de chefe da pediatria neonatal da sua maternidade vago há 03 meses, paga 30 mil!

Mas eu gostaria de chamar a atenção, mais uma vez, que o foco deve ser o Estado, ou seja, a quem ele serve, para onde deve ir o seu financiamento.

Os médicos são "sócios" da depauperação dos orçamentos, pelo sistema de subsídios dos planos de saúde e medicina privada, querem carreira de Estado, mas não querem os deveres desta carreira (dedicação exclusiva, e impossibilidade de atuar fora do serviço público, como as demais carreiras de Estado - juízes, promotores, delegados, defensores e policiais).

Querem ótimos salários, mas não querem dar as contrapartidas.

Neste sentido, são os médicos os cúmplices da privatização e mercantilização da medicina, através do excesso de especialização, da sofisticação desnecessária de procedimentos, dos esquemas com as indústrias farmacêuticas.

Se queremos debater saúde pública, precisamos ir fundo em todas as questões, e abandonarmos as mistificações!