sábado, 22 de junho de 2013

Um debate necessário!

Vamos ao debate com os setores que se revindicam "a verdadeira esquerda", ou a "legítima esquerda" (Será algum culto ou religião? Se for, eu pulo), que na blogosfera local estão representados pela ótima capacidade de intervenção do Professor Pedlowski.

Mas desta vez vamos inovar, e já que o blog dele não permite comentários (pelo que ele já disse o porquê, e respeitamos), traremos o texto para aqui, e o "esquartejaremos", porque se fosse fazer autópsia seria porque as palavras estariam mortas, e não é o caso de tamanho desrespeito com um companheiro:

"Noto após leitura de mais uma postagem do meu caro colega blogosfera Douglas da Mata (Aqui!) que ela cisma em me adjetivar de "ultra esquerdista" em vez de começar o trabalho de disputa que pessoas tem que fazer no seu próprio partido que, convenhamos, não é mais de esquerda. Ele poderia começar trabalhando para requisitar a saída do governo do "bom petista" Paulo Bernardo, ministro das Comunicações, que nas páginas amarelas da Revista Veja acaba de desancar os condenados do Mensalão e a própria militância do PT que, segundo ele, é formada por pessoas que "extrapolam".(...)"



Réplica: Eu não sei se o Ministro Paulo Bernardo é um bom petista. Não conheço sua trajetória. Aliás, dada a diversidade e riqueza de trajetórias políticas, que são, per si, a riqueza do PT, não saberia dizer o que é ser "bom" ou "mau" petista. Isto me parece, justamente, um critério moral(religioso?) para definir quadros políticos, bem parecido com o que o professor Pedlowski denuncia e se diz antagônico. Como Ministro tenho uma série de restrições a seu trabalho, mas entendo que a Presidenta, em quem eu confio politicamente, e até agora, de forma plena, o mantém por escolha política dela, e isto é, para mim, bastante relevante. Uma das características mais impressionantes do PT é sua democracia interna, fato que o pessoal da ultra-esquerda nunca digeriu bem, a não ser quando reivindicava tal princípio apenas em seu favor. Quando era contra, exigiam o centralismo democrático. Este é um dos motivos pelo quais foram expelidos e expulsos do PT, e não pelo que diziam defender, como alegam, sempre em (im)postura de vítimas. Se o Paulo Bernardo falou o que disse, vamos ao debate. Suas opiniões sobre mensalão não estão muito distantes do que a ultra-esquerda (ops, desculpe, a "nova esquerda, e verdadeira esquerda do cálice sagrado de trotsky") diz sobre o mensalão, como, inclusive, já li em textos do professor Pedlowski, se referindo a Zé Dirceu como símbolo da capitulação petista as práticas ilícitas e usadas pela direita, em financiamento eleitoral e acordos políticos.



("...)Quanto ao discurso de Dilma Rousseff, essa é outra coisa. O discurso dela poderia ter sido proferido pelo Fernando Henrique Cardoso ou até pelo Fernando Collor. Que presidente iria para a televisão dizer que os milhões que foram às ruas são todos vândalos. É óbvio que é mais fácil dizer, como anda dizendo a Rede Globo, que essa é uma minoria e que ela conversa com as lideranças. Mas que lideranças perguntaria alguém minimamente  atento! Falar que conversas com lideranças de movimentos marcados com a horizontalidade é quase dizer que vai realizar uma entrevista ao vivo com Jesus Cristo. Pode ser a coisa mais desejável do mundo, mas de chances concretas bastante escassas. A não ser que tenhamos chegado à beira do "Juízo Final" e a Rede Globo tenha perdido esse furo de reportagem.(...)


Réplica: Aqui o Professor extrapola. Ora, os discursos presidenciais são sempre parecidos, e boa parte da liderança reside na capacidade de falar o óbvio, mas dotando esta fala de grande carga simbólica, quer seja pelos atributos pessoais (carisma, como fazia Lula e até Collor), suposta proficiência acadêmica (ffhhcc), ou legitimidade forjada na luta e na superação de gênero , como é a presidenta Dilma!Todos, até o professor sabe, que não há lideranças disponíveis para interlocução, mas que o discurso da presidenta aponta o caminho, sendo que lhe resta pouco a fazer, senão encaminhar a conjuntura para que estes grupos comecem a se organizar, reivindicar a liderança e serem legitimados pelos seus grupos de afinidade. Ou o professor imagina que uma grande assembleia unirá fascistas e esquerda para tirar uma pauta comum de negociação?Quer o professor que Dilma mande a Abin identificar as lideranças, "extraí-las" e colocar em uma sala do Planalto para uma reunião?


"(...)Aliás, ela vai chamar os governadores para que mesmo? Essa questão da mobilidade se resolve por lei ou decreto? Ou teríamos que ter uma modificação estrutural na forma com que se pensa o transporte urbano no Brasil? E para isso há dinheiro? Ora, hoje mais de 40% do orçamento da União está indo para pagamentos de juros, enquanto o índices dos gastos (isso segundo o discurso da Dilma) de saúde, educação e habitação não chegam a míseros 10%. Aliás, como observou alguém que ouvi recentemente, você sabe para quem se governa quando se olha o orçamento do governo. No caso do governo Dilma, está claro que é para os banqueiros, latifundiários e escolhidos para serem as caras bonitas do capitalismo tupiniquim como é o Sr. Eike Batista.(...)"


