domingo, 16 de junho de 2013

O esquerdismo, a doença infantil do comunismo. O apartidarismo, a doença infantil do esquerdismo!

Neste pequeno, mas profícuo debate com o professor Marcos Pedlowski, aqueles que tiverem paciência de acompanhar, poderão compreender que uma parte dos dilemas da esquerda mundial pode ser enxergada nesta discussão.

De um lado, os setores que buscam acumular capital político para estender ao máximo os limites impostos pela realidade capitalista, sem perder de vista que chegará a hora de propor a ruptura com o modo de produção capitalista.

Mas durante este processo, este setor, representado pelo PT, não abre mão de aumentar as conquistas possíveis dentro da lógica que tenta transformar.

De outro lado, aqueles que acreditam na "pureza revolucionária", ou que a transformação da sociedade é uma questão de gosto, ou ainda de apoios "independentes e apartidários", que preservem esteticamente um conjunto de palavras de ordem, e as mantenha a salvo do "contágio" dos processos políticos e históricos, eles mesmos, carregados de contradições, avanços e recuos.

Algo como: só nos serve intervir para ter a realidade que desejamos impor, e qualquer coisa diferente disto não é passível de convivência.

Esta "certeza" histórica das verdades irreconciliáveis fez milhões de vítimas, inclusive León Trotsky, ele mesmo vítima da disputa de verdades irreconciliáveis, a sua e a de Stálin. 
Venceu o mais forte.

Por uma questão de gosto, não é esta minha acepção de disputa política, a do confronto de verdades irreconciliáveis, embora eu não rejeite e nunca rejeitarei o valor de um bom conflito, quando necessário.

De fato, vamos contrapor trechos de dois intelectuais que tenho em alta conta, Lênin e Pedlowski.

Para Lênin, fomos buscar ali na Wikipedia mesmo, para não tornar o debate tão denso e erudito...Veremos que Vladimir  Illitch Ulianov continua bem atual...Como também, é possível notar, porque Stálin e Hitler venceram:

Segundo Lênin, "negar a necessidade do Partido e da disciplina partidária (...) equivale a desarmar completamente o proletariado, em proveito da burguesia".
Nos capítulos de VI a VIII, Lênin defende a atuação dos partidos comunistas nos sindicatos mais atrasados e nos parlamentos burgueses. Defende também a necessidade de se estabelecerem acordos e compromissos. No capítulo IX, o alvo são os "esquerdistas" ingleses, censurados por se recusarem a estabelecer compromissos com o Partido Trabalhistareformista, que congregava a maior parte da classe operária inglesa.2


E agora, o professor Pedlowski:

"(...)Finalmente, eu prefiro mil vezes conviver com os erros e equívocos dos que ainda não baixaram as bandeiras do socialismo do que ter que conviver um segundo sequer quem escolheu, em nome da governabilidade burguesa, se abraçar com Maluf, Collor, Calheiros e Afif Domingos. Sei lá, é apenas uma questão de gosto."

3 comentários:

Anônimo disse...

TV Globo não distribui as imagens das vaias a Dilma e a Blatter. Para não prejudicar sua corrida à reeleição, a presidente aparecerá o menos possível na Copa das Confederações. E novos protestos já estão programados para todo o Brasil…

douglas da mata disse...

Bom, só um idiota para imaginar que a globo tenha algum compromisso com a imagem de Dilma.

O pobre idiota não entendeu (ou não quis entender) que a censura das imagens se deu por ordem da Fifa e de seu czar.

E segue o comentário atropelando o bom senso e a realidade: Como se uma mulher que sobreviveu a tortura nos porões da ditadura, se impôs como alternativa na cena dominada por homens, e sem contar com a unção do establishment partidário, e mesmo assim se tornou presidenta, fosse se intimidar com as vaias dos babacas da classe média leitores de veja, ou de protestos de universitários.

Vão protestar por que mesmo?

0,20 centavos de aumento, o pessoal que nunca andou de ônibus?

Contra a distribuição de renda e os programas sociais?

O aumento de vagas das Universidades, as bolsas no exterior?

Contra o aumento na renda nacional?

Contra o salário mínimo de 300 dólares?

Contra o emprego pleno?

Putz, que viagem...depois este pessoal da ultra-esquerdalha reclama quando leva chinelada...

Hoje em dia só servem para fazer coro ao PIG.

Anônimo disse...

Caro Douglas,

o trecho do professor Pedlowisky confirma sua análise: a últra-esquerda atua com os códigos da estética, não os da política. Quando se distanciam da estética, atuam no terreno das preferências pessoas, das relações íntimas. "Prefiro conviver com esse, e não com aquele".

O que buscam - e no caso do professor isso muito forte - é um charme e uma autenticidade estética faltantes.