sexta-feira, 7 de junho de 2013

Os EEUU sombrios e a Nova Idade Média!

O intenso debate provocado pela revelação da espionagem promovida pelo governo dos EEUU, de forma direta, imotivada e indistinta sobre o fluxo de dados de internet transmitido pelas empresas com sede naquele país traz a reboque a constatação de que, definitivamente, a Democracia descolou-se de vez do America Way of Life.

Gostemos ou não, este fato vem repercutindo entre nós, e todo mundo ocidental há tempos. 
Certos cacoetes de nossas políticas de segurança, o trato com direitos das minorias, e óbvio, os trejeitos político-partidaristas da mídia corporativa, fiel mimetizadora dos costumes do Norte são a expressão deste fato.
E como sempre, o macaqueamento tende a distorcer ainda mais os valores imitados!

É fato que o conflito entre os interesses capitalistas,representados pela política interna e externa dos EEUU, e a agenda dos direitos civis sempre foi intenso. 
Mas o estamento jurídico sobre o qual foi constituído a mais rica nação do planeta sempre deixou claro os limites da ação do Estado sobre a esfera individual, dentro de uma perspectiva que, ao contrário do que apregoam os furiosos liberais, sempre legou-lhes um enorme senso de bem estar coletivo, de respeito as leis, e justamente, esta combinação que formulou no Bem Estar Social (Wellfare State), "exportado" culturalmente como meta a ser perseguida, ou ao menos, invejada!

Claro que sabemos que esta disseminação ideológica serviu muito mais a justificar a preponderância geopolítica e econômica dos EEUU sobre seus países-satélites, e que não raro esta relação de dominação implicava em impor nestas áreas de influência regimes truculentos e anti-democráticos.

Não há como negar, no entanto, que o modelo de democracia representativa, de ação jurídica do Estado, de proteção das minorias, enfim, do processo de evolução do Estado brasileiro tem nos EEUU um modelo, ainda que adaptado!

Hoje, o total sequestro das forças representativas do Estado (mandatários) pelo conjunto de setores que mesclam a indústria bélica (calcada no binômio paranoico Estado-polícia e Estado-militar), os grandes grupos econômicos, mormente os dos setor financeiro e por fim, os mais obscuros campos do fundamentalismo religioso e político, todos eles vocalizados e amplificados pelas corporações de mídia, é um sinal assustador de uma espécie de Nova Idade Média que se aproxima, no que tange as liberdades individuais.

A maior parte do fluxo de dados da internet está sob domínio de empresas sediadas nos EEUU, e o que pode ser feito com tamanho monopólio já está bem evidente.

Se desejarem, estas empresas podem bloquear sistemas financeiros, administrações públicas inteiras, corporações privadas, etc, de países que julgarem uma ameaça aos EEUU, ou a si mesmas!

O volume descomunal de dados processados e armazenados nestas empresas e seus servidores é igualmente aterrador, e confere a quem os detêm, ou a quem os requisita ou acessa (como fizeram o FBI e a Agência Nacional de Segurança) um poder proporcionalmente avassalador.

É chegada a hora dos países começarem a construir suas barreiras e legislações que os protejam de tamanho assédio, bem como instituir barreiras fiscais (tributos) para fomentar a pesquisa e desenvolvimento de empresas similares em nosso país, sem o que estaremos aprofundando laços de dependência unilateral e subordinante.



3 comentários:

Anônimo disse...

Concordo com você. O seu último parágrafo deveria ser lido na tribuna do congresso.
Temos capacidade para criar empresas similares no Brasil. Apesar de nosso atraso tecnológico, especialmente no setor industrial, já detemos capital intelectual para desenvolvimento de empresas que poderiam vir a ser concorrentes do google, facebook, skype, youtube etc.
Se o governo resolver enfrentar esta brutal invasão e controle que exercem estas grandes empresas, com dados armazenados em verdadeiras fazendas de tecnologia, podemos vir a ser modelo para o resto da internet.
O assunto é sério e tudo que eles querem é que achemos que não...

Anônimo disse...

Impossível!

Ainda mais com os jovens brasileiros que temos de hoje.

Preguiçosos, individualistas, egoístas, alienados e que se acham inteligentes quando dizem "eu odeio política!"

douglas da mata disse...

Os jovens de hoje são resultado do legado que deixamos a eles.

Os traços apontados por você foram alimentados por nós, que quando tivemos chance não promovemos, e sequer lutamos pelas mudanças necessárias.

Fomos nós que engrossamos o caldo de cultura que desemboca no ódio a política e aos processos a ela inerentes.