Réplica: Bom, em um país como o Brasil (uma federação), onde os estados, e por tabela, as cidades, detêm autonomia, imagino que uma solução ampla e nacional, mesmo que respeitando especificidades regionais, passa por uma ampla negociação, inclusive porque há questões tributárias sob atribuição regionais e locais, e até para se rever juros e pagamentos de dívidas, uma vez que tais premissas também incidem sobre orçamentos estaduais e municipais.
O professor mente(ops, desculpe, se engana): O montante de juros pagos em relação ao PIB decresceu de 9% em 2002 para 4% em 2013. Nosso juro real hoje é de 2%. Já esteve em 15 a 20 há apenas 10 anos atrás. Dizer que não esforço deste governo, ainda que não seja na velocidade (da luz?) pretendida pela "super-nova-ultra-mega-plus-esquerda" é desonesto intelectualmente.


"(...)Além disso, eu fico esperando a hora que um petista do Rio de Janeiro vai ter a coragem de fazer uma crítica mínima que seja aos desmandos do (des) governador Sérgio Cabral. As cenas protagonizadas na 5a. feira pelo BOPE e pelo Pelotão de Choque, com ataques inclusive a hospitais deveriam merecer o mais profundo repúdio dos petistas. Mas não, o que se vê é na aceitação de quem pauta o que o governo federal faz é a Rede Globo.(...)"


Réplica: Deve ser mesmo uma "boa" tática do governo, ou de quem repudia a violência, EXORTAR a repulsa generalizada às forças de segurança em meio a uma crise destas. Será que devemos gritar: "CHAMA O VÂNDALO", para nos proteger? Tem alguma milícia aí disponível? Ora bolas, o comportamento criminoso, se assim ficar provado, da Polícia, quer dizer, dos policiais, deve ser tratado nos limites da responsabilidade de quem a tem, inclusive a do governador, se for o caso. Mas politizar (neste momento) a questão da ação indevida é enfraquecer a possibilidade do aparato estatal manter a ordem desejada. Se queremos um debate político sobre o papel da polícia como guarda pretoriana do Estado, certamente não é no momento no qual hordas de vândalos depredam a cidade. Isto é uma questão que transcende a necessidade de demarcar campos políticos, mas está implícita em preservar vidas!


("...)Assim, se ter este tipo de posicionamento frente à realidade é ser de ultra-esquerda, estamos caminhando rapidamente para o ultra-esquerdismo generalizado. É que se olharmos o que aconteceu majoritariamente nas múltiplas manifestações que ocorreram e continuam ocorrendo no Brasil é uma crítica profunda à manutenção desse status quo vergonhoso que gasta bilhões em estruturas inúteis que só favorecem os ricos, enquanto para os pobres sobram as balas de borracha, as bombas, e as remoções forçadas para a construção de condomínios fechados e outros tipos de megaempreendimentos, como é caso do Complexo do Açu.(...)"


Réplica: É, devemos morar em países muito distantes. Sabemos todos que a luta (se considerarmos o que o tempo significa em termos de História) sequer começou neste país, pois há 10 ou 12 anos, de uma tacada, 50 milhões saíram da extrema pobreza e tiveram acesso não só a renda (ainda tímida) e bens de consumo, foram criadas milhares de vagas em Universidades (públicas e privadas), ampliação significativa do atendimento de saúde (que por isto mesmo tende a realçar a percepção de precariedade enquanto se estende), reconstrução de estradas, aeroportos, portos, nível recorde de empregos, salário mínimo triplicado, menor dívida pública em relação ao PIB da História, redução drástica nos juros, e como se não bastasse, recomposição das carreiras públicas, reestruturação ampla e total da Petrobrás, redução de tarifas de energia, bolsas de estudo grátis com tudo pago (até roupa e computador) para estudantes no exterior.
Um governo que de forma inédita, resolveu bater o pé no uso dos royalties do pré-sal para a educação, etc, etc, etc...
Mas claro, não somos perfeitos e nem capazes de apreender toda a dinâmica da sociedade capitalista, que ainda é vigente, e que se expressa em casos como do Açu.
Em relação a este caso, por exemplo, este blog sempre esteve do "lado do bem", ou melhor, dos "verdadeiros esquerdistas", como propõe a classificação "cientológica" do Pedlowski.


"(...)
Finalmente, aos neopetistas que se indignam com as minhas leituras de realidade, só posso dizer uma coisa: como ateu eu não discuto religião, discuto política. É que muitas análises sobre a realidade que eu vejo parecem nascer do interior do neopetismo parecer advir de ligações diretas com elementos sobrenaturais. Ai, me desculpem, eu passo!"


Engraçado é ver alguém se (auto)rotular de verdadeira esquerda, determinar, de forma absoluta , linear e homogênea, o que são os outros(isto é sempre um perigo, ainda mais em ciência social)e depois nos dizer que somos nós os "religiosos" ou "metafísicos"

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