segunda-feira, 10 de junho de 2013

O silêncio dos invisíveis!

A mídia local, vocalizadora do latifúndio e de todas as formas de exploração, patrocina o mais recente ataque aos movimento organizados do campo, sob a cínica tese de que não existe conflito, muito menos violência.

Não é uma forma "ótima" de lidar com o problema? 
Para fazer desaparecer a concentração de terra, as dívidas das usinas e seu legado com trabalhadores, o persistente trabalho escravo, e as mortes no campo, basta dizermos que tais situações não existem...e pronto, em um passe de mágica, temos a paz!

Bom, ainda bem que cada vez menos gente lê, ouve ou vê o que se produz nestes territórios de delírio nos quais se tornaram as redações, desde a planície até o planalto!

Está aí o convite para um "problema que não existe", de acordo com algumas mídias locais:

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3 comentários:

Anônimo disse...

Gostaria de ler aqui no blog a sua opinião sobre a política de importação sem avaliação de médicos cubanos (em sua maioria). É fato que não é cabível tentar resolver o problema da saúde "abrindo a cancela". Não é a presença do médico que resolve o problema da saúde (visto o RJ tem o maior percentual de médicos/habitante e também detém a pior avaliação em saúde), muito menos se ele não for qualificado para tal. A Venezuela também abriu as portas para esses médicos sem avaliação, e deu no que a gente viu... Tenho a certeza que tal fato será abordado com compromisso com a verdade.
Nota:o Ministro insiste em dizer que serão importados médicos portugueses e espanhóis, mas é óbvio que trata-se de uma cortina de fumaça. Entidades desses dois países já se pronunciaram contra tal medida.
Sugiro o vídeo http://www.youtube.com/watch?v=bzpAD0ij_UE

douglas da mata disse...

Vamos a minha opinião:

01- O problema da saúde pública envolve diversas variáveis, mas a principal delas é: FINANCIAMENTO, ou seja, DINHEIRO!

Neste sentido, a mudança dos paradigmas enraizados, como as estruturas fiscais, o arranjo constitucional de atribuições de gestão do SUS(união, estados e municípios), a questão grave da medicina privada, subvencionada por recursos públicos, com as deduções fiscais e outros incentivos, desembocam em um processo lento e de intensa disputa política.

Afinal, devemos saber quem vai pagar a conta, e quem precisa de mais e melhor atendimento (deveriam ser os mais pobres).

Se você apresentar uma crítica dizendo que o governo e o PT têm discutido e estimulado pouco a discussão sobre estes temas, eu concordo!

Mas isto não pode ser misturado com a crítica infundada sobre a "importação" de médicos.

02- O problema da carência de médico em áreas remotas levou ao governo a esta decisão, acertadíssima, na minha opinião de leigo no assunto.

Nosso número de médicos por cada mil habitantes é de 1,09, enquanto de Cuba, por exemplo é de 7.

E nesta enorme carência 60% ou 70% dos profissionais se concentram no eixo Sul-Sudeste.

A medida é emergencial, e não foi colocada pelo governo como solução para a saúde pública, quem colocou desta forma foram a mídia e as corporações médicas, dispostas a preservar sua "reserva de mercado", e seu poder político de pressão(o que não ilegítimo, do ponto de vista corporativo).

Há uma intensa cortina de fumaça, mas não é do Ministro da Saúde ou do governo.

As autoridades médicas dos países citados por você (Espanha e Portugal) querem que os médicos venham para atuar em qualquer lugar, e não para serem designados para os locais onde são necessários, ora, vão engrossar o caldo de concentração nos eixos mais ricos do país: RJ, SP, BH, Porto Alegre e Curitiba.

Todo governo, quando convida profissionais de outros países para atuar em situações específicas, tem o direito (e o dever) de determinar sob quais regimes e regras se dará esta atuação, é nosso poder soberano se expressando!

Quanto aos médicos cubanos, a rejeição é só um claro caso de preconceito, alimentado por questões ideológicas.

Cuba tem uma saúde em tudo mais eficiente que a nossa (aliás, melhor que a maioria dos países ocidentais), e muito mais barata, haja vista que eles dispõem de muito menos recursos para tocá-la.

Sobre sua consideração sobre a quantidade de médicos não resolver o problema, em parte você está certo, mas é de se considerar que boa parte da concentração destes profissionais se dá, como eu já disse, principalmente porque estes médicos (muitos deles formados com recursos públicos das Universidades gratuitas) se beneficiam das subvenções públicas (deduções de impostos) para custeio da medicina privada que exercem.

Mas é fato, por outro lado, que em áreas como Norte, Nordeste, e Centro-oeste, o primeiro problema é a FALTA de médicos, e como nenhum médico quer largar seu consultório no Leblon, ou na Oscar Freire, ou na Savassi, para clinicar em Paraopeba, o governo tem que agir, como fez.

Talvez fosse o caso do governo começar a exigir: estudou em Universidade Pública? Tem que passar cinco anos em tal local, de acordo com a necessidade (como é feito em alguns países), e já começa a ser feito com o Programa de Saúde da Família, onde o governo troca o pagamento do FIES do aluno que deverá se filiar ao programa em determinadas cidades.

Agora eu pergunto, sobre esta questão da "qualificação":

Se você for a Cuba, ou a Bolívia, e sofrer um acidente ou mesmo um infarto, vai pedir o REVALIDA do médico de lá que te atender, ou levará seu médico brasileiro à tira-colo.

douglas da mata disse...

Assisti o vídeo sugerido, e vamos lá:

Médico quer carreira de Estado, com salário de carreira de Estado (como juiz, promotor e delegado, como citado), mas não quer compromisso integral(dedicação exclusiva) de carreira de Estado, pois quer ainda as benesses do profissional liberal, e ter consultório paralelo, ou atuar na medicina privada.

Mais ou menos como se um juiz ou promotor ou delegado pudessem advogar.

Outra mentira sobre a capacidade de exames e o número de médicos e as solicitações consulta:

Ele usa números gerais para obter uma média, quando sabemos que 60% dos problemas de saúde se resolvem com atenção clínica (uma boa consulta, com tempo adequado), e não com os números de exames, que na verdade, correspondem a um processo conhecido como síndrome da especialização, onde a medicina passou a se pautar pela escolha por procedimentos caros, ao invés da humanização do contato médico x paciente (contato).

Claro, que os médicos, como o deputado, que se queixa, foram largamente beneficiados por esta mercantilização da medicina, em conluio inclusive com a indústria farmacêutica, o que encareceu e tornou a medicina cada vez mais inacessível aos mais pobres.

Com todo este lamento do deputado-médico, o fato é:

A medicina é a que oferece os maiores rendimentos médios, desde o início até o fim das carreiras, e é a carreira mais disputada( e creio que não seja por vocação, é dinheiro, como o deputado mesmo diz).

Ou seja: estão no topo da pirâmide sócio-econômica, e por isto mesmo, concentrados nas regiões mais ricas.